Corujas, macacos e papagaios. O que eles têm em comum?

17 outubro, 2014 às 18:06  |  por Fabiana Ferreira

 Crédito: Vivian Lemos

Imagine alguém querer ter em casa uma coruja. De verdade. Viva. Parece estranho, mas existe quem ouse esta extravagância. Macaco-prego também entra nesta lista de desejos esdrúxulos. Animais silvestres viraram moda, agora são pets, e em muitos casos para satisfazer esta necessidade tão indispensável ao ser humano, um grupo de consumistas ajuda a financiar o tráfico de animais. Tem também quem o faça de forma legal. Com licença ambiental. Nestes casos, por desconhecimento da espécie comprada e falta de jeito para lidar com o bicho, o abandono, muitas vezes, torna-se a forma mais viável de se livrar do problema.  Casos de papagaios e tartarugas tigres-dágua. Esta última, são aquelas pequenininhas vendidas para aquário, costumam crescer mais do que o esperado.

Não bastam cães e gatos. Tão comuns. Que sem graça latidos e miados! A maioria da população já os tem. É preciso algo novo, diferente de um simples animal doméstico. Um dos efeitos colaterais de tal exagero consumista é consequência mais cruel para um animal e até mesmo para um ser humano. A privação de liberdade. A impossibilidade de viver para sempre em seu habitat natural.

Em Tijucas do Sul, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado na Região Metropolitana de Curitiba, é uma amostra deste desejo desenfreado. Atualmente, a lotação é de 1800 animais. Entre aves, macacos, veados, tartarugas e outras espécies. A maioria vítima do comércio ilegal, outra grande parte do abandono e maus-tratos. Em menor quantidade, animais que foram encontrados na mata, filhotes sem família ou vítimas de atropelamento.

Mantido pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o centro é único no Paraná, recebe quase que diariamente, por meio do Ibama ou da Polícia Militar Ambiental do Estado  centenas de aves apreendidas em nossas estradas. Elas são confinadas em minúsculas caixas sem ventilação. No Cetas, é comum vê-las se recuperando de fraturas nas asas. Traficante não quer saber de bem-estar animal. Muitos casos são de indivíduos reincidentes. A polícia prende. A Justiça solta. E eles voltam a cometer o mesmo crime.

sagui

O carinho e a dedicação de uma das profissionais do Cetas pude ver em uma visita recente. O filhote de sagui é alimentado a cada duas horas na mamadeira pela coordenadora do local, Ana Carolina Fredianelli (na foto). E não pense que durante a madrugada a alimentação é suspensa. O bichinho precisa ser alimentado sem interrupção.

Os profissionais do Cetas se empenham em salvar a vida dos animais e mantê-los de forma que se sintam mais próximos de seu ambiente natural. Inclusive promovem atividades para mantê-los ativos.  Também buscam ao máximo reintroduzi-los à natureza. Mas apesar de todos os esforços, muitos bichos não teriam mínimas chances de sobrevivência. E vivem ali para sempre. Por melhor que sejam tratados, sempre é triste vê-los enjaulados, quando poderiam estar soltos e livres.

papagaio_pirataDepressão – O papagaio Pirata foi adquirido de forma legal. Por algum motivo não se sabe ao certo, estresse talvez, começou a arrancar as próprias penas. A dona não quis saber de acompanhar o tratamento. Hoje, ele vive no Cetas, e deve passar por um tratamento com fitoterapia ou homeopatia. Está na fase de “desmame” quando se retira aos poucos uma medicação alopática, no caso antidepressivos.

Denúncias: o Cetas não está aberto à visitação e não recolhe animais. Ao ter conhecimento  de um animal silvestre machucado ou em situação de maus-tratos ou abandono – tipo araras, tucanos, papagaios, capivaras, jacarés ou comércio ilegal ligue para o Batalhão da Polícia Militar Ambiental, em São José dos Pinhais: (41) 3299-1350.

Os cães e o Ebola

14 outubro, 2014 às 17:03  |  por Fabiana Ferreira

Hoje reproduzo artigo do médico veterinário Marcelo Quinzani que trata sobre o Ebola e os cães. Fiquei indignada na semana passada com a as autoridades espanholas que eutanaziaram um cachorro que teve contato com uma enfermeira infectada com o vírus.

O animal foi retirado de sua casa enquanto seus donos permaneciam em quarentena no hospital. A mesma atitude deveria ser tomada em relação ao animal. Não matá-lo simplesmente como forma de prevenção. Mesmo com os apelos do marido da enfermeira, a mobilização nas redes sociais e de manifestantes no endereço onde o casal morava, a polícia não teve dó.

A doença  Ebola e os cães   

ebola_divulgacao

Nesta semana tivemos contato com a primeira notícia sobre um cão supostamente infectado com o vírus Ebola. O caso aconteceu na Espanha, onde um animal de propriedade de uma enfermeira espanhola com a doença teve que ser eutanasiado, causando muita consternação e preocupação com a possibilidade de animais domésticos participarem da disseminação do vírus. Como se trata de uma doença emergente, há muitas dúvidas, que podem gerar medo e medidas precipitadas. A desinformação é o maior perigo na disseminação da maioria das doenças.

Existe uma preocupação com os cães e outros animais domésticos no papel de transmissores do vírus, mas somente em regiões endêmicas da África. No atual cenário mundial da doença, a probabilidade de um cão fora da África, inclusive no Brasil, transmitir o vírus é muito remota, pois existiria a necessidade de contato direto com pessoas infectadas ou com sintomas do Ebola.

Apesar de existirem evidências de que os cães podem ser infectados, não há nenhum indício de que eles possam desenvolver a doença. Segundo pesquisadores da Universidade de Guelph, em Ontario (Canadá), um estudo com cães em uma comunidade na África, onde um surto do vírus Ebola estava em andamento, 27% dos cães saudáveis tinham anticorpos séricos contra o vírus (ou seja, tiveram contato com o vírus Ebola), mas nenhum tinha o vírus detectável em circulação.

Sinais de exposição ao vírus não surpreendem, pois o contato dos cães com os humanos é muito íntimo e provavelmente um cão de uma pessoa com Ebola tenha contato direto com secreções corpóreas contendo o vírus. Mas independentemente do fato de cães terem sido expostos à doença, não há atualmente nenhuma evidência de que animais infectados podem disseminá-la.

No caso muito improvável de um cão de estimação brasileiro ter contato com uma pessoa com suspeita de Ebola, os serviços públicos de saúde, incluindo veterinários, devem investigar todos os contactantes e isolar esse animal em quarentena. Acreditamos que esforços coordenados estão em andamento para desenvolver orientações para a gestão dos cães expostos a indivíduos com infecção pelo vírus Ebola em todo o mundo.

A falta de informação sobre a contaminação de cães pelo vírus torna difícil o desenvolvimento de práticas baseadas em evidências. No entanto, dada a informação disponível sobre o vírus Ebola em cães, recomendações podem ser desenvolvidas para o evento, mesmo diante da baixa probabilidade de que cães ou outros animais de estimação expostos à doença sejam, a partir daí, uma fonte de preocupação no controle e disseminação da mesma. Mesmo assim, preocupações sobre cães e vírus Ebola não podem ser descartadas e muito menos subestimadas. Elas devem fazer parte de todos os esforços para promover o controle da doença e conter sua disseminação entre os continentes.

*Marcelo Quinzani é médico veterinário e diretor clínico do Hospital Veterinário Pet Care de São Paulo.

 

Caminhada em defesa dos animais e benção neste sábado (4)

3 outubro, 2014 às 16:27  |  por Fabiana Ferreira

Amanhã (4/10) é Dia de São Francisco de Assis, santo protetor dos animais. Para comemorar a data será realizada em Curitiba uma manifestação a partir das 14 horas. A concentração será na Praça do Japão. Está prevista a benção dos animais às 14h30. Será feita uma caminhada até a Boca Maldita.

caminhada_protecao

O movimento organizado por protetoras independentes quer chamar a atenção das autoridades para a investigação de caso de maus-tratos por empresas paranaenses. As protetoras denunciam que motoristas atropelaram cães de rua e não prestaram socorro. Os animais, são três cães muito machucados, estão sob os cuidados das protetoras.

Diria que amanhã também poderia ser comemorado o dia delas, pois aqui na terra podemos considerá-las verdadeiras representantes de São Francisco. E cada vez com mais trabalho.

 

Sábado tem Benção dos Animais

1 outubro, 2014 às 17:35  |  por Fabiana Ferreira

No Dia de São Francisco, sábado (4), acontece a primeira Benção dos Animais na Paróquia Santa Maria Goretti, no Bom Retiro.

Bênçãos dos animais

Leve seu bichinho para ser abençoado das 09h às 12h e das 14h às 16h. A Igreja fica na Rua Cel. João Guilherme Guimarães, 2000, próximo ao Bosque do Alemão.

Neste dia, será realizada missa apenas às 19h. Sem a participação dos bichinhos.

Salva Bicho resgata cães que escaparam de fogueira

9 setembro, 2014 às 12:26  |  por Fabiana Ferreira

A ONG Salva Bicho precisa de ajuda. Resgatou neste fim de semana dois filhotes que viviam na rua e sobreviveram a uma barbárie no Pinheirinho. A mãe dos cachorrinhos e outros cinco cães que viviam na rua foram queimados vivos, segundo a ONG. Cada dia uma notícia pior que a outra nesta cidade.

Para manter estes e outros animais, a Salva Bicho conta com o seu apoio. Precisa entre outras coisas de ração Special Dog.

As doações podem ser feitas nos seguintes bancos:

ITAÚ Ag.1656 – Poup.28060-7/500 – Myrian Ruhle

CEF Caixa Econômica Federal
Ag.0372 operação: 013
Poupança – conta 13396-0 – Myriam Ruhle e/ou Fabiane Rosa

Banco do Brasil – Ag: 6992-2 C/C: 5492-5 – Fabiane D. Cabral da Rosa.

O cachorro do candidato

25 agosto, 2014 às 14:49  |  por Fabiana Ferreira

Antes era criança que político segurava no colo. Agora são os cães. Assisti na sexta-feira, 22, o horário eleitoral. O vereador e candidato a deputado estadual, Prof. Galdino, estava com um cachorro a tiracolo. O animal parece ser um sem raça definida, mas muito fofo, branquinho, de banho tomado e escovado. Isto tudo para mostrar que ele é defensor da causa animal.

Imagina se a moda pega e os defensores dos direitos dos portadores de deficiência física resolvem posar ao lado de cadeirantes? Ou se um defensor do meio ambiente decidi ficar agarrado a uma árvore?

Na página do Facebook lá está o Galdino cercado de cães e em uma das fotos com uma espécie de maltês no colo (foto abaixo). Outro cachorro branquinho e escovado. Já não convence. Cadê o vira-lata, sujo, sarnento, candidato? Foto com poodle publico eu.

Já no site do candidato, além da tradicional bicicleta consta uma imagem de um cachorro pulando em volta dele. O vereador realmente destinou R$ 500 mil por emenda orçamentária para o município em prol da causa animal. Confirmei a informação com a Rede de Proteção Animal de Curitiba. Proposta expressiva se levarmos em conta a proposição de bebedouros em lugares públicos e a permissão para enterrar o animal de estimação no túmulo da família. Estes dois últimos, nada muito útil para os cães e gatos que vivem nas ruas abandonados, não?

Agora o candidato faz promessa de um hospital público para animais. Ideia genial. Mas precisa explicar como isso sairia do papel e se tornaria uma realidade.

Acho excelente que na Assembleia Legislativa do Paraná tenhamos representantes pensando na causa animal, mas quem vai votar com este interesse sugiro que pesquise minuciosamente a atuação dos políticos. Me parece, em muitos casos, que alguns deles estão se aproveitando deste “nicho” para conseguir a simpatia do eleitor.

 

 

Festa na Bella Guia Treinamento Canino

20 agosto, 2014 às 18:18  |  por Fabiana Ferreira

Agende-se – No sábado, dia 30 de agosto, das 9h às 18h, tem inauguração da sede da Bella Guia Treinamento Canino, no Bacacheri. Aproveitando a data, um evento de adoção de cães e gatos será promovido no local. Além de muitas brincadeiras para a garotada, o mascote Logan, garoto propaganda da Bella Guia, vai demonstrar todos os comandos que aprendeu. Durante a programação, serão sorteadas algumas aulas de adestramento. Quem quiser, pode levar seu cão. Endereço: Rua Costa Rica, 1748.

Marina Silva gosta de cães

18 agosto, 2014 às 19:45  |  por Fabiana Ferreira

Conversei com a Marina Silva quando ela esteve no ano passado, em Curitiba. Ela se diz a favor da garantia dos direitos animais por meio da abolição de todas as formas de crueldade e de políticas públicas para o bem-estar de animais urbanos, selvagens e de uso comercial.

A ex-senadora e ministra do meio ambiente contou que gosta muito de cachorros e um em especial marcou a sua vida. A vira-lata Baronesa, da época em que vivia no seringal no Acre. Marina disse que a cachorra morreu após uma ataque de porco espinho, típico da região.

Agora ela se encanta com dois cães da raça Boxer, Paçoca, de quatro anos, e o filhote Torrone, trazidos pelos filhos para casa em que mora em Brasília.

Estudo pode ser a esperança para o tratamento de cães paraplégicos

15 agosto, 2014 às 11:33  |  por Fabiana Ferreira

Cebolinha Cebolinha usa cadeiras de rodas 

A dachshund Cebolinha após cinco anos de vida perdeu os movimentos das patas. Esta raça também conhecida por “salsicha” tende a apresentar problemas na coluna e consequente perda dos movimentos. Após sete anos sem andar, a cachorra, hoje, aos 12 anos, já se mostra adaptada a uma cadeirinha de rodas. Roda pra lá e pra cá. A bichinha participou de diversos tratamentos, acupuntura e fisioterapia, mas não houve melhora.

Cães com casos semelhantes ao de Cebolinha podem, em breve, participar de um estudo científico que já mostrou resultados satisfatórios com o uso de células-troncos adultas em ratos paraplégicos. A próxima etapa, que deve começar em outubro de 2014, é a aplicação de células-tronco em cães paraplégicos.

Um dia, quem sabe, em outra fase, este mesmo estudo possa ser a esperança para seres humanos. Mais isto ainda pode levar de cinco a dez anos. De qualquer forma, para quem tem cães com problemas de locomoção e incontinência urinária, surge uma esperança na recuperação de seus pets. Por se tratar de um estudo científico, não é garantido que o animal recupere os movimentos após o término dos testes. Mas, se eu tivesse um cachorro nestas condições, com certeza apostaria nesta alternativa. Espero não precisar nunca. Mas me anima ver os avanços nesta área tanto para os animais quanto para seres humanos.

Entenda - O Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUCPR e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFPR desenvolveram, em parceria, uma pesquisa com células-tronco humanas aplicadas em ratos totalmente paraplégicos e o resultado foi a recuperação parcial dos movimentos e do controle urinário. As células utilizadas foram células-tronco mesenquimais adultas proveniente de tecido adiposo. Os experimentos aconteceram no Núcleo de Tecnologia Celular da PUCPR.

Foto2_Pesquisadores

O estudo, que teve início em 2011, foi conduzido pelos pesquisadores Jose Ademar Villanova Junior e Letícia Fracaro (na foto), com orientação dos pesquisadores da PUCPR Paulo Roberto Slud Brofman e Carmen Lúcia Kuniyoshi Rebelatto e da pesquisadora da UFPR Rosangela Locatelli Dittrich.

Para participar: a partir de outubro, os pesquisadores darão início às aplicações de células-tronco em caninos. Nesta etapa, o estudo irá atender cerca de 20 cães.

Para participar do programa, os interessados devem enviar por e-mail algumas informações. Os inscritos passarão por uma triagem.

Os critérios para participar: cães paraplégicos e com incontinência urinária.

O e-mail deve ser enviado à Gisele Possebon (gisele.possebon@hospitalcajuru.com.br) com as seguintes informações: nome, telefone, e-mail, raça, idade e qual o problema do animal.

Atenção: a inscrição não garante a participação. Os pesquisadores irão fazer uma análise para avaliar se o cão tem condições de integrar o estudo.