Passagem da filósofa Judith Butler por Congonhas termina na delegacia

10/11/17 às 14:16 - Atualizado às 14:22 Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após passagem conturbada em São Paulo, a escritora e filosofa Judith Butler foi alvo de protestos também no aeroporto de Congonhas, na manhã desta sexta (10). Houve confusão entre manifestantes pró e contra a americana. Na página oficial do Facebook do Ativistas Independentes, grupo de direita, um vídeo mostra o momento em que duas protestantes com placas contra Butler gritam "você não é bem-vinda aqui" e passam a tachá-la de "assassina de criança" e "destruidora da família".

Procurado pela reportagem, o ator Alexandre Frota, que considera Butler "anarquista sexual", elogiou o protesto. "Parabéns pelas idealizadoras do evento que representaram milhões de brasileiros que não aceitam essa ideologia". No Twitter ele escreveu que "estávamos a espera dela no aeroporto de Congonhas e ela teve que ouvir". A

pós uma mulher se sentir ofendida por uma das manifestantes do grupo que protestava contra Butler, foi realizado um boletim de ocorrência para investigar injúria racial e ambas as partes foram liberadas. A Polícia Civil do Aeroporto informa que não houve agressão física.

PROTESTO

Na terça-feira (7), a participação da filósofa Judith Butler em um seminário em São Paulo reuniu dois grupos de manifestantes (prós e contrários) na frente do Sesc Pompeia. Professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley (Estados Unidos), Butler é um dos principais nomes no estudo de gêneros e na teoria queer. No seminário desta terça, esse não foi o foco.

Ela falou sobre a democracia como a conquista de uma luta diária, e também ressaltou a necessidade de mais diálogos e da compreensão da linguagem e da comunicação como ferramentas para refutar as possibilidades de autoritarismo. Durante as semanas que antecederam a vinda da filosofa ao país -para o seminário "Os Fins da Democracia" (de 7 a 9 de novembro, no Sesc Pompeia)-, uma petição online foi organizada no site CitizenGo e reuniu mais de 300 mil assinaturas pedindo o cancelamento do evento.

Na segunda (6), a filosofa foi à Unifesp, onde falou sobre o seu livro "Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo" (ed. Boitempo). No evento, ela defendeu que criticar a atuação política do Estado de Israel contra o povo palestino não é o mesmo que criticar o judaísmo. No meio da palestra, uma mulher saiu gritando "protejam nossas crianças".

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