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O Renascimento de Raskólnikov

10 setembro, 2013 às 13:52  |  por Erol Anar


Raskólnikov é um dos mais famosos heróis de romance de todos os tempos. O escritor que o concebeu disse que Raskólnikov, como estilo de personagem, não existia em nenhum romance anterior, eu penso o mesmo. Os heróis anteriores lutavam contra o mal, as personalidades eram perfeitas, eram sempre boas pessoas, nas quais não existia o mal.Porém, Raskólnikov perdeu desde que nasceu: era pobre, doente, não tinha piedade e ao mesmo tempo tinha muita piedade, ás vezes o vemos como uma boa pessoa, e outrras como uma má. Na verdade, ele não é mau nem bom, ele tem ambas características, como todas as pessoas, um misto de bem e mau.
Sem dúvida Crime e Castigo é livro mais discutido e pesquisado.

Sobre o Escritor
Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski é o maior escritor de todos os tempos, conseguiu aprofundar seus conhecimentos na característica psicológica das pessoas, desvendando-lhes a alma, com todos os seus conflitos e emoções.
Ele nasceu em 1821, em Moscou, o pai era médico num hospital da classe social mais desfavorecida, sua família era classe média. A primeira educação ele teve com sua família, ele teve uma vida difícil e pobre, podemos ver nas suas obras essa parte de sua história de vida pessoal. A vida dele foi muito tumultuada, quando ele tinha 17 anos foi para a academia militar. Em 1849, ele recebeu sentença de pena de morte, mas quando foi recebê-la, a pena de morte foi transformada em outra sentença: exílio na Sibéria. Dostoiévski voltou da morte para viver dias de horror na Sibéria, e sua mente sofre um impacto com essa experiência. Ele sofria epilepsia, e teve muito mais crises nesse período.Essa doença também provocou alterações na sua personalidade. Depois da sibéria, suas obras surgiram com ideas místicas. Também após esse exílio e até morrer, sua vida tinha problemas com amores, casamentos, viagens para Europa, apostas em jogos e economicamente foi um desastre. Morreu em 1881, pobre e em grandes turbulências.
Stefan Zweig escreveu no sua livro: “ Três Grandes Mestres” , que Dostoiévski fez a face dos “ pés-vermelhos” . Ele falou que : “ essa é a face de Dostoiévski, a face que nos lembra um pé-vermelho, ou pobre ou mendigo, a face negra na qual não existe beleza alguma. Ele nos causa medo, primeiramente, depois nós o veneramos .Sua face é vulgar, e traz nela o carimbo do seu destino: um destino cruel e miserável.”
Sua fisionomia nas fotos é horrível. A horrível , majestosa e misteriosa face. Ele gostava de jogar, assinava contratos suicidas com editoras, e nunca ganhava o bastante .
Gogól impressionava todos os escritores russos da época. Dostoiévski disse que todos nós saímos do “O Capote de Gogól.” , que é o nome de uma história curta de Gogól : “ O Capote” . Esse escrito é um alicerce para toda a literatura russa.
Quando o livro “ Pobre Gente”(Dostoiévski) foi publicado, todo mundo aplaudia em pé, Bielinski, importante crítico de literatura russa naquela época, também.
Quatro anos ele ficou no inferno da Sibéria. Lá, pela primeira vez, ele encontrou gente do povo pobre. Ele fazia parte do grupo de intelectuais anteriormente, que pensava para o povo mas não o conhecia, até então. Ele conta essa história no seu livro “Recordações da Casa dos Mortos” .

Muitos intelectuais pensam que Dostoiévski é uma das bases do existencialismo. Nos seus livros esta inserido o niilismo também. Ele era como seu personagem Raskólnikov,além de morar na mesma região, penhorava seus bens para ter algum dinheiro na Europa. Ele queria que as pessoas emprestassem dinheiro para ele, para isso enviava muitas cartas , mendigando , sem nenhuma vergonha. Ele também estava doente, como Raskólnikov. Ele não pagava o aluguel de onde morava como seu herói, mandou seu herói para a Sibéria, como ele próprio.
Um escritor, cujo nome eu não me recordo, afirmou que : “ Os escritores se dividem em dois tipos: um dostoiévski e os outros.” A diferença é que ele andava nos lados obscuros da mente humana, desvendou a alma humana, queria a análise profunda dos seres humanos. Tinha uma parede, ele conhecia o outro lado dela. Ele atravessava ,sem medo ,para o outro lado da parede.
Ele criticava também os intelectuais e os escritores:

“Mas então o literato recebeu cinco rublos, em uma ‘casa decente’, por uma aba de casaco… Olha como são esses tipos! Faz três dias, em uma taberna, foi a mesma história; um desses literatos almoçou e na hora de pagar veio com essa: ‘Olhe, que posso fazer-lhe uma sátira no jornal.’ Na semana passada, um outro, em um barco, ofendeu a respeitável família de um conselheiro de Estado. Ha algum tempo, tiveram de expulsar um outro de uma confetatia, Já dá para ver como são esses literatos, escritores, estudantes…” (Crime e Castigo, Página 109)

Crime e Castigo
Crime e Castigo foi publicado em 1866, o nome original é “Prestuplenie i Nakazanie” . Era época de turbulência política, e econômica, o livro era contemporâneo da Rússia. O herói também era contemporâneo, sofria , tinha cicatrizes , mesmo sendo tão jovem. Dostoiévski mandou uma carta para Katkov, em 1865, dizendo que o livro tinha acontecimentos indecentes, como na nossa atualidade. É do mesmo ano que nós passamos.
Para o escritor foram anos muito difíceis também. Ele vivia grande solidão, tinha muitas dúvidas. Em 1864, ele perdeu pessoas muito importantes para ele: sua esposa Maria Dmitrievna , seu irmão Mikhail Mikháilovitch, seu amigo e poeta Apollon Grigoriev …
O escritor, quando esteve na Sibéria, foi proibido de ler, só um único livro foi permitido: a Bíblia. Ele leu somente a Bíblia durante quatro anos! Por isso ele ficou tão impressionado com as anedotas da Bíblia, especialmente com a parte da história de Lázaro. O herói Raskólnikov também ficou impressionado, após seu crime, visitou Sônia e queria que ela lesse essa parte da Bíblia para ele. Talvez ele desejasse que acontecesse com seu crime o mesmo retorno á vida, da história de Lázaro.
A idéia básica do livro é a liberdade, na realidade como pode um indivíduo ser livre. Questionamentos sobre o conceito de Deus aparecem no livro:

“-E isto que é? Perguntou ela, apontando para o moribundo.
-É possível que os que involuntariamente provocaram a morte de seu marido indenizem a senhora, pelo menos no que diz respeito a perda do ampora material.

-O senhor não entende! -gritou irritada Ekatierina Ivánovna, agitando as maos. -Por que haveriam de me indenizar? Foi ele que, embriagado, se atirou para baixo das patas dos cavalos! E que ampora? Ele nunca foi para mim senão um tornemento. Deixava-nos sem pão, para ir beber na taberna. Deus foi misericordioso livrando-nos dele. Um gasto a menos.
-Deve perdão-lo na hora da morte, senhora. Esses sentimentos são um enorme pecado!
Enquanto conversava com o padre, Ekatierina Ivánovna não deixaria de atender o ferido; dava-lhe beber, limpava-lhe o suor e sangue da cabeça, ajeitava-lhe a cabeceira. (Crime e Castigo, Páginas 190-191)

Também a visão socialista é importante . Ele contava realisticamente como era viver na Rússia. Nenhum escritor contou sobre a sociedade russa como ele. Primeiramente, a pobreza dos estudantes universitários, a prostituição de filhas com o aval das famílias, por suas necessidades sócio-econômicas, a vida vazia dos pequenos burgueses, o medo do Estado e da criação de polícias, …na realidade na Rússia o czarismo tinha a faca no pescoço do povo.
Do ponto do vista literário o livro foi uma novidade para a literatura por seu realismo, até então inovador. A diferença desse livro para os outros , não só reflete a realidade, a vida objetiva, ele ao mesmo tempo reflete a psicologia humana e a vida intrapsíquica das pessoas
“Sem Dostoiévski , não teriam sido possíveis as pesquisas em profundidade de psicólogos como Nietzsche e Freud, além de um conhecimento, por assim dizer íntimo, dos motivos da alienação humana e dos caminhos para sua superação.” (em Recordações da Casa dos Mortos, ed. Martin Claret, 2006, SP, pág. 314)
A despeito do pessimismo do escritor, em todos os romances ele finaliza com questionamentos e uma porta para um caminho positivo.
Sônia prostituiu-se para vender seu corpo em nome da família, para que seus irmãos não passassem fome. Sua personagem tem características bíblicas de Maria Madalena , faz sacrifício para que os outros sejam beneficiados, bem como Lisavieta, irmã da agiota assassinada,. Raskólnikov matou Lisavieta por circunstâncias, mas isto estava fora do seu planejamento. Lisavieta ficou na consciência dele.

“Não foi diante de ti que me curvei, mas diante de todo o sofrimento humano” (Crime e Castigo, Página 328)

O ponto de foco de Crime e Castigo é um problema do século XIX, é o mesmo problema da literatura realística. Depois da revolução burguesa francesa no oeste europeu, e depois da reforma rural na Rússia, a literatura realística pesquisou sobre os caminhos para o desenvolvimento da personalidade humana. Não há nenhum outro romance que tenha atingido o sucesso, por ter feito esse caminho também, como Crime e Castigo. Esse romance trouxe à baila a consciência e a inteligência da humanidade para aplicar na justiça. Dostoiévski descreveu a filosofia dos pensadores da época. Eles diziam que não é possível mudar o destino da humanidade. Ele não queria a submissão, queria a rebeldia, a resistência à desigualdade, não aceitava a injustiça, defendia níveis supremos de ética e moral para as sociedades.

O teto do livro é a história de um crime psicológico e o resultado ético deste crime. O herói Raskólnikov não é um criminoso comum, ele queria experimentar o seu próprio sistema de pensamento , para provar que a atitude dele era correta. Era um jovem honesto, inteligente, gostava de ajudar as pessoas, observava a vida dos pobres e percebeu que o destino deles era a pobreza, a doença e a morte na juventude. Ele fez uma solução mental, ele não encontrou ninguém, estava sempre sozinho, fugia das pessoas. Na busca dessa suloção ele ficou dividido: eu sou um piolho ou um ser humano?
Finalmente ele encontrou um caminho para salvação: existe dois tipos de pessoas, um tipo incomum que tem o direito de fazer tudo e pessoas comuns, submissas a tudo. E então quis pertencer ao grupo de pessoas incomuns, por isso planejou e efetuou seu crime.

“Não foi uma criatura humana que matei, foi um princípio!” (Crime e Castigo, Página 280)

Antes do crime ele pensou em todos os detalhes, mas estava errado, a realidade da vida foi diferente daquilo que visualizou nos planos anteriores . Ele terminou por assassinar a segunda mulher, a qual não estava nos planos, a irmã da agiota. Foi para a polícia e acreditou que era um suspeito. Mas a base que estava errada, ele pensava que o crime não modificaria o relacionamento dele com as outras pessoas a sua volta, mas na verdade, tudo mudou. Ele pensava que a responsabilidade de matar era só dele, que a opinião dos outros não iria importar. Isso foi totalmente errado!
Dostoiévski disse que uma pessoa não existe na solidão ,quando vivemos em sociedade, essa idéia foi contra os pensadores racionalistas do século XVIII. . Como vivemos na sociedade carregamos esta mesma em nossos corações, temos muitas amarras pelos vínculos estabelecidos com os demais. Se desatamos os nós dessas amarras, cometemos um tipo de suicídio. Raskólnikov vivia esses pensamentos, ficou alienado inclusive da mãe e irmã dele. Ele queria matar a agiota que suga o sangue da pobreza, mas ele matou ele mesmo. Por isso ele confessou para a polícia, conforme o conselho de Sônia.
Ele tinha duas possibilidades: suicidar ou escolher viver a despeito de tudo.

“Onde li’, pensava Raskólnikov afastando-se, ‘…aquele frase atribuído a um condenado à morte, uma hora antes do suplício? Se ele tivesse de passar a vida sobre um lugar alto, sobre um rochedo perdido na imensidade do mar, que lhe oferecesse apenas o espaço suficiente para firmar os pés; se tivesse de viver assim mil anos, sobre o espaço de um pé quadrado, na solidão, nas trevas, exposto a todas as intempérie -ainda assim preferiria tal existência a morrer! Viver seja como for mas viver!… Como isso é verdadeiro, meu Deus, como é verdadeiro! O homem é covarde! E também é covarde o covarde que lhe chama assim -acrescentou um momento depois.” (Crime e Castigo, Página 166)

Ele não sentia arrependimento pelo que planejava.

“O meu crime? Qual crime? -replicou ele em um subito acesso de colera: o de ter matado um piolho imondo e malefico, uma velha usuraria nociva a toda a gente, um vampiro que se alimentava do sangue dos pobres?” (Crime e Castigo, Página 520)

Depois que assassinou tinha sofrimento, de acordo com o escritor, porque a essência da humanidade ganhou espaço dentro dele. Dostoiévski pensava que o a história do herói dele não era uma queda da moral e da ética, pelo contrário, elevava a ética e a moral. Um erro de Raskólnikov o levou a compreender que errou e não foi destruído, ele criou um novo humanismo.
O autor desenhou uma obra obscura que inclúi uma luz no fim. Essa luz é a fé, a coragem de Raskólnikov para a utilização de ferramentas fortes para servir a sociedade. Porque Raskólnikov ficou mais humano a despeito de tudo o que aconteceu.

Raskólnikov é a Mona Lisa da literatura universal

Ele foi contra a injustiça, contra pessoas e animais. Por exemplo, ele sonhou que um dono bateu no cavalo até este morrer e ele atacava esse dono e salvava o cavalo. Outro dia um homem tentava atacar sexualmente uma menina, ele esforçou-se para salvá-la .

“Raskólnikov remexeu o bolso, tirou vinte copeques e os estendeu ao policial -Tome -disse-; alugue uma carruaguem e leve-a para casa. Só precisamos saber onde ela mora.” (Crime e Castigo, Página 59)

Razumíkin conta que:

“Conheço Ródia (Raskólnikov) há dezoito meses: é taciturna, severo, orgulhoso e altivo. Nos últimos tempos (mas talvez essa disposição existisse nele há muito) tornou-se desconfiado e hipocondríaco. Tem bom coração, é generoso. Não gosta de revelar os próprios sentimentos e prefere antes ser duro que deixar o coração falar… Não gosta de brincadeiras, não porque ao seu espírito falte senso de humor…. Não escuta até o fim o que se lhe diz; nunca se interassa pelas coisas que interassam toda gente.” (Crime e Castigo, Páginas 219-220)

Não existe uma pessoa só boa ou só ruim.O bem e o mal coexistem, as pessoas são boas-ruins, ele matou duas mulheres com um machado selvagem, mas ao mesmo tempo ele deu um último dinheiro de seu bolso para ajudar pessoas necessitadas. Por exemplo, deu 25 rublos que a mãe dele enviou com esforço duro de trabalho, para o funeral do marido de Ekatierina Ivánovna.
Freud, fundador da Psicanálise, impressionou-se com esse livro. Ele disse que Crime e Castigo tem a tríade Super-Ego, Ego e Id em profundidade. O Id de Raskólnikov ordena que ele mate , o processo do Ego traz tumulto emocional, e finalmente, o Super-Ego o faz sentir culpa.
J. .L. Borges afirmou sobre este livro:” pela primeira vez viver o amor, pela primeira vez ver o mar, de forma similar a descoberta de Dostoiévski é tão importante data na vida das pessoas. Geralmente isso foi na primeira juventude para as pessoas, quando estamos mais velhos, nós lemos livros de escritores mais leves. Eu li Crime e Castigo em 1915 em Geneve, Suiça.Os heróis do livro são um assassino e uma prostituta, esse romance para mim era mais impressionante e destrutivo que a guerra . Ler Dostoiévski é como entrar numa cidade grande e desconhecida, ou entrar na sombra de uma guerra.”

Caracteres dos livros
Os livros são uma discussão de eventos colocados com maestria pelo autor.
A irmã e a mãe de Raskólnikov o amavam, sempre o ajudavam com dinheiro e o que precisasse. Esperavam que ele fosse um grande cientista ou escritor.

No livro existem também: Sônia, a segunda personagem mais importante, e outros personagens como Razumíkhin, Ekatierina Ivanóvna, Piotr Pietróvitch, Marmiledov, Zamiótov, Porfiri Pietróvitch, Svidrigáilov, etc ..
Razumíkhin é o único amigo dele, ele sempre o ajudou e nunca o deixou até o fim. Depois casou-se com a irmã de Raskólnikov. Ele é inteligente, dominava três ou quatro línguas, era estudante na universidade, era um jovem.
Ekatierina Ivanóvna é pobre, serve sua família o dia todo e sempre relembrava sua infância aristocrata, sofria de tuberculose, rebelava-se contra Deus e tinha muitos sofrimentos.

“No canal, a pequena distância da ponte e a apenas dois prédios do lugar onde morava Sônia, aglomerava-se uma multidão, composta na maior parte de crianças. A voz rouca e sofrida de Ekatierina Ivánovna ouvia-se já da ponte. De fato, e espetáculo era suficiemente singular para atrair a atenção dos transeuntes. Com um chapéu de palha e o velho vestido esfarrapado, sobre o qual tinha lançado aquele xale verde. Ekatierina Ivánovna estava mesmo louca. Estava exausta, arguejante. O seu rosto marcado pela tísica exprimia mais sofrimento do que nunca (de resto, os tisicos, ao sol, na rua, parecem sempre mais doentes e desfigurados do que em casa); apesar da fraqueza, estava em uma agitação extraordinário que aumentava, de momento a momento.” (Crime e Castigo, Página 429)

O esposo de Ekatierina Ivanóvna era um simples funcionário público que gastava todo seu dinheiro para se embriagar, não ia ao trabalho muito dias seguidos, morreu na rua atropelado por uma carroça, aos pés do cavalo.

“O que significam estas palavras: não ter onde ir?…” (Crime e Castigo, Página 57)

Piotr Pietróvitch , metido a superior, gosta só dele mesmo, gosta de dinheiro acima de tudo, através do dinheiro desejava direcionar as pessoas. Se não era possível com dinheiro, tentava outros caminhos, por exemplo, colocou 100 rublos na bolsa de Sônia, só para acusá-la de roubá-lo mais tarde.
Svidrigáilov é como o próprio Dostoiévski, ele apostava dinheiro, não pagava empréstimos e foi preso, era infeliz, nunca tinha o que queria, tinha dinheiro mas não comprava o amor de Dúnia. Então todo dinheiro dele deu para os necessitados, e suicidou-se.

A parede
Dostoiévski nos coloca numa corrente de sua imaginação, o que tem no outro lado da parede. Ele passou para o outro lado e espera que o leitor atravesse a parede e fique ao lado dele. Nós todos que estamos em que lado da parede? O outro lado é proibido para nós, temos medo do auto-conhecimento, de encarar a nós mesmos. . A diferença entre Dostoiévski e outros escritores é essa, ele mostra o outro lado .
Raskólnikov no fim do livro, ele confessa o amor para Sônia, torna-se uma pessoa boa, como Lázaro na Bíblia ele renasce.

Bibliografia

Dostoiévski, “Suç ve Ceza (Crime e Castigo)”, Oteki Yayinevi, 1996, Ankara-Turquia
Dostoiévski, “Crime e Castigo”, Editora Martin Claret, 2006, S. Dostoiévski, “Recordações da Casa dos Mortos”, Editora Martin Claret, 2006, S. Paulo-Brasil.
Stefan Zweig, “Uc Buyuk Usta (Três grandes Mestres) ”
Omer Turkes, Eski Kitaplar ( Livros Antigos) “Suç ve Ceza” Istambul, Turquia.
Asuman Kafaoglu-Büke, Yazin Sanati Kitap Eki 18 Mayis 2006, Turquia.
Ender Ozkahraman: “Dostoiévski ve duvarin öte yani (Dostoiévski e o outro lado da parede) 5” Milliyet Gazetesi Kitap Eki. Istambul-Turquie (http://www.milliyet.com.tr/ozel/kitap/020510/tadimlik.html)

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Um livro que causou uma onda de suicídios na Europa

23 outubro, 2012 às 08:13  |  por Erol Anar

“Os Sofrimentos do Jovem Werther” foi escrito pelo famoso Alemão pensador e escritor Johann Wolfgang Von Goethe. Ele escreveu esse livro quando tinha 25 anos, marcou um ponto inicial de romantismo. Trata-se de um livro carta romance, Jovem Werther manda cartas poéticas para amigo Wilhelm. Werther estava apaixonado e conta seus sentimentos sobre esse amor.
Na época esse livro causou uma onda de suicídio no continente Europeu, então Goethe escreveu e solicitou que as pessoas não seguissem o herói da história.
Werther é um jovem inteligente, fugiu da cidade grande e residia no interior, acabou por se apaixonar pela filha de uma família nobre.
A moça também se interessa por ele, porem ela é noiva, por isso só o trata como amigo, porem ela tinha medo e por isso não queira mais conversar com Werther.
“Não basta a impossibilidade de sermos felizes? Precisamos ainda roubar o contentamento que as vezes passeia nos corações alheios? Aponte-me alguém que esteja de mau-humor e apesar disso seja valente o suficiente para ocultá-lo, suportá-lo sozinho, sem destruir a alegria em torno de si. …Não suportamos ver pessoas felizes, sem que tenhamos concorrido para tal.
(pp. 24)”
A história do livro é escrita em primeira pessoa e com poucos personagens. Werther escreveu novas cartas para ela e se suicidou, por causa do amor.
Essa história é uma parte real da vida do escritor Goethe, quando ele era jovem se apaixonou e a moça era a noiva de um amigo dele. O estilo do texto escrito é poético, profundo e romântico.

Goethe, Johann Wolfgang Von: “Os Sofrimentos de Jovem Werther”
Editora: LPM
Edição: 1
Ano: 2001
Páginas: 216

O Pássaro Pintado

18 setembro, 2012 às 08:32  |  por Erol Anar

Há livros capazes de causar o mesmo impacto ao serem lidos anos depois do seu lançamento, “O Pássaro Pintado (The Painted Bird)”, de Jerzy Kosinski, é um desses livros inesquecíveis. Um livro impressionante porque o escritor conta sua própria história de vida desde sua infância. Quando li esse livro fiquei assustado refletindo sobre a selvageria e a violência dos seres humanos. Esse livro é a obra prima do autor.
Durante a Segunda Guerra Mundial, uma criança de 6 anos, foi afastada de seus próprios pais e sozinho sobreviveu em meio a guerra no leste Europeu. Ele era o escritor, permaneceu sozinho até reencontrar seus pais no fim de guerra, 3 anos depois. O livro revela a história durante a guerra através dos olhos de uma criança pequena.
Na história há violência, ele conviveu ao lado da morte. Também as pessoas o tratavam mal porque seu tom de pele era moreno, então pensavam se tratar de um menino cigano, os Nazistas mataram os ciganos também.
É um livro duro, com uma história selvagem, uma escrita mágica. Esse livro mostra como os humanos podem ser implacáveis.
A respeito desse livro Elei Wiesel publicou no jornal New York Times: “Um dos melhores, escrito com profunda sinceridade e sensibilidade.” Richard Kluger afirmou na revista Harper’s Magazine:
“Extraordinário, literalmente surpreendente, um dos livros mais poderosos que já li.” (Do livro anúncio promocional por Barnes&Noble)
Também pra mim é um dos melhores livros que já li. Se ainda não conhece, saiba que vale a pena lê-lo, estou certo que o considerará um de seus melhores livros.

Kosinski, Jerzy: “O Pássaro Pintado”
Editora: Livros de Areia
Edição : 1 / 2006
Idioma : Português de Portugal
Paginas : 200

O Renascimento de Raskólnikov

9 agosto, 2012 às 21:53  |  por Erol Anar

Raskólnikov é um dos mais famosos heróis dos romances escritos em todos os tempos, o escritor que o concebeu afirmou que o personagem tinha um estilo inexistente em nenhum romance anterior, eu penso o mesmo. Os heróis anteriores lutavam contra o mal, as  personalidades eram perfeitas, eram sempre boas pessoas, com valores éticos elevados, personalidades nas quais não existia o mal. Porém, Raskólnikov perdeu desde o seu nascimento: era pobre, doente, não tinha piedade e ao mesmo tempo tinha muita piedade, às vezes o vemos como uma boa pessoa e outras como má. Na verdade, ele não é mau nem bom, tem ambas as características, como todas as pessoas, um misto de bem e mal. Sem dúvida Crime e Castigo é o livro mais discutido e pesquisado mundialmente.
Crime e Castigo foi publicado em 1866, o nome original é “Prestuplenie i Nakazanie” . Era época de turbulência política e econômica, o livro era contemporâneo da Rússia. O herói também era contemporâneo, sofria , tinha cicatrizes, mesmo sendo tão jovem.
O texto do livro é a história de um crime psicológico e o resultado ético deste crime. O herói Raskólnikov não é um criminoso comum, ele queria experimentar o seu próprio sistema de pensamento , para provar que a atitude dele era correta. Era um jovem honesto, inteligente, gostava de ajudar as pessoas, observava a vida dos pobres e percebeu que o destino deles era a pobreza, a doença e a morte na juventude. Ele organizou uma solução mental para solucionar problemas.
Encontrou um caminho para salvação: existem dois tipos de pessoas, um tipo incomum que tem o direito de fazer tudo e pessoas comuns, submissas a tudo. E então quis pertencer ao grupo de pessoas incomuns, por isso planejou e efetuou seu crime.
Depois não queria encontrar ninguém, estava sempre sozinho, fugia das pessoas. Na busca dessa solução ele ficou dividido: eu sou um piolho ou um ser humano?
“Não foi uma criatura humana que matei, foi um
princípio!” (Crime e Castigo, Página 280)

Dostoiévski mandou uma carta para Katkov,em 1865, dizendo que o livro tinha acontecimentos indecentes, como a atualidade deles, ele afirmou nessa carta: “. É do mesmo ano que nós passamos.”
A personagem Sônia prostituiu-se para vender seu corpo em nome da família, para que seus irmãos não passassem fome. Sua personagem tem as características bíblicas de Maria Madalena , faz sacrifício para que os outros sejam beneficiados, bem como Lisavieta, irmã da agiota assassinada. Raskólnikov matou Lisavieta por circunstâncias, mas isto estava fora do seu
planejamento. Lisavieta ficou na consciência dele.
Não existe uma pessoa só boa ou só ruim.O bem e o mal coexistem, as pessoas são boas-ruins, Raskolnikov matou duas mulheres com um machado selvagem, mas ao mesmo tempo deu um último dinheiro de seu bolso para ajudar pessoas necessitadas. Por exemplo, deu 25 rublos que a sua mãe lhe enviou com o esforço duro de trabalho, para o funeral do marido de Ekatierina Ivánovna.
Freud, fundador da Psicanálise, impressionou-se com esse livro. Ele disse que Crime e Castigo tem a tríade Superego, Ego e Id em profundidade. O Id de Raskólnikov ordena que ele mate , o processo do Ego traz tumulto emocional, e finalmente, o Superego o faz sentir culpa.
J. .L. Borges afirmou sobre este livro: ”Eu li Crime e Castigo em 1915 em Geneve, Suíça.Os heróis do livro são um assassino e uma prostituta, esse romance para mim era mais impressionante e destrutivo que a guerra . Ler Dostoievski é como entrar numa cidade grande e desconhecida, ou entrar na sombra de uma guerra.”
O ponto de foco de Crime e Castigo é um problema do século XIX, é o mesmo problema da literatura realística. Depois da revolução burguesa francesa no oeste europeu, e depois da reforma rural na Rússia, a literatura realística pesquisou sobre os caminhos para o desenvolvimento da personalidade humana. Não há nenhum outro romance que tenha atingido o sucesso, por ter feito esse caminho como Crime e Castigo.
Esse romance trouxe à baila a consciência e a inteligência da humanidade para aplicar na justiça.
Há uma frase impressionante após Raskólnikov ajoelhar-se diante de Sônia:
“Não foi diante de ti que me curvei, mas diante de todo o sofrimento humano” (Crime e Castigo, Página 328)

Dostoievski, Feodor: Crime e Castigo
Editora: 34LV
Edição: 3
Ano: 2001
Paginas:568

Uma história sobre os anos de crise do capitalismo: Ratos e Homens

5 agosto, 2012 às 18:24  |  por Erol Anar

No fim dos anos 1920 o capitalismo sofreu grande crise, especialmente nos Estados Unidos. Durante aqueles anos a pobreza aumentou muito, também o desemprego, as pessoas queriam possuir qualquer trabalho, não tinham muitas opções. Muitos escritores Americanos sofreram com os anos da Grande Depressão (1929-1939) e contam sua histórias pessoas nesses anos de crise, como Charles Bukowski, Steinbeck e muitos outros.
O famoso livro “Ratos e Homens” , de John Steinbeck, conta uma história dos anos da grande crise. A história de dois trabalhadores rurais se passa num rancho, na Califórnia, nos Estados Unidos. Steinbeck era um trabalhador rural também, por isso usou características e experiências reais. Eles tinham suas próprias pequenas terras, trabalhavam para eles mesmos e criavam coelhos, porém todos os outros tinham esse sonho e muitos poucos conseguiram realizar. George era um homem inteligente, porém Lennie tinha a mente de uma criança, por causa disso sempre complicava as coisas.
Anos depois reli esse livro, até dei uma aula sobre a história dele. Um romance curto, porém muito realista e trágico. Esse livro foi censurado nos Estados Unidos, mas foi adaptado ao cinema também.
Se você quiser dar uma olhada nos sonhos dos trabalhadores rurais, procure lê-lo é um ótimo livro.

Steinbeck, John: Ratos e Homens
Editora: LPM
Edição: 1
Ano: 2005
Páginas: 146

Um livro para todos e para ninguém: “Assim falou Zaratustra”

28 julho, 2012 às 11:29  |  por Erol Anar

Há livros capazes de abrir novos horizontes. O filosofo alemão Friedrich Nietzsche escreveu sobre Zaratustra, tratava-se de um profeta nascido na Pérsia, no século VII A.C. O escritor Nietzsche fala no seu livro “Ecce Homo”, que “Assim falou Zaratustra” é o melhor livro escrito de todos os tempos. Essa obra foi muito criticada e Nietzsche afirmou nem todo mundo seria capaz de compreendê-la. Também afirmou que se tratava de um filósofo muito a frente do seu tempo, poderia ser entendido cem anos depois.
A filosofia de Nietzsche foi um desafio para sua era, afirmava a relatividade de conceitos como “ruim” e “bom” .
O livro é uma obra da literatura e ao mesmo tempo, da filosofia também. Cada frase tem sua profundidade e intensidade própria, contem muitos aforismos. Ele influenciou filósofos como Heidegger. O escritor procurou uma nova linguagem poética no seu livro, Zaratustra afirma que o pior inimigo de uma pessoa é ele mesmo e aponta que devemos através da transvaloração de todos os valores do indivíduo tornarmo-nos Super-humanos, porém isso não significava super-raça.
Segundo o livro você deve ser dono de si mesmo, deve definir as suas próprias leis. Ele influenciou o pós-modernismo, o existencialismo e também Freud foi influenciado pelas ideias de Nietzsche.
Faz tempo que li esse livro por duas vezes, ainda quero reler mais uma vez pelo menos. Esse livro é um tesouro da humanidade.

Nietzsche, Friedrich: “Assim Falou Zaratustra”
Editora: Martin Claret
Edição: 1
2002
Páginas: 254

“Não temos nada para dar para ti além de sua própria liberdade.”

21 julho, 2012 às 21:37  |  por Erol Anar

No livro de Ursula K. Le Guin chamado “Os Despossuídos” ela fez uma combinação entre a teoria do anarquismo e o taoismo. Segundo a escritora, o anarquismo é fruto de uma história antiga e foi teorizado pelos grandes anarquistas teóricos Kropotkin, Bakunin e Emma Goldman. Não se trata de atirar, explodir bombas e atacar sem motivo, sem rumo, a autora afirma que o anarquismo veio do Taoismo.
A narrativa de “Os Despossuídos” contém sobre dois mundos diferentes, um se chama Anarres, é o mundo dos anarquistas.O outro mundo é Urras, o mundo dos capitalistas. A história começa quando Shevek , de Anarres, vai para Urras.
Le Guin teve inspiração para o título desse livro em Dostoievsky, “The Possessed”.
Algumas frases do livro
“Se você quiser criar um bandido, cria um dono, se quer criar criminoso, crie leis.”
“Ter é errado, compartilhar é certo.”
“Ninguém merece castigo, nem prêmio.”
“A única coisa que você tem é o que você é e o que dá.”
“Não temos nada além da liberdade. Não temos nada para dar para ti além de sua própria liberdade.”
“Nós não temos estados, nações, presidentes, primeiros ministros, policiais, soldados, generais, patrões, salários, caridades, banqueiros, proprietários…”

A obra de Le Guin é um clássico da ficção científica, lembro-me de quando li esse livro pela primeira vez, logo desejei lê-lo novamente.

K. Le Guin, Ursula: “Os Despossuídos”
Editora: Nova Fronteira
Edição/Ano: 1978 – Páginas: 283

Os Ensaios: um livro para refletir sobre o comportamento humano

15 julho, 2012 às 11:18  |  por Erol Anar

Na história da literatura mundial há livros especiais e sempre atuais, um deles se chama “Os Ensaios”, do escritor Frances Montaigne. Pode-se ler muitas vezes esse livro, garanto que vai encontrar sempre novidades sobre os outros e si mesmo, pelo menos eu aprendo muito com esse livro.
Montaigne usava as ideias dos filósofos famosos gregos, romanos e latinos. A linguagem do livro é simples e profunda.
Algumas frases do livro
“A gloriosa obra-prima do homem é viver como convém. Todas as outras coisa: reinar, entesourar,construir, não passam de apendículos e adminículos, no máximo.” (pp.571)
“São as pernas do pavão que abatem seu orgulho”
(pp. 436)
“Todos evitam ver nascer um homem, todos acorrem vê-lo morrer.” (pp. 438)
“Em nossas açôes costumeiras, de mil não há uma só que nos diga respeito.” (pp. 168)
“Os males mais graves e correntes são os que a fantasia nos impõe. Essa espressão espenhola me agrada em vários aspectos: Defenda-me Deus de mim mesmo.” (pp. 541)
“Tudo o que viveis estais roubando da vida: e às expensas dela. A contínua obra de vossa vida é construir a morte. Estais na morte enquanto estais em vida, pois estais depois da morte quando não mais estais em vida.” (pp. 78)
Algumas ideias sobre Montaigne
“Montaigne era uma pessoa bem falante.” Voltaire
“Eu vejo em Montaigne um pensador.” Montesquieu
“Ele conta a respeito de si mesmo para jogar fora sua própria máscara.” Andre Gide
“Tudo que está em ‘Os Ensaios’ eu encontro em mim mesmo.” Pascal
Dizem que Montaigne não tem um sistema de escrita, não é um moralista nem um doutrinador. Mas mesmo não sendo moralista, não tendo um sistema de conduta, uma moral com princípios rígidos, é um pensador ético.
No livro dele, Montaigne analiza os compartamentos das pessoas começando por si mesmo. Essa obra é um espelho de realidade, se você ler com certeza vai poder se ver no espelho também.

De Montaigne, Michel: Os Ensaios
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1
2011
Páginas: 632

1984: “Nós somos os mortos. Nossa única vida genuína repousa no futuro.”

7 julho, 2012 às 08:18  |  por Erol Anar

Por duas vezes li o livro e por duas vezes assisti o filme “1984”.
1984 foi a principal obra de George Orwell. Segundo alguns críticos esse é melhor livro do século XX. A obra foi traduzida para mais de 65 línguas e teve milhares de cópias vendidas.
Esse livro descreve a sociedade dividida em 3 classes: Alta- a qual pertenciam o Grande Irmão e o Partido Interno;  Média- a qual pertencia o Partido Externo e a classe Baixa- a qual pertenciam os Proletas. Nessa sociedade as responsabilidades eram divididas assim:
“O Ministério da Verdade: responsável por notícias, entretenimento, educação e belas-artes.
O Ministério da Paz: responsável pela guerra.
O Ministério do Amor: ao qual cabia manter a lei e a ordem.
E o Ministério da Pujança: responsável pelas questões econômicas.

Algumas frases do livro
“Em 1984, a Oceânia estava em guerra com a Eurásia e era aliada da Lestasia. Não mais que quatro anos a Oceânia estava em guerra com a Lestásia e em aliança com a Eurásia. O partido dizia que a Oceânia jamais fora aliada da Eurásia.”
“Guerra é paz Liberdade é escravidão Ignorância é Força.”
“Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”
Dia a dia e quase minuto a minuto o passado era atualizado.”
“Que fosse possível criar homens mortos, mas não homens vivos.”
“O pensamento-crime não acarreta a morte: o pensamento-crime é a morte.“
“Winston não conseguia se lembrar de jeito nenhum de uma época em que seu país não estivesse em guerra.”
“Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro.”
“Nós somos os mortos. Nossa única vida genuína repousa no futuro.”

“1984” é um livro memorável e esta presente entre todas as listas sobre as maiores 100 obras da literatura mundial. O leitor sente horror, medo e desesperança, pode refletir sobre o sistema ao qual pertence atualmente e fazer suas correlações. Até o fim do livro não há nem uma esperança para se libertar e se salvar do sistema totalitário.

Orwell, George: 1984
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1
Páginas: 416
2009

“A Metamorfose”, de Kafka, é uma revolução no mundo da literatura

1 julho, 2012 às 08:52  |  por Erol Anar

Ao ler essa história na minha adolescência, entendia tratar-se de um livro diferente e muito especial, publicado em 1915. Sentia uma alienação profunda e sentimentos estranhos também.
O livro começa com a frase: “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”.
Dizem que nesse dia o mundo acordou com Gregor Samsa, o protagonista do livro de Kafka e então, já não era mais o mesmo. Gregor Samsa mudou e trouxe novas perspectivas para literatura mundial.
Foi uma grande ideia e revolucionária escrever um livro como “A Metamorfose”. O protagonista, Gregor, era um vendedor, mas acordou com um sentimento estranho, logo depois descobriu que havia se transformado num inseto. Tornou-se um inseto fisicamente, porém ainda pensando como um humano. Depois o relacionamento com família dele mudou totalmente. O pai de Gregor era uma pessoa autoritária como o próprio pai do autor.
Esse livro não retrata superficialmente um homem que se tornou um inseto, alerta a sociedade para refletir sobre certos comportamentos humanos. Traz a mensagem de como a sociedade trata as pessoas consideradas diferentes.
Esse é a obra prima de Kafka e um dos principais livros da literatura mundial.
Se você quer ler um livro bem diferente e bem escrito, não deixe de ler “A Metamorfose” de Kafka, vai ser exatamente o que esta procurando.

Kafka, Franz: A Metamorfose
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1
1999