Barros critica prisão de Maluf e acusa STF de ‘jogo político’

Ministro afirma que prisões são reação à discussão sobre abuso de autoridade

03/01/18 às 00:00 - Atualizado às 20:33 Da Redação
Barros: “Isso não é correto” (foto: Sandro Nascimento/ALEPR)

O ministro da Saúde e deputado federal paranaense Ricardo Barros (PP) criticou a prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP/SP) na véspera do recesso e acusou o Judiciário de fazer “jogo político” contra o Congresso. Em entrevista ao G1, o ministro, que é do partido de Maluf, afirmou que com a decisão, o Supremo Tribunal Federal deixou o parlamentar “pendurado” até fevereiro, quando o Judiciário retorna do recesso de final de ano e deve julgar os recursos da defesa do parlamentar.
A prisão de Maluf foi determinada pelo ministro do STF, Edson Fachin, no dia 19 de dezembro. O deputado foi condenado a 7 anos, 9 meses e dez dias de prisão em maio, por lavagem de dinheiro e corrupção. O parlamentar foi acusado pelo Ministério Público Federal de usar contas no exterior para lavar dinheiro desviado da Prefeitura de São Paulo quando foi prefeito, entre 1993 e 1996.
“Prender o cara na sexta-feira, na véspera do recesso do Judiciário. Você prende o cara nessa hora e você só vai ter condições de um recurso adequado lá em fevereiro. Essas coisas, esse uso político, a conveniência do uso político da decisão judicial, eu acho inadequada. Todos nós estamos sujeitos, hoje em dia, a sermos presos, a sermos colocados sob pressão sem qualquer motivo, sem razão específica”, disse o ministro.
Abuso - Para Barros, as prisões de políticos como o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) teriam sido feitas como reação à discussão pelo Congresso do projeto de lei de abuso de autoridade de juízes e membros do Ministério Público. “O processo dele (Maluf) já estava lá há seis meses para dar esse despacho. Vai dar o despacho na boca do recesso do Judiciário para o cara ficar pendurado”, alegou.
“Todo mundo é inteligente, sabe pensar, sabe fazer conta. Eu acho que isso não é correto, não é adequado. A Justiça não está aí para fazer efeito político das coisas. Aí você lembra: ‘ah, vai votar abuso do Judiciário?’ Prende Eduardo Cunha. Aí vai votar de novo o abuso do Judiciário, costuram os líderes? Prende o Geddel. Eles fazem um jogo muito claro de ação política sobre as decisões do Congresso, ficam constrangendo, ameaçando”, afirmou Barros.
O ministro também rechaçou a possibilidade do PP expulsar Maluf. “Nosso partido não é muito dessas coisas”, argumentou. Barros elogiou o ministro do STF, Gilmar Mendes, por proibir conduções coercitivas. E disse acreditar que o Supremo vai rever decisões envolvendo delações premiadas e prisões. “A gente que é político percebe claramente o Judiciário agindo para causar dano político às pessoas, no interesse político. Muito do que é feito é para prejudicar o investigado. Agora que baixou a temperatura você vai ver o STF desfazer um monte de coisas que foram feitas no calor das coisas”, previu.

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