A Europa dos reis, aberta aos plebeus

11/09/17 às 23:17 - Atualizado às 23:19 Dayse Regina Ferreira
Sinaïa, na Romenia, tem como atração principal o castelo de Peles, residência do último rei do país, Michel I

Propriedades milenares, palácios centenários, edifícios históricos, passaram gerações na mesma família, como herança de pioneiros. Alguns palácios ou fortalezas acabaram se transformando em hotéis de luxo, procurados por turistas do mundo todo.

Outros foram lugares preferidos de reis e rainhas para férias, e hoje são abertos ao público, mas apenas para visitação. Vale vivenciar por algumas horas os ambientes tranquilos, as praias particulares, o clima de veraneio que eles guardam, simbolizando o requinte e o bom gosto de algumas cabeças coroadas.


Fica em Sintra, um dos monumentos mais visitados e exóticos de Portugal: Pena Palace

CASTELO DE PENA (Portugal)

Quem chega a Sintra logo vê o castelo no alto, acima do Tejo e do mar, construído na montanha a 500 metros de altura. Vermelho e amarelo canário, torre gótica em vermelho sangue, o castelo dificilmente passa desapercebido. Ou é esquecido.

Foi o príncipe alemão Ferdinand de Saxe Coburg e Gotha, marido de Maria II de Portugal, que mandou construir entre 1840 e 1885 o monumento cheio de enfeites em estuque, com um projeto arquitetônico enlouquecido e único, falsamente mourisco.

O interior, todo cheio de corredores, pátios e passagens quase secretas, mantém o mobiliário de época, testemunho interessante daquilo que agradava a aristocracia europeia em fins do século XIX, principalmente na dinastia franco-portuguesa dos Órleans-Bragança, que também reinava no Brasil.

De tão exótico, o castelo da Pena é um dos lugares mais visitados de Portugal e se transformou no cartão postal de Sintra. Veja em www.visitportugal.com


Pertinho de Budapeste, na vila de Gödollö, fica o maior castelo barroco da Hungria, presente do povo magiar para a rainha Elisabeth, inspiradora da restauração do reino da Hungria

CHEZ SISSI (Hungria)

Distante 30 quilômetros a nordeste de Budapeste, a pequena vila de Gödollö abriga o maior castelo barroco da Hungria. Era o lugar preferido da rainha Elisabeth. Foi em 1864 que o povo húngaro ofereceu aos soberanos austríacos, que acabavam de restaurar o reino da Hungria sob influência de Elisabeth, o castelo de fachadas imaculadas. Era lá que Sissi procurava escapar por uns tempos do peso da etiqueta na corte de Viena.

A soberana, que adorava a liberdade, vivia no castelo seguindo apenas suas vontades, dividindo o tempo entre cavalos de raça e cachorros de estimação. A simplicidade quase burguesa dos ambientes fica provada na visita aos aposentos privativos de Sissi, decorados com móveis austeros em madeira acaju e tecidos floridos em tons lilás.

O castelo foi ocupado por tempos pelo exército vermelho e só reencontrou sua beleza original e seu esplendor, com as campanhas de restauração, que cultivaram as lembranças de Elisabeth, rainha até hoje, considerada “anjo tutelar” da nação magiar www.guide-de-budapest.com


A Rainha Victoria, do Reino Unido, tinha um amor especial pela Osborne House na Ilha de Wight

COM A RAINHA VICTORIA (Reino Unido)

A Ilha de Wight é um paraíso bem conhecido dos amantes de barcos e veleiros. Foi lá que a rainha Vic construiu em 1847 a sua vila Osborne House em um belo parque, dando visto para o horizonte do mar.

Era lá que a soberana passava o verão e as festas de final de ano. Foi lá que Victoria morreu em 22 de janeiro de 1901. A mansão foi transformada em museu, exibindo a decoração exatamente como era quando encantava a rainha, e que manteve um estado de conservação perfeita.

O salão ostenta ricos tecidos e tem um sistema astucioso de espelhos que escondem as janelas à noite, dando mais majestade à peça. O quarto da rainha, no primeiro andar, guarda curiosidades, como o leito imenso, dividido com o príncipe Albert, morto em 1861. Que ela amava tanto que mandava preparar, todas as noites, o pijama e o robe de chambre do esposo sobre a cama, como se ele ainda estivesse vivo.

No parque inglês é preciso ver o pequeno chalet, como uma fazenda em miniatura, que servia de brinquedo para as crianças da realeza, cuja descendência ainda hoje se faz presente na maioria dos tronos da Europa. Acesse www.tourist-information-uk.com/osborne-house.htm

NA CASA DO ÚLTIMO REI (Romenia)

É nos campos da Romenia, no coração da estação climática de Sinaïa, que as cabeças coroadas descansavam elegantemente, no ultra chique ambiente do século XIX. O símbolo dessa época é o castelo de Peles que, até 1947, foi a residência de verão do último rei da Romenia, Michel I ( que vive ainda e usufrui do lugar).

Foi seu bisavô, o rei Ferdinando I da Romenia, um Hohensollern, e sua esposa, a fantástica Elisabeth de Wied (poetisa agraciada pela Academie Française com o apelido de Carmen Sylva) quem construiu o palácio em 1877. Uma verdadeira obra de arte em estilo trovador, cuja arquitetura dizem, inspirou até Walt Disney.

O interior é tão rebuscado quanto o exterior, todo em madeira escura, cheia de detalhes e muita fantasia, uma maneira de fazer decoração com tanta complexidade, bem ao gosto alemão em fins do século XIX.

A escadaria com esculturas deixa os visitantes sem voz. Os turistas podem visitar os antigos aposentos privativos da família real, que o ditador Ceaucescu utilizou para receber chefes de Estado estrangeiros em visita ao país.

Os campos ao redor têm florestas de pinheiros e grandes pradarias, tudo propício a boas caminhadas. Veja mais no http://peles. ro

Perto de Trieste, na Itália, o castelo Miramare foi o sonho de Maximilien de Habsbourg, que assumiu a coroa no México e foi lá executado

MIRAMAR (Itália)

Irmão mais novo do imperador da Áustria e marido de Charlotte da Bélgica, Maximilien de Habsbourg constriu seu castelo em 1856, perto de Trieste, nos tempos em que a possessão da casa da Áustria incluía a província de Frioul Veneziano.

Dá para entender o amor do casal a essa residência, onde se destaca a grande escadaria, aberta para uma baia monumental no mar. O interior tem decoração hoje considerada excessiva e pesada.Mas era moda: vitrais coloridos, madeiras escuras trabalhadas, poltronas de veludo vermelho vivo...afinal, estamos terminando o século XIX.

No embarcadouro do mar, uma escada majestosa em pedras, foi por onde Maximilien e Charlotte embarcaram para assumir a coroa do efêmero império do México. A expedição terminou com Maximilien enfrentando o pelotão de execução. A viúva Charlotte conseguiu retornar à Europa, mas acabou louca e morreu na Bélgica, em 1920.

Do casal de fim trágico sobrou a impressionante decoração do edifício eclético, os fabulosos jardins, e vista do mar e o lindos pôr-do-sol que deixam os turistas embevecidos. Viaje no www.castelo-miramare.it

 

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