A Mulher Monstro vem bater panela

04/04/17 às 00:00

O polêmico espetáculo A Mulher Monstro, protagonizado por José Neto Barbosa, apresentará no Teatro Mini Guaíra de 2 até 5 de abril com sessões abertas em horários diversos. A entrada custa apenas R$ 20,00 (inteira).

O Festival de Curitiba é um dos maiores e mais importantes do país, e os ingressos antecipados para A Mulher Monstro na mostra FRINGE já estão disponíveis no site www. festivaldecuritiba.com.br/evento/a-mulher-monstro/234, nas lojas e quiosques do Festival e da Disk Ingressos, no telefone (41) 3315-0808 ou ainda na Bilheteria do Teatro Guaíra.

A tragicomédia trata a atualidade político-social do Brasil através da figura de uma burguesa decadente perseguida pela própria visão intolerante da sociedade, sem saber lidar com a solidão e as relações num tempo de ódio e golpe vistos sem vergonha.

A obra é baseada no conto Creme de Alface de Caio Fernando Abreu, escrito durante a ditadura militar e ainda tão atual.

A criação do espetáculo começou em 2015 e se deu entre Recife e Natal. O processo surgiu diante das barbáries sempre lidas e ouvidas de forma tão escancarada no dia a dia e, agora, acentuada dos últimos tempos não só nas redes sociais. Na obra, inspirado nas suas memórias da Mulher Monga dos parques e circos nordestinos, o artista expõe fatos e discursos impositivos de sua vida, desde infância, decorrente da discriminação vista e sentida no convívio social.

Expõe as expressões que reforçam, até mesmo inconscientemente, o preconceito e os argumentos golpistas, segregacionistas, antidemocráticos ou radicalistas. Denunciando o pensamento reacionário equivocado, mesclado ao racismo, machismo e sexismo, fundamentalismo religioso, gordofobia, homofobia, xenofobia, entre outros discursos da intolerância.

A obra é baseada no conto Creme de Alface de Caio Fernando Abreu, escrita em plena ditadura militar, mas só publicado em 1995: “O que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. “Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulhermonstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns”. Assim relatou o escritor Caio Fernando Abreu, dois anos antes de seu falecimento.

“Se de 75 para 95 Caio percebeu que a sociedade estava mais intolerante, hoje, pouco mais dos quarenta anos da criação desse conto inspirador, vemos que nesse tempo de redemocratização brasileira pouco avançamos com relação à intolerância e o preconceito. É um dos maiores desafios em 15 anos de trajetória no teatro, resolvi fazer da minha arte militância.” Desabafa José Neto, que pela primeira vez ousa em dirigir o próprio espetáculo. “Precisava garantir as minhas inquietudes e a voz de todos da Cia, de forma mais independente e empoderada nesse trabalho. Não escolhi me dirigir, é um desafio, tudo foi fluindo e quando percebemos já estava posto e pronto para estrear”. Conclui o ator.

José Neto Barbosa foi premiado Melhor Ator do Teatro Nacional pela Academia de Artes no Teatro do Brasil 2015 e recebeu o título Hermilo Borba Filho de Melhor Direção no Festival Nordestino de Trindade 2016.

A Mulher Monstro estreou em julho de 2016, e já circulou por relevantes Mostras e Festivais com sucesso de público e crítica: Mostra Cênica Caio Fernando Abreu em São Paulo/SP; Festival Nacional O Mundo Inteiro É Um Palco do Grupo Clowns de Shakespeare/RN; Festival Internacional das Artes Cênicas – Janeiro de Grandes Espetáculos 2017 em Recife; 43º FENATA – Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa/PR; Mostra Nacional Capiba de Monólogos do SESC Pernambuco; Mostra de Teatro Sesc Casa Amarela; Festival Nordestino de Teatro de Trindade/PE e temporadas independentes em Recife e Natal.

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