Juizados Especiais participou do I. Congresso Internacional de Psicologia Jurídica

12 abril, 2015 às 20:23  |  por Erol Anar

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I. Congress  Internacional de Psicologia Jurídica-ABPJ aconteceu de 08 a 11 de abril de 2015, na cidade de João Pessoa/ PB. O evento teve por objetivo apresentar e discutir os objetivos da Psicologia Jurídica, as aplicações na Psicologia Forense, Criminal, Penitenciária e Investigativa.

Na programação das atividades já se evidenciou a ênfase nas contribuições da Psicologia Jurídica para as áreas relacionadas ao estudo da criminalidade.
As psicólogas do 1° grau de jurisdição do Tribunal de Justiça do Paraná Jucemara F. Rodrigues Anar e Karin Andrzejewski, psicólogas no Núcleo de Assessoria Psicossocial-NAP dos Juizados Especiais de Curitiba- Foro Central, estiveram no Congresso e destacam que o foco deste congresso foi na área criminal, diferentemente das áreas geralmente mais abordadas em outros encontros da Psicologia Jurídica, que são família e infância e juventude.
As psicólogas destacam a importância para o campo da Psicologia dos trabalhos divulgados na área em destaque pelo Congresso. Os temas  discutiram a respeito do sistema penitenciário Brasileiro e a atualização dos profissionais psicólogos para garantir qualidade nos laudos e exames criminológicos. As contribuições nacionais e mundiais trazidas apontaram a importância dos psicólogos conhecerem o fenômeno da criminalidade e desenvolverem manejos dos instrumentos teórico-científicos que lhes permitem atuação de excelência, com a valorização da sua contribuição nas equipes interprofissionais inseridas neste campo de saber.
Os temas das palestras abordaram a Psicologia Forense, Psicologia Penitenciária, Psicologia Criminal, Psicologia Investigativa além das áreas de interface da Psicologia Jurídica como a criminologia, criminalística, inteligência policial, direito penal, perícia criminal, psiquiatria forense e sociologia forense. As mesas temáticas diversificaram com títulos: A Psicologia do Estudo da psicopatia e dos transtornos psíquicos, A Psicologia nas Avaliações Jurídicas, A Psicologia na solução de crimes e Psicologia, Justiça Criminal e Direitos Humanos.
As psicólogas consideram que o elemento motivador das suas participações neste Congresso foi a promoção de informação e atualização do conhecimento da Psicologia Jurídica. Valorizam e acreditam que a integração e a troca de conhecimento entre as equipes dos profissionais que atuam em campos diversos do judiciário podem impulsionar a qualificação da nossa ação profissional.

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Destacam que o evento contou com contribuições relevantes, a organizadora do evento Prof Dra Aline Lobato apresentou a conferência sobre a Psicologia Investigativa, tema do seu doutorado em Londres, também o tema foi discorrido pelo Prof Dr David Canter, diretor do Centro de Psicologia Investigativa da Universidade de Huddersfield, Presidente da Academia de Psicologia Investigativa e Professor emérito da Universidade de Liverpool ( Londres) e pela Prof Dra Donna Youngs, diretora do centro internacional de Psicologia Investigativa (Universidade de Huddersfield ).
O Dr. Alvino Augusto de Sá, Coordenador Técnico do Manual de Projetos de Reintegração Social. São Paulo: Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, 2005. Autor de diversos artigos publicados em revistas científicas destacou a importância dos exames criminológicos seguirem o modelo Psicossocial, onde aparecem fatores autônomos. Ressaltou que os psicólogos são capacitados e devem utilizar sua qualidade técnica para desprender o crime do organismo, da personalidade e ressaltar nos seus laudos o diálogo com fatores psicossociais, dando perspectiva de futuro para quem esta na prisão. Isso porque, infelizmente, alguns laudos, no exame criminológico servem apenas para justificar a criminalidade pelo histórico do passado do preso, mas o passado não podemos modificar.

Alertou os psicólogos para importância dos laudos . Quando falta qualidade técnica,  em alguns laudos, os presos se tornam reféns de um histórico de vida trágico e o laudo conclui que sempre serão criminosos, não apresenta utilidade para o prognóstico e desenvolvimento de programas para a reinserção social .   Ainda em relação aos presos, outros laudos colocam o alto nível de agressividade como causa da sua capacidade de violência. Porém, o nível de agressividade pode ser positivamente aproveitado e é,  em todos os líderes, esportistas de sucesso, por exemplo, eles utilizam do seu alto nível de agressividade para serem vencedores ou excelentes líderes.
Reafirmou que os laudos deveriam acontecer no início do processo, logo que o preso entra no sistema carcerário, para depois conseguirmos acompanhar a continuidade do comportamento apresentado, observar como o preso lida com o nível de agressividade com o passar do tempo. Observar o  histórico de seus dias enquanto cumpre sua pena e a maneira como esta lidando com as frustrações. Ressaltou que é necessário um programa para propiciar ressocialização ao preso, um programa que consiga avaliar as respostas a cada etapa do processo, diagnosticar como o preso responde as propostas ofertadas com o intuito de promover sua ressocialização, sua reinserção.
Alertou a sociedade sobre o cuidado na avaliação dos crimes,  podemos nos solidarizar com as vítimas, mas não nos identificarmos com elas. Porque quando nos identificamos transformamos o criminoso em inimigo público, o desejo de vingança do público o reduz  de pessoa humana em um título:   é assaltante, é homicida…   O preso também, então, se identifica com o título e verá agora a sociedade como sua inimiga, assim implantamos uma guerra bem conhecida por todos nós que só engrandece a violência.

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Relatou que ao entrevistar um líder num presídio, perguntou a ele o que aconteceria com o crime organizado se a igualdade social acontecesse, e este preso respondeu que se isso acontecer o crime organizado não terá mais razão de ser.
Ressaltou a importância do investimento em entrevistadores, psicólogos, em valorizar seu conhecimento sobre a subjetividade, para aprendermos a estabelecer diálogos qualificados com toda a sociedade no objetivo maior de diminuindo a violência instaurada.
As psicólogas Jucemara e Karin colocaram que o Doutor Alvino trouxe importantes questionamentos, com sua sensibilidade para o tema psicossocial, refletindo sobre a nossa contribuição na cultura de pacificação social. Ressaltam que a questão da violência permeia suas atuações profissionais diariamente, pois trabalham com delito de pequeno porte, onde os trabalhos de prevenção a violência são de suma importância, o viés mais importante é o da Prevenção.

Karin Andrzejewski relata que o NAP Central realiza a Oficina de Prevenção ao uso de drogas e busca trabalhar na prevenção da violência, possibilitando para aqueles que participam da oficina reflexão sobre seus projetos de vida, retomando um olhar sobre si mesmo e sua responsabilidade na construção da sua história pessoal.
Jucemara Anar ressalta o atendimento aos delitos de pichação, busca levar para o Grupo de orientação para prestação de serviço, realizado antes de encaminhar o prestador para as instituições, uma proposta educativa. A proposta é levar o jurisdicionado a olhar para a cidade como parte da sua história, o quanto é possível contar história numa pintura realizada num muro. Trabalha para a compreensão de que é possível fazer grafite e fazer parte da história da cidade, num muro autorizado, os incluindo na participação da construção de espaços públicos.
Não é apenas prestação de serviço para cumprir horas acordadas nos autos, mas estimular a criatividade, a estética da arte nos muros e incentivar a cultura de paz, é transformar a violência ao patrimônio público na restauração de um muro, utilizar um muro para contar uma história. Fazer parte dessa proposta tem motivado inúmeros pichadores a contribuir positivamente.
Para as psicólogas que estiveram neste Congresso representando o Tribunal de Justiça do Paraná o trabalho que desenvolvem são exemplos dos trabalhos de prevenção à violência realizados no Âmbito do judiciário.

Escrito por Jucemara F. Rodrigues Anar e Karin Andrzejewski

 

Pensamentos sobre o futuro

1 março, 2015 às 09:31  |  por Erol Anar

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internet tem inegável benefício, a despeito disso ela é um golpe na literatura. Os jornais e revistas também têm influência negativa da internet. Grandes jornais, New York times, por exemplo, dizem que em breve eles só serão publicados virtualmente e não terão impressão em folhas. Grandes editoras também falam que irão no mesmo caminho, livros serão publicados só na internet. Isso será possível? Ler 300 págnias na tela de um computador? A nova geração, geração da internet, segundo pesquisas não lêem livros, a maior parte não tem paciência nem para ler duas páginas de e-mail…Música e teatro receberam efeito negativo da internet, filmes atuais são assistidos pelo dvd, em casa, cada dia menos pessoas vão as salas de teatro e cinema. Se nós pensarmos nos museus e exposições artísticas então, teremos um número ainda mais reduzido de visitantes.
A globalização vai destruir diferenças culturais, quase todos os países tem os mesmos programas na televisão: big brother, competição sobre conhecimentos, ídolos , e quem vencerá concurso de música , etc…Por esta razão, as cores das culturas vão desaparecer…o mundo vai ser mais chato e enfadonho.
O capitalismo em despigmentização quer reformar-se. Pode a internet dar essa chance para ele? Grandes empresas nos EUA e no Japão trabalham cada dia mais pelo mundo virtual. Os escritórios montados em casa reduzem custos, os funcionários conectam o principal computador e de casa fazem seu trabalho, sem precisar deslocar-se até o local do emprego. Cada dia isso é mais comum o comércio eletrônico, que amplia as oportunidades de ganho para as empresas, por isso os ganhos tornam-se incomparavelmente maiores: sem despesas com manutenção de local, funcionários, e escritórios, etc…. Cartão de crédito é cada dia mais usado do que o dinheiro, e no futuro talvez o dinheiro impresso não exista mais, esse tipo de trabalho vai aprisionar os humanos nas suas casas e destruir o relacionamento social . As pessoas não saíram nas ruas porque não existe segurança lá, e tudo ele poderá comprar na internet e pegar na frente do portão de sua casa. A educação também, poderemos estudar em casa. Vamos pensar sobre o relacionamento de uma família que poderá conviver vinte e quatro horas na sua casa…Não será fácil!
O progresso da tecnologia do robô vai ser importante para formar a sociedade do futuro, o jornal traz a novidade que os japoneses criaram um robô que será vendido em três anos, esse robô poderá trabalhar ininterruptamente e em difíceis condições, cada dia menos será preciso um ser humano para realizar a mesma tarefa.
As fronteiras vão se aproximar entre o real e o virtual.
Talvez essa frase de um missionário Ismaelita no Irã, mil anos atrás, Hasan Sabbah , explique a sociedade do futuro, ele afirmou que: “ Se nada é real tudo é permitido.”

Um grande escritor da Ásia Central: Chinghiz Aitmatov

18 fevereiro, 2015 às 14:47  |  por Erol Anar

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Também fez parte de minhas leituras quando era criança os livros do grande escritor Chinghiz Aitmatov, na minha casa era meu pai quem mais gostava. Ainda me lembro das capas dos livros: “O Navio Branco”, “Jamila”, “Minha Infância”, “A Terra Mãe” dentre outros livros dele. Lembro-me do escritor francês Louis Aragon afirmar que “Jamila” era a melhor história de amor de todos os tempos.
O esposo da Jamila participou da segunda guerra mundial, às vezes ele enviava cartas e só nas últimas linhas mandava lembranças para sua esposa. Passado um tempo, ela começa a gostar de outro homem que voltou da guerra machucado, assim surgiu um grande amor entre ela e este homem. Quando li esse livro, me impressionou a beleza e a nobreza do amor entre eles.
No livro “O Navio Branco” o escritor conta uma história através dos olhos de uma criança e critica o sistema, também descreveu as esperanças dos soviéticos.
O escritor nasceu no Quirguistão, em 1928, passou a juventude com dificuldades diversas, pois eram os anos de segunda guerra mundial. Ele escreveu para o famoso jornal soviético Pravda,foi membro da Academia de Letras dos Soviéticos, ganhou prêmios pelos seus escritos. Ele estudou mitologia, folclore e lendas de seu país e isso se reflete nas suas histórias que são sobre as pessoas da região do estepe.
As suas obras foram traduzidas para mais de 150 línguas, alguns de seus livros foram adaptados ao cinema.

Eu te esqueci nos caminhos distantes

7 fevereiro, 2015 às 16:08  |  por Erol Anar

Não é um frágil esquecimento meu,
É um esquecimento frágil,
Quando estão esquecidas,
as lembranças
não podem ser relembradas,
Elas são esquecidas
enquanto são lembradas…

 

 

… Depois as cartas chegaram. Eu as recebi de pequenas cidades das quais nunca ouvi falar antes. Também pessoas que eu nunca conheci haviam as enviado. Foram escritas com sinceridade e contavam somente sobre o amor e as decepções. Quem sabe seja o único ponto de existência das pessoas, o único significado das suas vidas, os seus amores e as suas decepções.
Porém, eu desisti muito tempo atrás. Não do amor… mas desisti só de você que parecia mais um país perdido. Então, você estava tão longe de mim quanto  aquelas cidades pequenas. As pequenas cidades não sangraram, elas só brilharam com suas luzes encobertas pela serração. Depois todas as luzes ficaram apagadas, porque o amor já acabou.
Dessa vez eu estava escrevendo as cartas para as pessoas desconhecidas. Depois as mandei para as cidades pequenas. Meu coração sentia uma solidão e parecia tão dividido quanto as pequenas cidades.

Eu te esqueci nos caminhos distantes
E por lá me lembrei de mim …

 

Erol Anar

“O Amor Já Acabou”

Monet, Sunrise

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A música maldita no telefone das empresas

9 setembro, 2014 às 11:56  |  por Erol Anar

 

-Estou numa briga por telefone

para cancelar uma compra,

falou a mulher morena.

 

Isso é chato demais,

as empresas  deixam os clientes

ouvindo uma musiquinha.

As pessoas estão sofrendo por causa das empresas

Elas parecem morceginhos

tirando sangue dos clientes.

 

Ela continua:

- Os funcionários das empresas

sabem irritar e acabar as pessoas com maestria,

devem até  fazer um curso disso…

 

- Nem curso, disse a  mulher loira sorrindo,

quatro anos de faculdade eles fazem por este motivo…

 

- Sim, sim, só pode,

diz a mulher  morena.

Bom!

Enfim, é passada a primeira etapa,

Chega a voz de uma atendente.

Agora musiquinha de novo.

Porém,  resolvendo tá bom,

Suportarei  a musiquinha.

 

-Então, agora será o pior, vai encontrar

o funcionário com mestrado!

 

Então, as duas riram…

As pessoas estão sofrendo com as empresas,

parecem morcegos

tirando sangue dos clientes.

Agora “Marcha Fúnebre de Chopin”,

Quem morreu?

O cliente já morreu!

da da dammmm da da dammm

Esperando por mais 15 minutos…

da da damm…

mais 20 minutos

da da dam…

de repente uma voz no telefone:

_ Por favor , aguarde!

de novo a Marcha Fúnebre.

 

 

A mulher morena falou com sua amiga loira.

- A bendita musiquinha ficou na minha cabeça…

agora tenho que enviar um e-mail

com todos os detalhes da reclamação….

Meu Deus do céu!

 

- Calma! Três dias depois vai sair da sua cabeça,

disse a loira sorrindo e continuou:

As empresas estão nos fodendo!

Música para acalmar pessoas…

Será que acreditam mesmo que

a gente ficará calma com música?

Bem isso!

 

_Você ainda esta numa situação melhor

porque ao menos eles atendem ao telefone.

Eu entreguei meu notebook  estragado

para o serviço técnico de Mamsung.

Eles me deram um número de telefone,

caso quisesse saber o andamento da situação…

Porém ninguém atende o tal número!

Tive que ir pessoalmente  até lá para perguntar

se meu notebook  havia sido consertado ou não _

disse a mulher loira.

 

A mulher morena colocou sua mão

na boca e falou surpresa:

_ Meu Deus!

Ela estava ao telefone ao mesmo tempo…

 

A loira continua:

_Sim, eles deram esse mesmo número pra todos os clientes,

você chegou até a musiquinha,

Isso é sucesso, valioso.

 

Então, riram.

 

_ Fui ao local físico da loja umas três vezes, briguei,

até liguei para São Paulo, o centro da empresa.
Depois de 24 dias eles entregaram meu notebook,

foi uma prova de paciência.

 

Enquanto ela escutava essa musiquinha maldita

o funcionário talvez, coçando a bunda dele,

do outro lado, esta soltando pum.

_ “Agradecemos pela sua paciência,

sua opinião é muito importante para nós”_

falou uma voz mecânica no telefone.

A morena desligou o telefone

com muita força e falou:

_Vá se foder!

 

“A Vida Não Perdoa Os Fracos”

Erol Anar

POESIA E ARTES NOS MUROS DA CIDADE!

5 setembro, 2014 às 19:25  |  por Erol Anar

 

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PROJETO  DA ACGB/VIDA URBANA ,“ POESIA EM CORES” ,  NOS BRINDARÁ COM POESIA E ARTES NOS MUROS DA CIDADE!

 

De autoria da coordenadora de projetos da ACGB/Vida Urbana, senhora Deise Momm Fonseca, o projeto “ Poesia em Cores” tem como madrinha a conhecida escritora curitibana Adelia Maria Wollner . Adelia  gentilmente cedeu suas poesias para serem divulgadas nos muros autorizados que serão coloridos pelos trabalhos de diversos artistas voluntários da ACGB . O Projeto é Patrocinado pela empresa Coral, responsável por ceder as tintas para as atividades nos muros.

Os muros serão o suporte para embelezar nossa cidade, passando uma mensagem social, provocando o olhar para a poesia e a estética de quem transitar nas regiões contempladas.

Em entrevista com a senhora Deise, autora do projeto, ela nos relatou ser o objetivo da ACGB  ir além de ações do despiche, através da qual aqueles que cometeram o delito da pichação também aprendem, porém isso não basta. Neste Projeto os voluntários deixarão a sua marca, seu maior desejo, contribuindo com a cultura e a arte visual, em muros autorizados, sua mensagem permanecerá como mensagem poética, através de uma ação educativa, ampliando possibilidades de transformar esses muros em espaço social visível.

As atividades serão orientadas pelo artista plástico e zelador da ACGB, senhor Jorge, tendo como primeira poesia utilizada “Caçador de Estrelas”, Adélia Maria Wollner.

A ACGB/Vida Urbana tem parceria com o Núcleo de Assessoria Psicossocial dos Juizados Especiais- Foro Central, unindo esforços na medida alternativa para o delito de pichação, fomentando a capacidade intelectual, de aprendizagem, de capacidade e visão artística que jovens indicam como potencial a ser valorizado, contribuindo com a pacificação social e colaboração em espaços de arte na nossa cidade.

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Contato: ACGB/VIDA URBANA

Rua Riachuelo, n°31 – 15° and. – sala 1502

Centro – Curitiba/PR

Cep:  80.020-230

Tel: 3223- 7708

 

coordenacao@acgb.com.br

www.acgb.com.br

 

7125708041120637758Núcleo de Assessoria Psicossocial-NAP

Juizados Especiais Cível e Criminal

Foro Central

Av.Getúlio Vargas, 2826- 10 andar

Água Verde-Curitiba

Cep 80040-240

Tel:3234-3612

psicossocial.tj.pr@hotmail.com

www.napcentral.wix.com/tjpr

Overdose de vida

29 agosto, 2014 às 09:02  |  por Erol Anar

 

Observe nas lojas do shopping…

os bonecos plásticos

apresentam  roupas nas vitrines…

Todos tem um rosto perfeito,

o corpo também…

Porém, são de plástico,

sem almas!

 

Tem gente que prefere só a capa,

não se importa com a alma…

mas na verdade a história real não esta na capa

e sim

dentro da revista…

Pura verdade!

Chega uma hora que

não tem mais como ficar somente lendo a capa,

quem fica na capa fica infeliz,

insatisfeito…

 

Por isso normalmente

os famosos e

ricos

ficam sem almas,

sem amores reais,

sem satisfação…

 

Enfim morrem ainda jovens…

um dia são encontrado na cama…

overdose de vida…

Demoram a se dar conta disso

ou nunca se dão conta…

podem comprar  tudo,

menos felicidade

e sossego…

Fato consumado!

Tudo que falo é verdade,

a fama é um fogo

dando luz pra ela mesma

queimando a pessoa famosa

como se fosse uma vela…

 

Erol Anar

“Os Poemas de Maio”

A curiosidade

28 agosto, 2014 às 16:42  |  por Erol Anar

Dizem que

A curiosidade mata o gato.

_O que tem aí dentro?

Perguntou o homem.

A mulher sem olhar  respondeu:

_Está cheio de merda!

_Posso ver?

-Não!

_Agora fiquei mais curiosa ainda, falou homem.

A Mulher nem olha cara dele

_Vá se foder rapaz!

 

Erol Anar

“Os Poemas de Maio”

 

A mão invisível da vida

21 julho, 2014 às 10:27  |  por Erol Anar

 

- Gosto de ser livre, principalmente.

-Você se sente livre?

Consegue ser livre?

A mulher perguntou assim para o homem na sua frente.

 

O homem pensou e disse:

- Ás vezes sim, me sinto livre,

mas ás vezes não.

Na verdade a vida é muito curta,

não sabemos viver e aproveitá-la completamente.

Pensamos como se ainda tivéssemos mais cinco vidas além…

 

- Pois é! Por isso tem que ser vivida intensamente,

Conheço muitas pessoas que vivem

como se nunca fossem morrer.

 

-Isso mesmo!

Cheirar uma flor,

beber um suco,

fazer tudo intensamente…

 

O homem olhou nos olhos dela e continuou:

-Ás vezes respirar é muito difícil.

Porém, continuamos vivendo…

Uma mão fecha nosso nariz e nossas bocas,

não podemos respirar por um tempo,

depois  de quase morrermos,

ela se afrouxa e nos deixa respirar novamente.

 

 

- É verdade! –  disse a mulher enquanto

jogou  para trás seus cabelos com uma de suas mãos:

- Em menos de um minuto

podemos não estar mais aqui nessa vida,

porém aquela mão sufocante sempre nos deixa se afogar.

Só nos faz sofrer.

Por isso quando algo fecha nosso rosto

Ficamos com a sensação de um escuro,

de um pesadelo sem saída.

 

O homem pareceu pensativo dessa vez:

- Deixo as coisas acontecerem no seu tempo…

Vou observando o rio andar

e vou junto pra onde ele me levar.

Ele parou um pouco e olhou distante:

Se você não esperar nada, não vai se decepcionar…

Quando  era criança

nós tínhamos um riacho, passava atrás do nosso bairro.

Ás vezes fazíamos barquinhos de papel

para seguirem na correnteza dele…

Depois olhávamos para o curso do rio

Na verdade o barco de papel era minha vida

ás vezes era impedido por alguma coisa no caminho,

ás vezes corria para o outro lado …

Então, queria comparar a vida com um barco de papel…

ás vezes frágil,

a qualquer momento pode se afogar,

cair,

mesmo assim anda sempre para a frente,

é uma coisa maravilhosa.

Tanta tristeza passamos,

se fossemos de ferro até poderíamos vencer as ferrugens…

 

Eles estavam na beira de um rio.

Enquanto o home ia contando sua história…

A mulher fez um barco de papel

e o jogou para o rio.

O barco se balançou um pouco depois,

foi pra na frente com a correnteza d´água.

Então, eles ficaram em silêncio

e olharam o papel em forma de barco se afastando dali…

 

A mulher falou :

- Nossas vidas parecem barcos de papéis,

vivemos com tantos riscos,

a cada minuto podemos morrer por causa

de doenças,

ou alguém pode nos matar,

ou podemos morrer num acidente…

O homem balançou sua cabeça concordando:

-Como esse barco de papel,

pode afundar a qualquer minuto…

Como a vida…

O barco de papel foi longe e desapareceu…

Eles ficaram pensando ali sobre suas vidas …

 

Erol Anar

“Os Poemas de Maio” 2012

Os Caminhos de Gaza

19 julho, 2014 às 10:03  |  por Erol Anar

 

Depois de participar da reunião sobre os 50 anos de violações dos direitos dos palestinos, organizada pela Associação LAW, dos direitos dos palestinos, fomos visitar Gaza. Na fronteira entre a palestina e Israel esperamos duas horas para entrar na Palestina e agora estamos nela, à esquerda estão jardins de laranjeiras e a direita, nos acompanhando, o mar. Há um cheiro forte de laranjeira misturado com cheiro do mar. Faz muito, muito calor, mas as laranjeiras e o mar dão uma sensação de frescor. Os rastros da pobreza estão sobre todos os lados, vemos que começam a construir alguns prédios altos, e perto de Gaza estão construindo um aeroporto internacional chamado Yaser Arafat. Assim poderão voar diretamente para a Palestina. Os palestinos lutam há 50 anos para recuperar suas terras ocupadas, eles pagaram caro o preço dessa guerra. Agora essa região está com quatro e meio milhões de palestinos e cinco milhões de judeus. Mas nos outros países há cinqüenta mil palestinos e oito milhões de judeus. Apesar do pacto de Oslo ninguém acredita na paz, há um ar de desesperança e os palestinos querem continuar a luta, isso pode ser visto nos rostos deles. Outra tragédia foi depois de fundarem o governo da palestina, a polícia matou mais de quarenta palestinos nas terras deles. Essa realidade paradoxal foi descoberta pela Associação de direitos humanos palestina.

Nós estamos passeando por um grande campo de refugiados chamado Jebelle, aqui noventa mil pessoas vivem, ao nosso lado centenas de crianças apareceram para tirarmos fotos juntos. Entre 1987 e 1981 havia rebelião (intifada), eles eram pequenos generais palestinos, agora cresceram e tornaram-se meninos e meninas. Mas agora as crianças fazem o “V” de vitória com seus dedos, andam sem sapatos em cima da poeira. Há as crianças empinando pipas pelo céu e mulheres sentadas em frente as portas nos sorriem timidamente. Estou sentindo a profunda pobreza aqui. Os nomes das ruas são de nacionalistas e guerrilheiros palestinos mortos. Por exemplo, uma das maiores ruas da cidade é Omer El Muhtar, o líder nacional da Líbia. No dia 09 de junho foi assassinado um menino palestino pelo exército israelita. Os palestinos fizeram manifestações contra isso. Quando estávamos em Gaza escutamos que em Jerusalém aconteceu uma passeata feita por pacificadores, mas foram atacados pelos policiais e ficaram machucados. Uma mulher americana representante de uma associação de direitos humanos me contou que durante a Intifada (rebelião), ela viu como o exército matou uma criança.

Na mesma noite abandonamos a Palestina e voltamos para Jerusalém, quando estava caindo o cansaço de uma noite sob as laranjeiras, enquanto as ondas cinzentas carregavam as canções de tristezas para as praias, testemunhas de muitas coisas. As crianças pisavam em seus sofrimentos em baixo dos pés descalços e ficaram para trás. Gaza parece um passarinho de “ebabil” (um passarinho de fábulas). Nos campos ficaram os refugiados pobres e lutadores, as laranjeiras…isso tudo é o passarinho “ebabil”com as asas sangrando. Agora está bem escuro, não vemos mais laranjeiras, o mar e nem as crianças, pois eles ficaram para trás, mas os seus sofrimentos ainda permanecem na nossa frente.

Gaza
Junho de 1998

“O Amor Já Acabou”de Erol Anar

Erol Anar, Gaza-Palestino, 1998

Erol Anar, Gaza-Palestina, 1998