Morte de macaco com febre amarela fecha parque Ecológico do Tietê

10/11/17 às 12:10 Folhapress
PAULO GOMES SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais um parque na capital paulista será fechado devido à morte de um macaco infectado com febre amarela. Agora, será o Parque Ecológico do Tietê (zona leste) que será interditado preventivamente, já a partir deste sábado (11), após um símio infectado ter morrido na região. É o primeiro parque fora da zona norte a ser fechado devido à febre amarela. O parque, que já está sendo esvaziado nesta sexta (10), margeia as rodovias que dão acesso ao município de Guarulhos, onde fica o aeroporto internacional de Cumbica. O governo do Estado projeta a reabertura dos parques estaduais que foram fechados para janeiro de 2018. O anúncio foi feito pelo secretário estadual da Saúde, David Uip, na manhã desta sexta (10). Desde a confirmação da morte de um macaco por febre amarela no Horto Florestal (zona norte da capital) em 20 de outubro, uma série de medidas foram tomadas para prevenir que a doença se espalhe. Primeiro a Secretaria de Estado da Saúde fechou o Horto e, junto com a prefeitura, deu início a uma operação de vacinação na região. A ocorrência da doença em São Paulo foi considerada pelo Ministério da Saúde como um novo ciclo da doença, diferente do ano passado. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Maurício Nogueira, a chegada do vírus a São Paulo era prevista. A pasta anunciou o envio de 1,5 milhão de vacinas para São Paulo. Além do Horto, foram fechados preventivamente outros parques da zona norte paulistana, como o da Cantareira e o Anhanguera, e mais nove parques. Há ainda a recomendação para que não se frequente os parques lineares Canivete, Sena e Córrego do Bispo. Moradores de bairro encravado no Horto relataram à reportagem terem notado a redução no número de macacos na área, o que pode indicar que a doença tem atingido os bichos mais do que se tem registro. Outros dois macacos mortos na zona norte tiveram a doença confirmada. "Não temos nenhum caso de febre amarela [em humanos] confirmado em São Paulo", disse Uip. O secretário ainda anunciou a vacinação na região do Parque Ecológico do Tietê, mas pediu cautela com a corrida às vacinas devido aos efeitos adversos -adultos já vacinados não precisam receber outra dose. Segundo Uip, há quatro casos de internação de pessoas vacinadas na zona norte por causa de efeitos adversos. É esperada a chegada de 2,8 milhões de doses da vacina nos próximos dias para a abastecer a capital, dez cidades na região do Alto Tietê e sete na região de Osasco -de acordo com o Estado, os municípios à oeste de São Paulo tem zonas de mata que fazem parte de um corredor ecológico pelo qual a doença pode se proliferar. SURTO O governo federal deu como encerrado o surto de febre amarela deste ano no país no início de setembro. O último caso tinha sido registrado em junho no Espírito Santo. Os macacos não transmitem o vírus aos humanos -a transmissão ocorre se símios ou humanos infectados forem picados por um mosquito e o mesmo mosquito picar um humano. A chamada febre amarela urbana, porém, não ocorre no Brasil desde 1942. Em 2017 houve 22 casos e 10 mortes por febre amarela silvestre no Estado de São Paulo. O surto que atingiu o Brasil neste ano foi o maior com número de casos em humanos desde 1980. Entre dezembro e junho, foram confirmados 777 casos e 261 mortes por febre amarela no país. O surto também deixou um recorde de macacos doentes e mortos. Os principais Estados atingidos foram Minas Gerais e Espírito Santo. O número de casos fez com que o governo federal anunciasse a ampliação na vacinação contra a doença. PREVENÇÃO VACINAÇÃO - Crianças: a partir dos 9 meses (6 meses em áreas de risco) - Adultos não vacinados: uma dose PARA EVITAR PICADAS - Repelente (evitar os que também têm protetor solar) - Aplicar o protetor antes do repelente - Não usar repelentes em crianças com menos de 2 meses - Evitar perfume em áreas de mata - Roupas compridas e claras (ou com permetrina) - Mosqueteiros e telas CONTROLE DO MOSQUITO - Evitar água parada e tomar os mesmos cuidados da dengue, porque há risco de a doença ser contraída pelo Aedes aegypti (o que não acontece no Brasil desde 1942) DISTÂNCIA DE ÁREAS DE RISCO - Evitar áreas de mata com registros da doença; caso vá viajar a esses locais, tome a vacina ao menos dez dias antes TRATAMENTO - É apenas sintomático, com antitérmicos e analgésicos (anti-inflamatórios e salicilatos como AAS não devem ser usados) - Hospitalização quando necessário, com reposição de líquidos e perdas sanguíneas - Uso de tela, por exemplo, para evitar o contato do doente com mosquitos Febre
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