Estética e qualidade de vida

24/10/17 às 00:00 Marcello Richa

Vivemos em busca da melhoria da qualidade de vida, sejam elas objetivas, por meio de avanços profissionais, de escolaridade ou renda, até outras mais subjetivas, como satisfação, felicidade e superação de metas. Cabe ao poder público a responsabilidade de criar condições para que todos tenham a possibilidade de alcançá-la.
Áreas como capacitação profissional, assistência social, educação, saúde e habitação tendem a ganhar maior destaque por serem consideradas essenciais para os aspectos objetivos da melhoria da qualidade de vida. Por outro lado, os fatores subjetivos representam um desafio mais difícil de obter.
O bem-estar individual vai além dos aspectos econômicos e tangem também questões físicas, relações sociais, independência e autoestima. Dessa forma, além de programas e ações promovidos pelo poder público, é preciso condições para que o mercado privado e os profissionais da área tenham segurança jurídica, reconhecimento e possibilidade de desenvolvimento.
Um exemplo de avanço nesse sentido ocorre com o debate do Projeto de Lei (PL) n.º 77/2016, que está em análise na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal e prevê a regulamentação das atividades profissionais de técnicos em estética, esteticistas e cosmetólogos. Pode parecer apenas mais burocracia, mas representa um avanço essencial no constante trabalho de melhoria da qualidade de vida da população.
Digo isso porque, apesar de às vezes ser erroneamente associada apenas à vaidade, o segmento da estética apresenta crescimento constante e atua em conjunto com áreas como o esporte, lazer e saúde para a melhoria de fatores psicológicos, sociais e emocionais do indivíduo. É uma oportunidade de fortalecer o mercado profissional, aumentar as vagas de trabalho e renda em um setor que está diretamente ligado a saúde e autoestima.
O Brasil é um dos poucos países que possui cursos e formação acadêmica de estética, com um mercado especializado que tende a se tornar referência se for devidamente regulamentado. Longe de ser um trabalho focado em alcançar padrões de beleza, até porque isso varia de acordo com cada pessoa, é um serviço que visa fazer o indivíduo sentir-se bem consigo mesmo, o que irá acarretar em satisfação, disposição e confiança para o desenvolvimento de suas atividades diárias.
No Paraná, o Governo do Estado entendeu a importância de legitimar o trabalho desses profissionais e promulgou a Lei 264/2016, que regulamenta a as profissões de tecnólogos em estética e cosmética. Um exemplo que deve ser seguido a nível federal.
A busca constante pela melhoria da qualidade de vida da população é um dos motivos que justificam a existência do poder público. A regulamentação do setor da estética, assim como de outros nichos que contribuam para o desenvolvimento do bem-estar social, é um passo importante para valorizar o segmento e prover serviços que atendam os objetivos e expectativas da sociedade.


Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)

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