21º

Peças chinesas: perfeitas para qualquer ambiente

09/09/08 às 00:00   |  Agência Estado
Vermelho, azul e branco, brocados, flores pintadas, móveis baixos, porcelana, laca... Essas referências, tão presentes na decoração, vieram da distante China e sempre tiveram lugar dentro de casa - fosse por meio de um garden seat de porcelana, ou de um baú para guardar o enxoval. Essa visão mais clássica da presença chinesa no décor é, hoje, um ponto de vista até ultrapassado quando se pensa que na ambientação contemporânea há espaço para tudo (ou quase), como colocar dragões de jade sobre uma mesa da Kartell.

O segredo, afirmam dez entre dez decoradores e arquitetos, é ter bom senso ao dosar as misturas. Um living com peças vintage, por exemplo, pode ter um legítimo abajur de porcelana azul e branca, tão característica da produção chinesa. "É fácil introduzir esse tipo de porcelana num ambiente, enquanto que uma escultura africana nem sempre combina com qualquer espaço", afirma o arquiteto William Maluf, que fez sua primeira viagem à China no fim do primeiro semestre e voltou impressionado com os arranha-céus de 80 andares espalhados por Pequim. O profissional, proprietário do Estúdio Jacarandá, frisa que objetos daquele país conferem um toque sofisticado à decoração. Mesmo sendo ela despojada.

Assim, um baú com motivos florais pintados à mão é capaz de substituir a convencional mesa lateral no estar. Ou a escolha pode recair sobre um móvel inspirado no design chinês de ‘pegada’ atual, como uma banqueta mais alta. "A vantagem é que hoje as empresas chinesas produzem de tudo", afirma Judith Rosenhek, da L’Oeil. Há cinco anos ela viaja regularmente para a China para renovar o estoque da sua loja, recheado de peças de visual tradicional ou moderno. "Há boa procura por esse tipo de mobiliário", diz ela, que comprou armários de linhas retas, revestidos internamente de tecidos brocados: "São a mistura do antigo com o novo".

Inspiradora, a China também serve de referência para a criação atual no Ocidente. Exemplo é a designer francesa Fabienne Jouvin, que assina potes de cloisonné com estampas de apelo gráfico, à venda na Esencial. "Acho interessante quando os criadores se apropriam de técnicas antigas para desenvolver peças contemporâneas", afirma Maria Helena Cabral, da Esencial. Embora ainda não tenha visitado Pequim e cercanias ("minha idéia é ir para lá em 2009"), a empresária, que conhece vários países do Oriente, mantém no acervo de sua loja peças de forte apelo chinês.

"Quando inaugurei a Esencial, há oito anos, a oferta de bons produtos dessa procedência era razoável. Hoje, há muito mais opções de qualidade", assegura. Para ela, um potiche de linhas modernas fabricado na China compõe um ambiente com facilidade, enquanto "as peças clássicas não podem surgir do nada na casa; elas têm de dialogar com móveis e outros objetos", explica. "Na dúvida, faça coleções de tigelas, banquinhos, abajures. Criar grupos é sempre uma boa saída", ensina.

Maria Helena ainda defende que não se deve ter medo de ousar ao compor uma decoração com elementos ocidentais e orientais. "Coloque tudo o que quiser e depois vá limpando os excessos." O resultado pode ser surpreendente como o do ambiente montado por Fernanda Abs e Fred Benedetti para a reportagem. Os arquitetos, que estiveram na China em 2004, criaram uma sala de estar onde o destaque é o contraste do sofá estilo Chesterfield com objetos e móveis de traços chineses. "A China sempre foi inspiração na decoração e culturas como a inglesa, por exemplo, souberam unir referências dos dois países", afirma Fernanda, justificando, em parte, a escolha do sofá. Para ela, o desenho reto e delicado chinês auxilia a sua inclusão em espaços contemporâneos.

"Os itens clássicos sempre cabem numa casa", afirma ela. Daí a perenidade dos móveis de laca, das porcelanas antigas com pintura sangue-de-boi, dos vasos de cloisonné, dos baús de madeira esculpida, dos potiches de madeira, das sedas. Para ela, tudo isso encontra um lugar na decoração, quando se usam cores e design neutro de base. "Mas, pessoalmente, prefiro as peças atuais, que têm uma leitura mais limpa e, portanto, são mais fáceis de usar." 
Publicidade
0 Comentário