O que fazer quando seu pet comer algo errado?

17 fevereiro, 2017 às 00:01  |  por Fabiana Ferreira

 

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Inspirada na minha Bebel, uma poodle comedora insaciável de sacolas plásticas, resolvi escrever sobre o tema. A primeira vez que percebi que ela comeu algo atípico, levei logo ao pronto socorro. Foi examinada, passou por ultrassonografia e não foi possível identificar o que era comida e o que era o objeto estranho. O veterinário pediu para aguardar em jejum e repetir o exame no dia seguinte. A conclusão foi que o saco estava seguindo o destino correto, não tinha enroscado em nenhum órgão e o mais provável é que sairia de forma natural.

Depois de algum tempo, a pequena resolveu comer de novo a tal da sacola. Que gosto! Na segunda e na terceira vez que ela aprontou uma dessas, aprendi a ter calma e observar. Por sorte, descobri que ela virava a lata do lixo reciclável. Nunca se animou em mexer no orgânico. Contando mais uma vez com a sorte, tudo foi eliminado sem necessidade de cirurgia.

Para explicar a gravidade de casos deste tipo, o Papo Pet entrevistou a médica veterinária e professora da PUCPR, Ana Paula Sarraff Lopes.

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- Como proceder no caso de ingestão de objetos? O ideal é levar o paciente ao veterinário. Ele  passará por um exame físico e complementares (como radiografia e ultrassonografia) para tentar detectar o corpo estranho, bem como para acompanhar sua evolução.

- Quais os riscos para cães e gatos? Dependendo do tipo do corpo estranho (material, formato, tamanho…), ele pode sair naturalmente pelas fezes ou vômito ou pode obstruir (“parar”) algum órgão (como esôfago, estômago ou intestino), ou ainda perfurar algum desses órgãos por onde ele passar, caso ele seja o pontiagudo ou irregular (como palitos, agulhas ou ossos por exemplo).

- Caso não seja possível levar ao veterinário imediatamente como avaliar que o animal está bem? O indicado é observar o animal no dia a dia e não se deve provocar vômito, pois o corpo estranho pode lesar a mucosa do estômago e/ou esôfago ou perfurar esses órgãos. Deve-se acompanhar se o corpo estranho vai sair nas fezes ou no vômito. Se ele obstruir o esôfago o paciente vai salivar muito e não conseguirá deglutir e se obstruir o estômago e/ou intestino pode vomitar, ficar apático e prostrado e parar de se alimentar.

- Existe diferença nesses casos entre cães e gatos? Os cães são mais predispostos a corpos estranhos do que os gatos e são mais frequentes nos filhotes, pelo fato de eles serem brincalhões e morderem diferentes objetos para diversão. Nos gatos detecta-se com maior frequência os corpos estranhos “lineares” (fios, lãs, barbantes…), pois eles têm hábito de brincar com esses tipos de objetos. Muitas vezes esses corpos estranhos lineares ficam presos na base da língua do paciente e vão pregueando o intestino. Quando isso ocorre observa-se uma imagem característica na radiografia do abdômen, de pregueamento dos segmentos intestinais envolvidos, sugerindo que o corpo estranho seja linear.

- Se não for expelido de forma natural, como é a cirurgia? O objeto pode sair naturalmente nas fezes, causar obstrução esofágica, estomacal ou intestinal ou causar perfuração em algum desses órgãos levando à peritonite (inflamação da cavidade abdominal). Se o corpo estranho estiver localizado no esôfago ou estômago pode-se optar pela endoscopia, o tratamento menos invasivo. Se não for possível ou não houver disponibilidade em se realizar a endoscopia, pode-se fazer a cirurgia tradicional, na qual se acessa o órgão comprometido removendo-se o corpo estranho.

 

 

Medicina Veterinária da PUCPR é o máximo

14 fevereiro, 2017 às 17:59  |  por Fabiana Ferreira

Uma comissão de avaliadores do Ministério da Educação e Cultura (MEC) fez uma visita no início de fevereiro à PUCPR para avaliar e fazer o reconhecimento do curso de Medicina Veterinária, em Curitiba. A infraestrutura, o corpo docente e o projeto pedagógico,  passaram por uma criteriosa avaliação. A Universidade recebeu a informação na sexta-feira (10) que após o estudo, o curso obteve a nota máxima, conceito 5.

O curso, que integra a Escola de Ciências da Vida da Universidade, inaugurou no ano passado umas das melhores estruturas de atendimento clínico para animais de estimação na capital paranaense. Fator muito importante na avaliação conceito máximo do MEC. Leia mais sobre a Clínica Escola

Será que os pets sentem amor e saudades?

20 janeiro, 2017 às 09:01  |  por Fabiana Ferreira

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Será que os pets sentem amor e saudades?

Tem gente que acha que cães e gatos não se envolvem emocionalmente com os seres humanos. Não sentem amor nem saudades. Eles apenas esperam algo que supra as suas necessidades. Ganhar um petisco, passear, brincar e por aí vai. Mas pra quem tem um bichinho essa história não é bem assim. A coluna ouviu o zootecnista Paulo Parreira, professor da PUCPR, e especialista em comportamento de animais de estimação para esclarecer esse assunto. Afinal de contas, os pets sentem saudades?

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Acredita que cães e gatos desenvolvam uma relação emocional pelo tutor ou por alguém mais próximo?  Sim, acredito profundamente que os animais desenvolvem laços emocionais com seus tutores. O luto, por exemplo, é um comportamento amplamente verificado e observado em várias espécies animais. A “saudade”, por assim dizer, será também sentida pelos animais. Não com a mesma profundidade, intensidade e discernimento dos humanos, mas em muitos casos com os mesmos efeitos (insônia, apatia, falta de apetite, etc.)

A ausência repentina de uma pessoa próxima a um cachorro pode causar sofrimento? Esta mudança está ligada a presença física daquela pessoa ou às atividades que ambos faziam juntos? Quanto mais próxima for a pessoa que se ausentou, maiores as chances do animal sofrer com a ausência. A mudança está diretamente ligada à presença e também à rotina e laços desenvolvidos entre os dois.

Essa situação em relação aos gatos é diferente? Eles realmente têm uma relação maior com o ambiente? Não. Isto é uma “lenda urbana” muito difundida. Os gatos se relacionam muito bem com os humanos e sentem sua falta, tanto quanto os cães.

Os cães se acostumam com uma rotina diária? No caso de animais que estejam acostumados a sempre ter companhia ou passear muitas vezes ao dia podem sofrer com uma mudança? Sim. Os cães se acostumam facilmente com a rotina (por mais maluca que seja) ou com a falta dela. Caso estejam acostumados com passeios e brincadeiras, a falta destes estímulos positivos pode causar problemas comportamentais.

De que forma esta ausência é demonstrada no comportamento do animal? São diversas maneiras. As mais comuns: vocalização e agitação excessivas; destruição de objetos; urina e fezes em locais errados; desânimo e prostração (o animal não tem vontade de brincar e se mostra apático); falta ou excesso de apetite (os extremos podem ser sinais de que algo está errado).

É possível acostumar um cachorro a passar o dia sozinho, sem sofrer com a ausência de companhia? Sim, o animal pode e deve ser acostumado desde cedo, a passar longos períodos sozinho. Obviamente que o cão, como animal gregário, se adapta melhor à locais onde não fique muito tempo sozinho, mas é possível sim acostumá-lo à esta situação se a rotina da casa for esta. No caso de famílias que buscam outros cães para fazerem companhia para o animal atual, o importante é avaliar com a ajuda de um profissional qual a melhor raça e se realmente a situação permite a introdução de um novo cão ou animal. Caso a rotina da família ou indivíduo seja de muitas horas fora de casa, provavelmente um cão não se adaptará à esta situação. Esta questão deverá ser analisada com a ajuda profissional.

Mudar um hábito de um cachorro idoso, acima dos sete, é uma tarefa mais difícil do que em cães mais jovens? Assim como nós humanos, quanto mais envelhecemos, mais dificilmente abandonaremos velhos hábitos. Com certeza mudanças bruscas e repentinas de rotina, afetarão os animais idosos, principalmente se estes tiverem algum problema de saúde crônico.

 

De Santa Felicidade para a Mooca, a história do Snoppy

16 dezembro, 2016 às 10:47  |  por Fabiana Ferreira

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O cocker da foto apareceu na casa da Marta no bairro de Santa Felicidade no dia da vitória do Palmeiras no Campeonato Brasileiro de Futebol. A barulhada foi grande no bairro que concentra muitos italianos, em Curitiba. Por sorte, o cachorro foi encontrado por uma família apaixonada por bichos.

Após ter sido recolhido, entalado em uma grade do portão, ele ganhou um abrigo temporário e check-up veterinário. Um probleminha no olho. Logo tratado. E daí teve início a procura pelos tutores via redes sociais. Alguns dias se passaram e nada da família responsável aparecer. Em seguida, diante de toda a fofura e semelhança com um cachorro que teve da mesma raça, a prima da Marta resolveu adotá-lo. Pronto. Ele já estava com a passagem garantida para outro bairro italiano, na Mooca, em São Paulo.

Foi então que depois de uns dias da definição sobre o adotante, numa postagem em um site de cães desaparecidos, que a família do cocker apareceu. E para surpresa e indignação de todos que conviveram com o cachorro, a antiga família optou por não pegá-lo de volta. Aos dez anos de vida, com boa saúde, não houve mais interesse pelo animal. Sorte a dele.

Soube-se que o Snoopy, como era chamado, não vivia mais com a primeira tutora, pois a mesma teve que se mudar para um condomínio, que segundo ela não permitia animais. Foi assim que o bichinho foi parar em Santa Felicidade. Sem ter a atenção e o amor necessário que deve ser dado a um animal de estimação.

Por sorte, o Palmeiras ganhou. O Snoopy se assustou com a barulhada e agora tem a chance de passar o resto da vida com quem realmente vai amá-lo e cuidá-lo. A expectativa de vida dos cães têm aumentado. Para alguns, isso se tornou um problema. Outro dia me perguntaram se eu estaria preparada para conviver pelos próximos 10 anos com a minha cachorra. É claro que sim! Não estou preparada para viver com ela menos que isto. Ter um animal de estimação requer além de muito amor, tempo e paciência para os cuidados, principalmente, na velhice.

 

Curitiba ganha Clínica Escola com atendimento para animais silvestres

18 novembro, 2016 às 10:49  |  por Fabiana Ferreira

 

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Os tutores de animais silvestres agora terão mais um lugar para levar seus pets em Curitiba. A Clínica Veterinária Escola da PUCPR, localizada na Rua Rockfeller, 1311, Rebouças, conta com o atendimento especializado também para esses bichinhos. Entre os animais de estimação que poderão ser atendidos, estão aves em geral, repteis e pequenos mamíferos como coelhos, porquinhos-da-índia e ferrets.

A nova estrutura para o atendimento de animais de estimação (cães e gatos), inaugurada oficialmente neste mês, conta com cerca de 2 mil m² e atenderá 15 especialidades. Com uma capacidade de atendimento de cerca de 40 animais por dia, a Clínica dará continuidade ao atendimento veterinário antes realizado pela Universidade em São José dos Pinhais. Entre as especialidades estão:  Ortopedia, Neurologia, Dermatologia, Oncologia, Odontologia, Cardiologia e Nefrologia, além de Cirurgia Ortopédica e Oncológica.

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Estrutura - A Clínica tem duas salas cirúrgicas, duas salas pré-operatórias e duas pós-operatórias, central de esterilização e sala de Odontologia. Conta com quatro consultórios, um consultório de emergência, Setor de Imagem (raio X, ultrassom e sala de laudos), Quimioterapia, sala de coleta, nutrição, isolamento e laboratório multiuso, internamento para cães e gatos, depósitos de medicamentos e ala cirúrgica. Além disso, a Clínica tem três laboratórios: de patologia clínica, microbiologia e anatomopatologia.

Recesso: devido ao período de férias acadêmico, o local fechará de 2/12/2016 a 27/1/2017. O serviço volta às atividades no dia 30/01. A partir do dia 24/01, as consultas já poderão ser agendadas. A marcação de consultas, exceto atendimentos de emergência/urgência, deverão ser feitas exclusivamente pelo telefone: (41) 3207-3273, somente às terças-feiras, das 14h às 18h.   Preços sob consulta.

Mais informações: por email clinicaveterinariaescola@pucpr.br

Conheça a família pet de Bruno Gagliasso

3 novembro, 2016 às 16:06  |  por Fabiana Ferreira

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O ator Bruno Gagliasso foi escolhido para protagonizar a nova campanha de Simparic, o lançamento da Zoetis – companhia global de saúde animal – para combate aos carrapatos, pulgas e sarnas. Ao lado de Bruno estão seus cinco melhores amigos – Zeca, Menina, Johnny, Peste e Favela.

De acordo com a gerente de marketing da Unidade de Negócios de Animais de Companhia da Zoetis, Simone Blay Leiderman, o ator foi escolhido por ser reconhecido nacionalmente pelo amor incondicional aos seus cães, e inclusive já protagonizou outra campanha da Zoetis. “O

Bruno tem uma relação de muito carinho com seus cachorros e faz questão de oferecer o que há de melhor para eles. Por isso, o ator foi escolhido para representar nossa campanha da vacina Vanguard – que ele usa nos cinco cachorros – e o resultado foi um sucesso. A Zoetis e o Bruno compartilham dos mesmos valores de respeito e responsabilidade em relação à saúde dos animais.”

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Simparic é um novo ectoparasiticida administrado em comprimidos palatáveis para cães, que elimina carrapatos, pulgas e três tipos de sarna. É indicado para animais a partir de 1,3 kg e pode ser dado a cães a partir de oito semanas de idade. O produto é rápido: age já nas três primeiras horas no combate a pulgas e em oito horas na eliminação dos carrapatos, exterminando completamente esses parasitas e mantendo altissíma eficácia desde o início até o 35º dia.

Conheça os “filhos” de quatro patas de Bruno Gagliasso

Zeca: É um golden retriever simpático e muito apegado ao ator. Dorme na cama com ele, adora a piscina e nada sempre que tem vontade. 

Favela: O bichinho ganhou este nome por ter sido resgatado pela atriz e esposa do ator, Giovanna Ewbank, na noite de Natal. Sem raça definida, Favela apareceu em um ponto de ônibus perto do Projac e chamou a atenção do casal, que apaixonou-se pelo cão e sua carinha engraçada e decidiu adotá-lo.

Peste: É quem tem mais idade na matilha. Da raça  labrador estava numa casa que foi alugada pelo ator. Quando o proprietário fez menção de retirar o cachorro da casa, Bruno não só fez questão de manter Peste na casa como acabou adotando-o.

Menina: A cane corso chegou à casa ainda filhote, presente do ator e apresentador André Marques. Também chamada de Nina, é grande, forte e elegante.

Johnny: É um cão da raça Boxer muito bem treinado e educado. Durante durante as gravações e fotos para a campanha, comportou-se de maneira muito elegante e mostrou toda sua habilidade em responder aos comandos do ator.

 

Congresso aborda Direito dos Animais

24 setembro, 2016 às 00:01  |  por Fabiana Ferreira

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O V Congresso Mundial de Bioética e Direito dos Animais acontece de 26 a 28 de outubro, na sede da OABPR, em Curitiba. Promovido pelo Instituto Abolicionista Animal, o objetivo do encontro é ampliar o debate e abrir espaço para a troca de conhecimento. Serão abordados temas como o Ativismo Animal no Brasil, Direitos dos Animais em diferentes países, Crimes ambientais e a atuação do Ministério Público frente às questões do direito do animal, entre outros. A inscrição custa R$ 200,00 até o dia 25/10 ou R$ 250,00 no início do Congresso. Acesse oabpr.org.br/eventos

Realizado em parceria com o programa de Pós-graduação da Universidade Federal da Bahia, até o dia 25 de setembro estarão avaliando os trabalhos e teses enviados pelos acadêmicos, abordando o tema “A Valorização do Paradigma Biocêntrico na Esfera do Direito”. Os selecionados poderão apresentar suas teses no Congresso. Os interessados devem enviar seus trabalhos para o e-mail trabalhos.cmbda@gmail.com

Pets abençoados na PUCPR

23 setembro, 2016 às 17:16  |  por Fabiana Ferreira

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No próximo 4 de outubro é comemorado o Dia de São Francisco de Assis, protetor dos animais. A PUCPR promove nesta data a Bênção dos Animais de Estimação. Das 10 às 15h, os padres da paróquia da Universidade irão abençoar os pets no pátio que fica em frente à capela do Câmpus Curitiba, no Prado Velho. Os estudantes e professores do curso de Medicina Veterinária estarão à disposição para realizar avaliação clínica dos animais.

O Papa Francisco, inspirado pelo Santo que viveu no século XIII, publicou a sua 1° encíclica com o nome Laudato Si, expressão em Italiano que significa Louvado Seja. Na carta, que remete ao cântico escrito por São Francisco de Assis para exaltar todas as criaturas do planeta, Papa Francisco teve a intenção de mostrar uma igreja de comunhão, que engloba todo o universo na perspectiva da criação.

 

No texto, o Papa questiona como a humanidade está interagindo com o planeta. Utiliza o termo ecologia integral para designar uma compreensão de mundo em que todo o ser vivo é entendido como criação divina e, por isso, digno de respeito e cuidado.

Não esqueça – importante levar saquinhos plásticos para recolher as fezes dos animais, bem como o uso de coleira nos cães e, de focinheira para aqueles que é exigido.

O cachorro de Schopenhauer e a defesa dos animais

27 abril, 2016 às 18:02  |  por Fabiana Ferreira

O Papo Pet conta nesta semana com um texto especialmente produzido para o Blog pelo filósofo Jelson Oliveira, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR, autor do Coleção Sabedoria Prática e co-autor do livro Diálogo sobre o Tempo.  

Para Schopenhauer, o caráter de um ser humano se conhece pela sua capacidade de ser bom com os animais – e o contrário também seria verdadeiro: quem maltrata um animal não pode ser uma pessoa bondosa e de bom caráter.

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Não foram poucos os filósofos que se dedicaram à questão do animal. No geral, os interesses são de dois tipos: um mais teórico e outro mais prático. Na primeira perspectiva, aparecem questões como a diferença entre humanos e animais e o terrível paradoxo da impossibilidade de conhecermos o animal por ele mesmo, como se animalidade fosse um círculo impenetrável. Na segunda, despontam questões de cunho político e ético que dizem respeito ao que hoje chamamos de direitos dos animais.

Poucos pensadores articularam as duas questões de forma tão convincente quanto o alemão Arthur Schopenhauer. Para ele, a vida de todos os seres é marcada pelo sofrimento derivado de um egoísmo natural que o filósofo chama de Vontade. Essa força cega e insaciável seria, para ele, o fundo de toda realidade e estaria presente também em todos os animais na forma de desejo e carência. A Vontade crava as unhas na própria carne e faz de nossas vidas capítulos infindáveis de dores e sofrimentos. Schopenhauer nos conduz a um terreno de puro pessimismo: a Vontade é uma espécie de pêndulo entre a dor e o tédio e ela faz do sofrimento, o núcleo mais íntimo de todos os seres.

Porque a dor transpassa tudo o que vive, ela se torna o elo de ligação entre nós e os animais. Mas também é ela que nos torna capazes de entender o apelo dos animais e dirigir a eles a nossa compaixão. Para Schopenhauer o animal não está preso em um círculo fechado e inacessível. Ao contrário, porque sua dor é a mesma sentida por todos os seres humanos, estes estamos obrigados a proteger e garantir que os animais não sofram – porque o homem sabe o quão terrível e indesejável é sofrer. Compadecer-se é adentrar no círculo existencial do outro através da partilha da dor e, uma vez aí, ser capaz de suspender os próprios interesses (talvez até relativizar a própria dor) em função da dor do outro, colocando-se em gesto de ajuda. A compaixão nasce da certeza de que “sofremos COM ele [o animal], portanto EM sua pessoa”.

O que fazemos, contudo? Schopenhauer acredita que o homem é o ser mais maldoso entre os animais, porque ele é o único capaz de incutir dor de forma proposital e de maltratar por maltratar. E porque é assim, o homem precisa da moral e da lei, capazes de orientar as suas ações para a compaixão, que se torna o princípio central de sua proposta ética. Para Schopenhauer, o caráter de um ser humano se conhece pela sua capacidade de ser bom com os animais – e o contrário também seria verdadeiro: quem maltrata um animal não pode ser uma pessoa bondosa e de bom caráter.

Com suas ideias, Schopenhauer se fez um precursor da ética animal. Essas “almas flageladas” que rondam pelo mundo, aprisionados em estreitas celas para alimentação humana ou estendidas em mesas de vivissecção para o bem da ciência, emitem um apelo para o qual os seres humanos não podem ficar indiferentes.

Na prática, Schopenhauer teve forte interesse pelas sociedades protetoras dos animais que acabavam de surgir no seu tempo (o século XIX), a partir da Inglaterra. Teria se alegrado com notícias relativas à punição dos agressores de cães e de cavalos, sob a vergonha pública da nova lei inglesa. Mais de um século depois, o flagelo dos animais continua comprovando que, de fato, o ser humano pode ser o mais cruel entre os bichos. Chamado por Nietzsche de “o cavaleiro solitário”, consta que Schopenhauer vivia na companhia de um cão, cujo sugestivo nome era Atma (alma do mundo). Ele e seu cachorro lançaram, desde seu tempo e seu lugar, um desafio que ainda é nosso e que mobiliza cada vez mais gente ao redor do mundo.

 * Confira outros textos do filósofo em seu blog com J e no Bem Paraná em suas participações no blog  Maluco Beleza  

PUCPR cadastra cães com lesão em medula espinhal para pesquisa com células-tronco

26 abril, 2016 às 17:04  |  por Fabiana Ferreira

Avaliações acontecem na quinta, 05 de maio. É necessário cadastro preliminar 

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 Objetivo é verificar se haverá recuperação da sensibilidade, motricidade e controle da micção após transplantes de células-tronco.

O Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da PUCPR está cadastrando cães com paraplegia (paralisia das patas traseiras), perda da sensibilidade e do controle da micção (emissão de urina), decorrentes de hérnia de disco ou fratura vertebral. O objetivo é verificar se os animais recuperarão, após transplantes de células-tronco, a motricidade, a sensibilidade e o controle da micção.

Cadastramento de cães

A partir do dia 26 de abril, a PUCPR realizará avaliações neurológicas em cães com paraplegia. Os interessados em cadastrar os animais da pesquisa devem entrar em contato pelo telefone 41. 3271-2094 (com Letícia ou Felipe) ou pelo e-mail jose.villanova@pucpr.br, informando o nome do tutor do animal, telefone para contato e um relato do problema apresentado pelo bichinho. Nesse momento, apenas cães serão cadastrados.

Avaliação

A primeira avaliação clínica dos animais cadastrados acontecerá no dia 05 de maio (quinta-feira), às 14h, no laboratório do curso de Medicina Veterinária da PUCPR, na Rua Rockfeller, 1311 – Rebouças. Por se tratar de um projeto de pesquisa, nenhum procedimento será cobrado.

Saiba mais:

De acordo com os coordenadores da pesquisa, José Ademar Villanova Junior e Carmen Lúcia Kunyoshi Rebelatto, os problemas neurológicos são muito frequentes e muitas vezes deixam graves sequelas. “Os tratamentos tradicionais incluem o uso de anti-inflamatórios e procedimentos cirúrgicos. Neste estudo avaliaremos os efeitos do uso de células-tronco. O diagnóstico das lesões será por exames neurológicos e de imagem”, explica Villanova.

Serão utilizadas células-tronco adultas extraídas do tecido adiposo (gordura) de cães que participaram da campanha de castração promovida pelo Hospital Veterinário da PUCPR em 2015 (mediante a autorização de seus proprietários). Portanto, o tratamento é com células-tronco alógenas, quando são da mesma espécie do transplantado, mas não do mesmo indivíduo que as recebe. Para verificar a recuperação da continência urinária, serão realizados testes urodinâmicos, que servem para aferir a capacidade de preenchimento e esvaziamento da bexiga urinária. Sensibilidade e motricidade serão avaliados por exames neurológicos e de eletroneuromiografia.

A hérnia de disco intervertebral mais frequente em cães é a do tipo I de Hansen, ela se caracteriza pelo deslocamento do material interno do disco intervertebral (núcleo pulposo) para dentro do canal vertebral, aonde se encontra a medula espinhal que possui fibras motoras e sensitivas, similar a uma fiação elétrica. “Se algo comprime esta fiação o comando ou captação de sinais fica prejudicado ou deixa de existir, causando paraplegia (perda da motricidade nas patas traseiras), perda da percepção dolorosa e do controle da micção”, complementa o coordenador da pesquisa.

Considerada uma doença neurológica bastante comum em cães, a hérnia de disco atinge principalmente a região toracolombar da coluna vertebral, e é mais frequente nas raças Dachshund, Lhasa Apso, Maltês e Shih Tzu. Eles são mais suscetíveis por apresentarem a coluna vertebral proporcionalmente mais longa em relação aos membros (braços e pernas). Dentre essas raças, a Dachshund é a mais propensa. Estudos apontam que 20% desses animais têm, tiveram ou terão hérnia de disco. A idade em que a doença mais aparece é entre os 3 e 6 anos. Pesquisas também mostram que 27% dos cães que já tiveram hérnia de disco terão novamente entre seis meses a dois anos da primeira ocorrência.

Em 2014, o mesmo grupo de pesquisa realizou estudo de células-tronco com ratos paraplégicos e o resultado foi a recuperação parcial dos movimentos e do controle urinário. O estudo foi realizado em 63 ratos divididos em três grupos. A análise dos resultados demonstrou que 66,6% dos ratos que receberam apenas células-tronco tiveram melhora no controle urinário, e 23,8% dos ratos recuperaram parcialmente os movimentos. Foi possível afirmar por este estudo que as células-tronco apresentaram efeitos benéficos na recuperação de ratos com incontinência urinária e perda total de movimentos em membros inferiores/pélvicos, porque os ratos do grupo controle (que não receberam as células-tronco) não apresentaram nenhuma melhora clínica.