Ginecologista: sem receio para a primeira visita

É preciso enfrentar e vencer todos os temores. Consulta ao profissional deve fazer parte da rotina de cuidados das mulheres por toda idade fértil e adulta

05/02/18 às 00:00 - Atualizado às 08:20

Para algumas mulheres, a primeira visita ao ginecologista é motivo de pânico. Geralmente, esta consulta ocorre após a primeira menstruação, quando o corpo assume comportamentos totalmente desconhecidos pela menina até então. Neste momento, buscar a orientação de um ginecologista sobre o ciclo menstrual e as mudanças que chegam com ele é a melhor opção. As mães, por mais que já tenham passado por isso, não têm a didática nem o mesmo conhecimento de um profissional especializado.

Por falta de informação ou por constrangimento, muitas adolescentes adiam ao máximo este encontro. Entretanto, o acompanhamento ginecológico é indispensável para a saúde de toda mulher. Entre os 11 e os 15 anos, é o momento ideal para a primeira visita ao médico ginecologista¹. Esse profissional acompanhará a mulher ao longo de sua vida, prevenindo e tratando doenças do aparelho reprodutor, bem como outros diagnósticos comuns às mulheres como o de osteoporose, por exemplo.

Para desmistificar este momento tão importante e necessário, respondemos algumas das perguntas mais frequentes para as mães ou responsáveis repassarem às filhas quando o assunto é a primeira consulta ao ginecologista.

“A primeira visita deve acontecer logo que a menina sentir a necessidade de conversar a respeito das alterações de seu corpo, ciclo menstrual ou relação sexual. É interessante que tenha um acompanhamento e aconselhamento desde cedo e de preferência antes de iniciar a atividade sexual. Caso apresente alguma mudança mais significativa no desenvolvimento ou no ciclo menstrual, deve procurar um ginecologista antes”, aconselha a ginecologista e obstetra especialista em infecções genitais e higiene genital feminina Helena Giraldo Souza, membro da SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo).

As visitas devem acontecer a cada ano, mas “sempre que houver alteração, o ginecologista irá estabelecer um intervalo mais curto para retorno de acordo com cada caso”.

A mãe pode e deve acompanhar a ida ao ginecologista, se a filha se sentir a vontade com isso. “Não é obrigatório, somente se ambas julgarem necessário e estiverem de acordo. O essencial é que a menina tenha o contato e o vínculo com o ginecologista”, ressalta Helena.

É fato que a adolescência é um período de muitas mudanças e inseguranças em relação ao corpo da mulher. A especialista informa que a melhor forma de lidar com isso “é esclarecendo todas às dúvidas que possam surgir e estar disponível para uma comunicação agradável e bem aberta. É importante que a mulher se sinta segura com seu médico para abordar qualquer assunto”.

Antes mesmo da ida ao ginecologista, a mãe deve esclarecer a relevância do ginecologista na vida da mulher.

“Precisamos ter a certeza de que podemos falar abertamente com o médico para esclarecer todas as dúvidas. Não há necessidade de se sentir envergonhada ao ser examinada; a consulta e o exame ginecológico, além de comuns, não doem e não devem constranger, já que são fundamentais para a boa saúde”, esclarece.

Nessa fase é imperioso saber se o desenvolvimento das mamas, genitais e o crescimento dos pelos estão adequados para a idade e etnia.

“Isso se faz através do exame clínico. Deve também ocorrer uma avaliação de imagem para visualização dos órgãos pélvicos com ultrassonografia. Exames de sangue para avaliação da saúde global como hemograma, colesterol, triglicérides, hormônios tireoidianos, glicemia, função renal e função hepática. Havendo alguma alteração, aí exames específicos devem ser solicitados”, pontua Helena.

Um dos temas mais importante de toda a visita é o início da vida sexual, incluindo uso de preservativo para evitar as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada.

“É importantíssimo abordar essa questão. A adolescente precisa saber o que esperar em relação ao sexo e todas as alterações que seu corpo passará. Deve estar ciente dos riscos em relação às DSTs e aparecimento de infecções genitais, possuir mecanismos para lidar e se prevenir. É imprescindível que o ginecologista transmita segurança a essa menina para ajudá-la a lidar com esses assuntos. Também tem de desmitificar os tabus e mostrar-se pronto para resolver quaisquer problemas quando surgirem”, finaliza.


A primeira consulta

O que o ginecologista pergunta?
A primeira consulta geralmente é uma conversa informal, na qual o ginecologista faz perguntas sobre doenças da infância, hábitos, ciclo menstrual, doenças na família e histórico de câncer de mama. Dependendo da idade, o médico trará orientações sobre sexo, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. Se você tem queixas ou dúvidas, mesmo que pareçam banais, exponha-as ao seu médico. Tudo ainda é muito novo, então não existe pergunta óbvia.

Terá que fazer algum exame?
Se a paciente é virgem, o médico examina apenas os seios, a região abdominal e a parte externa da região genital. Entretanto, se a menina estiver muito nervosa, o ginecologista prefere deixar o exame físico para mais adiante, quando a paciente se sentir confortável para isso. A importância do exame é a prevenção e o diagnóstico de doenças.

A mãe deve entrar junto ?
A vontade da filha deve será respeitada. Tem menina que prefere que a mãe esteja presente no início, porque ela ajuda a responder as perguntas como a última menstruação, ou sobre o histórico de doenças na família. Por outro lado, quando o assunto são as dúvidas sobre sexualidade, a presença da mãe pode ser constrangedora e prejudicará a consulta. O que pode ser feito é um combinado entre o médico e a mãe sobre o momento certo para deixar sua filha a sós.

0 Comentário

Você precisa acessar o seu perfil para comentar nas matérias.

Blogs
Ver na versão Desktop