O nível do Campeonato Brasileiro não é tão bom, diz Renato Gaúcho

18/10/17 às 02:30 Folhapress
LUIZ COSENZO SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a experiência de quase 20 anos como jogador e outras duas décadas como treinador, o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, 55, é enfático em afirmar: "temos poucos craques atualmente e o nível técnico do Brasileiro não é tão bom". "É só olhar a tabela de classificação. Temos sete times que dispararam e brigam por algo relevante no Brasileiro, enquanto o resto luta para não cair. Essa é a maior prova que o nível técnico não é tão bom. O correto seria cinco, seis times brigando para não cair", disse Renato. O Grêmio é uma das equipes que lutam pelo título, apesar de o treinador considerar a situação difícil em razão da diferença de pontos para o líder Corinthians (58 a 49), rival desta quarta-feira (18), às 21h45, no Itaquerão. "É a nossa grande chance de continuar na briga pelo título. Temos que fazer a nossa parte e depois ver o que acontece. Se o Corinthians vencer, abre 12 pontos faltando nove rodadas e aí será muito difícil de tirar a diferença porque ainda estamos na Libertadores", afirmou. À reportagem, ele disse também que tem o desejo de comandar a seleção e não se vê como treinador de uma equipe fora do país. PERGUNTA - O jogo contra o Corinthians é determinante para o Grêmio pensar em título? RENATO GAÚCHO - É nossa grande chance de continuar na briga. Temos que fazer nossa parte e depois ver o que acontece. Se o Corinthians vencer, abre 12 pontos faltando nove rodadas e aí será muito difícil porque ainda estamos na Libertadores, que é a nossa prioridade. São dois grandes clubes e os dois melhores no momento de acordo com a pontuação. O Corinthians, pela gordura que conseguiu, é o grande favorito. Tem o Santos na briga, o Grêmio e até o próprio Palmeiras. Já vi muita coisa acontecer no futebol. P. - Como vê o nível do futebol brasileiro? R.G. - Não é dos melhores. É só ver a tabela. Temos sete times que dispararam e brigam por algo relevante. O resto luta para não cair. Essa é a maior prova que o nível não é tão bom. O correto seria cinco, seis times na briga para não cair. P. - Pelo investimento feito, a campanha do Grêmio nas três competições surpreendeu? R.G. - Está sendo um ano espetacular e podemos fechar com chave de ouro se ganharmos a Libertadores. Foi um pouco surpreendente porque o Grêmio ficou voando nas três competições. O Grêmio não está junto ou na frente do Corinthians porque muitas vezes trocou um time inteiro por conta da Copa do Brasil [eliminado na semifinal] e da Libertadores [semifinalista], enquanto o Corinthians disputou basicamente só o Brasileiro. Por isso, perdemos pontos importantes. Hoje, o nosso foco é a Libertadores, mas ainda estamos ligados no Campeonato Brasileiro e queremos ficar entre os quatro primeiros para garantir uma vaga na próxima Libertadores, já que não sabemos até onde vamos neste ano. P. - Então, o calendário atrapalhou o Grêmio? R.G. - Uma competição atrapalhou a outra, desgastou muito o time. O Grêmio não foi mais além neste ano porque foi castigado pelo calendário. O Brasileiro é uma decisão a cada jogo, a Libertadores e a Copa do Brasil são torneios mata-mata. Haja grupo, haja time. Tem o cansaço, as lesões, as viagens. Ninguém aguenta jogar em alto nível todas as partidas. Por isso, o Corinthians tirou muito proveito disso. P. - Em 2019, a CBF vai exigir que os treinadores tenham as licenças da entidade para ficar na beira do campo. Vai fazer esse curso? R.G. - A CBF pode exigir a carteira de um treinador que está há cinco anos na função. Agora, você pegar treinadores que já ganharam um título, tem um nome no mercado e colocar para fazer um curso, aí não estou de acordo. Quem é que vai entender mais do que esse pessoal? O aluno vai ensinar o professor? Falta mais de um ano e não vou quebrar a minha cabeça agora sobre isso. P. - Qual a maior virtude sua para comandar o Grêmio e como se mantém atualizado? R.G. - Antigamente, havia muito mais craques e os treinadores não esquentavam a cabeça. Hoje o que faz a diferença são os caras dentro de campo. Vejo os jogos europeus e não têm nada de diferente. O que diferencia um pouquinho é do trabalho de cada um. Além de você entender de futebol e tática, a grande vantagem é o técnico saber ser gestor, o que é importantíssimo. Eu sou muito bom gestor. P. - Qual o segredo para ser um bom gestor? R.G. - Aí eu não conto. Não vou ensinar o pessoal a trabalhar. O mestre nunca ensina o pulo do gato. O que aprendi no futebol ajudou muito. Eu trabalhei com os melhores técnicos do Brasil e joguei com os melhores jogadores também. P. - O Grêmio contratou jogadores que foram renegados em alguns clubes ou com idade avançada. Foi um pedido seu? R.G. - O Grêmio basicamente nem investiu e mesmo assim está chegando. Contratou jogadores que muita gente nem acreditava mais, como nos casos do Léo Moura e do Cortez, que estão nos ajudando muito. Alguns clubes fizeram grandes contratações e não conseguiram metade do que o Grêmio fez. Todo jogador que chega tem meu aval. P. - Você tem o objetivo de treinar a seleção brasileira? R.G. - Eu tenho sim, mas não agora. Se eu fizer um bom trabalho nos clubes, a minha hora vai chegar. Não tenho pressa. É igual jogador de futebol para chegar à seleção. Hoje, o Brasil está muito bem servido com o Tite e desejo um bom trabalho para ele e os jogadores na Copa do Mundo. P. - Aceitaria treinar algum time do futebol europeu? R.G. - Não, 99,9% que não. Estou bem no Brasil, gosto daqui e trabalhar na Europa não me atrai. Tenho tudo aqui no Brasil. Prefiro ficar no Brasil.
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