Fim da vacinação: um caminho sem volta

06/11/17 às 00:00 Ágide Meneguette

A ideia de antecipar o fim da vacinação contra a febre aftosa ganhou amplo apoio do setor produtivo. Sociedades rurais, cooperativas, sindicatos rurais, pecuaristas, associações, entre outros, assinaram um manifesto defendendo a proposta. Mais de 200 entidades concordam que o Paraná deve trilhar esse caminho. Os motivos são vários.

O primeiro deles é o fato de termos condições sanitárias para isso. A vacinação, ao contrário do que parece, funciona como uma ação complementar para uma defesa sanitária que, para os critérios internacionais, não é suficiente. Sabemos que a obrigatoriedade de vacinar não reflete a nossa realidade atual. Hoje, temos totais condições de dar respostas imediatas, em uma remota possibilidade de um problema. Falta apenas o reconhecimento pelos órgãos internacionais, o que vai nos permitir mostrar também ao mundo que nosso sistema é robusto.

Ao longo dos anos foram inúmeras medidas tomadas que demonstram a responsabilidade na condução desse processo. Uma delas foi a criação do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec), ainda nos anos 1990, que garante ao produtor que, em caso de surtos de doenças em animais, indenização pelos animais sacrificados por questões sanitárias. Nessa lista está também a participação constante nas reuniões da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), para conhecer como os países referência no assunto desenvolvem seus sistemas de defesa. Sem contar ainda milhares de mobilizações, programas e cursos promovidos pelo Sistema FAEP/SENAR-PR em relação à sanidade.

O segundo motivo é o fato de que esse processo irá acontecer mais cedo ou mais tarde. O Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) define as ações para o Brasil tornar-se área livre da doença sem vacinação até 2023. Mas com todo o trabalho desempenhado no Paraná nas últimas décadas, como já mencionado, nós podemos e temos a obrigação de sair na frente. Fazemos diariamente o nosso papel e merecemos todo o empenho das autoridades capazes de acelerar esse processo.

Terceiro motivo: ganho de mercado. O novo status permite conquistar compradores globais diferenciados, que hoje não conseguimos acessar, uma vez que eles não aceitam importar de mercados que vacinam. A vacinação contra aftosa é uma confissão de que o sistema de defesa sanitário não é confiável e por isso se vacina o gado. Um exemplo disso é a Coreia do Sul, que recentemente fechou acordo de importação de suínos de Santa Catarina (único Estado brasileiro “Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação”). Para se ter ideia do que isso representa, o volume que o país asiático importou de suínos de todo o mundo em 2016 (615 mil toneladas) foi quase o volume total de exportação do Brasil do produto no período (733 mil toneladas).

São vantagens econômicas como essa que vão ser alcançadas com o novo status reconhecido mundialmente. Isso vai gerar aumento das exportações, melhor preço, maior produção, implantação de agroindústrias, mais impostos, empregos e outros fatores de distribuição da riqueza. É algo que atinge toda a agropecuária, o que inclui suinocultura e avicultura, nas quais somos grandes produtores e exportadores. É com muita responsabilidade que defendemos o fim da vacinação contra a febre aftosa. Afinal, o risco de foco não se elimina com vacina. E sabemos a importância de estarmos sempre em alerta porque seriamos nós, produtores rurais e pecuaristas, os maiores prejudicados se a nossa decisão não tivesse sido tomada de forma responsável.

Ágide Meneguette é presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR

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