Russos e sauditas se aproximam de forma inédita

06/10/17 às 23:55 Folhapress
IGOR GIELOW SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Aliada histórica do Irã, a Rússia fez uma aproximação inédita com o maior rival estratégico de Teerã pela influência no mundo islâmico, a Arábia Saudita. Ambos estão em lados opostos na guerra civil na Síria, o que leva a especulações sobre o movimento. O presidente russo, Vladimir Putin, recebeu nesta semana o rei saudita, Salman bin Abdulaziz al-Saud. Foi acertado um memorando para a compra de sistemas de defesa aérea russos por parte do reino árabe Tradicionalmente, os sauditas adquirem material militar dos EUA e, em maio, assinaram uma carta de intenções com os americanos para o fornecimento de armas. É o segundo aliado de Washington a fazer isso. No começo do ano, a Turquia, que é membro da Otan (aliança militar do Ocidente) fechou a compra de baterias S-400, uma das mais eficientes em operação no mundo hoje. O S-400 é um sistema que pode atingir, dependendo do míssil que utiliza, alvos a distâncias entre 40 km e 400 km, e altitudes que variam entre 20 km e 185 km. Há cerca de 320 lançadores operacionais na Rússia. Agora, os sauditas negociam o mesmo, além de quererem mísseis de cruzeiro e outros sistemas. Cada batalhão de mísseis, com oito lançadores, tem custo estimado entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, mas tudo depende do tamanho da encomenda e das características. Mais do que a dimensão militar, o que impressiona no negócio é a aproximação entre Moscou e o reino. Sunitas, os sauditas disputam com o regime xiita iraniano a primazia no Oriente Médio, e desde que Teerã assinou o tratado nuclear com os EUA, deixando de sofrer sanções econômicas, sua posição se fortaleceu. O Irã sempre foi o maior parceiro de Moscou na região, tanto que operam juntas no apoio ao regime de Bashar al-Assad na Síria --que tem vários grupos de oposição financiados pela monarquia do golfo Pérsico. Assim, é possível que haja algum impacto dessa aproximação sobre os rumos da guerra, que já matou entre 330 mil e 470 mil pessoas desde 2011 no país árabe, e na qual a intervenção russa em 2015 salvou o regime de Assad da derrota. Os EUA também operam no país, bombardeando a facção terrorista Estado Islâmico e apoiando opositores às autoridades sírias.
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