Após prisão, Wesley, da JBS, diz que delação parece ser seu único crime

13/09/17 às 21:23 - Atualizado às 21:26 Folhapress

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sócio e presidente global da JBS, Wesley Batista, foi preso na manhã desta quarta (13) em São Paulo. O pedido de prisão é preventiva -sem data para sair- e foi expedido pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Também houve pedido de prisão preventiva contra Joesley, que está detido desde segunda (11) em Brasília. Nesse caso, os irmãos Batista são acusados de se beneficiar com a compra de dólares e com a venda de ações da JBS, aproveitando-se do impacto no mercado de seu acordo de delação premiada.

Joesley se entregou no domingo (10), em São Paulo, depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, suspendeu os benefícios de seu acordo de delação premiada e de Ricardo Saud, executivo da JBS. Se não houver pedido de prorrogação de temporária ou reversão para preventiva da prisão de Joesley no Distrito Federal, o empresário deve ser transferido para São Paulo, onde cumprirá esse segundo mandado de prisão.

As ações da Polícia Federal desta quarta (13) integram a segunda fase da Operação Tendão de Aquiles que investiga, desde junho, se os irmãos Batista se beneficiaram de seu acordo de delação para lucrar no mercado financeiro, fazendo reservas. A prática é apelidada de "insider trading". Documentos apresentados pela JBS à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mostram que pessoas ligadas aos Batista venderam R$ 200 milhões em ações da empresa dias antes da divulgação do acordo com a PGR, em 17 de maio. Em depoimento, os irmãos negaram a prática.

O caso não está relacionado à delação de executivos da empresa e está fora da jurisdição de Fachin e de Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Porém a possibilidade de revogação dos benefícios concedidos aos irmãos no acordo, o que poderia levar ao "risco concreto de fuga", foi citada como uma das justificativas para a prisão. "Em especial após possível revogação dos benefícios premiais concedidos pela PGR", de acordo com a decisão, não haveria "outra medida eficaz, além da prisão cautelar, que possa ser utilizada" no caso dos Batista.

TRANSAÇÕES

Segundo a PF, as investigações se dividem em dois acontecimentos. O primeiro deles é a ordem de venda pela FB Participações, controladora do grupo, de R$ 200 milhões em ações da JBS entre 24 de abril e 17 de maio. Na ocasião, os papéis estavam em alta no mercado. Quando a delação veio a público -com a informação de que Joesley tinha gravado o presidente Michel Temer (PMDB)-, as ações se desvalorizaram e os Batista compraram as ações que tinham vendido por valores inferiores do que haviam negociado na primeira transação.

O segundo evento é a "intensa compra de contratos de derivativos de dólares" entre 28 de abril e 17 de maio pela JBS, acima da movimentação usual da empresa. Foram quase US$ 3 bilhões, segundo o Ministério Público. Os irmãos podem ser indiciados por crime contra o mercado de capitais. A pena prevista é de um a cinco anos de prisão, além de multa de até três vezes o total que lucraram com as transações.

Em audiência na após ser preso, Wesley reclamou de sua detenção. "Não sei que crime cometi. Começo a achar que o crime foi ter assinado um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. Pergunto se o crime que cometi foi ter me tornado colaborador", afirmou. O juiz acatou pedido da defesa e determinou que ele permaneça preso na carceragem.

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