Repúdio

13/10/17 às 00:00
(foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Os vereadores de Curitiba aprovaram, na quarta-feira, duas moções de repúdio contra a revista Veja e a exposição de arte “Queermuseu”, cancelada pelo Santander, em Porto Alegre, após acusações de suposta exibição de cenas de nudez e pornografia. A moção contra a Veja foi proposta por parlamentares da bancada evangélica, em razão de um artigo intitulado “Essa gente incômoda”, considerada “ofensiva” pelos vereadores ligados a grupos religiosos. Protocolada por Noemia Rocha (PMDB), a moção de repúdio à Veja foi assinada por outros quinze vereadores. A outra, do Queermuseu, também registrada pela vereadora do PMDB, teve menos apoio de Ezequias Barros (PRP), Fabiane Rosa, Marcos Vieira, Osias Moraes, Professor Silberto e Tito Zeglin (PDT).

Modelo
O debate da véspera, quando as assinaturas foram coletadas, foi retomado por Maria Leticia Fagundes (PV) do ponto em que se discutia a definição de família, que para ela “muda ao longo dos anos”. A vereadora defendeu que questões como a mudança do comportamento da mulher na sociedade, reprodução assistida e os anticoncepcionais contribuem para isso. “Falamos aqui de moralidade, como se isso justificasse até a liberdade de expressão. Falamos de família. Eu tenho família, tenho um filho, que é um homem bem educado, preparado. E sou uma pessoa preocupada com a abertura do pensamento. E a família não é um único modelo”, declarou.

Arte
O vereador Osias Moraes rebateu nota da coluna do jornalista Fábio Campana, publicada na edição de terça-feira do jornal Indústria e Comércio, sobre críticas dele e de Thiago Ferro (PSDB) à exposição “Imagem em profusão – Intersecções da colagem expandida”, atividade da Bienal de Curitiba. “Nada, eu não conheço nada de arte, mas uma coisa eu conheço bem, jornalista. Eu sei que isso aqui é a mão direita e isso aqui é a mão esquerda. Eu sei o que os olhos veem, e eu sei definir o que é pornografia e o que é arte.” O parlamentar continuou que “se eu tiver que fazer uma faculdade para definir o que é pornografia e o que é arte, fique você com sua intelectualidade”.

Oposição
Oito vereadores formalizaram, na quarta-feira, a composição da bancada de oposição ao prefeito Rafael Greca (PMN) na Câmara Municipal de Curitiba. O grupo é formado por cinco parlamentares do PDT – partido do ex-prefeito Gustavo Fruet - dois do PMDB e uma do PT. A liderança será de Goura (PDT), enquanto Professora Josete (PT) e Noemia Rocha (PMDB) são, respectivamente, a primeira e a segunda vice-líderes. Na outra ponta, na bancada de apoio ao prefeito na Casa, o líder é Pier Petruzziello (PTB), com Sabino Picolo (DEM) e Colpani (PSB) na primeira e na segunda vice-lideranças.

Atropelo
“O senso comum diz que vivemos uma crise. Crise econômica, crise social, crise política. E por que vivemos também nesta Casa uma crise? Fomos colocados nesta situação por inércia nossa? Fomos sim, e fomos atropelados pelas urgências, e não é um trocadilho. Já alertamos aqui, desta tribuna, às consequências desse destempero”, declarou Goura. “Há um impasse entre os interesses imediatos do Poder Executivo e os interesses dos cidadãos, da cidade e o bem comum. É isso que coloca o Legislativo Municipal em crise. É uma crise de legitimidade”, defendeu.

Manobra
“A oposição é importante. De maneira respeitosa, esse debate é importante, acrescenta. A única coisa que eu faço um contraponto no discurso, Goura, é na tentativa sempre de mostrar que os vereadores (da base) são essa massa de manobra”, rebateu Petruzziello. “Valorizo muito a oposição, acho que oposição tem papel fundamental, mas vou sempre criticar quando tentar desqualificar a base.”

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