'Historinha'

05/09/17 às 00:00 - Atualizado às 20:38
(foto: Franklin de Freitas)

O governador Beto Richa (PSDB) se defendeu ontem das acusações do dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, de que o dinheiro desviado da construção de escolas no Paraná teria ido para a campanha dele em 2014. “Todas as acusações que me fazem são falsas. Não existe Caixa 2 na minha campanha e as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral provam isso", disse ele. "Ele inventou uma historinha. Uma narrativa envolvendo políticos do estado e o governador, que sou eu, para conseguir liberdade. Não tem prova concreta", afirmou. Richa ainda afirmou que entrará na Justiça com uma ação criminal contra o delator. "Ninguém vai mexer com a honra da minha família impunemente".

Aditivos
Souza firmou acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF) durante Operação Quadro Negro, que investiga um esquema de desvio de dinheiro que seria usado para construção de escolas. O acordo ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Richa chamou as citações de "ataques sórdidos, mentirosos e levianos". Sobre os aditivos assinados por ele — em que a Valor recebeu cerca de R$ 6 milhões da Secretaria da Educação, o governador lembrou: "Eu assino todo dia um monte de aditivos de obra – seja de prazo, seja de valor. Foi levantado pela minha assessoria, eu sou a 12ª pessoa a aprovar os aditivos”, alegou.

Sigilo
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), se recusou a comentar a acusação do dono da construtora Valor, que afirmou, em delação premiada à Procuradoria Geral da República, que repassou dinheiro de “caixa 2” desviado das escolas não construídas para o tucano, em seu gabinete da sede do parlamento estadual. Traiano alegou que a investigação corre em segredo de Justiça e que a delação não foi homologada “Só vou me manifestar no momento em que vir se isso é verdadeiro, com o timbre da PGR. Não falo mais sobre esse assunto”, disse o tucano.

Ensinamento
O líder do governo na Assembleia, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB), afirmou ser contra a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias envolvendo o caso da construtora Valor. Parlamentares de oposição tentam instalar uma CPI sobre o assunto, mas só conseguiram 13 das 18 assinaturas necessárias. “Aprendi com o (senador e ex-governador) Requião que CPI é para acobertar ladrão. Quem investiga é o Ministério Público e quem pune é a Justiça”, argumentou.

Dívidas
A Comissão de Economia e Finanças da Câmara Municipal de Curitiba vota hoje parecer sobre projeto do prefeito Rafael Greca que pede autorização para remanejamento de R$ 20,8 milhões do Orçamento de 2017. Segundo Greca, a quantia servirá para “atender despesas com subvenções sociais, de exercícios anteriores, e dívidas da gestão anterior”. Do valor, R$ 20 milhões serão para o pagamento de fornecedores, sendo metade deles com despesas relativas às áreas de educação e saúde.

Falhas
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná acatou denúncia sobre irregularidades na contratação de serviços de assessoria jurídica pela Câmara Municipal de Pontal do Paraná (Litoral) em 2009. Na decisão, o então presidente do Legislativo municipal, Nelson Lorençone, e a empresa contratada, Brusamolin & Kavinski Advogados Associados, deverão restituir, solidariamente, os R$ 59 mil repassados, corrigidos desde o ano das falhas. O TCE-PR também aplicou um total de oito multas aos envolvidos.

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