É Deltan e mais um no Senado

13/09/17 às 00:00 - Atualizado às 11:45 Karlos Kohlbach | karloseak@gmail.com

Não é preciso recorrer a pesquisas eleitorais. O Procurador da República Deltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), será eleito senador pelo Paraná. Para isso basta uma coisa: ele querer. Simples assim. É Deltan e mais um no Senado Federal. E não será surpresa alguma se Deltan bater o senador Álvaro Dias (PODE), que na eleição de 2016, foi o mais bem votado com pouco mais de 4 milhões de votos abocanhando 77% do eleitorado paranaense. Deltan tem credenciais para se tornar o campeão de votos não só no Paraná, mas no Brasil. Basta ele querer.
O enorme espaço na mídia, por conta, claro, das denúncias advindas das operações da Lava Jato, o sentimento de indignação popular com tamanho desmando dos atuais políticos e uma crise de representatividade sem precedentes no país formam o tripé que levará Deltan ao Senado Federal. Desde que ele queira.
O atual cenário pouco importa para Deltan. Mas vamos a ele. Em 2018, no Paraná, serão abertas duas vagas para o Senado Federal. Uma é ocupada por Roberto Requião (PMDB) e outra por Gleisi Hoffmann (PT). A petista é carta fora do baralho na disputa por uma das vagas. Gleisi foi fulminada com o escândalo do desvio de dinheiro público revelado na Lava Jato e deve tentar uma vaga na Câmara Federal. Isso se não for condenada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção. Corre o risco até mesmo de ficar sem mandato.
Preocupado mesmo está Requião que vai tentar a reeleição em 2018. Após tentativas fracassadas de conquistar o Governo do Paraná, Requião se vê reticente com a chance de não renovar o mandato. Político experiente, o peemedebista sabe que se Deltan entrar na briga só restará mais uma vaga na disputa. E a concorrência será grande.
O principal desafiante é o atual governador Beto Richa (PSDB) que cogita se eleger senador. Requião tem bradado a todos os cantos a citação do nome do governador tucano na delação da Quadro Negro – operação deflagrada pela Polícia Civil que prendeu uma quadrilha que desviava dinheiro de obras de construção de escolas. Isso é fato. Mas Requião sabe também que em breve outra delação deve abalar o cenário político do Paraná. E desta vez o alvo será “o velho PMDB de guerra”, como ele próprio costuma dizer. O delator é Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Paraná, preso pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca. O conteúdo da delação é bombástico e em breve ganhará os noticiários políticos/policiais.
Mas o que ganha Deltan no Senado Federal? Não é por questões salariais. No MPF o salário é maior que no Legislativo, sem contar os auxílios e demais penduricalhos. Os mais de R$ 100 mil mensais em verba de gabinete, além de mais de uma dezena de funcionários, não seriam os atrativos para fazer Deltan ir para o Senado. Ao se basear no discurso, principalmente no que diz respeito ao projeto das 10 medidas contra corrupção, encontramos um motivo pelo qual o procurador poderia se arriscar no Poder Legislativo. Deltan adentraria o Senado para tentar moralizar a política. Iria combater o “sistema político” de dentro do próprio “sistema”.
Ledo engano. Uma andorinha não faz verão. Deltan seria uma voz dissonante no Senado Federal. De forma prática: seria apenas um voto. Apresentaria, possivelmente, dezenas de excelentes projetos de lei para combater de forma efetiva a corrupção já endêmica no país. Mas, repito. Seria apenas um voto. E caberia ao presidente do Senado colocar a proposta de Deltan em pauta. Nem o Papa Francisco conseguiria mudar o “sistema”.
Como já dito, Deltan Dallagnol será eleito senador pelo Paraná. Para isso basta uma coisa: ele querer. Simples assim. Mas uma fonte deste colunista garante que Deltan não será candidato ao Senado, continuará lutando contra a corrupção da cadeira de procurador da República. É de lá que o “sistema” o teme. Não da tribuna do Senado Federal.

Se no Senado é Deltan, e no governo?
Uma importante peça do xadrez político paranaense se moveu. Ratinho Júnior deixou a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (SEDU) e ontem assumiu, de fato, uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ratinho deixa o governo com a campanha encaminhada para o Governo do Paraná. Mas a disputa pelo Palácio Iguaçu está para lá de incerta.
A notícia da saída de Ratinho foi comemorada por dois dos principais adversários: a atual vice-governadora Cida Borghetti (PP) e Osmar Dias (PDT). Ambos vão tentar conquistar prefeitos já “conversados” com Ratinho. A primeira leva vantagem, desde que o governador Beto Richa (PSDB) deixe o Palácio Iguaçu para disputar um cargo eletivo.
Caso contrário, os planos de Cida, e do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), vão por água abaixo. O que vai chamar a atenção novamente na disputa de 2018 é a ausência de um nome tucano capaz de dar seguimento a gestão tucana. Na eleição para a prefeitura de Curitiba em 2016 o PSDB teve papel de mero coadjuvante.

Geddel não vai aguentar e vai delatar
Em menos de uma semana, o país se deparou com uma verdadeira fortuna encontrada dentro de um apartamento na Bahia e com a prisão de Geddel Vieira de Lima -- ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente da República Michel Temer (PMDB). Considerado homem de confiança de Temer, Geddel foi flagrado, literalmente, com a mão no jarro. Neste caso, nas malas e caixas de papelão que guardavam, de forma até desleixada, R$ 51 milhões. Impressões digitais do ex-ministro foram encontradas nas notas e malas. Batom na cueca. Temer novamente se vê diante de uma mala de dinheiro. Rodrigo Rocha Loures, assessor muito próximo ao presidente, foi flagrado pegando R$ 500 mil numa mala e correndo pelas ruas de São Paulo. Loures ficou poucos dias preso e logo foi solto – para alívio presidencial. O caso de Geddel é mais grave. É a segunda vez que ele vai para cadeia. E com a marca das mãos nos R$ 51 milhões, dificilmente qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) arrumará argumentos para libertá-lo – mesmo aqueles ministros que visitam Temer no Palácio Jaburu altas horas da noite. Geddel, que chorou nas duas vezes que ficou preso, não deve aguentar a rotina no presídio da Papuda. O futuro nos reserva mais uma delação bombástica com ingrediente suficiente para afastar mais um presidente da República.

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