Sob pressão, Aécio destitui Tasso de comando do PSDB

09/11/17 às 21:17 Folhapress
TALITA FERNANDES E THAIS BILENKY BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pressionado por ministros tucanos do governo Michel Temer, o senador Aécio Neves (MG) destituiu Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB nesta quinta (9). Aécio foi pessoalmente ao gabinete de Tasso pedir que ele deixasse o comando do partido, alegando que visava garantir "isonomia" na disputa pela presidência da sigla. Em resposta, ouviu do senador cearense que, se quisesse sua saída, teria de determiná-la. A conversa foi marcada por um tom ríspido e se estendeu até o corredor. Aécio, que é presidente licenciado, reassumiu o cargo e, em seguida, indicou o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman. Ele ocupará o posto até 9 de dezembro, quando está marcada a convenção nacional do partido. Aecistas acusam Tasso de usar a estrutura partidária para promover sua candidatura. Citam como exemplo a publicação em destaque da notícia que o oficializa como postulante ao cargo na página oficial do PSDB. Além disso, estão descontentes com a postura "anti-Temer" que o tucano tem adotado. A destituição era esperada na cúpula do partido. Aliados de Goldman disseram que Aécio havia ameaçado tomar a iniciativa quatro vezes, mas recuava na última hora. Alertado da iminência da decisão, Goldman viajou à Brasília ainda na quarta-feira (8). À reportagem, o novo presidente interino do PSDB disse que vai trabalhar pela unidade do partido. "A finalidade de um presidente como eu, que não sou candidato a nada, é exatamente manter a isonomia, o equilíbrio na disputa." Adversário de Tasso na disputa pela presidência do PSDB, o governador de Goiás, Marconi Perillo, afirmou que "seria antiético e nem um pouco isonômico" se o senador cearense permanecesse no posto, "já que a máquina partidária poderia pender para o lado de quem estivesse no comando do partido". Perillo, que tem o apoio de Aécio, disse que a decisão a saída de Tasso "restabelece o equilíbrio de forças". Para aliados do goiano, Tasso adiou o quanto pode o anúncio formal de sua candidatura, feita na quarta-feira, para se estender na presidência do PSDB. ALCKMIN A mudança contrariou o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB). Pré-candidato a presidente da República, Alckmin tem boa relação com Tasso e ter a máquina partidária a seu favor é estratégico na consolidação de seu nome para 2018. "Eu não fui consultado. E, se fosse, teria sido contra, porque não contribui para a união do partido", disse o governador paulista em nota. Aliado de Alckmin, o presidente do PSDB paulista, Pedro Tobias, chamou a destituição de Tasso de "totalmente inoportuna, inconsequente e irresponsável". O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem em Goldman seu grande desafeto no ninho tucano, foi econômico. Disse que, "dadas as circunstâncias, parece justa" a saída de Tasso. COSTURAS O cearense assumiu interinamente o comando do partido em maio deste ano, após Aécio se licenciar do cargo por ter sido gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário e delator Joesley Batista. O mineiro é alvo de denúncia por corrupção passiva e obstrução da Justiça. Ele nega as acusações. A decisão de destituir Tasso foi interpretada por aliados do cearense como uma intervenção do governo de Michel Temer na disputa pela presidência do PSDB. Aécio é um dos principais defensores da permanência da sigla na base do governo. Ele passou os últimos dias em conversas com os ministros do PSDB. A sigla detém atualmente quatro pastas: Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy), Relações Exteriores (Aloysio Nunes), Cidades (Bruno Araújo) e Direitos Humanos (Luislinda Valois). Na avaliação de tucanos, a decisão tomada nesta quinta por Aécio deu uma sobrevida aos ministros, que não deverão sair do cargo até a convenção de 9 de dezembro. Contudo, se Tasso vencer a disputa, isso poderá selar o fim do apoio tucano a Temer. Além dos ministros, Aécio levou em consideração ainda a avaliação de dirigentes de outros partidos da base como PMDB, DEM e PSD. A decisão vinha sendo construída com a participação de Perillo. Mesmo tucanos próximos a Aécio falaram em "traição".
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