Em ano de recordes, homicídio cai e roubo de carga cresce em SP em 2017

24/01/18 às 19:13 Folhapress
ROGÉRIO PAGNAN SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os índices de violência bateram recordes em São Paulo em 2017. Tanto positivamente, caso dos homicídios dolosos, quanto negativamente, situação dos roubos de carga. O principal dado positivo, de acordo com os números divulgados pelo governo paulista nesta quarta (24), é o recorde na taxa de homicídios dolosos que chegam a 8,02 por 100 mil habitantes -a menor desde 2001. Naquele ano, a taxa de assassinatos era de 35,6 por grupo de 100 mil no Estado. Em número absolutos, os crimes passaram de 3.674, em 2016, para 3.503, redução de 4,65%. "É uma marca que eu reputo muito importante. Não estamos falando de números simplesmente. São vidas que estão sendo poupadas", disse o secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho. "É algo significativo e torcemos para que continue assim". Pelas contas do governo apresentadas pelo secretário, considerando que em 2001 essa taxa era acima de 35 mortes por grupos de 100 mil habitantes, a redução ao longo dos anos significa 130 mil vidas poupadas nesse período. No país, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de mortes violentas intencionais foi, em 2016, de quase 30 por 100 mil -no Sergipe, por exemplo, essa taxa chegou a 64. "Isso [nova queda] é impressionante, ainda mais em um contexto em que os homicídios estão crescendo praticamente no país todo. Justamente por isso, que seria importante a gente compreender melhor quais são as razões envolvidas na redução dos homicídios", diz Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP. Também pelo lado positivo, embora ainda com números bastante elevados, os crimes de roubo e furto de veículos tiveram nova redução. É terceira redução desde 2014. Os roubos foram de 77.949, em 2016, para 67.670 em 2017, queda de 13,1%, enquanto os furtos foram de 110.932 para 104.799, queda de 5,6%. Pelo lado negativo, dados divulgados pelo governo paulista nesta quarta-feira (24) mostram que o Estado registrou no ano passado a maior quantidade de roubos de cargas em um só ano desde 2001 (início da série histórica): foram registrados 10.584 crimes. Esse resultado significa um incremento de 6,6% em comparação a 2016, quando ocorreram 9.943 crimes, ano que também houve meses com aumentos recordes -especialmente no último trimestre. Um exemplo do impacto desse tipo de crime pode ser medido na periferia de São Paulo que sofre restrição de entrega de produtos pelos Correio, total ou parcial. Conforme reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, praticamente um terço da cidade de São Paulo (cerca de 4,5 milhões de pessoas) é atingido. Para o sociólogo Luis Flávio Sapori, o aumento dos roubos de carga -assim como a manutenção de roubos e furtos em elevados índices- demonstra que o Estado não investiu na investigação dos crimes patrimoniais como investiu nos assassinatos. "Essa elevação demonstra que os crimes de roubo ainda não mereceram atenção devida prioridade por parte do governo estadual. Essa talvez seja uma contradição de São Paulo que deve seguir de exemplo, de discussão, para o restante do país: não adianta reduzir só homicídios. A violência no Brasil não se define apenas pelos homicídios. A violência cotidiana no país se define também pelos homicídios, roubos, estupros" As estatísticas oficiais divulgadas nesta quarta (24) pelo secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, também revelam um aumento de 10,28% nos registros de estupro no ano passado em relação a 2016. Eles passam de 10.055 casos, naquele ano, para 11.089 no ano passado. Desde 2009, quando houve alteração da legislação, são considerados estupros todos os ataques sexuais contra homens e mulheres. Até então, só eram considerados estupros penetração vaginal. Tanto o secretário quanto os especialistas não tem uma explicação científica desse elevação. Em sua metodologia, o Fórum inclui os homicídios praticados por policiais de folga e serviço. Em São Paulo, o governo exclui a letalidade policial de suas contas. Por esses dados, a taxa paulista sobe para 11 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas.
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