Curitiba entra em alerta com o Baleia Azul, o "jogo do suicídio"

Prática cresce mais entre os jovens no Brasil. Em Curitiba foram 28 mortes em 5 anos

18/04/17 às 23:00 - Atualizado às 15:42
Secretários de saúde e prefeito discutiram o tema (foto: Joel Rocha/SMCS)

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba alerta pais e responsáveis por crianças e adolescentes e os profissionais da educação e saúde em relação ao “jogo” Baleia Azul, que propõe 50 desafios aos participantes e sugere o suicídio como última etapa. Na madrugada de ontem, a rede municipal de saúde registrou cinco tentativas de suicídio entre adolescentes entre 13 e 17 anos, que foram atendidos e encaminhados para acompanhamento em Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Em todos os casos, havia sinais de automutilação e ingestão de medicamentos. De tarde, mais dois casos foram notificados.

No Brasil, entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes por suicídio, mas foi observado um aumento de mais de 30% em jovens. Em Curitiba, segundo dados do Datasus, foram 28 mortes de jovens até os 19 anos entre 2011 e 2015. No Paraná, foram 269 no mesmo período.

Ainda não há confirmação se os casos em Curitiba tinham relação com o jogo. Os casos serão investigados. Além disso, serão desenvolvidas atividades de prevenção ao suicídio nas escolas com estudantes adolescentes, faixa etária alvo do jogo. A ação envolve as secretarias municipal e estadual de Educação.

No “jogo” Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo e ficar doente.

“Orientamos que pais e responsáveis conversem com os adolescentes e fiquem atentos a sinais de isolamento, perda de vínculo familiar e quadros de automutilação”, diz o secretário municipal da Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho. De acordo com o Baracho, os postos de saúde são a porta de entrada no sistema para aquelas famílias que precisam de ajuda. Caso seja necessário, o posto pode direcionar para atendimento de saúde mental em Caps ou outro serviço especializado, de acordo com a gravidade do caso.

1 Comentário

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Filipe Fenner
O lance é que essa história é muito mais sobre a depressão do que o jogo em si, o jogo é mais um vinculo em comum com esses jovens que já pensam em se matar. Se alguem quiser entender bem sobre o assunto aqui nesse vídeo tem uma matéria completa https://youtu.be/uQ1Fi5zrB14
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