Paraná é o 2º estado com mais professores doutores no interior

03/11/17 às 12:17 AEN
(foto: AEN)

O Paraná é um dos estados com maior concentração de professores doutores no interior. Ocupa o segundo lugar, atrás apenas de Minas Gerais. Hoje, 50% dos 10,1 mil docentes com esta titulação estão fora da capital. Do total de professores com este grau de especialidade, 4,5 mil estão nas sete instituições de ensino superior do Estado.

O dado é do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, ligado ao desenvolvimento da pesquisa no Brasil.

Depois da capital e de seu entorno, a região com o maior número de professores com doutorado é o Norte (27%), seguido do Oeste (10%) e dos Campos Gerais (5,36%). Entre os docentes do Paraná, 90% têm doutorado ou mestrado, número superior ao exigido por lei.

Esta descentralização do ensino, afirma o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, faz parte da política do Governo do Estadual. “Diferente dos outros estados, onde a concentração de doutores está nas instituições federais localizadas nas capitais, aqui nós primamos por colocar universidades nas macrorregiões, que precisam de mais apoio”, diz ele.

O Paraná conta com sete instituições de ensino superior mantidas pelo Governo do Estado – as universidades estaduais de Londrina, Maringá, Ponta Grossa, do Oeste do Paraná (sede em Cascavel), do Centro-Oeste (sede em Guarapuava), do Norte do Paraná (sede em Jacarezinho) e Estadual do Paraná (sede em Paranavaí).

QUALIFICAÇÃO E INVESTIMENTOS 

Para o secretário João Carlos Gomes, o motivo para a grande quantidade de doutores em todo o Estado é o incentivo à qualificação e os investimentos na área. “Hoje, o professor do ensino superior tem crescimento horizontal, por tempo de trabalho, e vertical pela qualificação. Essa possibilidade de ascensão na área motiva mais ainda a busca pelo conhecimento”, relata.

João Carlos Gomes lembra, também, que o governo estadual destina 35% de suas receitas correntes líquidas para o ensino público. Deste total, 29% vão para o ensino básico e os outros 6% para o ensino superior, o que coloca o Paraná como o segundo estado do Brasil que mais investe na área.

DESENVOLVIMENTO

A existência de grande número de professores doutores fortalece a universidade, a medida em que estimula pesquisa, projetos, inovação, ciência e tecnologia. Por consequência, reforça o papel da universidade no desenvolvimento regional. “As necessidades sociais, políticas e econômicas dos municípios longe da capital são maiores. Quando você coloca universidades nessas regiões, você consegue responder as demandas mais facilmente, porque as pesquisas têm impacto no entorno”, diz Jorge Sobral da Silva Maia, professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

O estudo “Universidades Estaduais e o Desenvolvimento Regional do Paraná”, publicado pela editora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em 2015, mostra que as instituições promovem mais geração de conhecimento e constroem um ambiente de aprendizagem, além da ofertarem recursos, formação de lideranças e uma visão estratégica sobre a economia do município.

“O próprio pessoal que trabalha nas universidades estimula a economia local. Além disso, a instituição também forma mão de obra capacitada que é incorporada ao mercado de trabalho das empresas ali instaladas”, diz Alex Sander Souza do Carmo, professor do departamento de economia da UEPG e um dos autores do estudo.

 

Estado disponibiliza 4 mil bolsas por ano

O Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária, disponibiliza cerca de 4 mil bolsas por ano para doutorado e mestrado. Entre os anos de 2011 e 2016, a Fundação investiu mais de R$360 milhões (incluindo parcerias federais e privadas e recursos estaduais do Fundo Paraná); lançou 120 chamadas públicas e financiou aproximadamente 20 mil bolsas de estudo e quatro mil projetos.

Os recursos são originários do Fundo Paraná, de agências de fomento de órgãos federais e outros parceiros, que são aplicados em três grandes linhas de ação: Fomento à Produção Científica e Tecnológica; Verticalização do Ensino Superior e Formação de Pesquisadores e Disseminação Científica e Tecnológica.

“Temos investido muito na formação de recursos humanos porque, além de ser fundamental, é isso que toca a ciência no Brasil”, diz o presidente da Fundação Araucária, Paulo Brofman.

Jorge Sobral da Silva Maia, professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), recebeu uma bolsa para cursar seu doutorado. Ele acredita que o incentivo do Estado é essencial não só para a qualificação dos professores, mas também para o aprendizado dos alunos. “Quando você tem a possibilidade e os meios para fazer pesquisas, você consegue atuar com mais qualidade na realidade em que desenvolve sua ação, seja ela dentro de uma universidade ou fora dela”, disse Maia, que desenvolve projetos na área de educação ambiental.

Marco Antonio Batista Carvalho, professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), fez pesquisa na área de letras e educação com apoio da Fundação Araucária. Ele também acha que o incentivo que recebeu deu mais bagagem para o ensino.

“A pesquisa agrega outras leituras, saberes e uma visão diferenciada. Isso se reverte num melhor ensino e em uma melhor relação não só com conteúdos, mas também com os próprios alunos”, relatou. “Eu trabalho há 20 anos na educação e digo que é muito bom ver colegas recebendo incentivos públicos do Estado revertem isso para a sociedade”, complementou.

 

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