Quando não há informação oficial, as pessoas buscam fontes informais

27/11/17 às 00:00 Adriane Werner | contato@adrianewerner.com.br

Todo ser humano é curioso. A gente sempre quer saber o que aconteceu, com quem, por quê... E, quando não há informação disponível, as pessoas naturalmente começam a buscar saber dos acontecimentos por vias extraoficiais. Esta máxima vale tanto para a comunicação organizacional quanto para a pessoal.

Tomemos exemplos da comunicação organizacional. Quando ocorre um problema, uma exposição negativa de uma empresa, uma denúncia ou mesmo um acidente, como um incêndio, enchente ou incidente com efeitos ambientais, qual deve ser a postura da empresa ou organização? Normalmente a orientação dos consultores ou assessores de comunicação é para que os gestores se preocupem em manter a transparência, colocando-se à disposição da comunidade e da Imprensa para prestar esclarecimentos e repassar as informações necessárias. Quando isso não ocorre, a empresa pode ser vista como omissa ou mesmo ter sua imagem prejudicada, já que repórteres, radialistas e mesmo pessoas da comunidade tenderão a buscar informações junto a fontes informais. Assim, depoimentos de testemunhas, relatos de pessoas indiretamente ligadas ao assunto poderiam ganhar destaque, sem que o posicionamento da empresa fosse também divulgado.

Só para citar um caso real: um órgão público precisou acionar seu comitê de crise quando um avião de pequeno porte caiu na floresta amazônica, matando dois servidores. Como a região era de difícil acesso, os porta-vozes escolhidos pelo comitê levaram dois dias para chegar ao local do acidente. Quando chegaram, repórteres de diversas emissoras já haviam estado lá, colhido informações junto à comunidade e entrevistado até um funcionário terceirizado que não estava autorizado a falar em nome da instituição. Nem é preciso contar que isso gerou uma grande crise institucional no órgão...

Na comunicação interna acontece o mesmo. Quando surge um boato e a empresa não se posiciona, ele tende a ganhar corpo e muitas vezes chega a representar riscos para a organização. É o que acontece, por exemplo, quando o famoso “rádio-corredor” começa a alastrar fofocas ou informações não confirmadas. “X pessoas serão demitidas no próximo mês” é uma das “notícias” mais comuns. Se a empresa não se posicionar formalmente em relação a isso, as pessoas ficarão inseguras e começarão a procurar outros empregos. Em última instância, a empresa irá perder bons talentos, pessoas que nem estariam na eventual lista de demitidos...

Por fim, podemos trazer este mesmo pensamento para nossa comunicação pessoal, pois, quando não há transparência em nossas relações, abrimos espaço para as suposições, fofocas e mal entendidos. Pense nisso...

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