Arquivos da categoria: As Protetoras

Almofadas pet sob encomenda

24 maio, 2013 às 17:33  |  por Fabiana Ferreira

 

A Dany Rocha é protetora independente lá de Pinhais. Cada dia tem uma novidade para arrecadar fundos e continuar ajudando cães e gatos abandonados no município. Confira a história dela.

As almofadas são fofas e custam R$ 40. São várias estampas de cães e gatos. Para encomendar entre em contato pelo email: danyrocha.80@hotmail.com

 

Parabéns, protetoras!

8 março, 2013 às 08:00  |  por Fabiana Ferreira

Gostaria de parabenizar nesta data, Dia Internacional da Mulher, todas as protetoras que atuam na causa animal. Sim, elas são a maioria aqui em Curitiba e em qualquer lugar do mundo. E graças a estas defensoras sensíveis e corajosas, a cada dia os nossos animais ganham mais importância na nossa sociedade.

Pelo blog, já tive a oportunidade de contar um pouquinho da história de algumas delas. Mas não teria como citar todas que atuam brilhantemente em defesa dos animais. Escolhi a maravilhosa Brigitte Bardot para representá-las. A ela, é atribuída a seguinte declaração: “Eu dei minha beleza e minha juventude aos homens. Vou dar a minha sabedoria e experiência aos animais”.

A atriz francesa despediu-se das telas em 1973 e até hoje se dedica a causa animal em sua Fundação Brigitte Bardot.

Salva Bicho em ação!

25 junho, 2012 às 10:14  |  por Fabiana Ferreira

Proteção Animal já tem representante nas eleições em Curitiba

Hoje conto um pouco do trabalho de duas protetoras independentes de Curitiba. Fabiane Rosa (na foto acima) e Dani Navarro se uniram após anos na luta pela Proteção Animal para a criação do Projeto Salva Bicho. As duas resolveram se organizar para ganhar força e colocar em prática com mais efetividade o resgate de cães e gatos abandonados. O lema é resgatar – castrar – adotar.  

Quem acompanha os relatos das protetoras por meio do Facebook sabe que elas realmente se envolvem de corpo e alma para salvar os animais. Isto é, resgatam, levam ao veterinário, castram e providenciam uma nova família para eles. Além de pagar a conta, é claro. Trabalho árduo. Caro e desgastante.

 A Fabiane, professora há 19 anos, é candidata ao cargo de vereadora (PTB), em Curitiba. “Considero fundamental que alguém que conheça o dia a dia dos protetores ocupe um cargo no legislativo. Que tenha condições de representar e ser a voz dos animais” diz.

Eu concordo. Já escrevi sobre isto em O candidato dos bichos. Confira o post

Espero que outros candidatos se declarem defensores dos animais e aumentem as chances de representação política para esta minoria. Só poderemos ser uma capital ecológica quando houver equilíbrio em nossa sociedade.

Papo Pet: Desde quando surgiu o interesse por ajudar os animais?

Fabiane Rosa: Sempre gostei de animais, há uns seis anos resgatei a primeira ninhada, que deixei escondida numa caixa de madeira de uma banheira de hidromassagem, na casa de um amigo. Mas foi quando tirei o meu Benjamin da rua, no dia 9 de fevereiro de 2009, que descobri que esta era a minha missão.

Papo Pet- Tem quantos animais em casa?

Fabiane - Atualmente, tenho cinco. Dois que já eram meus e uma mãezinha que resgatei prenha no dia 28 de março e que teve dois filhotinhos no dia 18 de maio.

Papo Pet – Resgata algum tipo de animal específico? Doentes, machucados idosos, prenhas, filhotes.

Fabiane - Sou protetora de VIDAS, mas a maioria das vezes faço resgates de cachorros em situação de risco, machucados ou que estejam precisando de atendimento emergencial.

Papo Pet – Como faz para arcar com despesas veterinárias, etc?

Primeiro fazemos o atendimento priorizando a vida do animal, depois para pagar as despesas fazemos campanhas no Facebook, rifas, bingos, cafés, enfim, mobilizamos nossa rede de contatos pedindo ajuda.

Papo Pet- De onde surgiu a ideia do Salva Bicho?

Fabiane – Surgiu da necessidade de ter um coletivo organizado com o objetivo de arrecadar fundos para resgates emergenciais e manutenção dos animais resgatados até a adoção. Quem teve a ideia foi uma amiga Sema Vedovatto, que mora na Lapa, e diariamente acompanha nossa luta pedindo doações.

Papo Pet- O que espera com ele?

Fabiane – Somos um coletivo de protetoras independentes e simpatizantes, que cientes da gravidade do problema resolveu atuar na proteção animal desenvolvendo ações de resgate, abrigamento, castração e adoção dos animais em situação de risco e vulnerabilidade social na cidade de Curitiba e região considerando questões sociais, ambientais e sanitárias. Também busca fomentar as redes locais de proteção e investir na informação e educação das pessoas a fim de diminuir este quadro, fortalecendo ações tanto das organizações governamentais como das organizações não-governamentais, e aproximação das instituições de ensino superior e das instituições que regulamentam a profissão de medicina veterinária e afins para sensibilização da causa. 

As ações desenvolvidas pelo Coletivo Salva Bicho Curitiba se pautam nas relações de respeito incondicional a vida em todas as suas formas e possibilidades, probidade, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência, de urbanidade,  de transparência nas ações desenvolvidas, de impessoalidade, de não preconceito relativas à cor, raça, credo religioso, classe social, concepção política – partidária ou filosófica, nacionalidade em suas atividades, se constituindo num grupo supra partidário.

As ações a serem desenvolvidas pela Salva Bicho Curitiba são de:

- Avaliação dos casos a serem resgatados e definição de responsável pelo resgate e demais ações;

- Incentivo de organização das redes locais para resgate, bem como busca ativa dos possíveis tutores do animal a ser resgatado, preferencialmente, no ambiente em que foi encontrado;

- Organização do processo de resgate (LT/abrigo, consulta veterinária, castração, medicamentos, transporte  - taxi dog – e levantamento dos custos;

- Arrecadação de fundos, parcerias, permutas que viabilizem o resgate e a manutenção do animal até a sua adoção;

-  Castração e vacinação dos animais resgatados e abrigados

-  Campanhas de adoção para os animais resgatados e abrigados;

- Incentivo de ações  solidárias para arrecadação de fundos para manutenção dos animais resgatados com arrecadação de numerário, bens e produtos;

- Auxilio a outras protetoras independentes nos processo de resgate, abrigamento e demais ações que se fizerem necessárias,

- Elaboração de material educativo relativo sobre posse responsável e a orientações a protetores quanto a questões relativas a resgate e abrigamento de animais (aspectos legais, éticos e sanitários)

- Elaboração de lista de hotéis/abrigos e clinicas veterinárias que possam atender os protetores com preços subsidiados mediante prévio cadastro dos protetores e das empresas bem como divulgação dessas empresas;

- Articulação com demais segmentos da proteção animais – ONGs, IES, outras protetoras independentes no sentido de organizar o movimento social e pressionar o poder publico no sentido de políticas e legislações mais especificas que visem à proteção animal.

Papo Pet- Como as pessoas podem participar do Projeto?

Fabiane – Cada membro pode contribuir de alguma forma, seja através de doações em dinheiro para apadrinhamento, pagamento das despesas com os animais resgatados, castrações, cirurgias, tratamento, consultas, vacinas, doação de ração, medicamentos, cobertores, disponibilidade para resgates, leva e traz em veterinário, divulgação, táxi dog e, principalmente, fazendo parte dessa corrente do BEM.

Na Proteção Animal temos muitas dificuldades, por isso tentamos nos ajudar uns aos outros, pedimos ajuda para poder AJUDAR!!

 

A Protetora da Vila Tarumã em Pinhais

19 março, 2012 às 11:08  |  por Fabiana Ferreira

Mais uma entrevista da série “As Protetoras”. Desta vez conversei com uma atuante protetora independente de Pinhais. Tive a oportunidade de conhecê-la pelo Facebook. Empenhada em arrecadar fundos para os animais resgatados, a Danielle Rocha usa a rede para divulgar rifas de diversos produtos e desta forma manter os bichinhos que precisam de cuidados. Neste mês, ela está empenhada na rifa da cesta de Páscoa.  

Ela, como todas as outras pessoas que se dedicam à causa animal, tem um coração de ouro. Que às vezes passa por um desânimo temporário e logo depois levanta a cabeça e volta a acreditar na sua importância. A rotina dela é puxada, com onze cães em casa é preciso um bom período do dia para cuidar dos animais, alimentá-los e medicá-los. Logo cedo, já começa a cuidar dos mais velhinhos, a matilha conta com seis na terceira idade. O grupo exige uma atenção maior. Imaginem a hora do almoço da galera. Ela faz todos os pratos separadamente e vai distribuindo para cada um dos cães. Depois limpa tudo para a refeição seguinte.

Mesmo assim, sobra tempo para fiscalizar as ruas de Pinhais e ajudar outros cães necessitados. Quando pode alimenta com ração ou pão e providencia fotos para encaminhá-los para a adoção.

Conheça a rotina desta protetora. Espero que um dia os municípios de todo o Paraná se inspirem neste exemplo e no de tantas outras protetoras independentes.

Desde quando se dedica à causa animal?

Sempre tive cães, mas fiquei conhecida como protetora em 2006. Precisei muito de ajuda para castrar os meus. Precisava de ração e quanto mais as pessoas me conheciam e me ajudavam, mas eu me dedicava à causa. Sempre amei os animais e a cada dia me revolta ver tanto abandono e maus-tratos.

 Como faz para manter os animais e como trata dos outros resgatados? Sou vendedora, faço rifas e peço ajuda de algumas protetoras que já conhecem meu trabalho com os peludos. Hoje o Facebook é muito importante para eu conseguir algumas coisas q preciso para eles. Agora estou fazendo uma rifa de Páscoa para levar quatro peludos no veterinário. Quero levá-los na Sociedade Protetora dos Animais, em Curitiba, gosto muito da Dra. Andreza. Confio no trabalho deles, além de o preço ser acessível. Espero vender a rifa logo.

 Geralmente, resgata qual tipo de animal?

Filhotes, mães, animais que sofreram maus-tratos. Já resgatei todo o tipo de cão, na minha casa não posso mais abrigá-los. Tenho um grave problema com enchentes, mas quando eu consigo “madrinhas” ou qualquer outra ajuda resgato e encaminho para hotel. Cuido em frente minha casa. Monto cabanas nas ruas, alimento e trato do animal. Quando ele está muito debilitado, imploro alguma ajuda, consigo doar vários e providencio a castração. No ano passado, cuidei de onze filhotes na casa de um traficante, consegui doar todos. Para as cadelas já perdi a conta das castrações que encaminhei. Aqui tem muito caso de maus-tratos. É terrível, ultimamente, tenho sido ameaçada de morte pelo telefone.

No seu município, existe algum programa para apoiar os animais sejam abandonados ou maltratados.

Eu desconheço. Acredito que se existisse não viveríamos este inferno. Sou protetora independente. Quem sempre me ajudou com castração foi o Projeto Focinhos.

É fácil achar um novo lar para os bichinhos?

Não é fácil. Mas, às vezes, tenho sorte.

O que te faz continuar nesta luta e não perder a esperança?

Não vou dizer que acredito no ser humano, estaria sendo hipócrita. Deus e os próprios animais me dão forças para continuar. Confesso que muitas vezes penso em desistir, mas não tenho coragem. Nós somos a voz destes animais, não podemos deixar de cuidar e pedir por eles. Eu os amo e vivo por eles.

Curitiba longe de ser referência

7 março, 2012 às 16:25  |  por Fabiana Ferreira

A protetora do Santa Quitéria

Vou contar um pouquinho na série “As Protetoras” sobre a atuação de protetoras independentes de Curitiba e Região Metropolitana. Como não poderia deixar de ser vou começar por quem está mais perto de mim. Uma colega de profissão. Maigue Gueths tem em sua casa seis cães que fazem parte da família, um filhote, o Zézinho, e Branquinha, que aguardam adoção. Ela conta um pouco sobre a sua rotina com os cães resgatados, sobre a adoção dos animais e levanta uma questão importante. A falta de políticas públicas voltadas à proteção animal. Curitiba está longe de ser referência nesta área.

Curitiba é vista como exemplo de cidade em muitas áreas, entre elas transporte público, coleta seletiva de lixo. Podemos nos orgulhar da cidade em relação às ações relativas à proteção animal?

Nem um pouco. Se Curitiba tivesse uma política bacana para os animais não teríamos tanto protetor esgotado por aí. A Prefeitura de Curitiba criou uma Rede de Proteção Animal, mas não presta nenhum atendimento a eles. No papel a Rede é maravilhosa, mas na prática sua única preocupação é colocar chip nos animais, como se a identificação fosse “um milagre” que faria seus donos mais responsáveis.

A Prefeitura deveria prestar vários serviços nessa área: campanha eficiente, massiva e constante de conscientização da população sobre a posse responsável; campanha gratuita, constante e massiva de castração, principalmente para a população de baixa renda; e manter um hospital veterinário gratuito para atender animais que estão nas ruas, atropelados e atender os animais da população de baixa renda, que não tem onde levar seus animais quando estes precisam de veterinário.

A Prefeitura não atende estas necessidades e ainda repassa toda a demanda que existe na cidade para as ONGs. E é importante frisar, aqui, que nenhuma ONG de defesa dos animais recebe dinheiro público. Todas elas vivem apenas de doações e do trabalho de voluntários. A Prefeitura não dá um centavo.

Já que estamos às vésperas de eleições municipais, o que deveria contemplar o programa de governo municipal em relação aos animais?

A Constituição diz que os animais são tutela do Estado. Portanto, os municípios, estados, o país têm obrigação de prever recursos financeiros para atender as demandas da população animal. Assim, um programa de governo de Curitiba deveria prever recursos para implantar campanhas de educação da população, programa de castração gratuita e irrestrito,  atendimento veterinário a quem precisa, fiscalização rigorosíssima do comércio de animais, fim do uso de carroças com cavalos na cidade. Com certeza há mais ações, mas se um candidato a prefeito se dispusesse a colocar estas medidas em prática já seria um passo gigantesco para a luta em defesa dos animais.

O que é ser um protetor independente?

É ter compaixão pelos animais. Somos dezenas ou centenas de pessoas que não fazem parte de nenhuma ONG de proteção, mas temos consciência de que se não ajudarmos um filhote abandonado ou um adulto machucado, doente ou atropelado, ele não terá como sobreviver sozinho. Os animais dependem de nós para receber atendimento e, infelizmente, o poder público, que deveria atendê-los, não tem nenhum serviço nesse sentido.

Desde quando e por que se dedica à causa animal?

Sempre gostei e tive animais, desde criança, mas normalmente tinha apenas um cachorro em casa, normalmente de raça. Isso até o carnaval de 2004. Nesta época, minha Cocker Lula, então com 14 anos, ceguinha e surda, estava mal de saúde e eu sabia que não teria muito tempo de vida. Foi aí que uma filhotinha malhada, parecida com uma vaquinha branca e preta, de uns dois meses, apareceu na frente da minha casa. Assustada com umas crianças que queriam pegá-la, ela correu para baixo de um carro estacionado, na mesma hora eu fui lá e a peguei. Esta é a Teca que hoje tem oito anos. Quase um ano depois, quando eu viajava para passar o Ano Novo na Ilha do Mel, parei em uma barraca de artesanato na Serra da Graciosa e ali estavam três filhotes, também com uns dois meses, abandonados. O artesão ficou com o machinho e eu e outro turista ficamos cada um com uma fêmea. Minha Kiwi, hoje, tem sete anos.

Em agosto de 2008, a Biba apareceu na frente do meu trabalho, tomada de sarna, a pele era uma ferida só. A Claudia Palaci, que também é jornalista e trabalhava comigo, que a viu na rua. Nós a pegamos, levamos no veterinário, e ela ficou na minha casa, primeiro de quarentena, sem contato com os meus para não transmitir a sarna.  Acho que a Biba foi o marco que me levou a me engajar nesta causa. A partir daí, junto com um grupo de amigos, resolvemos fazer um Fundo, onde cada um contribuiria com uma quantia mensal, para dar conta das despesas com os que seriam resgatados. Eu, que moro em casa, cuidaria deles. A Biba, hoje, calculo que tenha quatro anos.

Depois ainda foram agregados à família o Lobinho, velhinho que também apareceu na frente do jornal machucado, e não conseguiu adotante; a Lola – que peguei filhotinha de uma amiga cujos cães tinham dado uma cria; e a Branca, mãe de uma ninhada que peguei na Cidade Industrial de Curitiba, um dia após nascerem. Estes ficaram comigo. Além deles, já resgatamos outros 32, entre adultos e filhotes, e que foram todos adotados.

O que você faz quando recolhe um animal na rua? Geralmente, qual o estado deles?

Quando pego o animal a primeira coisa que faço é levar na minha veterinária para consulta e tratamento. Depois ele toma banho, é desverminado, toma vacinas e é castrado. Até os filhotes a partir de dois meses já são castrados.  Aprendi que é melhor eu mesma providenciar as castrações antes da adoção, porque cansei de ficar correndo atrás de adotante que, apesar de assumir o compromisso de castrar, demorava demais para fazer.

Geralmente só resgato animais que precisam de ajuda para sobreviver, são filhotes, que não sabem se virar sozinhos e adultos que estão doentes ou atropelados. O Juquinha, por exemplo, estava com pneumonia. A Fifi foi pega com quatro filhotinhos, todos cobertos de sarna e magérrimos, num lixão no Boqueirão. Infelizmente três filhotes morreram com cinomose, mas ela e uma filhote, a Kiki, sobreviveram e foram adotadas. A Fifi hoje é Mafalda e está muito bem paparicada e amada pela Sandra, que depois de adotá-la acabou entrando para o Fundo também.

A adoção costuma demorar? Quais os critérios para adotar um animal que está sob os seus cuidados?

Adultos demoram mais para serem adotados, assim como os pretinhos. É incrível, mas as pessoas são racistas também na hora de escolher um cachorrinho. Mas nós, protetores, somos bem chatos na hora de escolher um adotante. Procuramos pessoas que saibam que o bichinho será um membro da família. A pessoa tem que amar animais, ter espaço, não deixar preso em corrente ou canil, ter casa segura sem risco de fuga, ter condições de arcar com gastos veterinários, precisa estar ciente de que o animal pode viver até 20 anos e não pode ser abandonado. Eu vou sempre na casa do adotante para verificar onde o animal vai morar e vou visitar algumas vezes para ter certeza de que ele está feliz. Não vou tirar um animal da rua para entrega-lo a alguém que não cuide bem.

 É comum os adotantes devolverem os cães adotados?

Se as pessoas devolvem até crianças que são adotadas, imagine com cachorros ou gatos. É bastante comum, e as desculpas são as mais absurdas; o bichinho cresceu, fez buraco no jardim, os filhos pequenos estão com medo… e por aí vai. Mas também é comum o protetor pegar o animal de volta, porque não gostou das condições em que ele está na casa do adotante. Eu mesma, em dezembro do ano passado peguei de volta uma cachorrinha que tinha sido adotada em janeiro, porque a adotante ainda não tinha feito a castração e insistia em mantê-la o dia todo em um canil. Ela foi adotada em seguida pelo meu ex-professor de inglês, com quem vive solta e já foi até para a praia várias vezes.

Seu coração é igual ao de mãe, sempre cabe mais um? Existe um número limite de cães para você cuidar em casa?

Meu limite são os seis atuais. O coração fica apertado, angustiado, mas minha filosofia é a seguinte: só pego outro cachorro ou outra ninhada depois que consigo doar os últimos resgatados. Estes tempos fiquei cinco meses com o Bene, um filhotão fofo, e não peguei nenhum enquanto ele não foi adotado. 

Infelizmente não dá para pegar todos, tenho que limitar, para não correr o risco de ficar com muitos cães em casa, e não teria tempo nem dinheiro para cuidar de todos com qualidade de vida. Para os protetores, é difícil respeitar este limite, porque em geral são pessoas de coração muito grande, que não aguentam ver um animal sofrendo na rua.  Acho que sou uma exceção entre os protetores, a maioria tem dificuldades financeiras, prefere abrir mão das necessidades deles para comprar ração para o animal.