Uma conversa sobre o passado e o futuro

29 maio, 2015 às 08:28  |  por Erol Anar

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Ela falou:
As pessoas normalmente
Dizem que sou complicada,
não me entendem .
Porém não me importo,
Fodam-se!
Queria um relacionamento
nada complicado.
Não gosto de pensar nem idealizar,
prefiro deixar fluir.
É melhor!
Sinto-me mais livre…
Ela falava sem parar:
Depois etc.
e depois etc.
Vou assumir uma coisa:
Odeio assumir isso.
Sinto-me ridículo!

Respondi:
Tudo bem, te entendi.

Ela falou de novo:
Cara, você não entendeu nada!

Refleti mais e afirmei:
As vezes, olhar o passado é bom
para caminhar para o futuro, baby.
O passado parece uma sombra e
fica bem atrás de você,
mas se não olhar para lá poderá esquecê-lo…
porém se o fizer vai vê-lo
ainda ali, grudado na sua bunda…
Talvez não tenha sido vivido…

Ela disse:
Cara, você foi longe agora…
Bom é viver o presente
sonhando com o futuro!

Ela tinha razão, mas acrescentei:
O passado parece um passarinho morto, baby.
Se você carregá-lo na bolsa, vai cheirar.
Se enterrá-lo, vai ser melhor.
Assim, quando quiser poderá visitá-lo.

Caraca! disse ela.
Foda-se!
Muito boa frase!

Rimos juntos, dessa vez
e a conversa terminou assim.
como a vida.

 

Erol Anar


“Os Poemas do Maio”, 2013,

Santa Catarina Brasil

 

As Portas de Jerusálem

25 maio, 2015 às 10:03  |  por Erol Anar

 

 

2173Por Erol Anar / Os judeus chamam a cidade de Jerusalém: Yerusalayim, os Árabes a chamam: El-Kuds. O mais antigo nome da cidade é a origem dela,  veio do oeste Sami, é Urusalim. Ela é o centro de três religiões: cristianismo, islamismo e judaísmo. Na cidade antiga há os bairros dos judeus, cristãos e armênios.

A história dessa cidade milenar contém ocupações, sofrimentos e guerras. Sua história inicia há 3.500 anos A. C., foi ocupada pelo povo de Davi e assírios, Nabucodonosor, Antioco, romanos e otomanos ocuparam essa cidade.

Nos cinco séculos seguintes à revolta de Bar Kokhba, a cidade permaneceu sob domínio romano. até cair sob domínio bizantino. Durante o século IV, o Imperador romano Constantino I, construiu partes católicas em Jerusalém, como a IgrejaSanto Sepulcro. Jerusalém atingiu o pico em tamanho e população no final do Segundo Período Templário: A cidade se estendia por dois quilômetros quadrados e tinha uma população de 200 mil pessoas ( Lehmann, Milhas Clayton (22 de fevereiro de 2007). Palestina: Histórico.  A Enciclopédia on-line das províncias romanas.) Visitado em 18-4-2007.A partir de Constantino até o século VII, os judeus foram proibidos em Jerusalém.

No período de algumas décadas, Jerusalém trocou de mãos entre persas e romanos, até voltar à mão dos romanos mais uma vez. Depois, do avanço do comandante sassânida Cosroes II, no início do século VII sobre os domínios bizantinos,  avançando através da Síria, os generais sassânidas Sharbaraz e Sain atacaram a cidade de Jerusalém (persa: Dej Houdkh), então controlada pelos bizantinos (Conybeare, Frederick C.. The Capture of Jerusalem by the Persians in 614 AD. [S.l.: s.n.], 1910. 502-517 p.)

Em 638, o Califado islâmico alargou a sua soberania conquistando a cidade de Jerusalém e a província romana da Palaestina Prima. Neste momento, Jerusalém foi declarada a terceira cidade mais sagrada do Islã após Meca e Medina, e referido como al Bait al-Muquddas. Mais tarde, ele era conhecido como al-Qods al-Sharif (Jerusalem: Illustrated History Atlas Martin Gilbert, Macmillan Publishing, Nova York, 1978, p. 7)

Em 1517, Jerusalém e região caiu sob domínio Turco Otomano, que permaneceu no controle até 1917. Como em grande parte do domínio Otomano, Jerusalém permaneceu um provincial e importante centro religioso, e não participava da principal rota comercial entre Damasco e Cairo. Em 1917 após a Batalha de Jerusálem o exército britânico , liderado por General Edmund Allenby,, capturou a cidade.E, em 1922, a  Liga das Nações sob a Conferência de Lausanne confiou ao Reino Unido a administração da Palestina.  (Fromkin, David. Paz: A queda do Império Otomano e da criação do Médio Oriente Moderno. 2ª reimpressa ed. [S.l.]: Owl Books E, 2001. 312-3)

A última ocupação foi feita por Israel em 1967, e Israel anunciou ser aquela cidade pertencente a eles, tornou-se a capital eterna deles, da qual não podem separar-se. Muitas vezes a cidade foi queimada e derrubada, mas renasceu das cinzas como Fênix (passarinho mitológico capaz de renascer de suas cinzas). A mais antiga cidade do mundo chamada Jericó esta a trinta minutos de Jerusalém.

Na entrada da cidade antiga ficam multidões, há muralhas fora dela e muitos pontos ocupados pelo exército israelita. Especialmente a porta de Damasco possui multidão maior. Conheci numa cafeteria antiga uma pessoa chamada Bilal nascido em Damasco, há três anos trabalha aqui em Jerusalém e afirma ser Damasco mais bonita que Jerusalém. Ele deseja ir para a universidade de Amã, capital da Jordânia, para se formar em música.

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Quando você entra na cidade e passa pelas muralhas, encontra uma feira na qual se vende de tudo. Ao lado da calçada mulheres idosas vendem frutas e verduras, as músicas se encontram fazendo parecer ainda mais mística aquela cidade.  Eu tomei chá na frente da Mesquita Mescid-Aksa, eles colocam uma folha de hortelã fresco nele. Bem atrás da Mesquita fica o famoso “Muro das Lamentações”, em inglês “Wailing Wall”. Significa “Muro das Lamentações.”

Os visitantes escrevem seus nomes e desejos num papel e colocam nos buracos da muralha, há milhares de papéis ali. Também coloquei meus desejos no papel e finquei na muralha.

Há muita alegria, barulho, não há como se sentir sozinho lá. A cidade antiga possui 11 portas e só o “Golden Gate”ficou fechado.

***

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Num dia fomos para Ramallah, a trinta minutos de  Jerusalém. A cidade se lava com as luzes da noite e parece com uma das cidades das mil e uma noites. Quando escutava as músicas árabes esse sentimento ficava mais forte ainda. Um vento místico traz até você os heróis das mil e uma noites, você consegue assistir aquelas cerimônias heróicas e vêm até a sua mente todas as fábulas conhecidas.

 

Jerusalém! Você é a cidade das cidades! Segundo os judeus é a “Terra Prometida”,  é uma cidade com pecados sem perdão. Você carrega nas costas David, Ibrahim e Jesus. É a cidade dos profetas. Você arranjava os amores que foram vividos loucamente nas suas ruas, como uma cerimônia sagrada, como uma oração. É uma cidade chorando com suas muralhas nas quais os sofrimentos se chocam e se despedaçam. As suas ruas sangram, com seus milhares de anos de ocupações e pela primeira vez vejo seu rosto, mas eu já te conhecia assim como o rosto de minha mãe. Queria beijar seus ombros machucados que carregam tanto sofrimento há milhares de anos, depois queria escutar de você mesma sua história, sua memória das tantas vidas machucadas e dos seus amores. Queria saber com detalhes todas as ruas e as histórias de suas pedras.

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Queria me refugiar na sua compaixão que me ampara e perdoa, desejo poder beijar seus fortes ventos, tão leves como as asas dos passarinhos e frescos como oásis.

Queria morrer em todas as suas portas e renascer no centro da cidade e sorrir para seus povos sofridos.

Suas mãos são quentes como uma pedra em frente ao sol e possui as marcas dos pregos enfiados nas mãos de Jesus.

Você é uma cidade com pecados imperdoáveis, amores indóceis e feridas sem remédios. Não a quero ver novamente, só quero sentir saudades.

Dentro de todos nós existe um Dostoiévski

16 maio, 2015 às 10:06  |  por Erol Anar

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Por Erol Anar

Queridos sonhos distantes,

Hoje vou contar para vocês sobre o maior escritor de todos os tempos: Fiódor Dostoiévski! O escritor americano Charles Bukowski afirmou em seu livro: “Um bom escritor nasce a cada 500 anos no mundo, eu não sou um desses”.

De fato, como escritor, concordo e digo também que não sou um desses e vou além. Acredito que há cada cinco mil anos nasce um bom escritor, um Dostoiévski.

Conto para você que Dostoiévski foi como um mago passeando na profundidade das características humanas, como um arqueólogo que tem paciência para trabalhar minuciosamente sob a terra, até encontrar um vaso raro. Os olhos dele foram muito perspicazes, quando pesquisava a personalidade de uma pessoa, analisava, até mesmo, os mínimos e pequenos detalhes. Quando ele começou a fazer comentários das atitudes das pessoas, o comportamento manifesto ficou apagado perante a descrição do comportamento psicológico. Ele descreveu esse comportamento de maneira brilhante. Não existe outro escritor como ele, nenhum outro comentou de forma tão abrangente sobre a natureza da vida e dos humanos.

Então, o que o fez tão grandioso? Você nunca pensou sobre isso?  Será que foi a própria vida dele oscilando a cada momento para um lado? Ou  quando ele era um jovem intelectual e foi levado para a Sibéria, algemado pelos pés, com pessoas pobres, que recebeu a inspiração para tal feito?

Eu penso que o que o fez grandioso foi o fato dele ser aluno da vida, ele podia ver a alma dos humanos e a analisou com uma habilidade objetiva e perspicaz. Ele mantinha um relacionamento de respeito com os seres humanos e aprendeu com cada um. Antes mesmo de escrever “Crime e Castigo”, em     “Recordações da Casa dos Mortos”, podemos ver o poderoso gênio com  sua perspicácia. Ele afirmou nesse livro: “ Eu sou aluno dos castigados remadores”.

Ele nasceu em 1821, o pai dele era um médico e a mãe, filha de comerciantes.

Ele teve a semente da doença epilepsia plantada em sua vida. Nós podemos ver isso nos seus livros, por exemplo, em “Os Irmãos Karamazov”, o herói Smierdiakóv tem epilepsia. Essa doença quando surge é como uma fechadura cuja chave é difícil de encontrar.

Dostoiévski foi preso pela polícia, condenado à pena de morte, ficou meses sozinho numa cela, na qual pensou sobre a morte. Depois ele analisou a experiência em seu livro “ Crime e Castigo”. Quando ele foi exilado para a ampla Sibéria, teve seu primeiro contato com a vida difícil da miséria, compreendeu que antes conhecia essa realidade do povo apenas intelectualmente.

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Em algumas situações, a pessoa aceita parecer estúpida só para observar melhor o comportamento de outros sem que estes suspeitem da sua observação. Os outros pensam que são mais inteligentes e exploram você, como se fosse uma pessoa burra, mas, certamente, se o seu comportamento é feito com bondade e emoção, você não age assim por falta de inteligência.

Dostoiévski contou sobre isso: “Quando eu vim para a prisão não tinha muito dinheiro, mas dei dinheiro para quem o pedia – eu não tinha tempo nem para respirar de tantos pedidos. Alguns presos pensaram que eu não os reconheceria e pediam pela segunda e terceira vez e, mesmo assim, eu dei algum dinheiro para eles. Eu os reconhecia, sim, mas não queria ofendê-los. Eles pensaram que me colocaram numa gaiola com suas mentiras e malícias, contudo, tenho certeza que se eu não tivesse dado dinheiro para eles e os mandado embora, teriam me respeitado mais. A despeito da zanga que fiquei, não poderia ter deixado de dar para eles o que eles pediam”. [1]

Agindo dessa forma, o escritor russo foi desvelando cada vez mais e  melhor a alma humana e ao iniciar esse caminho observou que até mesmo aqueles que não têm educação, como humanos, possuem na sua alma delicadeza e profundidade.

“A evolução da alma não tem medida. A educação também não tem medida. Apesar das controvérsias, encontrei as mais delicadas almas nas pessoas mais miseráveis, pobres e ignorantes. Às vezes você despreza alguém, como um animal, uma pessoa que você conhece há alguns anos, mas chega o momento em que a alma dessa mesma pessoa se abre para o mundo e você pode conhecer o tesouro, a sensibilidade que vive dentro dela, quando o seu coração tem empatia pelo sofrimento de outras pessoas. Alguns têm muita educação mais a alma é violenta, então, você pode questionar qual é o benefício da educação”.[2]

Com esses dizeres, minha amiga: Dostoiévski nos leva para uma viagem até a profundidade da alma humana. Não fizemos isso na vida, ignoramos pessoas, pensamos que somos maiores do que todos! Sempre estamos rotulando e classificando em categorias: pessoas educadas, sem educação, com cultura, sem cultura… Mas que absurdo! Existe uma pessoa na terra sem cultura? Cultura é tudo que a humanidade criou.

De acordo com nossas idéias não vale a pena escutar alguém sem educação, pensamos que não existe nada para aprender deles. Então, por que fazemos competição com eles, como meninos, por exemplo, que competem para ver quem lança o xixi mais longe?

Você nunca foi um aluno da vida, você sempre gostou de dizer que entende e sabe de tudo, eu não gosto disso. Isso nos leva a uma competição inútil, vazia. Eu desdenho o conhecimento, ele é apenas uma pequena ferramenta na vida e não é tudo.

Sempre damos a razão a nós próprios e nos achamos mais inteligentes e espertos do que os outros. Muitas vezes, quando alguém diz algo importante, não escutamos. Se não pudermos mudar essa atitude, nunca vamos chegar na maturidade.

De acordo com críticos literários, o romance “Os Irmãos Karamazov”, é o melhor de todos os tempos. Dostoiévski , nesse livro, expôs toda sujeira da alma humana e dela foi capaz de extrair jóias brilhantes. O pai Karamazov, nesse mesmo livro, era pouco intelectual, pouco astuto, e tinha uma paixão cega. A despeito de amar muito o dinheiro, dava milhares de quantias financeiras a sua amante, só para ver a expressão dela ao receber o presente. Era tão asqueroso que queria a noiva do seu próprio filho. Ele era conhecido como pessoa ruim, mas tinha bondade também, como todos nós. No livro “Crime e Castigo”, o escritor contou sobre a maldade, como os seres humanos sofrem pela sua própria consciência, sofrem mais, muitas vezes, pela sua própria consciência do que por receber uma punição efetiva dada por outrem.

A expressão poderosa que demonstramos no nosso convívio social é uma casca, dentro de nós existe miséria, muitas vezes. Em certos casos, alguém que nos parece humilde, possui um herói dentro dele mesmo. Esse alguém com aparência tão humilde manifesta comportamentos admiráveis, atitudes dignas dos grandes heróis.

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Você também se sente poderoso, não é? Vive como quem tem uma missão importante, confia muito em você mesmo com relação a vida e se compara com os outros, pensa que sai vencendo sempre. No entanto, o fundamental não é esta missão que você acredita desfrutar, mas a missão que a vida trará para você realizar. Você ainda não conhece você mesmo, não viajou para dentro de sua própria alma, mas pensa que dando uma pequena olhadela, pode analisar e conhecer todo mundo, não é mesmo, minha amiga?

Se não fosse assim, você não encheria o peito contra as dificuldades da vida. Sempre você escolhe o caminho mais fácil e escapa do que lhe parece difícil na vida e, fugindo dessa forma, fica ainda mais distante de sua essência. Agora é uma pessoa incapaz, vivendo no seu passado mortal, mas não esqueça: você não é o pássaro Fênix que renasce das cinzas! Não poderá renascer de suas cinzas! Você esta com medo de perder e não sabe que justamente aquilo que ganhou é o que esta te matando. Você acha que o ser humano nasceu para comprar uma casa, um carro, comer e fazer um futuro para seus filhos. Esse é o sentido da vida para você. Aceita facilmente que se colocar no banco mais dinheiro, vai ficar mais feliz… Ao pensar assim não reflete sobre o fato do ser humano vir fazendo isso há milhares de anos.

Quando você esta falando, nem olha para quem o escuta. Você discursa seriamente sobre os segredos do mundo, embora quando os outros falem, você olhe mais para as paredes do que presta atenção no que lhe contam. Afinal, você acredita que nada pode aprender dos outros.  Você dá um riso falso, olha os outros com superioridade.

Meu pobre amigo, você viu! Nós todos na realidade usamos nossas máscaras de poder, mas quando as retiramos somos os mesmos pobres homens. Quando a máscara cai, nós vemos nosso fim. Nós todos somos fracos, embora pensando que somos poderosos. Nós poderemos nos salvar somente  buscando dentro de nós aonde nos aprisionamos, e libertando-nos da cela, retirarmos as algemas, decidirmos sair livres.

Na realidade nós todos temos um Dostoiévski dentro de nós, mas talvez nunca saibamos disso e nosso ar termine, como uma vela que se apaga apesar do ar tentar alimentá-la. Mas a vela ainda dá luz para todos os lados, enquanto nós nos acabamos, antes de iluminar qualquer lado. Acorde seu Dostoiévski, ele esta  escondido dentro de você mesmo embora você sempre o tenha temido. Foi por isso que você empobreceu, mas você pode encontrá-lo.

Todo mundo tem dentro de si um Dostoiévski, eu estou procurando o meu…

 

Com amor,

 Lausanne, Suiça

  11 de março de 2001

Erol Anar

“Café da Manhã Existencialista”

Editora Jurúa, 2009

 


[1] Dostoiévski: “Recordações da Casa dos Mortos, Ed. Adam Yayinlari,  Istambul, 1995. pág. 116.

[2] Dostoiévski: “Recordações da Casa dos Mortos, Ed. Adam Yayinlari,  Istambul, 1995. pág. 325-326.

Nietzsche:“Dostoiévski foi o único psicólogo com quem tinha algo a aprender.”

27 abril, 2015 às 09:42  |  por Erol Anar

 

Esse é um romance difícil, filosófica e publicado em 1864.

Muitos críticos existencialistas, entre os quais, Jean Paul Sartre  consideraram o romance como um precursor do pensamento existencialista e uma inspiração para as suas filosofias.[1]

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Este livro é considerado por muitos como o primeiro romance existencialista (não tem provas)

Nietzsche afirma que “Dostoiévski foi o único psicólogo com quem tinha algo a aprender.” (the only psychologist, incidentally, from whom I had anything to learn)” [2]

Essa obra de Dostoievski influenciou muitos escritores como Camus, da perspectiva existencialista. O livro é considerado como primeira obra do existencialismo.

O protagonista é um homem isolado do mundo e que fica numa casa que é no subsolo, como ele descreve. É um homem sem nome, amargo, insociável, com ódio da sociedade e que sente medo das pessoas. Trata-se de uma auto-resolução e análise.
Algumas frases do livro:

“E se acontece de algum deles se mostrar valente perante alguma coisa, isso não deve ser motivo de consolo ou de entusiasmo: fatalmente ele irá se acovardar diante de outras circunstâncias.” (pp. 56)

“E, ademais, saibam de uma coisa: estou convencido de que é preciso manter esses tipos do subsolo à rédea curta. Embora eles possam passar quarenta anos calados no subsolo, se conseguem sair para a claridade, ficam falando, falando, falando…” (pp. 48)

“Sou, por exemplo, uma pessoa com um amor-próprio exagerado. Sou desconfiado, e ressentido, como um corcunda ou um anão, embora verdade seja dita, houvesse momentos em que, se me dessem uma bofetada, eu talvez ficasse alegre até com isso.” (pp. 17)
“Mas isso é porque eu mesmo não me respeito. Por acaso um homem com consciência pode ter algum respeito próprio?” (pp. 25)

Essa é uma grande ideia de Dostoievski: dois e dois são cinco. Ele elogiou a ciência, mas ao mesmo tempo pensava mais amplo e filosoficamente. Essa obra algumas vezes vai chatear e outras mexer com as emoções do leitor, o escritor entra na alma e fica vasculhando como ela é até a última pagina do livro.

O escritor Frances Andre Gide afirma que essa obra de Dostoievski é o pináculo da sua autoria e a pedra angular das outras obras do autor.[3]

 

Vale a pena ler esse livro, se aprofundar e conhecer sua própria alma. “Notas do Subsolo” é na verdade uma viagem por si.

 

Dostoiévski, Fiódor M.: Notas do Subsolo
Editora: L&PM
Edição : 1 / 2008
Número de Paginas : 152

 



[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Notas_do_Subterr%C3%A2neo

[2] Nietzsche, Friedrich. Twilight of the Idols, Or, How to Philosophize with a Hammer. 1889. Trans. Duncan Large. Oxford World’s Classics, 1998. Page 70. http://en.wikipedia.org/wiki/Notes_from_Underground

[3] André Gide: “Dostoiévski”, Paris, Gallimard, s.d., p. 195. passeidireto.com

Juizados Especiais participou do I. Congresso Internacional de Psicologia Jurídica

12 abril, 2015 às 20:23  |  por Erol Anar

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I. Congress  Internacional de Psicologia Jurídica-ABPJ aconteceu de 08 a 11 de abril de 2015, na cidade de João Pessoa/ PB. O evento teve por objetivo apresentar e discutir os objetivos da Psicologia Jurídica, as aplicações na Psicologia Forense, Criminal, Penitenciária e Investigativa.

Na programação das atividades já se evidenciou a ênfase nas contribuições da Psicologia Jurídica para as áreas relacionadas ao estudo da criminalidade.
As psicólogas do 1° grau de jurisdição do Tribunal de Justiça do Paraná Jucemara F. Rodrigues Anar e Karin Andrzejewski, psicólogas no Núcleo de Assessoria Psicossocial-NAP dos Juizados Especiais de Curitiba- Foro Central, estiveram no Congresso e destacam que o foco deste congresso foi na área criminal, diferentemente das áreas geralmente mais abordadas em outros encontros da Psicologia Jurídica, que são família e infância e juventude.
As psicólogas destacam a importância para o campo da Psicologia dos trabalhos divulgados na área em destaque pelo Congresso. Os temas  discutiram a respeito do sistema penitenciário Brasileiro e a atualização dos profissionais psicólogos para garantir qualidade nos laudos e exames criminológicos. As contribuições nacionais e mundiais trazidas apontaram a importância dos psicólogos conhecerem o fenômeno da criminalidade e desenvolverem manejos dos instrumentos teórico-científicos que lhes permitem atuação de excelência, com a valorização da sua contribuição nas equipes interprofissionais inseridas neste campo de saber.
Os temas das palestras abordaram a Psicologia Forense, Psicologia Penitenciária, Psicologia Criminal, Psicologia Investigativa além das áreas de interface da Psicologia Jurídica como a criminologia, criminalística, inteligência policial, direito penal, perícia criminal, psiquiatria forense e sociologia forense. As mesas temáticas diversificaram com títulos: A Psicologia do Estudo da psicopatia e dos transtornos psíquicos, A Psicologia nas Avaliações Jurídicas, A Psicologia na solução de crimes e Psicologia, Justiça Criminal e Direitos Humanos.
As psicólogas consideram que o elemento motivador das suas participações neste Congresso foi a promoção de informação e atualização do conhecimento da Psicologia Jurídica. Valorizam e acreditam que a integração e a troca de conhecimento entre as equipes dos profissionais que atuam em campos diversos do judiciário podem impulsionar a qualificação da nossa ação profissional.

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Destacam que o evento contou com contribuições relevantes, a organizadora do evento Prof Dra Aline Lobato apresentou a conferência sobre a Psicologia Investigativa, tema do seu doutorado em Londres, também o tema foi discorrido pelo Prof Dr David Canter, diretor do Centro de Psicologia Investigativa da Universidade de Huddersfield, Presidente da Academia de Psicologia Investigativa e Professor emérito da Universidade de Liverpool ( Londres) e pela Prof Dra Donna Youngs, diretora do centro internacional de Psicologia Investigativa (Universidade de Huddersfield ).
O Dr. Alvino Augusto de Sá, Coordenador Técnico do Manual de Projetos de Reintegração Social. São Paulo: Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, 2005. Autor de diversos artigos publicados em revistas científicas destacou a importância dos exames criminológicos seguirem o modelo Psicossocial, onde aparecem fatores autônomos. Ressaltou que os psicólogos são capacitados e devem utilizar sua qualidade técnica para desprender o crime do organismo, da personalidade e ressaltar nos seus laudos o diálogo com fatores psicossociais, dando perspectiva de futuro para quem esta na prisão. Isso porque, infelizmente, alguns laudos, no exame criminológico servem apenas para justificar a criminalidade pelo histórico do passado do preso, mas o passado não podemos modificar.

Alertou os psicólogos para importância dos laudos . Quando falta qualidade técnica,  em alguns laudos, os presos se tornam reféns de um histórico de vida trágico e o laudo conclui que sempre serão criminosos, não apresenta utilidade para o prognóstico e desenvolvimento de programas para a reinserção social .   Ainda em relação aos presos, outros laudos colocam o alto nível de agressividade como causa da sua capacidade de violência. Porém, o nível de agressividade pode ser positivamente aproveitado e é,  em todos os líderes, esportistas de sucesso, por exemplo, eles utilizam do seu alto nível de agressividade para serem vencedores ou excelentes líderes.
Reafirmou que os laudos deveriam acontecer no início do processo, logo que o preso entra no sistema carcerário, para depois conseguirmos acompanhar a continuidade do comportamento apresentado, observar como o preso lida com o nível de agressividade com o passar do tempo. Observar o  histórico de seus dias enquanto cumpre sua pena e a maneira como esta lidando com as frustrações. Ressaltou que é necessário um programa para propiciar ressocialização ao preso, um programa que consiga avaliar as respostas a cada etapa do processo, diagnosticar como o preso responde as propostas ofertadas com o intuito de promover sua ressocialização, sua reinserção.
Alertou a sociedade sobre o cuidado na avaliação dos crimes,  podemos nos solidarizar com as vítimas, mas não nos identificarmos com elas. Porque quando nos identificamos transformamos o criminoso em inimigo público, o desejo de vingança do público o reduz  de pessoa humana em um título:   é assaltante, é homicida…   O preso também, então, se identifica com o título e verá agora a sociedade como sua inimiga, assim implantamos uma guerra bem conhecida por todos nós que só engrandece a violência.

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Relatou que ao entrevistar um líder num presídio, perguntou a ele o que aconteceria com o crime organizado se a igualdade social acontecesse, e este preso respondeu que se isso acontecer o crime organizado não terá mais razão de ser.
Ressaltou a importância do investimento em entrevistadores, psicólogos, em valorizar seu conhecimento sobre a subjetividade, para aprendermos a estabelecer diálogos qualificados com toda a sociedade no objetivo maior de diminuindo a violência instaurada.
As psicólogas Jucemara e Karin colocaram que o Doutor Alvino trouxe importantes questionamentos, com sua sensibilidade para o tema psicossocial, refletindo sobre a nossa contribuição na cultura de pacificação social. Ressaltam que a questão da violência permeia suas atuações profissionais diariamente, pois trabalham com delito de pequeno porte, onde os trabalhos de prevenção a violência são de suma importância, o viés mais importante é o da Prevenção.

Karin Andrzejewski relata que o NAP Central realiza a Oficina de Prevenção ao uso de drogas e busca trabalhar na prevenção da violência, possibilitando para aqueles que participam da oficina reflexão sobre seus projetos de vida, retomando um olhar sobre si mesmo e sua responsabilidade na construção da sua história pessoal.
Jucemara Anar ressalta o atendimento aos delitos de pichação, busca levar para o Grupo de orientação para prestação de serviço, realizado antes de encaminhar o prestador para as instituições, uma proposta educativa. A proposta é levar o jurisdicionado a olhar para a cidade como parte da sua história, o quanto é possível contar história numa pintura realizada num muro. Trabalha para a compreensão de que é possível fazer grafite e fazer parte da história da cidade, num muro autorizado, os incluindo na participação da construção de espaços públicos.
Não é apenas prestação de serviço para cumprir horas acordadas nos autos, mas estimular a criatividade, a estética da arte nos muros e incentivar a cultura de paz, é transformar a violência ao patrimônio público na restauração de um muro, utilizar um muro para contar uma história. Fazer parte dessa proposta tem motivado inúmeros pichadores a contribuir positivamente.
Para as psicólogas que estiveram neste Congresso representando o Tribunal de Justiça do Paraná o trabalho que desenvolvem são exemplos dos trabalhos de prevenção à violência realizados no Âmbito do judiciário.

Escrito por Jucemara F. Rodrigues Anar e Karin Andrzejewski

 

Pensamentos sobre o futuro

1 março, 2015 às 09:31  |  por Erol Anar

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internet tem inegável benefício, a despeito disso ela é um golpe na literatura. Os jornais e revistas também têm influência negativa da internet. Grandes jornais, New York times, por exemplo, dizem que em breve eles só serão publicados virtualmente e não terão impressão em folhas. Grandes editoras também falam que irão no mesmo caminho, livros serão publicados só na internet. Isso será possível? Ler 300 págnias na tela de um computador? A nova geração, geração da internet, segundo pesquisas não lêem livros, a maior parte não tem paciência nem para ler duas páginas de e-mail…Música e teatro receberam efeito negativo da internet, filmes atuais são assistidos pelo dvd, em casa, cada dia menos pessoas vão as salas de teatro e cinema. Se nós pensarmos nos museus e exposições artísticas então, teremos um número ainda mais reduzido de visitantes.
A globalização vai destruir diferenças culturais, quase todos os países tem os mesmos programas na televisão: big brother, competição sobre conhecimentos, ídolos , e quem vencerá concurso de música , etc…Por esta razão, as cores das culturas vão desaparecer…o mundo vai ser mais chato e enfadonho.
O capitalismo em despigmentização quer reformar-se. Pode a internet dar essa chance para ele? Grandes empresas nos EUA e no Japão trabalham cada dia mais pelo mundo virtual. Os escritórios montados em casa reduzem custos, os funcionários conectam o principal computador e de casa fazem seu trabalho, sem precisar deslocar-se até o local do emprego. Cada dia isso é mais comum o comércio eletrônico, que amplia as oportunidades de ganho para as empresas, por isso os ganhos tornam-se incomparavelmente maiores: sem despesas com manutenção de local, funcionários, e escritórios, etc…. Cartão de crédito é cada dia mais usado do que o dinheiro, e no futuro talvez o dinheiro impresso não exista mais, esse tipo de trabalho vai aprisionar os humanos nas suas casas e destruir o relacionamento social . As pessoas não saíram nas ruas porque não existe segurança lá, e tudo ele poderá comprar na internet e pegar na frente do portão de sua casa. A educação também, poderemos estudar em casa. Vamos pensar sobre o relacionamento de uma família que poderá conviver vinte e quatro horas na sua casa…Não será fácil!
O progresso da tecnologia do robô vai ser importante para formar a sociedade do futuro, o jornal traz a novidade que os japoneses criaram um robô que será vendido em três anos, esse robô poderá trabalhar ininterruptamente e em difíceis condições, cada dia menos será preciso um ser humano para realizar a mesma tarefa.
As fronteiras vão se aproximar entre o real e o virtual.
Talvez essa frase de um missionário Ismaelita no Irã, mil anos atrás, Hasan Sabbah , explique a sociedade do futuro, ele afirmou que: “ Se nada é real tudo é permitido.”

Um grande escritor da Ásia Central: Chinghiz Aitmatov

18 fevereiro, 2015 às 14:47  |  por Erol Anar

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Também fez parte de minhas leituras quando era criança os livros do grande escritor Chinghiz Aitmatov, na minha casa era meu pai quem mais gostava. Ainda me lembro das capas dos livros: “O Navio Branco”, “Jamila”, “Minha Infância”, “A Terra Mãe” dentre outros livros dele. Lembro-me do escritor francês Louis Aragon afirmar que “Jamila” era a melhor história de amor de todos os tempos.
O esposo da Jamila participou da segunda guerra mundial, às vezes ele enviava cartas e só nas últimas linhas mandava lembranças para sua esposa. Passado um tempo, ela começa a gostar de outro homem que voltou da guerra machucado, assim surgiu um grande amor entre ela e este homem. Quando li esse livro, me impressionou a beleza e a nobreza do amor entre eles.
No livro “O Navio Branco” o escritor conta uma história através dos olhos de uma criança e critica o sistema, também descreveu as esperanças dos soviéticos.
O escritor nasceu no Quirguistão, em 1928, passou a juventude com dificuldades diversas, pois eram os anos de segunda guerra mundial. Ele escreveu para o famoso jornal soviético Pravda,foi membro da Academia de Letras dos Soviéticos, ganhou prêmios pelos seus escritos. Ele estudou mitologia, folclore e lendas de seu país e isso se reflete nas suas histórias que são sobre as pessoas da região do estepe.
As suas obras foram traduzidas para mais de 150 línguas, alguns de seus livros foram adaptados ao cinema.

Eu te esqueci nos caminhos distantes

7 fevereiro, 2015 às 16:08  |  por Erol Anar

Não é um frágil esquecimento meu,
É um esquecimento frágil,
Quando estão esquecidas,
as lembranças
não podem ser relembradas,
Elas são esquecidas
enquanto são lembradas…

 

 

… Depois as cartas chegaram. Eu as recebi de pequenas cidades das quais nunca ouvi falar antes. Também pessoas que eu nunca conheci haviam as enviado. Foram escritas com sinceridade e contavam somente sobre o amor e as decepções. Quem sabe seja o único ponto de existência das pessoas, o único significado das suas vidas, os seus amores e as suas decepções.
Porém, eu desisti muito tempo atrás. Não do amor… mas desisti só de você que parecia mais um país perdido. Então, você estava tão longe de mim quanto  aquelas cidades pequenas. As pequenas cidades não sangraram, elas só brilharam com suas luzes encobertas pela serração. Depois todas as luzes ficaram apagadas, porque o amor já acabou.
Dessa vez eu estava escrevendo as cartas para as pessoas desconhecidas. Depois as mandei para as cidades pequenas. Meu coração sentia uma solidão e parecia tão dividido quanto as pequenas cidades.

Eu te esqueci nos caminhos distantes
E por lá me lembrei de mim …

 

Erol Anar

“O Amor Já Acabou”

Monet, Sunrise

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A música maldita no telefone das empresas

9 setembro, 2014 às 11:56  |  por Erol Anar

 

-Estou numa briga por telefone

para cancelar uma compra,

falou a mulher morena.

 

Isso é chato demais,

as empresas  deixam os clientes

ouvindo uma musiquinha.

As pessoas estão sofrendo por causa das empresas

Elas parecem morceginhos

tirando sangue dos clientes.

 

Ela continua:

- Os funcionários das empresas

sabem irritar e acabar as pessoas com maestria,

devem até  fazer um curso disso…

 

- Nem curso, disse a  mulher loira sorrindo,

quatro anos de faculdade eles fazem por este motivo…

 

- Sim, sim, só pode,

diz a mulher  morena.

Bom!

Enfim, é passada a primeira etapa,

Chega a voz de uma atendente.

Agora musiquinha de novo.

Porém,  resolvendo tá bom,

Suportarei  a musiquinha.

 

-Então, agora será o pior, vai encontrar

o funcionário com mestrado!

 

Então, as duas riram…

As pessoas estão sofrendo com as empresas,

parecem morcegos

tirando sangue dos clientes.

Agora “Marcha Fúnebre de Chopin”,

Quem morreu?

O cliente já morreu!

da da dammmm da da dammm

Esperando por mais 15 minutos…

da da damm…

mais 20 minutos

da da dam…

de repente uma voz no telefone:

_ Por favor , aguarde!

de novo a Marcha Fúnebre.

 

 

A mulher morena falou com sua amiga loira.

- A bendita musiquinha ficou na minha cabeça…

agora tenho que enviar um e-mail

com todos os detalhes da reclamação….

Meu Deus do céu!

 

- Calma! Três dias depois vai sair da sua cabeça,

disse a loira sorrindo e continuou:

As empresas estão nos fodendo!

Música para acalmar pessoas…

Será que acreditam mesmo que

a gente ficará calma com música?

Bem isso!

 

_Você ainda esta numa situação melhor

porque ao menos eles atendem ao telefone.

Eu entreguei meu notebook  estragado

para o serviço técnico de Mamsung.

Eles me deram um número de telefone,

caso quisesse saber o andamento da situação…

Porém ninguém atende o tal número!

Tive que ir pessoalmente  até lá para perguntar

se meu notebook  havia sido consertado ou não _

disse a mulher loira.

 

A mulher morena colocou sua mão

na boca e falou surpresa:

_ Meu Deus!

Ela estava ao telefone ao mesmo tempo…

 

A loira continua:

_Sim, eles deram esse mesmo número pra todos os clientes,

você chegou até a musiquinha,

Isso é sucesso, valioso.

 

Então, riram.

 

_ Fui ao local físico da loja umas três vezes, briguei,

até liguei para São Paulo, o centro da empresa.
Depois de 24 dias eles entregaram meu notebook,

foi uma prova de paciência.

 

Enquanto ela escutava essa musiquinha maldita

o funcionário talvez, coçando a bunda dele,

do outro lado, esta soltando pum.

_ “Agradecemos pela sua paciência,

sua opinião é muito importante para nós”_

falou uma voz mecânica no telefone.

A morena desligou o telefone

com muita força e falou:

_Vá se foder!

 

“A Vida Não Perdoa Os Fracos”

Erol Anar

POESIA E ARTES NOS MUROS DA CIDADE!

5 setembro, 2014 às 19:25  |  por Erol Anar

 

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PROJETO  DA ACGB/VIDA URBANA ,“ POESIA EM CORES” ,  NOS BRINDARÁ COM POESIA E ARTES NOS MUROS DA CIDADE!

 

De autoria da coordenadora de projetos da ACGB/Vida Urbana, senhora Deise Momm Fonseca, o projeto “ Poesia em Cores” tem como madrinha a conhecida escritora curitibana Adelia Maria Wollner . Adelia  gentilmente cedeu suas poesias para serem divulgadas nos muros autorizados que serão coloridos pelos trabalhos de diversos artistas voluntários da ACGB . O Projeto é Patrocinado pela empresa Coral, responsável por ceder as tintas para as atividades nos muros.

Os muros serão o suporte para embelezar nossa cidade, passando uma mensagem social, provocando o olhar para a poesia e a estética de quem transitar nas regiões contempladas.

Em entrevista com a senhora Deise, autora do projeto, ela nos relatou ser o objetivo da ACGB  ir além de ações do despiche, através da qual aqueles que cometeram o delito da pichação também aprendem, porém isso não basta. Neste Projeto os voluntários deixarão a sua marca, seu maior desejo, contribuindo com a cultura e a arte visual, em muros autorizados, sua mensagem permanecerá como mensagem poética, através de uma ação educativa, ampliando possibilidades de transformar esses muros em espaço social visível.

As atividades serão orientadas pelo artista plástico e zelador da ACGB, senhor Jorge, tendo como primeira poesia utilizada “Caçador de Estrelas”, Adélia Maria Wollner.

A ACGB/Vida Urbana tem parceria com o Núcleo de Assessoria Psicossocial dos Juizados Especiais- Foro Central, unindo esforços na medida alternativa para o delito de pichação, fomentando a capacidade intelectual, de aprendizagem, de capacidade e visão artística que jovens indicam como potencial a ser valorizado, contribuindo com a pacificação social e colaboração em espaços de arte na nossa cidade.

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Contato: ACGB/VIDA URBANA

Rua Riachuelo, n°31 – 15° and. – sala 1502

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