O currículo depois dos 40

03/07/17 às 00:00 Ronise Vilela | ronisevilela@gmail.com

Se os 40 anos de hoje são os novos 30 e essa matemática seguir nas décadas posteriores, eu sinceramente não sei, mas o tal mercado de trabalho não tão hermético assim, pode ter um espaço, um lugar ao sol para os profissionais depois dos 40 anos.

Em fases mais pessimistas cheguei a pensar que havia certa restrição depois dessa época, caso você já não atingisse o tão almejado (segundo todos esses textos batidos de revistas corporativas) cargo de chefia. Ou seja, chegou aos 40, com quase 20 anos de formado, pós-graduações e toda aquela parafernália curricular para encher os olhos dos RHs e ainda era sujeito a um chefe mais novo. Qual o problema? Nenhum para quem sabe se reinventar.

Das vantagens de ser um profissional mais velho no mercado, além da tão comentada experiência (é o mínimo que se exige, convenhamos), destaco a inteligência emocional como um primor, quase a cereja do bolo. Já não há melindres, caso a chefia resolva dar aquela “ensaboada”. Claro que ninguém gosta de levar bronca, mas em vez de sair chorando da sala, ou fazer vodu com o bonequinho do chefe na mesa do bar, você em primeira instância releva e depois pensa sobre as razões do ocorrido. Há situações em que até depois vale a pena ter aquela conversa franca sobre o caso, mas acima de tudo, existe a maturidade de não tomar o ato como pessoal e seguir em frente.

O quarentão que fica ao seu lado e algumas vezes literalmente pede ajuda aos universitários, ao contrário da geração sei tudo com 20 anos de idade, não tem medo de perguntar ou revelar seu desconhecimento ou inabilidade com algum aplicativo. É um estágio da vida que se tem muito claro, que pedir ajuda, compartilhar e se dispor a aprender é algo simples, sem deméritos e só assim se pode ainda estar na roda.

Porém, de acordo com reportagem da Revista Exame de setembro do ano passado, há possibilidades novas e o tal verbo reinventar vem com tudo. Sem os arroubos da juventude, mas ainda com calibre moderado para aventuras, o profissional depois dos 40 sabe mesclar suas experiências (tanto de vida como da carreira) para uma nova atividade ou então remodelar seu próprio trabalho.

Por exemplo, alguém com habilidades em finanças pode ser um consultor, assim como aquele velho sonho de uma antiga vocação pode vir à tona. Não dá mesmo é para ter preguiça para se reciclar ou voltar a sonhar.

E às vezes o que os profissionais de 40 precisam mesmo é dar um F5 em si mesmos, focar, depurar sem medo de ser felizes suas principais expertises. Nessa hora, sem falsa modéstia, dá para você dizer que é bom em X tarefa, contudo não esqueça que mesmo dominando determinado assunto em área específica, você deve encarar cada trabalho como um novo desafio, um novo gás.

E sobre as questões de valores? Ah, você já é bem grandinho para negociar.

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