“El infierno son los otros”

18 agosto, 2015 às 16:52  |  por Erol Anar

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Por Erol Anar / Siempre yo escribo sobre la vida, pero las personas no les gusta reflexionar sobre la esencia de sus vidas. La mayor parte de las personas prefieren olvidar y no tener conciencia sobre lo que vivencian, prefieren apenas vivir. Ellas olvidan el tiempo y no lo perciben. Cuando ellos pierden sus memorias parecería que viven en un jardín de felicidad. Entretanto, quien olvida su vida no esta semi muerto, está totalmente muerto. Esta más muerto que un fósil de 100 millones de años o que las personas enterradas en La Iglesia Oscura de Capadocia en su consolidación, con más de 1.000 años. Es más posible que los cadáveres se levanten a que esas personas que no piensan sobre sus vidas hagan lo mismo.

El filósofo y romancero francés Jean Paul Sartre afirma que “El infierno son los otros”. La dirección de nuestras vidas son los otros que definen lo que podemos o no hacer. Los otros son nosotros concebidos, ellos construyen paredes entre nosotros y las otras personas. Durante toda nuestra vida hacemos sin querer hacer, no hacemos lo que deseamos, por lo general. Cuando pensamos en hacer algo, primeramente pensamos en la relación con los otros, infelizmente, deseamos no poder realizarnos en respuesta a los otros. La mayor parte de las personas se casan porque los otros quieren, tienen hijos porque los otros quieren… por eso nuestros sueños nunca se realizan: nuestras vidas contienen las baladas del pesar!

Nosotros llevamos leña para nuestro infierno porque no Lo hacemos para ayudar a los otros, a la sociedad, al sistema donde cada cual tanto nos quemamos. Siempre hacemos acusaciones, cuando nuestra situación va empeorando, comenzamos a hacer filosofía sobre eso: la sociedad, el sistema, los contenidos, todos hacen eso conmigo! Nosotros no tenemos responsabilidad sobre nuestra situación. Así somos porque nos queremos salvar de ese peor momento de nuestras vidas. todas las razones son correctas, muchas veces,

Nos responsabilizamos también! Qué hacemos para cambiar la situación antes de que sea el peor momento? Cuál fue nuestro enfoque? No nos enfocamos en una verdad, pensamos que actuamos correctamente, que todo lo hacemos bien. En cinco minutos podemos explicar todos los secretos del mundo, todas las historias, y hablamos a los otros con superioridad. Mientras tanto lo explicación de la vida no tiene un contenido suficiente. Tendrá que suceder una profundización en el contexto de la realidad de la vida del conjunto con la explicación, tiene que haber una percepción de la naturaleza del ser humano y de la esencia de la vida.

Cuando caímos en la llama estábamos patinando y entendimos que no era fácil salir! La realidad de la vida nos envuelve, nos juega en contra muchas veces. Todo el mundo lleva su leña para su infierno, concuerdo con eso!!

Creamos el infierno para nosotros, pero quemamos a los otros también en ese mismo infierno.

“O inferno são os outros”

29 julho, 2015 às 16:26  |  por Erol Anar
O inverno são os outros

O inferno são os outros

Por Erol Anar / Sempre eu escrevo sobre a vida, porém as pessoas não gostam de refletir sobre a essência de suas vidas. A maior parte das pessoas preferem esquecer e não ter consciência sobre o que vivenciam, preferem apenas viver. Eles esquecem o tempo e não o percebem. Caso eles percam suas memórias poderão pensar que vivem no jardim da felicidade. Entretanto, quem esquece sua vida não é semimorto, é totalmente morto. É mais morto do que um fóssil de 100 milhões de anos e até mesmo das pessoas enterradas na Igreja Escura da Capadócia, na sua solidão, com mais de 1.000 anos. É mais possível que os cadáveres levantem do que essas pessoas que não pensam sobre as suas vidas façam o mesmo.

O filósofo e romancista francês Jean-Paul Sartre afirma que ‘‘O inferno são os outros.’’ A direção das nossas vidas são os outros quem têm, são os outros que definem o que podemos ou não fazer. Os outros são nossos conhecidos, eles constroem paredes entre nós e as outras pessoas. Durante toda a nossa vida fizemos sem querer fazer, não fizemos o que desejamos, geralmente. Quando pensamos em fazer algo, primeiramente pensamos na reação dos outros, infelizmente, nossos desejos não podem ser realizados a despeito dos outros. A maior parte das pessoas casam porque os outros querem, tem filhos porque os outros querem… por isso nossos sonhos nunca se realizam: Nossas vidas contêm as baladas do pesar! Nós levamos lenhas para o nosso inferno porque não reagimos para auxiliar os outros, a sociedade, o sistema do qual tanto nos queixamos.

Sempre fazemos acusações, quando nossa situação vai piorando, começamos a fazer filosofia sobre isso: A sociedade, o sistema, os conhecidos, todos fizeram isso comigo! Nós não temos responsabilidade sobre a nossa situação. Assim somos porque queremos nos salvar desse pior momento da vida. Todas as razões são corretas, muitas vezes, mas estamos responsáveis também! O que fizemos para mudar a situação antes de ser o pior momento? Qual foi nosso esforço? Não nos esforçamos na verdade, pensamos que agimos corretamente, que tudo fizemos certo. Em cinco minutos podemos explicar todos os segredos do mundo, todas as histórias, e olhamos para os outros com superioridade. Entretanto, a explicação da vida não é um conceito suficiente. Terá que acontecer um aprofundamento no contexto da realidade da vida em conjunto com a explicação, tem que haver a percepção da natureza do ser humano e a essência da vida. Quando caímos na lama, ficamos patinando e entendemos que não é fácil sair! A realidade da vida nos ensina, nos joga contra a parede muitas vezes. Todo mundo leva sua lenha para seu inferno, concordo com isso! Criamos o inferno para nós, porém queimamos os outros também nesse mesmo inferno.

Café da Manhã Existencialista

12 junho, 2015 às 09:28  |  por Erol Anar

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Por Erol Anar / No dia seguinte tomamos café da manhã numa cafeteria. No menu tinha um tipo de café da manhã pelo qual me interessei porque chamava Café da manhã existencialista. Esse pedido continha um café puro e um charuto ou um cigarro forte. Sorri para quem organizou esse tipo de café da manhã, essa pessoa deve cair num tipo de depressão como Sartre, o filósofo existencialista. Eu estava ali sorrindo.
A vida às vezes é um café da manhã existencialista, passa com sua dureza e você pensa que ela é só cheia de problemas. Não percebemos nossa existência plena. Até que chega um momento no qual o sol brilha novamente em nossos corações e ficamos alegres porque estamos vivos e sorrimos felizes com as pequenas coisas. A vida é assim: às vezes um café da manhã existencialista e às vezes um banquete mágico.
Estávamos tomando nossos cafés nas mesas ao ar livre no restaurante, em frente ao sol da manhã e pensávamos que a vida é bonita.

 

“Café da Manhã Existencialista”
(Editora Juruá)

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Somos cachorros sem piedade, mordemos uns aos outros

10 junho, 2015 às 10:04  |  por Erol Anar

A mulher olhou para o homem

e perguntou com uma voz baixa:

_ Gosta de gatos?

O homem olhando para frente, sem se mexer

respondeu:

_Gosto mais de cachorros…

_E você tem um? Perguntou a mulher com curiosidade.

_Não, tenho só eu mesmo…

A mulher dessa vez,  deu uma risada:

_   Ha há haa há…

_  Você é um?

_  Nós todos somos um!

_ Cachorros?

_ Isso mesmo, disse o homem e continua:

_ Somos cachorros sem piedade, raivosos, mordemos uns aos outros…

_ Cães raivosos? Questionou a mulher concordando logo após:

_ Verdade! muito raivosos, mais raivosos do que os cães o são.

O homem parou nesse ponto, pensou um pouco e disse:

_Esses cachorros humanos não são realmente cachorros.

Os cachorros mordem normalmente com alguma razão, ainda

latem e avisam antes de morder…

mas o humano cachorro em sua maioria, morde

sem razão,

sem avisar,

e sem latir…

As vezes, damos afeto para o outro e depois o mordemos.

Pode ser um cãozinho daqueles tranquilos…

Não existe um cão humano tranquilo!

Em um momento ele nos acabam…

O cacharro é fiel

O humano cachorro não é fiel

Os cachorros entendem quando

você esta dando afeto para eles,

mas maioria das pessoas te morde

mesmo enquanto está dando afeto para elas…

Essa é a diferença crucial!

Mas sei o que você está falando…

são os que mandam que mordem os obedientes…

A mulher perguntou para homem sorrindo:

_ E você vai me morder?

O homem respondeu sem pensar:

_Com certeza sem avisar!

E virou a cabeça olhando para ela:

_ Você também vai me morder…

Os dois mergulharam fundo nos pensamentos

E não conversaram mais…

 

Erol Anar

“A Vida Não Perdoa Os Fracos”

Junho de 2015-Brasil

 

“Sua vida é um assassino, e viver nesse tipo de vida é um crime”

3 junho, 2015 às 13:07  |  por Erol Anar
Impression Sunrise, 1873, by Claude Monet

Impression Sunrise, 1873, by Claude Monet

 

Por Erol Anar / Queridos sonhos distantes,

Era apenas um por cento, a possibilidade de nos encontrarmos, mas a vida não é um por cento de um milhão? Na maior parte do tempo na nossa vida, passamos por alguns dias difíceis e, ao final deles, reclamamos que gastamos um por cento da nossa vida.  E o amor? Esse também não é a possibilidade de um em um milhão? Encontrar o homem ou a mulher que você poderá amar, não é a chance de um por cento em um milhão? Então vivemos o um por cento de nossas vidas.

Nossas vidas não passam de um total de coincidências. Se olharmos nossa vida com o olhar da águia, as curvas importantes  refletirão as coincidências incríveis que aconteceram. Se valorizarmos essas coincidências e realizarmos os nossos desejos aproveitando as possibilidades que elas nos trazem, abriremos muitos caminhos eternos na nossa frente. Então as coincidências são tesouros infinitos para nós, meu amor.

                                                                **********

                                Um dia nos perguntamos o que é a vida, a vida é a somatória de muitas coisas. No entanto, eu respondi para você o seguinte: “_ A vida é a arte do equilíbrio, tudo esta em cima desse equilíbrio.”  Então você perguntou: “_ Então, o que é  esse equilíbrio?” Respondi que era o relacionamento entre o que queremos fazer e o que não queremos.

Podemos explicar o seguinte, andamos em cima do nosso precipício, na corda bamba, apenas com uma vara para nos ajudar. Nós movimentamos essa vara com movimentos precisos e milimétricos, porque um pequeno erro poderá nos fazer despencar. Se nós caíssemos, lá de baixo poderíamos subir com dificuldade novamente, por isso muitas pessoas decidiram viver lá em baixo do precipício, se acomodaram lá mesmo, e deixaram de tentar lutar com a vida e, lutar para subir, vivem suas vidas ali mesmo.

Geralmente nós reprimimos nossos reais  desejos enquanto fazemos as outras coisas sem querer.  Muitas situações fazem com que nosso mar interior cresça e transborde  para fora, nós,contentes, corremos no nosso campo interior com a alegria da vida, colhemos margaridas nos jardins floridos, mas de repente nosso lado lógico nos controla e subimos para a terra. Nosso equilíbrio é fazer o relacionamento entre nosso mundo emocional  e nossa lógica.  Precisamos cuidar nesse relacionamento mais do mundo emocional do que da lógica. Isso porque a lógica e nossas emoções nunca andam na mesma corda bamba.

Temos muito desejo de se deixar enlouquecer mas a lógica nos faz fronteiras, sabemos que se realizarmos esse desejo teremos prazer, sabemos que isso vai engrandecer nosso mundo emocional e das idéias, porém, nós matamos ainda em desenvolvimento nossos projetos, aceitamos viver lá em baixo, no fundo do precipício em nossa vida pequena. Então, fala para mim, meu amor, o que estamos fazendo? Estamos na prisão da lógica? O maior inimigo que temos é nossa lógica!Nós demos para nosso lado lógico todo nosso controle e nos prendemos numa cela. Tínhamos que dominar isso, todos os dias matamos nosso amor, como um assassino sem piedade, dividimos em mil partes o corpo de nosso amor e nos rendemos para nossa lógica.

Por isso, digo a quem não vencer sua lógica – que é como dominar um cavalo selvagem –que ele terá sua vida batendo com as  baladas do remorso. A vida me ensinou que a mais valiosa coisa que pode acontecer é colocar o coração na frente da lógica. O ser humano quando vai ao leste do seu coração entende que conquistou a nobreza das minas da sua alma, porque o coração ensinou ao ser humano que temos que viver sem expectativa, sem esperar recompensa, vivendo apenas com amor. A lógica é um contador, sempre esta fazendo contas, tem expectativas e quer a satisfação do ego. Por isso, eu não dei valor para a lógica e prefiro despreza-la. Esse é o conceito que uso, usando menos esse lado lógico acredito que serei mais feliz e viverei com contentamento. Eu quero ir contra a maré, enquanto eu puder.

A vida é tão curta que depois que nossos olhos se fecham, se tivéssemos mais uma chance de ver nossa vida como um filme, ficaríamos furiosos com nós mesmos por percebê-la sem significado e vazia. Mas a pior coisa, o que é? Você sabe meu amor? Viver apenas um por cento das maravilhas e coisas eternas que a vida nos possibilita! A possibilidade de tomarmos consciência disso é um por cento entre milhões. A vida nos oferece muitas coisas belas, maravilhosas, mas ficamos cegos diante disso e não as enxergamos todos os dias.

                                                                   ********..

                 O herói do livro de Dostoiévski, “Noites Brancas”,  falou num capítulo que “…sua vida é um assassino, e viver nesse tipo de vida é um crime”[1]. Ele falou com ele mesmo sobre isso, perguntou para si mesmo se tinha vivido os seus anos de verdade.

Então, todos nós somos assassinos matando nossas vidas. Realizamos por tão pouco isso. Esse assassino continua crescendo até atingir o tamanho da nossa vida.

Eu convido você para colher as  margaridas nos campos de flores, convido você para vivermos a vida fazendo com que ela tenha significado, enchendo –a de significado…

Será branca e fina como as pétalas da margarida…

 

Com amor,

 

Ankara, 05 de agosto de 2001

Do livro “Café da Manhã Existencialista” de Erol Anar

Editora Juruá, 2009, Brasil

 


[1] Dostoiévski: no livro “ Noites Brancas”, ed. Turca Oteki , Ankara.

 

Uma conversa sobre o passado e o futuro

29 maio, 2015 às 08:28  |  por Erol Anar

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Ela falou:
As pessoas normalmente
Dizem que sou complicada,
não me entendem .
Porém não me importo,
Fodam-se!
Queria um relacionamento
nada complicado.
Não gosto de pensar nem idealizar,
prefiro deixar fluir.
É melhor!
Sinto-me mais livre…
Ela falava sem parar:
Depois etc.
e depois etc.
Vou assumir uma coisa:
Odeio assumir isso.
Sinto-me ridículo!

Respondi:
Tudo bem, te entendi.

Ela falou de novo:
Cara, você não entendeu nada!

Refleti mais e afirmei:
As vezes, olhar o passado é bom
para caminhar para o futuro, baby.
O passado parece uma sombra e
fica bem atrás de você,
mas se não olhar para lá poderá esquecê-lo…
porém se o fizer vai vê-lo
ainda ali, grudado na sua bunda…
Talvez não tenha sido vivido…

Ela disse:
Cara, você foi longe agora…
Bom é viver o presente
sonhando com o futuro!

Ela tinha razão, mas acrescentei:
O passado parece um passarinho morto, baby.
Se você carregá-lo na bolsa, vai cheirar.
Se enterrá-lo, vai ser melhor.
Assim, quando quiser poderá visitá-lo.

Caraca! disse ela.
Foda-se!
Muito boa frase!

Rimos juntos, dessa vez
e a conversa terminou assim.
como a vida.

 

Erol Anar


“Os Poemas do Maio”, 2013,

Santa Catarina Brasil

 

As Portas de Jerusálem

25 maio, 2015 às 10:03  |  por Erol Anar

 

 

2173Por Erol Anar / Os judeus chamam a cidade de Jerusalém: Yerusalayim, os Árabes a chamam: El-Kuds. O mais antigo nome da cidade é a origem dela,  veio do oeste Sami, é Urusalim. Ela é o centro de três religiões: cristianismo, islamismo e judaísmo. Na cidade antiga há os bairros dos judeus, cristãos e armênios.

A história dessa cidade milenar contém ocupações, sofrimentos e guerras. Sua história inicia há 3.500 anos A. C., foi ocupada pelo povo de Davi e assírios, Nabucodonosor, Antioco, romanos e otomanos ocuparam essa cidade.

Nos cinco séculos seguintes à revolta de Bar Kokhba, a cidade permaneceu sob domínio romano. até cair sob domínio bizantino. Durante o século IV, o Imperador romano Constantino I, construiu partes católicas em Jerusalém, como a IgrejaSanto Sepulcro. Jerusalém atingiu o pico em tamanho e população no final do Segundo Período Templário: A cidade se estendia por dois quilômetros quadrados e tinha uma população de 200 mil pessoas ( Lehmann, Milhas Clayton (22 de fevereiro de 2007). Palestina: Histórico.  A Enciclopédia on-line das províncias romanas.) Visitado em 18-4-2007.A partir de Constantino até o século VII, os judeus foram proibidos em Jerusalém.

No período de algumas décadas, Jerusalém trocou de mãos entre persas e romanos, até voltar à mão dos romanos mais uma vez. Depois, do avanço do comandante sassânida Cosroes II, no início do século VII sobre os domínios bizantinos,  avançando através da Síria, os generais sassânidas Sharbaraz e Sain atacaram a cidade de Jerusalém (persa: Dej Houdkh), então controlada pelos bizantinos (Conybeare, Frederick C.. The Capture of Jerusalem by the Persians in 614 AD. [S.l.: s.n.], 1910. 502-517 p.)

Em 638, o Califado islâmico alargou a sua soberania conquistando a cidade de Jerusalém e a província romana da Palaestina Prima. Neste momento, Jerusalém foi declarada a terceira cidade mais sagrada do Islã após Meca e Medina, e referido como al Bait al-Muquddas. Mais tarde, ele era conhecido como al-Qods al-Sharif (Jerusalem: Illustrated History Atlas Martin Gilbert, Macmillan Publishing, Nova York, 1978, p. 7)

Em 1517, Jerusalém e região caiu sob domínio Turco Otomano, que permaneceu no controle até 1917. Como em grande parte do domínio Otomano, Jerusalém permaneceu um provincial e importante centro religioso, e não participava da principal rota comercial entre Damasco e Cairo. Em 1917 após a Batalha de Jerusálem o exército britânico , liderado por General Edmund Allenby,, capturou a cidade.E, em 1922, a  Liga das Nações sob a Conferência de Lausanne confiou ao Reino Unido a administração da Palestina.  (Fromkin, David. Paz: A queda do Império Otomano e da criação do Médio Oriente Moderno. 2ª reimpressa ed. [S.l.]: Owl Books E, 2001. 312-3)

A última ocupação foi feita por Israel em 1967, e Israel anunciou ser aquela cidade pertencente a eles, tornou-se a capital eterna deles, da qual não podem separar-se. Muitas vezes a cidade foi queimada e derrubada, mas renasceu das cinzas como Fênix (passarinho mitológico capaz de renascer de suas cinzas). A mais antiga cidade do mundo chamada Jericó esta a trinta minutos de Jerusalém.

Na entrada da cidade antiga ficam multidões, há muralhas fora dela e muitos pontos ocupados pelo exército israelita. Especialmente a porta de Damasco possui multidão maior. Conheci numa cafeteria antiga uma pessoa chamada Bilal nascido em Damasco, há três anos trabalha aqui em Jerusalém e afirma ser Damasco mais bonita que Jerusalém. Ele deseja ir para a universidade de Amã, capital da Jordânia, para se formar em música.

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Quando você entra na cidade e passa pelas muralhas, encontra uma feira na qual se vende de tudo. Ao lado da calçada mulheres idosas vendem frutas e verduras, as músicas se encontram fazendo parecer ainda mais mística aquela cidade.  Eu tomei chá na frente da Mesquita Mescid-Aksa, eles colocam uma folha de hortelã fresco nele. Bem atrás da Mesquita fica o famoso “Muro das Lamentações”, em inglês “Wailing Wall”. Significa “Muro das Lamentações.”

Os visitantes escrevem seus nomes e desejos num papel e colocam nos buracos da muralha, há milhares de papéis ali. Também coloquei meus desejos no papel e finquei na muralha.

Há muita alegria, barulho, não há como se sentir sozinho lá. A cidade antiga possui 11 portas e só o “Golden Gate”ficou fechado.

***

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Num dia fomos para Ramallah, a trinta minutos de  Jerusalém. A cidade se lava com as luzes da noite e parece com uma das cidades das mil e uma noites. Quando escutava as músicas árabes esse sentimento ficava mais forte ainda. Um vento místico traz até você os heróis das mil e uma noites, você consegue assistir aquelas cerimônias heróicas e vêm até a sua mente todas as fábulas conhecidas.

 

Jerusalém! Você é a cidade das cidades! Segundo os judeus é a “Terra Prometida”,  é uma cidade com pecados sem perdão. Você carrega nas costas David, Ibrahim e Jesus. É a cidade dos profetas. Você arranjava os amores que foram vividos loucamente nas suas ruas, como uma cerimônia sagrada, como uma oração. É uma cidade chorando com suas muralhas nas quais os sofrimentos se chocam e se despedaçam. As suas ruas sangram, com seus milhares de anos de ocupações e pela primeira vez vejo seu rosto, mas eu já te conhecia assim como o rosto de minha mãe. Queria beijar seus ombros machucados que carregam tanto sofrimento há milhares de anos, depois queria escutar de você mesma sua história, sua memória das tantas vidas machucadas e dos seus amores. Queria saber com detalhes todas as ruas e as histórias de suas pedras.

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Queria me refugiar na sua compaixão que me ampara e perdoa, desejo poder beijar seus fortes ventos, tão leves como as asas dos passarinhos e frescos como oásis.

Queria morrer em todas as suas portas e renascer no centro da cidade e sorrir para seus povos sofridos.

Suas mãos são quentes como uma pedra em frente ao sol e possui as marcas dos pregos enfiados nas mãos de Jesus.

Você é uma cidade com pecados imperdoáveis, amores indóceis e feridas sem remédios. Não a quero ver novamente, só quero sentir saudades.

Dentro de todos nós existe um Dostoiévski

16 maio, 2015 às 10:06  |  por Erol Anar

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Por Erol Anar

Queridos sonhos distantes,

Hoje vou contar para vocês sobre o maior escritor de todos os tempos: Fiódor Dostoiévski! O escritor americano Charles Bukowski afirmou em seu livro: “Um bom escritor nasce a cada 500 anos no mundo, eu não sou um desses”.

De fato, como escritor, concordo e digo também que não sou um desses e vou além. Acredito que há cada cinco mil anos nasce um bom escritor, um Dostoiévski.

Conto para você que Dostoiévski foi como um mago passeando na profundidade das características humanas, como um arqueólogo que tem paciência para trabalhar minuciosamente sob a terra, até encontrar um vaso raro. Os olhos dele foram muito perspicazes, quando pesquisava a personalidade de uma pessoa, analisava, até mesmo, os mínimos e pequenos detalhes. Quando ele começou a fazer comentários das atitudes das pessoas, o comportamento manifesto ficou apagado perante a descrição do comportamento psicológico. Ele descreveu esse comportamento de maneira brilhante. Não existe outro escritor como ele, nenhum outro comentou de forma tão abrangente sobre a natureza da vida e dos humanos.

Então, o que o fez tão grandioso? Você nunca pensou sobre isso?  Será que foi a própria vida dele oscilando a cada momento para um lado? Ou  quando ele era um jovem intelectual e foi levado para a Sibéria, algemado pelos pés, com pessoas pobres, que recebeu a inspiração para tal feito?

Eu penso que o que o fez grandioso foi o fato dele ser aluno da vida, ele podia ver a alma dos humanos e a analisou com uma habilidade objetiva e perspicaz. Ele mantinha um relacionamento de respeito com os seres humanos e aprendeu com cada um. Antes mesmo de escrever “Crime e Castigo”, em     “Recordações da Casa dos Mortos”, podemos ver o poderoso gênio com  sua perspicácia. Ele afirmou nesse livro: “ Eu sou aluno dos castigados remadores”.

Ele nasceu em 1821, o pai dele era um médico e a mãe, filha de comerciantes.

Ele teve a semente da doença epilepsia plantada em sua vida. Nós podemos ver isso nos seus livros, por exemplo, em “Os Irmãos Karamazov”, o herói Smierdiakóv tem epilepsia. Essa doença quando surge é como uma fechadura cuja chave é difícil de encontrar.

Dostoiévski foi preso pela polícia, condenado à pena de morte, ficou meses sozinho numa cela, na qual pensou sobre a morte. Depois ele analisou a experiência em seu livro “ Crime e Castigo”. Quando ele foi exilado para a ampla Sibéria, teve seu primeiro contato com a vida difícil da miséria, compreendeu que antes conhecia essa realidade do povo apenas intelectualmente.

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Em algumas situações, a pessoa aceita parecer estúpida só para observar melhor o comportamento de outros sem que estes suspeitem da sua observação. Os outros pensam que são mais inteligentes e exploram você, como se fosse uma pessoa burra, mas, certamente, se o seu comportamento é feito com bondade e emoção, você não age assim por falta de inteligência.

Dostoiévski contou sobre isso: “Quando eu vim para a prisão não tinha muito dinheiro, mas dei dinheiro para quem o pedia – eu não tinha tempo nem para respirar de tantos pedidos. Alguns presos pensaram que eu não os reconheceria e pediam pela segunda e terceira vez e, mesmo assim, eu dei algum dinheiro para eles. Eu os reconhecia, sim, mas não queria ofendê-los. Eles pensaram que me colocaram numa gaiola com suas mentiras e malícias, contudo, tenho certeza que se eu não tivesse dado dinheiro para eles e os mandado embora, teriam me respeitado mais. A despeito da zanga que fiquei, não poderia ter deixado de dar para eles o que eles pediam”. [1]

Agindo dessa forma, o escritor russo foi desvelando cada vez mais e  melhor a alma humana e ao iniciar esse caminho observou que até mesmo aqueles que não têm educação, como humanos, possuem na sua alma delicadeza e profundidade.

“A evolução da alma não tem medida. A educação também não tem medida. Apesar das controvérsias, encontrei as mais delicadas almas nas pessoas mais miseráveis, pobres e ignorantes. Às vezes você despreza alguém, como um animal, uma pessoa que você conhece há alguns anos, mas chega o momento em que a alma dessa mesma pessoa se abre para o mundo e você pode conhecer o tesouro, a sensibilidade que vive dentro dela, quando o seu coração tem empatia pelo sofrimento de outras pessoas. Alguns têm muita educação mais a alma é violenta, então, você pode questionar qual é o benefício da educação”.[2]

Com esses dizeres, minha amiga: Dostoiévski nos leva para uma viagem até a profundidade da alma humana. Não fizemos isso na vida, ignoramos pessoas, pensamos que somos maiores do que todos! Sempre estamos rotulando e classificando em categorias: pessoas educadas, sem educação, com cultura, sem cultura… Mas que absurdo! Existe uma pessoa na terra sem cultura? Cultura é tudo que a humanidade criou.

De acordo com nossas idéias não vale a pena escutar alguém sem educação, pensamos que não existe nada para aprender deles. Então, por que fazemos competição com eles, como meninos, por exemplo, que competem para ver quem lança o xixi mais longe?

Você nunca foi um aluno da vida, você sempre gostou de dizer que entende e sabe de tudo, eu não gosto disso. Isso nos leva a uma competição inútil, vazia. Eu desdenho o conhecimento, ele é apenas uma pequena ferramenta na vida e não é tudo.

Sempre damos a razão a nós próprios e nos achamos mais inteligentes e espertos do que os outros. Muitas vezes, quando alguém diz algo importante, não escutamos. Se não pudermos mudar essa atitude, nunca vamos chegar na maturidade.

De acordo com críticos literários, o romance “Os Irmãos Karamazov”, é o melhor de todos os tempos. Dostoiévski , nesse livro, expôs toda sujeira da alma humana e dela foi capaz de extrair jóias brilhantes. O pai Karamazov, nesse mesmo livro, era pouco intelectual, pouco astuto, e tinha uma paixão cega. A despeito de amar muito o dinheiro, dava milhares de quantias financeiras a sua amante, só para ver a expressão dela ao receber o presente. Era tão asqueroso que queria a noiva do seu próprio filho. Ele era conhecido como pessoa ruim, mas tinha bondade também, como todos nós. No livro “Crime e Castigo”, o escritor contou sobre a maldade, como os seres humanos sofrem pela sua própria consciência, sofrem mais, muitas vezes, pela sua própria consciência do que por receber uma punição efetiva dada por outrem.

A expressão poderosa que demonstramos no nosso convívio social é uma casca, dentro de nós existe miséria, muitas vezes. Em certos casos, alguém que nos parece humilde, possui um herói dentro dele mesmo. Esse alguém com aparência tão humilde manifesta comportamentos admiráveis, atitudes dignas dos grandes heróis.

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Você também se sente poderoso, não é? Vive como quem tem uma missão importante, confia muito em você mesmo com relação a vida e se compara com os outros, pensa que sai vencendo sempre. No entanto, o fundamental não é esta missão que você acredita desfrutar, mas a missão que a vida trará para você realizar. Você ainda não conhece você mesmo, não viajou para dentro de sua própria alma, mas pensa que dando uma pequena olhadela, pode analisar e conhecer todo mundo, não é mesmo, minha amiga?

Se não fosse assim, você não encheria o peito contra as dificuldades da vida. Sempre você escolhe o caminho mais fácil e escapa do que lhe parece difícil na vida e, fugindo dessa forma, fica ainda mais distante de sua essência. Agora é uma pessoa incapaz, vivendo no seu passado mortal, mas não esqueça: você não é o pássaro Fênix que renasce das cinzas! Não poderá renascer de suas cinzas! Você esta com medo de perder e não sabe que justamente aquilo que ganhou é o que esta te matando. Você acha que o ser humano nasceu para comprar uma casa, um carro, comer e fazer um futuro para seus filhos. Esse é o sentido da vida para você. Aceita facilmente que se colocar no banco mais dinheiro, vai ficar mais feliz… Ao pensar assim não reflete sobre o fato do ser humano vir fazendo isso há milhares de anos.

Quando você esta falando, nem olha para quem o escuta. Você discursa seriamente sobre os segredos do mundo, embora quando os outros falem, você olhe mais para as paredes do que presta atenção no que lhe contam. Afinal, você acredita que nada pode aprender dos outros.  Você dá um riso falso, olha os outros com superioridade.

Meu pobre amigo, você viu! Nós todos na realidade usamos nossas máscaras de poder, mas quando as retiramos somos os mesmos pobres homens. Quando a máscara cai, nós vemos nosso fim. Nós todos somos fracos, embora pensando que somos poderosos. Nós poderemos nos salvar somente  buscando dentro de nós aonde nos aprisionamos, e libertando-nos da cela, retirarmos as algemas, decidirmos sair livres.

Na realidade nós todos temos um Dostoiévski dentro de nós, mas talvez nunca saibamos disso e nosso ar termine, como uma vela que se apaga apesar do ar tentar alimentá-la. Mas a vela ainda dá luz para todos os lados, enquanto nós nos acabamos, antes de iluminar qualquer lado. Acorde seu Dostoiévski, ele esta  escondido dentro de você mesmo embora você sempre o tenha temido. Foi por isso que você empobreceu, mas você pode encontrá-lo.

Todo mundo tem dentro de si um Dostoiévski, eu estou procurando o meu…

 

Com amor,

 Lausanne, Suiça

  11 de março de 2001

Erol Anar

“Café da Manhã Existencialista”

Editora Jurúa, 2009

 


[1] Dostoiévski: “Recordações da Casa dos Mortos, Ed. Adam Yayinlari,  Istambul, 1995. pág. 116.

[2] Dostoiévski: “Recordações da Casa dos Mortos, Ed. Adam Yayinlari,  Istambul, 1995. pág. 325-326.

Nietzsche:“Dostoiévski foi o único psicólogo com quem tinha algo a aprender.”

27 abril, 2015 às 09:42  |  por Erol Anar

 

Esse é um romance difícil, filosófica e publicado em 1864.

Muitos críticos existencialistas, entre os quais, Jean Paul Sartre  consideraram o romance como um precursor do pensamento existencialista e uma inspiração para as suas filosofias.[1]

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Este livro é considerado por muitos como o primeiro romance existencialista (não tem provas)

Nietzsche afirma que “Dostoiévski foi o único psicólogo com quem tinha algo a aprender.” (the only psychologist, incidentally, from whom I had anything to learn)” [2]

Essa obra de Dostoievski influenciou muitos escritores como Camus, da perspectiva existencialista. O livro é considerado como primeira obra do existencialismo.

O protagonista é um homem isolado do mundo e que fica numa casa que é no subsolo, como ele descreve. É um homem sem nome, amargo, insociável, com ódio da sociedade e que sente medo das pessoas. Trata-se de uma auto-resolução e análise.
Algumas frases do livro:

“E se acontece de algum deles se mostrar valente perante alguma coisa, isso não deve ser motivo de consolo ou de entusiasmo: fatalmente ele irá se acovardar diante de outras circunstâncias.” (pp. 56)

“E, ademais, saibam de uma coisa: estou convencido de que é preciso manter esses tipos do subsolo à rédea curta. Embora eles possam passar quarenta anos calados no subsolo, se conseguem sair para a claridade, ficam falando, falando, falando…” (pp. 48)

“Sou, por exemplo, uma pessoa com um amor-próprio exagerado. Sou desconfiado, e ressentido, como um corcunda ou um anão, embora verdade seja dita, houvesse momentos em que, se me dessem uma bofetada, eu talvez ficasse alegre até com isso.” (pp. 17)
“Mas isso é porque eu mesmo não me respeito. Por acaso um homem com consciência pode ter algum respeito próprio?” (pp. 25)

Essa é uma grande ideia de Dostoievski: dois e dois são cinco. Ele elogiou a ciência, mas ao mesmo tempo pensava mais amplo e filosoficamente. Essa obra algumas vezes vai chatear e outras mexer com as emoções do leitor, o escritor entra na alma e fica vasculhando como ela é até a última pagina do livro.

O escritor Frances Andre Gide afirma que essa obra de Dostoievski é o pináculo da sua autoria e a pedra angular das outras obras do autor.[3]

 

Vale a pena ler esse livro, se aprofundar e conhecer sua própria alma. “Notas do Subsolo” é na verdade uma viagem por si.

 

Dostoiévski, Fiódor M.: Notas do Subsolo
Editora: L&PM
Edição : 1 / 2008
Número de Paginas : 152

 



[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Notas_do_Subterr%C3%A2neo

[2] Nietzsche, Friedrich. Twilight of the Idols, Or, How to Philosophize with a Hammer. 1889. Trans. Duncan Large. Oxford World’s Classics, 1998. Page 70. http://en.wikipedia.org/wiki/Notes_from_Underground

[3] André Gide: “Dostoiévski”, Paris, Gallimard, s.d., p. 195. passeidireto.com

Juizados Especiais participou do I. Congresso Internacional de Psicologia Jurídica

12 abril, 2015 às 20:23  |  por Erol Anar

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I. Congress  Internacional de Psicologia Jurídica-ABPJ aconteceu de 08 a 11 de abril de 2015, na cidade de João Pessoa/ PB. O evento teve por objetivo apresentar e discutir os objetivos da Psicologia Jurídica, as aplicações na Psicologia Forense, Criminal, Penitenciária e Investigativa.

Na programação das atividades já se evidenciou a ênfase nas contribuições da Psicologia Jurídica para as áreas relacionadas ao estudo da criminalidade.
As psicólogas do 1° grau de jurisdição do Tribunal de Justiça do Paraná Jucemara F. Rodrigues Anar e Karin Andrzejewski, psicólogas no Núcleo de Assessoria Psicossocial-NAP dos Juizados Especiais de Curitiba- Foro Central, estiveram no Congresso e destacam que o foco deste congresso foi na área criminal, diferentemente das áreas geralmente mais abordadas em outros encontros da Psicologia Jurídica, que são família e infância e juventude.
As psicólogas destacam a importância para o campo da Psicologia dos trabalhos divulgados na área em destaque pelo Congresso. Os temas  discutiram a respeito do sistema penitenciário Brasileiro e a atualização dos profissionais psicólogos para garantir qualidade nos laudos e exames criminológicos. As contribuições nacionais e mundiais trazidas apontaram a importância dos psicólogos conhecerem o fenômeno da criminalidade e desenvolverem manejos dos instrumentos teórico-científicos que lhes permitem atuação de excelência, com a valorização da sua contribuição nas equipes interprofissionais inseridas neste campo de saber.
Os temas das palestras abordaram a Psicologia Forense, Psicologia Penitenciária, Psicologia Criminal, Psicologia Investigativa além das áreas de interface da Psicologia Jurídica como a criminologia, criminalística, inteligência policial, direito penal, perícia criminal, psiquiatria forense e sociologia forense. As mesas temáticas diversificaram com títulos: A Psicologia do Estudo da psicopatia e dos transtornos psíquicos, A Psicologia nas Avaliações Jurídicas, A Psicologia na solução de crimes e Psicologia, Justiça Criminal e Direitos Humanos.
As psicólogas consideram que o elemento motivador das suas participações neste Congresso foi a promoção de informação e atualização do conhecimento da Psicologia Jurídica. Valorizam e acreditam que a integração e a troca de conhecimento entre as equipes dos profissionais que atuam em campos diversos do judiciário podem impulsionar a qualificação da nossa ação profissional.

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Destacam que o evento contou com contribuições relevantes, a organizadora do evento Prof Dra Aline Lobato apresentou a conferência sobre a Psicologia Investigativa, tema do seu doutorado em Londres, também o tema foi discorrido pelo Prof Dr David Canter, diretor do Centro de Psicologia Investigativa da Universidade de Huddersfield, Presidente da Academia de Psicologia Investigativa e Professor emérito da Universidade de Liverpool ( Londres) e pela Prof Dra Donna Youngs, diretora do centro internacional de Psicologia Investigativa (Universidade de Huddersfield ).
O Dr. Alvino Augusto de Sá, Coordenador Técnico do Manual de Projetos de Reintegração Social. São Paulo: Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, 2005. Autor de diversos artigos publicados em revistas científicas destacou a importância dos exames criminológicos seguirem o modelo Psicossocial, onde aparecem fatores autônomos. Ressaltou que os psicólogos são capacitados e devem utilizar sua qualidade técnica para desprender o crime do organismo, da personalidade e ressaltar nos seus laudos o diálogo com fatores psicossociais, dando perspectiva de futuro para quem esta na prisão. Isso porque, infelizmente, alguns laudos, no exame criminológico servem apenas para justificar a criminalidade pelo histórico do passado do preso, mas o passado não podemos modificar.

Alertou os psicólogos para importância dos laudos . Quando falta qualidade técnica,  em alguns laudos, os presos se tornam reféns de um histórico de vida trágico e o laudo conclui que sempre serão criminosos, não apresenta utilidade para o prognóstico e desenvolvimento de programas para a reinserção social .   Ainda em relação aos presos, outros laudos colocam o alto nível de agressividade como causa da sua capacidade de violência. Porém, o nível de agressividade pode ser positivamente aproveitado e é,  em todos os líderes, esportistas de sucesso, por exemplo, eles utilizam do seu alto nível de agressividade para serem vencedores ou excelentes líderes.
Reafirmou que os laudos deveriam acontecer no início do processo, logo que o preso entra no sistema carcerário, para depois conseguirmos acompanhar a continuidade do comportamento apresentado, observar como o preso lida com o nível de agressividade com o passar do tempo. Observar o  histórico de seus dias enquanto cumpre sua pena e a maneira como esta lidando com as frustrações. Ressaltou que é necessário um programa para propiciar ressocialização ao preso, um programa que consiga avaliar as respostas a cada etapa do processo, diagnosticar como o preso responde as propostas ofertadas com o intuito de promover sua ressocialização, sua reinserção.
Alertou a sociedade sobre o cuidado na avaliação dos crimes,  podemos nos solidarizar com as vítimas, mas não nos identificarmos com elas. Porque quando nos identificamos transformamos o criminoso em inimigo público, o desejo de vingança do público o reduz  de pessoa humana em um título:   é assaltante, é homicida…   O preso também, então, se identifica com o título e verá agora a sociedade como sua inimiga, assim implantamos uma guerra bem conhecida por todos nós que só engrandece a violência.

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Relatou que ao entrevistar um líder num presídio, perguntou a ele o que aconteceria com o crime organizado se a igualdade social acontecesse, e este preso respondeu que se isso acontecer o crime organizado não terá mais razão de ser.
Ressaltou a importância do investimento em entrevistadores, psicólogos, em valorizar seu conhecimento sobre a subjetividade, para aprendermos a estabelecer diálogos qualificados com toda a sociedade no objetivo maior de diminuindo a violência instaurada.
As psicólogas Jucemara e Karin colocaram que o Doutor Alvino trouxe importantes questionamentos, com sua sensibilidade para o tema psicossocial, refletindo sobre a nossa contribuição na cultura de pacificação social. Ressaltam que a questão da violência permeia suas atuações profissionais diariamente, pois trabalham com delito de pequeno porte, onde os trabalhos de prevenção a violência são de suma importância, o viés mais importante é o da Prevenção.

Karin Andrzejewski relata que o NAP Central realiza a Oficina de Prevenção ao uso de drogas e busca trabalhar na prevenção da violência, possibilitando para aqueles que participam da oficina reflexão sobre seus projetos de vida, retomando um olhar sobre si mesmo e sua responsabilidade na construção da sua história pessoal.
Jucemara Anar ressalta o atendimento aos delitos de pichação, busca levar para o Grupo de orientação para prestação de serviço, realizado antes de encaminhar o prestador para as instituições, uma proposta educativa. A proposta é levar o jurisdicionado a olhar para a cidade como parte da sua história, o quanto é possível contar história numa pintura realizada num muro. Trabalha para a compreensão de que é possível fazer grafite e fazer parte da história da cidade, num muro autorizado, os incluindo na participação da construção de espaços públicos.
Não é apenas prestação de serviço para cumprir horas acordadas nos autos, mas estimular a criatividade, a estética da arte nos muros e incentivar a cultura de paz, é transformar a violência ao patrimônio público na restauração de um muro, utilizar um muro para contar uma história. Fazer parte dessa proposta tem motivado inúmeros pichadores a contribuir positivamente.
Para as psicólogas que estiveram neste Congresso representando o Tribunal de Justiça do Paraná o trabalho que desenvolvem são exemplos dos trabalhos de prevenção à violência realizados no Âmbito do judiciário.

Escrito por Jucemara F. Rodrigues Anar e Karin Andrzejewski