20º

Culinária exótica para os paladares ocidentais

Alimento mais importante na mesa mongol é um tipo de queijo feito com leite do animal que estiver mais à mão

03/09/08 às 00:00 - Atualizado às 16:30   |  Agência Estado
O aroma não chega a entusiasmar o olfato ocidental. A aparência, entre branca e amarelada, também não. O alimento mais importante na mesa mongol é um tipo de queijo feito com o leite do animal que estiver mais à mão: vaca, cabra, camela ou... égua. A culinária da Mongólia tem mais foco na sobrevivência do que no sabor. Tempero, por exemplo, é um conceito inexistente. Fora da capital, Ulan Bator, não se encontram vegetais e a variedade do cardápio diminui bastante. Os nômades comem, basicamente, carnes e produtos feitos de leite.

Antes de torcer o nariz, vale a pena saber que é uma grosseria impensável recusar a comida servida durante a visita a uma família nômade. Alimentar os viajantes é uma espécie de regra de etiqueta nas áreas remotas. Encha-se de coragem e participe da refeição coletiva. O sabor do tal queijo lembra o da ricota light sem sal.

O mesmo truque vale para o momento em que for servido leite fermentado de égua. Os nativos afirmam que faz muito bem para os ossos e aumenta a resistência do corpo a doenças. Lembra um pouco aquele alimento infantil dos lactobacilos vivos. Mas sem açúcar.

Os vários tipos de leite ainda podem ser servidos misturados com chá e sal. Outra bebida comum nas gers (casas nômades) é a cachaça feita de leite. Praticamente sem sabor, tem teor alcoólico que, garantem os locais, pode fazer estragos. Não à toa, é chamada de água traiçoeira.

Também parte do código de etiqueta local, o viajante deve deixar um presente para a família que o recebeu - nunca dinheiro. Chocolates são difíceis de encontrar e as crianças adoram.

Na capital

Outras especialidades típicas podem ser provadas nos estabelecimentos da capital, como a aaruul, uma espécie de bolacha salgada feita com leite, normalmente servida no café da manhã dos hotéis. O versátil buuz, uma trouxinha de massa recheada com carne de carneiro e cozida no vapor, faz as vezes de entrada em restaurantes chiques, caso do Black Pearl, ou de refeição rápida nos fast-foods que não param de se multiplicar, como o Zochin Buuz e o Khan Buuz. O petisco parece um ravióli grande.

E há ainda o churrasco mongol: carne de carneiro e legumes (os vegetais são importados da China) são colocados em uma panela com pedras incandescentes. O recipiente fica tampado por meia hora e não vai ao fogo. O restaurante mais popular dentre os que servem o prato, o BD’s Mongolian Barbeque, é americano.

Se nenhuma dessas opções for capaz de abrir o seu apetite, a Peace Avenue e a Baga Toiruu contam com restaurantes que servem comida internacional e também podem ser a saída para quem cometeu a besteira de não contratar um tradutor. Nesses estabelecimentos, a chance de encontrar um cardápio em inglês é maior.- BD’s Mongolian Barbeque: Seoul Street; tel.: (00--976) 311-191.
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