Cultura
Exposição no Memorial de Curitiba reúne obras de artistas nipo-brasileiros
A exposição “Arte Nikkei no Centenário da Imigração Japonesa” será aberta nesta quarta-feira (2), com a apresentação especial de um grupo de taiko.
01/07/08 às 00:00
A exposição Arte Nikkei no Centenário da Imigração Japonesa é uma das novas atrações do Memorial de Curitiba, unidade da Prefeitura administrada pela Fundação Cultural de Curitiba. A mostra, que reúne obras de 15 artistas nipo-brasileiros de terceira e quarta gerações, será aberta nesta quarta-feira (2), às 19h, com a apresentação do grupo de taiko (tambor japonês) Wakaba. A promoção é da Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira, com o apoio da Fundação Cultural e do Conselho Regional de Medicina do Paraná.
O misto de ousadia com cultura dos antepassados, a alternância entre tradição e ruptura são características das obras apresentadas na exposição. Divididos por grupos segundo temas e técnicas, os trabalhos enfatizam a integração dos nipo-brasileiros com a arte contemporânea brasileira.
A espiritualidade e o apuro formal são marcantes nas obras dos irmãos Shigueo e Yumie Murakami. Na fotografia e na cerâmica repercutem os ecos da filosofia zen-budista. Similar repercussão é sentida nos objetos de Celso Setogutte, para quem o espaço tem função importante, assim como a busca da forma exata. A delicadeza e paciência orientais transparecem na escultura de Renata Otsuka. Embora seu tema seja cristão, a forma é definitivamente oriental.
Outros trazem a marca da dupla identidade, como Eliza Maruyama. A artista propõe um tema lúdico, ao mesmo tempo ligado à tradição japonesa – os koinobori. Claudine Watanabe faz uma releitura do ready made numa versão pós-moderna com toques japoneses. Na linha do registro histórico, Marcos Kimura presta homenagem aos pioneiros imigrantes japoneses que desembarcaram em Florianópolis, com elementos da paisagem local, compondo um antropofagismo visual. Para Chuniti Kawamura, o forte é o flagrante cotidiano, influenciado pelo trabalho de fotojornalismo.
Os temas da fluidez e mobilidade atraem Júlia Ishida, Cláudio Seto e Roger Noguti. Julia questiona a mobilidade e a imobilidade, num jogo conceitual entre opostos em que não existem contrários, mas complementos. Cláudio Seto volta-se ao abstracionismo, à maneira de Mabe, sem o rigor da linha japonesa. Roger faz pesquisas com o tema da água dentro do ambiente da fotografia digital.
No quarto grupo é possível detectar traços característicos do ocidente. O cotidiano doméstico é o tema de Adelina Nishimura e Akiko Mileo. Para Adelina, a rotina pode ser plástica, mas tem uma conclusão perversa. Akiko retoma tradições, não de antepassados míticos, mas da infância, em que os elementos marcantes são os da religiosidade.
As fotografias de cenas urbanas com interferência da art pop de Sandra Hiromoto poderiam levar o espectador a imaginar ícones conhecidos da arte de massa. Porém, através de sua paleta de cores, a artista traz um efeito de familiaridade e afetividade, ao retratar as grandes cidades. Já Carol Chuman, busca o efeito oposto, o da estranheza. Do interior de um vaso brota a deterioração, ou quem sabe, a possibilidade de vida.
A mostra ficará aberta no Memorial de Curitiba até 7 de setembro. Depois será transferida para o Espaço Cultural do Conselho Regional de Medicina, com abertura prevista para o dia 15 de setembro.
Serviço:
Exposição Arte Nikkei no Centenário da Imigração Japonesa
Data: abertura no dia 2 de julho de 2008 (quarta-feira), às 19h
Local: Memorial de Curitiba – Salão Paraná (Rua Claudino dos Santos, 79 – Setor Histórico)
Visitas: até 7 de setembro de 2008. De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 15h.
Entrada franca.
O misto de ousadia com cultura dos antepassados, a alternância entre tradição e ruptura são características das obras apresentadas na exposição. Divididos por grupos segundo temas e técnicas, os trabalhos enfatizam a integração dos nipo-brasileiros com a arte contemporânea brasileira.
A espiritualidade e o apuro formal são marcantes nas obras dos irmãos Shigueo e Yumie Murakami. Na fotografia e na cerâmica repercutem os ecos da filosofia zen-budista. Similar repercussão é sentida nos objetos de Celso Setogutte, para quem o espaço tem função importante, assim como a busca da forma exata. A delicadeza e paciência orientais transparecem na escultura de Renata Otsuka. Embora seu tema seja cristão, a forma é definitivamente oriental.
Outros trazem a marca da dupla identidade, como Eliza Maruyama. A artista propõe um tema lúdico, ao mesmo tempo ligado à tradição japonesa – os koinobori. Claudine Watanabe faz uma releitura do ready made numa versão pós-moderna com toques japoneses. Na linha do registro histórico, Marcos Kimura presta homenagem aos pioneiros imigrantes japoneses que desembarcaram em Florianópolis, com elementos da paisagem local, compondo um antropofagismo visual. Para Chuniti Kawamura, o forte é o flagrante cotidiano, influenciado pelo trabalho de fotojornalismo.
Os temas da fluidez e mobilidade atraem Júlia Ishida, Cláudio Seto e Roger Noguti. Julia questiona a mobilidade e a imobilidade, num jogo conceitual entre opostos em que não existem contrários, mas complementos. Cláudio Seto volta-se ao abstracionismo, à maneira de Mabe, sem o rigor da linha japonesa. Roger faz pesquisas com o tema da água dentro do ambiente da fotografia digital.
No quarto grupo é possível detectar traços característicos do ocidente. O cotidiano doméstico é o tema de Adelina Nishimura e Akiko Mileo. Para Adelina, a rotina pode ser plástica, mas tem uma conclusão perversa. Akiko retoma tradições, não de antepassados míticos, mas da infância, em que os elementos marcantes são os da religiosidade.
As fotografias de cenas urbanas com interferência da art pop de Sandra Hiromoto poderiam levar o espectador a imaginar ícones conhecidos da arte de massa. Porém, através de sua paleta de cores, a artista traz um efeito de familiaridade e afetividade, ao retratar as grandes cidades. Já Carol Chuman, busca o efeito oposto, o da estranheza. Do interior de um vaso brota a deterioração, ou quem sabe, a possibilidade de vida.
A mostra ficará aberta no Memorial de Curitiba até 7 de setembro. Depois será transferida para o Espaço Cultural do Conselho Regional de Medicina, com abertura prevista para o dia 15 de setembro.
Serviço:
Exposição Arte Nikkei no Centenário da Imigração Japonesa
Data: abertura no dia 2 de julho de 2008 (quarta-feira), às 19h
Local: Memorial de Curitiba – Salão Paraná (Rua Claudino dos Santos, 79 – Setor Histórico)
Visitas: até 7 de setembro de 2008. De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 15h.
Entrada franca.
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