Premiê pede que Catalunha desista de separação

05/10/17 às 21:04 - Atualizado às 21:14 Folhapress

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O premiê conservador espanhol, Mariano Rajoy, pediu nesta quinta-feira (5) que a Catalunha desista "o mais breve possível" de seu projeto de independência. Abandonar o separatismo, afirmou, é "a melhor solução" e "evita males maiores". "O melhor é voltar imediatamente à legalidade", disse Rajoy à agência espanhola Efe em uma entrevista na sede do governo em Madri. "É o que está pedindo toda a sociedade, os editoriais dos jornais, os empresários, os sindicatos", ele afirmou.

No domingo passado (1º), em um plebiscito separatista, houve 90% dos votos no "sim" --mas apenas 42% dos eleitores participaram. Partidos separatistas convocaram para a próxima segunda (9) uma sessão do Parlamento catalão para debater o resultado da consulta e declarar de maneira unilateral a independência. O Tribunal Constitucional, no entanto, suspendeu a sessão. A mesma corte havia também declarado que o plebiscito de domingo era ilegal, o que não impediu sua realização.

A presidente do Parlamento regional catalão, Carme Forcadell, disse que impedir plenário é uma "censura". Caso desobedeçam o tribunal,os políticos catalães correm o risco de serem detidos. Sobram poucas opções na manga do premiê, no entanto, se o presidente catalão, Carles Puigdemont, não cancelar seu projeto separatista. Uma das medidas drásticas seria utilizar o Artigo 155, que revoga temporariamente a autonomia catalã e pode forçar eleições regionais antecipadas. Há pressão política para tal gesto. O ex-premiê conservador José Maríz Aznar (1996-2004) fez na quinta uma crítica a Rajoy, dizendo que ou ele convoca eleições antecipadas na Catalunha ou deixa o cargo de primeiro-ministro.

DADOS COMPROMETIDOS

Em meio ao caos do plebiscito no domingo, quando a polícia espanhola foi à Catalunha para impedir a votação, o governo regional deixou vulnerável os dados de 5 milhões de eleitores, segundo o jornal "El País". As informações dos residentes com mais de 18 anos teriam sido protegidas com protocolos fracos. Assim hackers puderam ter acesso a dados como números de identidade, datas de nascimento e códigos postais dos eleitores.

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