EUA têm consciência sobre mudança climática, diz Obama na Argentina

06/10/17 às 17:20 Folhapress
SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL CÓRDOBA, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O ex-presidente dos EUA e prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, disse nesta sexta-feira (6), em Córdoba, na Argentina, que "apesar de a nova administração em Washington ter uma ideia diferente sobre a mudança climática", os Estados Unidos já se conscientizaram de que é necessário tomar medidas para evitar as consequências desse fenômeno. "Nossas empresas, nossas universidades, nossos jovens já pensam diferente. Portanto tomar atitudes para usar a energia de modo mais inteligente, utilizar mais a energia solar, cortar desperdícios dependem de todos, e nesse caso importa pouco o que um governante diga." Nesse momento, foi muito aplaudido. Obama veio a Córdoba para participar do Fórum de Economia Verde, junto a dois outros prêmios Nobel -os economistas Eric Maskin e Edmund Phelps. No começo de sua fala, Obama afirmou ter levado boas recordações de sua última visita à Argentina, em março de 2016, "quando dancei tango e visitei a Patagônia com minha família". Reforçou que vê muitas coincidências entre a Argentina e os EUA. "Só que vocês ainda conseguem consumir mais carne do que os norte-americanos. Nós temos os caubóis, vocês têm os gaúchos." Emendou elogiando as medidas econômicas do governo de Mauricio Macri, com quem se encontra de modo privado neste sábado (7), em Buenos Aires. Indagado sobre os que negam que o planeta vem esquentando, Obama disse que há muita divulgação de informação errada nos meios de comunicação e nas redes sociais. "Ainda que a internet esteja oferecendo muita informação, hoje cada um lê e ouve aquilo que quer, apenas o que está em sua bolha. Essas pessoas buscam as fontes que dizem aquilo que corresponde às suas opiniões e convicções, e isso não necessariamente quer dizer que estão tendo acesso a informações corretas sobre o que está acontecendo", afirmou. E acrescentou: "Hoje, 99,9% dos cientistas dizem que o planeta está esquentando. E isso leva a algo que aprendemos na escola. Se o planeta esquenta, o gelo derrete, e portanto os oceanos aumentam em volume." Obama disse que quis começar a fazer ativismo para evitar a mudança climática porque sua geração "é a primeira a sentir os efeitos dela, mas a última que poderá de fato fazer alguma coisa para evitar uma catástrofe." E reforçou que faz isso não apenas por ter sido presidente dos EUA, mas por ser pai, "e, talvez, em não muito tempo, seja avô", arrancando aplausos e risadas da audiência. "Nos EUA estamos enfrentando mais furacões, mais inundações do que antes, e isso tem consequências graves, especialmente se ocorrem em lugares ou países com menos estrutura para enfrentar esses desastres. E os furacões, as chuvas só vão ser piores se o planeta esquentar." Disse que seu discurso não é para desestimular "que todos continuem a usar carros, ou telefones, mas fazer isso de modo inteligente. Se cada um fizer sua parte, o problema pode ser combatido". Obama fez, ainda, um apelo para que o Acordo de Paris seja respeitado, apesar de os EUA não terem assinado o tratado. "Eu preferiria que a Casa Branca de hoje tivesse uma opinião forte nesse sentido, de liderar esse movimento para criar soluções contra a mudança climática. Mas, ainda assim, muito pode ser feito pelo resto dos americanos, e pelos outros países."
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