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Escondidos ou à mostra, os beirais ajudam na manutenção da casa

Solução é uma das mais antigas formas para afastar a água da chuva das paredes e combater problemas de umidade e infiltrações

01/12/07 às 00:00   |  Lilian Primi Agência Estado
Os beirais de telhados, uma das mais óbvias e antigas soluções para afastar a água da chuva das paredes, funcionaram no Brasil sobretudo como uma solução para o calor tropical. “São elementos de conforto térmico e de proteção da edificação”, diz a engenheira civil Claudia Andrade Oliveira, professora de construção da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP).

O passar do tempo e o surgimento de novas técnicas construtivas multiplicaram as formas possíveis. Na arquitetura colonial, eles cresceram e tornarem-se grandes varandas, para encolher novamente com o crescimento das cidades e a conseqüente falta de espaço, até desapareceram completamente na arquitetura contemporânea.
“Os arquitetos que adotam o estilo contemporâneo esconderam tudo em nome de uma estética limpa e retilínea. Calhas e cobertura ficam embutidas e escondidas atrás da platibanda”, explica João Roberto Leme Simões, professor de Tecnologia da Construção e Projeto na pós-graduação da FAU-USP.

Entretanto, há preferência de proprietários por ter beirais nas construções modernas. “A maioria das residências novas é feita com beiral”, diz Simões. Simões diz que o beiral é uma boa solução para proteger as paredes e dar conforto térmico ao ambiente interno, mas é também um problema estético. “Tem que ter um bom desenho, caso contrário, vira um chapéu mexicano ou aquela beiradinha que quase some. É como chapéu: há um modelo correto para cada um.”

Manutenção — Cláudia explica que, mesmo com calhas embutidas e funcionando bem, os pingos de chuva batem e escorrem na parede. “Fica aquela parede escorrida, além de acelerar o desgaste do revestimento.” Com o tempo, aparecem fungos e até mesmo algas, quando há pouca insolação ou ventilação no local. Ela faz um alerta para a manutenção, invariavelmente negligenciada não apenas pelos proprietários. “Ninguém pensa nisso na hora de construir ou projetar”, diz.

Na maioria das edificações, segundo a professora, mesmo que o proprietário se disponha a fazer limpeza e inspeções periódicas, terá dificuldade de acesso.
Acesso — Os equipamentos da vida moderna tornam o local ainda mais vulnerável. “Há uma lista grande de equipamentos que ficam na cobertura, como as antenas de televisão a cabo. Mesmo assim, não há acesso.” Além de criar uma forma de acesso, segundo Simões, um bom projeto deve respeitar a indicação de declividade do telhado, que varia de acordo com o tipo de telha escolhida. “O fabricante da telha é o único que pode definir isso. Toda vez que negligenciei essa recomendação, paguei castigo”, diz. “Pagar castigo” significa ter infiltrações. “Se a inclinação não estiver correta, a água escoa devagar e reflui. Já tive que refazer um telhado inteiro e pagar do meu bolso.”
As telhas francesas, por exemplo, exigem declividade de 35%. “Elas têm um pequeno espaço de sobreposição, de mais ou menos cinco centímetros. Se a inclinação for pequena, vai infiltrar água e nem há necessidade do refluxo.
 
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2 Comentários
  • Neto 31/10/11 às 01:26
    Ola,eu gostarias de uma sugestao sobre o beiral que foi cortado pois moro numa casa de andar na parte terrea e desde entao quando chove a parede fica com manchas e alguns lugares molhado.
    Isso que esta acontecendo tem alguma coisa a ver com o beiral pelo fato de eu morar na parte de baixo(terreo)?
    Desde ja agradeço a atençao.
  • Emerson Peres 12/01/10 às 16:16
    Comprei uma casa com este estilo moderno conforme descrito acima e sem beiral e já estou me arrependendo pois com as chuvas, a agua escorre pelas paredes e pingando nas janelas e a pintura da parede já esta apresentando aquela sujeira que escorre.

    Posso adaptar um beiral nesta casa ?