Alzheimer: veja como cuidar de familiares

Ambiente familiar é vital para que o tratamento da doença seja eficaz

02/10/17 às 00:00 - Atualizado às 18:28

Para cuidar de pessoas portadoras de alzheimer é fundamental ter informações sobre a doença, tratamento e nos aspectos que auxiliam a prevenir a doença – o que é extremamente importante. Porém, o ambiente familiar, no qual o paciente está exposto, também exerce grande influência na qualidade de vida do portador de Alzheimer. Desta forma, é vital criar e/ou melhorar maneiras para tornar a convivência mais harmoniosa.

O Neurologista do Hospital Santa Catarina, doutor Maurício Hoshino, afirma que o Alzheimer é responsável por mais de 70% do total de pessoas com algum tipo de demência no mundo e, embora pessoas acima dos 50 anos precisem redobrar a atenção com os sintomas da doença, a faixa etária que mais sofre da doença é de 60 a 70 anos. "Considerada a doença neurodegenerativa mais comum e também por não ter um caráter nitidamente genético, muitas pessoas negligenciam os sintomas ou procuram ajuda não especializada, o que torna o diagnóstico mais difícil", diz o especialista.

A médica Geriatra do Hospital Santa Catarina, Márcia Kimura Oka, cita cinco formas que auxiliam a família do paciente nesta importante missão. Embora pareça simples, o ato de manter com frequência o diálogo com o paciente auxilia muito no tratamento. Manter o contato visual sempre para ampliar a atenção do portador da doença e optar nas conversas por temas mais simples e não questões complexas são dicas que fazem grande diferença.

Escolher um familiar para ser o principal contato do portador da doença também traz benefícios. Vale alertar que esse ato jamais deve ser confundido como uma espécie de 'folga' aos demais familiares. Isso não existe. Intensificar o diálogo e manter bastante contato, inclusive em eventuais passeios, são algumas ações que podem ser feitas.

Os famíliares todos devem aprender a lidar com a doença. A compreensão mais lenta e repetição de informações/diálogos são atos que, algumas vezes, estressam as pessoas ao redor do paciente com Alzheimer. O portador de Alzheimer é muito sensível ao estado de espírito e humor das pessoas que estão ao seu redor. Entender a situação e aceitá-la, demonstrar paciência em todos os momentos do acompanhamento e, acima de tudo, cuidar do ente familiar com amor podem ser considerados os pilares-chave de qualquer tratamento.


Mitos e verdades sobre o Alzheimer

1. Alzheimer é uma doença genética
MITO. Apenas 2 a 5% dos casos de Alzheimer são causados por mutação genética, e mesmo assim sem correlação de hereditariedade. A maioria das desordens mentais, como o Alzheimer, são aleatórias e o fator de risco mais importante é a idade.

2. O primeiro sintoma de Alzheimer é a perda de memória.
MITO. A perda de memória é um sinal comum do Alzheimer mas nem sempre é o sintoma inicial. A dificuldade de linguagem, desorientação no tempo e espaço, alterações de comportamento e humor e dificuldade de planejamento são em muitos casos os primeiros sintomas da doença.

3. Nem todos os problemas de memória são devido ao Alzheimer
VERDADEIRO. O Alzheimer é apenas uma das doenças que podem afetar a memória. O estresse, depressão, diabetes, doença da tireóide e outras demências como Doença de Parkinson e esclerose múltipla, podem afetar a memória.

4. Mulheres têm mais chance de desenvolver Alzheimer
VERDADEIRO. A doença de Alzheimer afeta duas vezes mais mulheres que os homens! O fato é que as mulheres vivem mais que os homens e um dos principais fatores de risco da doença é a idade.

5. Demências são consequências do envelhecimento
MITO. Primeiro devemos explicar que demência não significa loucura. Demência é um quadro diagnóstico cujo paciente apresenta perda cognitiva progressiva. As demências não são consequência do envelhecimento, apesar de comum, as demências não fazem parte do envelhecimento normal.

6. O diagnóstico do Alzheimer é muito difícil
FALSO. Não existe um único critério específico e confiável para o diagnóstico de Alzheimer, mas uma combinação de testes, e todos disponíveis na medicina laboratorial. A combinação de anamnese, perfil neuropsicológico, imagens cerebrais e biomarcadores de líquor (proteína total tau, tau fosforilada, Beta-amilóides 1-40 e 1-42) diferenciam o Alzheimer de outras demências ainda no estágio inicial da doença. Esses testes estão todos disponíveis no Brasil atualmente, converse com seu médico.

7. A doença de Alzheimer não tem cura.
VERDADEIRO. Apesar de não ter cura, alguns tratamentos podem retardar a evolução da doença e minimizar os sintomas. Por isso o diagnóstico precoce é um importante aliado para retardar a progressão da doença.

8. É possível evitar o Alzheimer.
PARCIALMENTE VERDADEIRO. Atividades cognitivas, alimentação saudável e exercícios físicos apesar de não impedirem o desenvolvimento da doença, contribuem para retardar o início e o aparecimento dos sintomas.

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