As alergias da primavera

25/09/17 às 00:00 Tsukiyo Kamoi e Muro Scharf

Passamos por um inverno bastante atípico, com altas temperaturas e clima seco. Agora, com a chegada da primavera, a estação em que o clima fica ainda mais seco e as flores desabrocham, aumentam os casos de alergia. Doenças como asma, rinite alérgica e conjuntivite alérgica são mais propensas nessa época do ano. Isso acontece porque, neste período, há um acúmulo de poluentes no ar, já que os gases tóxicos não conseguem se dispersar na atmosfera, além da intensificação da presença de polens, um forte desencadeador de alergias. O pólen é uma pequena substância que algumas árvores, gramíneas e flores dispersam pelo ar. As pessoas geneticamente predispostas que absorvem o pólen pelas vias respiratórias identificam esta substância como um agente invasor, causando a alergia. As reações podem incluir: tosse seca constante, que pode causar falta de ar; garganta seca; ardor e lacrimejamento dos olhos; espirros frequentes; coceira no nariz e congestão nasal. E os sintomas, em alguns casos, permanecem durante toda a estação polínica. Para o diagnóstico da alergia ao pólen, recomenda-se um exame de sangue para avaliar a quantidade de IgE específica, além de testes feitos diretamente na pele. Mas a orientação do exame ideal deve ser prescrita por seu médico. As crianças e os idosos são os mais afetados pela baixa umidade do ar e, por isso, devem receber uma atenção ainda maior. O ideal é que seja incentivada a ingestão de bastante água, cerca de dois litros ao dia, para todos os públicos. Além disso, o consumo de sucos naturais feitos de maneira adequada, e também de água de coco. Para diminuir o ressecamento da pele, as dicas são evitar banhos com água muito quente e usar creme hidratante. Manter a higiene doméstica também é essencial, pois evita o acúmulo de poeira, que desencadeia problemas alérgicos. Para dias muito secos, a umidificação do quarto pode garantir uma noite de sono tranquila. Mas é importante cuidar para que o ambiente não fique úmido demais, de modo que favoreça o crescimento de fungos. A bacia de água ou a toalha úmida no quarto são as opções mais seguras. Caso opte por um vaporizador, manter a água bem limpa, para não contaminar e aumentar o número de bactérias no ambiente. Outra opção mais sofisticada são os umidificadores de ar em que é possível regular a umidade. Neste caso, o ideal é programar a umidade para ficar entre 55% e 60%. Algumas medidas podem diminuir o contato com o pólen, reduzindo os riscos da alergia. Algumas delas são:

  • Não deixar as janelas abertas para evitar a entrada dos polens. Vale ressaltar que os polens se dispersam principalmente no início da manhã, no final da tarde e quando há vento;
  • Minimizar o contato dos olhos com o pólen por meio do uso de óculos de sol;
  • Evitar frequentar locais, principalmente jardins, quando houver muito vento;
  • Não secar a roupa ao ar livre, assim como deixar os casacos na entrada de casa. 

Nariz e olhos
Lavar as narinas com soro fisiológico auxilia na diminuição do desconforto. O ideal é escolher as soluções fisiológicas, que têm a mesma concentração dos líquidos corporais, e não apenas usar água pura ou soro caseiro. Para diminuir a ardência nos olhos, evite coçar os olhos e higienize bem as mãos antes de tocá-los, principalmente no caso das pessoas que usam lentes de contato. Uma forma de alívio é o uso de colírios do tipo lágrima artificial, que não precisam de prescrição. Mas cuidado com a automedicação com colírios vasoconstritores, que têm princípios ativos que, usados indiscriminadamente, até ressecam mais o olho. Quando o clima está seco, as lágrimas também evaporam mais, o que faz com que as pessoas tenham a sensação de olho seco. O olho seco fica mais vulnerável a alergias e a conjuntivites. E o ar-condicionado agrava ainda mais a situação.

*Tsukiyo Kamoi é alergista, médica cooperada da Unimed Curitiba. Mauro Scharf é diretor da Unimed Laboratório.

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