Galerias comerciais “renascem” na região central de Curitiba

Capital ganhou recentemente aquela que seria sua 18ª galeria, a Guimarães, localizada próximo da reitoria da UFPR

15/06/17 às 22:30 - Atualizado às 15:39 Rodolfo Luis Kowalski
Sabrina Rispoli Iglesias e Maria Quitéria Gomes Portela na nova galeria (foto: Franklin de Freitas)

As galerias comerciais, também conhecidas como galerias de passagem por cruzarem uma quadra, criando uma ligação entre duas ruas paralelas para os pedestres, estão voltando à moda em Curitiba. A região central da cidade, que até recentemente contava com pelo menos 17 empreendimentos desse tipo, recentemente ganhou mais uma novidade, a Guimarães & Cia, localizada entre as ruas XV de Novembro e a Amintas de Barros.

Embora o conceito das galerias seja antigo, tendo surgido na França do século XIX, em Curitiba foi apenas no final da década de 1950 que começaram a surgir esses espaços, a exemplo da Galeria Tijucas, localizada em plena Boca Maldita e inaugurada em 1958, tendo sido o primeiro arranha-céu da cidade. Nas décadas seguintes, era programa familiar frequentar esses espaços para realizar algum programa gastronômico, cortar o cabelo ou simplesmente comprar algum presente.

Nesse sentido, a Galeria Guimarães se parece e muito com as suas “irmãs” mais velhas, como a Galeria General Osório e a Galeria Ritz. Lançada em agosto de 2016, o espaço conta com espaço comercial e outro residencial, procurando resgatar a paisagem urbana curitibana e aproximar as pessoas, contando com 450 unidades residenciais e 148 unidades comerciais, atualmente com 91% e 18% da área locada/vendida, respectivamente.

De acordo com Sabrina Rispoli Iglesias, diretora comercial da galeria, a rápida ocupação reforça a preferência pelo conceito “Mixed Use”, ou seja, ter em um único espaço vários empreendimentos que atendam às necessidades da vida atual do local. “Na galeria, estamos trabalhando com um conceito voltado mais para a gastronomia, de o pessoal vir aqui comprar seu pão, tomar um vinho, vir ler. Vamos ter opções de comidas saudáveis, pizzaria.... O Ferry Building, em São Francisco (EUA), é uma referência”, explica Sabrina.

“As galerias existem há muitos anos, mas saíram de moda por causa dos shoppings e agora estão voltando com com toda essa ideia de privilegiar o regional, o local, você poder fazer as coisas a pé, sem tem de ficar procurando lugar para estacionar. E aqui temos o formato de galeria, mas trazendo também tendências atuais, como o mix using, o fato de ser tudo horizontal por conta da acessibilidade. São detalhes que todas as galerias pensam, mas que nem sempre é fácil de implementar por já serem, em sua maioria, lugares mais antigos”, finaliza a diretora comercial.

Junto aos elementos mais modernos, como o fato de reunir várias lojas no mesmo nível da rua para garantir acessibilidade, a Galeria Guimarães não quer deixar de lado a questão histórica e cultural ligada à cidade. Por isso, mesmo o nome do empreendimento é referência aos descendentes do Visconde de Nácar, proprietários do antigo engenho de erva-mate, importante ciclo econômico do Paraná, que existia naquele local no século XIX.


Segurança é um dos atrativos desses locais

Atualmente a Galeria Guimarães está com 5% dos contratos de locação assinados, sendo uma delas em funcionamento – o Café Vienes - e outras três em obras, entre elas uma filial do Tucanos Natural Foods. A expectativa é conseguir locar e/ou vender todos os espaços comerciais em dois anos, e para tanto o espaço oferece uma série de vantagens aos comerciantes e seus clientes, como vigilância 24 horas, estacionamento conveniado, ponto de carga e descarga para lojistas e horário de funcionamento diferenciado. São 16 lojas, para locação e venda, com metragens de 45 a 750 metros quadrados.

Maria Quitéria Gomes Portela, sócia-proprietária da franquia do Tucanos que abrirá no espaço, aponta a localização da galeria e a questão da segurança como os principais motivos de se investir no espaço. “Fizemos um estudo de mercado e analisamos diversos locais até chegarmos à conclusão de que esta era a melhor opção, por ficar perto de universidades, colégios. Além disso, o local oferece mais segurança, o que trás mais clientes, e a galeria é muito charmosa, muito atrativa.
A expectativa para a inauguração, que deverá ocorrer no próximo mês, é grande e positiva, segundo aponta a empreendedora. “Já estamos com um friozinho na barriga para a inauguração, mas a expectativa é boa. O pessoal já tem perguntado quando vai abrir, passa por aqui e já para para saber mais”, conta.


Espaços ajudam a alavancar área residencial

Com relação ao espaço residencial, 70% dos apartamentos já estão ocupados, sendo que grande parte dos moradores possui a intenção de também investir em algum negócio na galeria, segundo informou a diretora comercial do espaço. Esse é o caso de, por exemplo, de Mônica Becker. Morando no HUB há seis meses, ela conta que primeiro foi atraída por já ter a vontade de morar no Centro, entre outros fatores.

“Eu já queria morar no Centro, aqui é um local de fácil acesso e perto de tudo o que eu precisar, tanto que a maioria das coisas faço a pé. A área de lazer do prédio também me chamou a atenção e a vista do apê, que é maravilhosa”, conta a empresária, comentando ainda que ganha tempo no trânsito e destacando também a segurança como uma vantagem. “Porque eu desço do apê e já estou ao lado da galeria, que é vigiada 24 horas”.

A intenção dela, porém, é expandir ainda mais os horizontes e investir na galeria, construindo seu próprio negócio no local. A ideia ainda é incipiente, mas a expectativa é grande para conseguir levar a intenção adiante.
“Moro com meu filho de 26 anos e estamos com a ideia de montar um negócio de pet-shop. Ainda estamos no processo de levantamento de custos, mas esperamos que tudo dê certo. Foi uma ideia que surgiu depois de nos mudarmos, até pela facilidade de descer (de casa) e já estar no trabalho”, relata.

0 Comentário

Você precisa acessar o seu perfil para comentar nas matérias.

Blogs
Ver na versão Desktop