Um “homão da porra” que chamo de pai

07/08/17 às 00:00 Ronise Vilela | ronisevilela@gmail.com

O multitarefa Rodrigo Hilbert, ícone do famigerado fã-clube de mulheres que nunca tiveram em suas vidas um homem engajado e ocupado com sua família, foi apelidado de “homão da porra”, exatamente por não desempenhar apenas o papel profissional, pai, marido, o que não é pouco, mas comparado ao universo da mulher (polvo) que acumulou dezenas de funções ao mesmo tempo nas últimas décadas, seria café pequeno.

Deixo clara aqui, minha admiração pelo ator e apresentador catarinense, que revelou não se sentir à vontade com o título, porque cuida dos filhos, trabalha, cozinha, costura, planta e ainda é marido devoto da lindíssima e talentosa Fernanda Lima. Isso porque, segundo ele, foi criado com tias, primas e mãe onde o serviço doméstico era distribuído para todos, sem distinção de gênero.

Mas, lá no começo da década de 70, um homem simples, mas muito batalhador, que perdeu seu pai com três anos, recém-casado e com uma filha dessa mesma idade, já demonstrava ser um “homão da porra”. Meu pai Juarez Villela era zagueiro do Avaí, time de Florianópolis e cuidou de mim nesse período, disputou campeonato, deu suporte para minha mãe, que nessa ocasião passou por uma gestação delicada, viajava com a equipe e ainda era o provedor de toda a família.

Eu morei numa concentração de jogadores de futebol durante todo o período da gravidez da minha mãe, porque eu era simplesmente uma mini-bomba atômica: levada, chorona, mandona e ainda batia em alguns meninos; o protótipo da Mônica.

Esse “homão da porra”, sempre deu banho nos filhos, em intervalos em que não estava viajando com seu clube de futebol. Ele nos levava para passear, ajudar a cortar a grama, lavar o carro, orar, arrumar as malas e se possível, orientar em alguma dúvida nas tarefas escolares. Também penteou nossos cabelos, colocava e ensinava ao mesmo tempo manteiga no pão e faz isso até hoje, servir com alegria e satisfação em ver o outro bem.

Não se isentou de dar broncas, explicar o que é certo ou errado do ponto de vista ético, sempre pediu desculpas quando achou que não tinha agido de forma coerente com seu coração. Embora tenha tido uma vida de rotina muito diferente das tradicionais como estar junto todos os dias, jantar e sofá na sala, almoço de domingo, Villela foi muito mais presente que muitos pais que estão todos os dias em casa e não percebem o vínculo.

Cada homem assim como cada mulher tem sua porção “da porra”, de acordo com sua vida e identidade. Nem todo mundo precisa de publicidade para ser apenas humano!

Dedico esse texto a esse homem maravilhoso que é Juarez Villela. Grata pai!

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