EUA aplicam sanções a mais 10 chavistas

09/11/17 às 21:15 Folhapress
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou nesta quinta-feira (9) sanções econômicas contra mais dez membros do regime venezuelano, em retaliação a irregularidades eleitorais, censura à imprensa e corrupção na distribuição de alimentos. Os nomes mais conhecidos da lista são os dos ministros da Agricultura Urbana, Freddy Bernal, e das Comunicações, Ernesto Villegas. Bernal é o responsável pelos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap), mecanismo de distribuição de alimentos a preços subsidiados. O programa é uma das poucas alternativas à população mais pobre da Venezuela para comprar comida sem ágio diante do desabastecimento do país. O regime, porém, usa o programa para beneficiar áreas chavistas e punir as regiões opositoras. Já Villegas comanda as emissoras estatais de comunicação e os órgãos que controlam as concessões de rádio e televisão. Desde agosto, quando foi instalada a Assembleia Constituinte, veículos contrários a Nicolás Maduro foram fechados ou processados pela Justiça. Na relação também aparecem duas reitoras chavistas do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Socorro Hernández e Sandra Oblitas somam-se a Tania D'Amelio e a presidente do órgão, Tibisay Lucena, que haviam sido punidas pelos EUA meses atrás. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, afirmou que "enquanto o governo da Venezuela continuar ignorando o desejo de seu povo, nossa mensagem é clara: os EUA não vão permanecer de braços cruzados". Por isso, disse Mnuchin, o governo Donald Trump manterá seus "esforços vigorosos para sancionar funcionários do governo da Venezuela que são cúmplices" de Maduro. Assim como nas rodadas de punições anteriores, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, afirmou que o governo americano desrespeita a soberania e o direito à autodeterminação dos povos. "Essas medidas coercitivas unilaterais provam o desprezo de Donald Trump pelo povo venezuelano, ao ignorar sua vontade soberana, expressada em múltiplas ocasiões através do voto popular." Desde o início das manifestações da oposição à ditadura, em abril, Maduro e mais de 50 membros do regime se tornaram alvo das sanções econômicas individuais. A medida mais efetiva, porém, foi adotada em 25 de agosto, quando Trump proibiu cidadãos e empresas americanas a negociarem novos títulos da dívida da Venezuela e da estatal PDVSA. As sanções diminuíram a capacidade do regime de pagar os dividendos dos títulos, elevando seu risco de moratória. Para tentar evitar o calote, Maduro chamou na última sexta (3) seus credores para iniciar uma renegociação da dívida pública. Trump ainda é pressionado por políticos americanos próximos à diáspora venezuelana a interromper a compra de petróleo --a Venezuela responde por 10% de todo o óleo importado pelos americanos.
0 Comentário

Você precisa acessar o seu perfil para comentar nas matérias.

Blogs
Ver na versão Desktop