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Curitiba, entre um latido e outro

29 março, 2013 às 12:23  |  por Fabiana Ferreira

A fama de curitibano não falar com estranhos cai por água abaixo entre aqueles que têm cachorros. Basta um passeio com os pets para conhecer a simpatia deste povo. Faça sol ou faça chuva ou até mesmo o frio das noites de inverno, nós donos de cães estamos firmes e fortes. Muitos até três vezes ao dia. Numa pausa e outra do passeio com os nossos melhores amigos, nada melhor do que quebrar o gelo e puxar uma conversa.

Após nove anos na cidade, eu me rendi a uma poodle. Há três anos na minha vida, a Bebel é a grande responsável por eu ser conhecida nas ruas do Alto da XV. A aproximação entre os cães é natural e o papo entre os donos, inevitável. Entre “um gracinha”, “quantos anos tem”, a caminhada segue com várias agradáveis interrupções.


Um episódio recente me fez aproximar ainda mais da vizinhança. Um vira-lata resolveu morar em frente ao meu prédio. Ganhou comida, coberta e até mesmo uma casinha de cachorro. Os cuidados com o bicho envolveram até mesmo aqueles com fama de antipáticos. O Pingo, de porte médio, marrom e de manchas brancas, logo foi adotado pelo porteiro. Hoje é impossível passear com a Bebel e não dar uma paradinha para saber com o Seu Rogério como ele está.

Não é à toa, que a companhia dos cães é recomendada como uma alternativa contra a solidão. A convivência com eles, além de ser extremamente positiva, nos aproxima das outras pessoas. A amizade, entre nós humanos e cachorros, tão histórica e reconhecida como incondicional, cria oportunidades de nos relacionar e criar laços com quem muitas vezes não teríamos a menor afinidade.

Prova disto é o Parcão, no Centro Cívico. Atrás das curvas do Niemeyer, o local virou point canino. O território ali é deles. Ficam soltos, enquanto seus donos os observam. E não foi logo ali que encontrei a Priscila. Depois de cinco anos na empresa, trabalhamos no mesmo andar e nunca passamos de um olá, tudo bem… Mas lá foi diferente. Ela com seu casal de schnauzer e eu com a minha poodle tivemos a oportunidade de conversar e descobrir qe somos apaixonados por cães. Conversa não faltou. E o encontro de corredor agora rende.
Por estas e outras que volta e meia alguém me acena no mercado. Humm, quem é mesmo este senhor? O nome eu não lembro. Mas com certeza é o dono da Lady.
Texto publicado na Coluna Pet – Revista Viver – Agosto de 2011

Aquele abraço!

12 março, 2013 às 00:02  |  por Fabiana Ferreira

Idas e vindas da clínica veterinária nos últimos três anos. Sempre que estive com meu querido amigo que herdou o chow chow do pai, ficava sabendo do histórico médico do Chambo que insistia em permanecer vivo após os mais de dez anos. Digo assim porque é quase impossível imaginar um animal com crises constantes de epilepsia, convulsões, internações longas e o retorno para casa.

Ele permanecia firme e forte. Mesmo com a dificuldades de tomar remédios e a falta de apetite. Uma luta assumida pelo outro irmão, que dividiu esta herança nos cuidados com o cachorro. E o bichinho lá ultrapassando gerações. Já acostumado às brincadeiras do neto Giuliano, com seus três anos.

Ah, ultimamente, por causa dos medicamentos o chow chow andava com a libido em alta. Até na minha perna andou se agarrando…. Tudo bem. Não é qualquer um com língua azul que anda querendo me agarrar por ai!

E em uma bela tarde de sábado, lembro de perguntar ao meu amigo como estava o chow chow. Quando ele me surpreendeu com a notícia que ele não havia resistido depois de mais uma internação. E seus olhos se encheram d´agua. E eu na hora só soube dizer que ele tinha recebido todos os cuidados para viver bem, todo o carinho e blá blá blá.

Mas faltou o abraço. Aquele abraço no dia em que o chow chow partiu. Aquele abraço de quem entende a dor do outro. De quem ama os animais e não faz julgamentos. Que entende a importância deste bichos na nossa vida.

O abraço que dei em uma amiga quando a cocker dela morreu e me fez sair correndo do trabalho para encontrá-la, tentar confortá-la de alguma forma. O mesmo que uma querida amiga fez quando tive a notícia que após dois meses de internação, a minha avó não havia resistido. E lá estava ela na porta do hospital. E me recebeu com um abraço.

E pensei, e depois de uns 10 anos – se tudo der certo – quando a minha pequena se for quem vai me abraçar e entender a minha dor? Lembrei da amiga do cocker, do amigo do chow chow e da amiga que me confortou na perda da minha avó. Algum deles deverá estar por perto. Eu espero. Pra dar aquele abraço, me segurar e até enxugar algumas lágrimas.

 

Se minha tartaruga falasse…

7 fevereiro, 2013 às 17:46  |  por Fabiana Ferreira

 

O nome dela é Daiane. Uma homenagem à princesa Daiana. Com uma pequena adaptação curitibana no nome. Aos 15 anos, pode-se dizer que esta  “tartaruga”, na verdade um cágado tem tratamento destinado à nobreza. Com comida especial e muito chamego. A Daiane, tigre-d’água da espécie Trachemys scripta elegans, é a caçula da casa. Reina absoluta. Assiste televisão e dorme no quarto, às vezes embaixo da cama, outras ao lado perto da janela.

A ideia de ter um bichinho de estimação desta espécie foi da Rebeca. Na época, a filha mais nova. Aos 11 anos, depois de algumas tentativas com peixes, a menina escolheu uma pequena tartaruga. O que acontece em muitos casos, ela cresceu mais do que o previsto. O que não foi um problema, a não ser pela troca constante de aquários.

A Daiane passa parte do tempo na água e outra passeando por toda casa. Isso quando não está em uma espécie de “hibernação”, fica parada períodos longos, já ficou seis meses no mesmo lugar, conta a dona que providenciou até mesmo uma coberta. “O termo hibernar não se aplica às tartarugas, o que acontece é um tipo de adaptação fisiológica ao frio”, explica a médica veterinária e professora da PUCPR, Ana Carolina Fredianelli.

Quando quer ir para a água lá vai a Daiane para perto da banheira de plástico. Sua vontade de mergulhar é prontamente atendida. Ela cresceu tanto, que esta alternativa foi a solução para as mudanças de aquário. A família está à procura de um acquaterrário, onde a Daiane possa ter os dois ambientes em um só. Até lá, ela vai passeando pela casa.

E dando boas-vindas ao pessoal. É só chamar a Daiane que logo ela aparece. Quer deixar a bichinha agitada? Demore para voltar.  Igual a muitos pets, ela não gosta que ninguém da casa viaje, sente saudades…. Aí só pegando no colo e dando um carinho para acalmá-la. Ah, esses répteis sensíveis…

Pensa em ter uma tigre d´agua? Na semana que vem, a médica veterinária e professora da PUCPR Ana Carolina Fredianelli conta um pouco sobre os cuidados necessários para ter este réptil.

 

Parabéns, veterinários!

9 setembro, 2012 às 09:58  |  por Fabiana Ferreira

Médico veterinário, neste domingo, 9 de setembro, é o dia em homenagem a este profissional. Cuida de bichos. Para mim tão importante quanto médico de gente. É ele quem cuida e salva muita vezes os nossos sempre filho (te) s de coração. Pode ser de animais de estimação – cães e gatos -, equinos, silvestres, uma infinidade de espécies.

Ser um bom veterinário exige muito mais que formação universitária, especializações, um bom veterinário deve ter um enorme coração. Amar a sua profissão, mas acima de tudo amar seus pacientes, ter um jeito especial de cuidar deles. Na prática, posso falar com mais propriedade da minha experiência daqueles que um dia cuidaram da minha cachorra. Nunca em uma situação de risco, apenas em consultas de rotina.

O médico veterinário é para mim um pediatra. E que os pediatras não se ofedam. Para muitas pessoas, o veterinário é tão importante quanto um especialista em bebês. Nestes casos, o paciente também não fala, apenas demonstra o que sente de uma maneira especial. Muitas vezes o bichinho tem sempre a “mãe” e o “pai” ao lado dando opinião, falando um monte, questionando, preocupados com a saúde de seus pequenos.

Bom veterinário é aquele que dá o número do celular e diz depois da consulta. Qualquer dúvida, ligue. Se precisar de algo, avise. Tem uma outra coisa que noto nas consultas é o jeito do veterinário falar com a minha cachorra. Óbvio que ela só pode latir, mas uma coisa não exclui a outra. Não dá para colocar a pequena em cima da mesa e examinar. Tem que fazer um chamego, chamá-la pelo nome, com uma fala mais mansa. Principalmente, antes de medir a temperatura. Animal nenhum merecia passar por esta situação. Vá lá que eles nem devem se impressionar tanto quanto a gente.

Outra coisa que diz muito sobre um veterinário. No final da consulta precisa ter sempre um palitinho ou bifinho, este último no caso da minha, para recompensá-los pelo estresse. Afinal de contas, que graça tem ir ao pediatra e não ganhar aqueles pirulitos coloridos!?

Amores eternos!

12 junho, 2012 às 19:25  |  por Fabiana Ferreira

Não achei nada melhor para a data de hoje, Dia dos Namorados, do que repetir esta crônica. O texto, escrito no ano passado, fala sobre amores que, com certeza, duram para sempre.

Procura-se um amor que goste de cachorros

Solteiras de todas as idades sabem a dificuldade de encontrar o homem dos sonhos. Para quem tem um cachorro este item complica um pouco mais. Afinal de contas, não é qualquer um que vai entender o shampoo anti-pulgas no box. Para as loucas por bichos, não basta que os homens sejam apaixonados por nós, tem mais gente na história para conquistar.

A quantidade de homens que passeia com poodles, yorks, e shitzus é tão grande que impressiona. Lá estão os rapazes e as coisinhas mais fofas de lacinhos e roupas de todas as cores. Um amigo meu costuma dizer que a mulher obriga, igual faz com o lixo que precisa ser levado para fora. Mas tenho certeza que a maioria faz com gosto. Uns porque acabaram gostando dos pets, outros porque deve ser bom dar um tempo passeando na rua para espairecer da patroa.

Sorte de quem pela vida conheceu o tal príncipe encantado, que no final das contas, acabou até saindo para passear com o lulu e muito mais do que isto. Acabou se apaixonando por ele. Quem poderia imaginar tanta tristeza na partida daquela típica cocker orelhuda. Logo ele que no início nem gostava da Frida. E no fim, os dois juntos choraram a mesma dor. Sentem juntos a mesma falta. E juntos escolheram outra pequena, que será amada pelos dois, desta vez, desde o início e até que a vida os surpreenda.

O amor entre bichos e homens muitas vezes pode até ultrapassar o próprio relacionamento. No meu caso, as juras de amor eterno não sobreviveram. Mas a Bebel continua aqui e lá. Cachorrinha de sorte. Tem duas casas. Afinal de contas, o que o destino uniu, não serei eu quem vai separar. Posso afirmar neste caso. Os dois serão felizes para sempre.

 

Amor de vira-lata

2 maio, 2012 às 12:48  |  por Fabiana Ferreira
 
Por uma armadilha do destino ele foi parar na minha vida. O pequeno vira-lata preto, com pelo brilhante, apareceu de uma forma inesperada. Filhote ainda, me fez comprovar que eles são mesmo irresistíveis. De repente, já estava no sofá e na cama. Ei, espera aí na cama não! Será que vocês filhotes são todos iguais? Com certeza. Sabem desde cedo o que é bom.
 
Esperto, entendeu o recado bem rápido de onde era permitido ou não fazer xixi. Por volta dos oito meses de idade, ele queria era roer tudo o que via pela frente. E por que não aquele tênis velho? Afinal, todo filhote deveria ter o direito de comer uma vez na vida um sapato, uma meia, estas coisas não comestíveis que eles adoram. É uma fase. Logo passa. 
 
O Tufo ficou por pouco tempo. O bastante para tomar conta da casa e do meu coração. E o suficiente para se recuperar, após alguns maus-tratos que sofreu pelas ruas.  Este curto período só me fez reafirmar a minha certeza de que para ter um animal de estimação é necessário espaço adequado e tempo suficiente para tratá-lo, passear e exagerar nos mimos. Tudo o que eu não tinha para oferecer.
 
 
O Tufo virou Tufão. Sortudo, arranjou uma casa na praia. Vai viver onde tem sol. E de uma prole de três meninos. Felizes com o novo mascote. E o melhor de tudo. Um jardim para lá de imenso para passar a tarde inteira correndo e se esfregando na grama.
 
Ligo para saber como ele está se saindo com a nova família. Além de se dar muito bem com as crianças, me surpreendo ao saber que o Tufão já está até mesmo dormindo na cama. Para quem iria ficar na casinha do lado de fora não é nada mal…  Realmente, filhotes são mesmo irresistíveis.
 

De crianças e cães

5 março, 2012 às 13:40  |  por Fabiana Ferreira

Poder levar seu cachorro na casa dos amigos no final de semana não tem preço. Ainda mais a minha que passa tanto tempo longe de mim durante a semana. As crianças são as que mais gostam da visita. Sorte, que desde cedo, eu acostumei a minha poodle com o pequenos. Socializar é a ordem!

Aos dois meses de idade, a Bebel chegou em casa no colo da pequena Eduarda, na época com três anos. E assim aprendeu desde sempre a conviver com a criançada. Uns apertões fazem parte desta amizade. É só cuidar que as duas espécies acabam se entendendo. Consegui registrar este momento especial. A segundos de uma lambida.

Assim a Bebel faz às vezes de baby sitter canina. Talvez um sossego para os pais. Uma brecha para colocar a conversa em dia com os amigos. Acontece quando a visita é na casa da Larissa, 7 anos,  e Mariana, 3. É folia garantida.

 

O único problema para mim, ou melhor para a Bebel, são aqueles casais que não têm filhos, apenas cachorros. Nesta parte eu falhei. Nenhum contato com outros cães. Apenas na rua, aquela cheiradinha básica e só. O problema fica maior ainda se os cães são filhotes. E não é que dois casais de amigos estão nesta fase. Filhote em casa para desespero da Bebel.

A daushund Julia e a cocker Rúbia estão em plena atividade. Querem brincar. Mas quase aos quatro anos, a jovem senhora, já quer sossego. Tudo bem, o jeito é ficar no colo. Posso dizer que nestas ocasiões ela até fica igual a uma criança contrariada, emburrada até a hora de ir embora.

O bom é que depois de muitos encontros, alguns desastrosos, acho até que uma nova amizade está surgindo por aí. Mas é claro, sem exageros, o lance da Bebel é brincar com as crianças. Ela se identifica.

 

Juvevê Dog Village

29 fevereiro, 2012 às 13:41  |  por Fabiana Ferreira

Dizem por aí que o bairro Juvevê, em Curitiba, vai virar um tal de “Juvevê Village”. Eu, se pudesse, acrescentaria: Juvevê Dog Village. Afinal de contas, que bairro na cidade tem uma feira tradicional super frequentada por cães? Sábado cedinho já estão todos eles com seus donos percorrendo toda a extensão da feira. Incluindo, claro, uma paradinha na barraca do pastel. Ali é possível encontrar cachorros de diferentes raças.

Eu costumo dividir o pastel de carne com a minha poodle. Claro, a carne moída fica com ela.

Caso contrário, ela faz questão de se fazer lembrar. Com uivos. E eu não quero chamar tanta atenção assim na barraca do pastel. Nem feirante grita nesta feira. Comparada com as de São Paulo e Rio de Janeiro até parece que estamos em uma biblioteca.

Na mesma rua da feira, várias lojas ficam abertas. Algumas já se acostumaram com os visitantes ilustres. Na minha última visita, uma vendedora se ofereceu para segurar a minha cachorra para eu ficar mais livre para ver os produtos. Isso é que vontade de vender…

Ah, também tem a moça da panificadora. Antes de adquirir uma coleira retrátil, me atendia do lado de fora, pois eu me recusava a deixar a bicha sozinha na calçada presa naqueles ferros improvisados. Ainda mais se ao lado tivesse outro cachorro amarrado. Agora com os três metros de coleira, a Bebel já aprendeu a ficar do lado de fora enquanto eu me aproximo do balcão.

Por estas e outras que eu amo este bairro. E se for para mudar de nome, que os cães não sejam esquecidos!  

 

Chihuahuas motorizados

24 fevereiro, 2012 às 16:34  |  por Fabiana Ferreira

Vou contar hoje a história de dois chihuahuas. Aos dez anos de idade, eles vivem como a maioria dos cães amados por suas famílias, mas com uma pequena diferença. O Tito e o Xote têm seu próprio carro. Com motorista, é claro. Muito antes da revista de celebridades mostrar a apresentadora Xuxa passeando em um shopping com um modelo deste e seu york, a duplinha já desfilava pelas ruas de Curitiba.

Em 2010, a aquisição foi feita. O transporte foi a solução ideal para o Xote, com problemas no coração, manter os passeios diários. Porque esforço em excesso não faz bem à saúde. Mas o amigo Tito não perde uma carona. 

O carrinho específico para animais tem vários recursos. Além da tela, tem prendedor para coleiras, evita que o cachorro pule, tem cesta para carregar papel higiênico, lenço umedecido e o que mais for possível levar. Lembra um carrinho de bebê, mas sem a possibilidade de alterar as posições.

E quem pensa que o pessoal nas ruas do Cabral acha esquisito este passeio se engana. O povo adora. Afinal, é impossível passar por estes dois pequenos sem fazer um elogio. Todos acham interessante e perguntam onde compramos, conta a dona.

A dupla também adotou o transporte para ficar por todas as partes da casa. Quer ver os bichinhos felizes é só chamar para o carrinho. Nada melhor do que assistir tevê de camarote, não é mesmo?. A vista destes dois é sempre privilegiada. E na hora de dormir continuam na casinha sobre rodas.

Só sei de uma coisa. Com carrinho ou sem, onde ficar é que não falta para estes dois, que já têm lugar garantido no coração de cada integrante desta família.

E você levaria seu cachorro para passear em um carrinho? Um passeio pelo shopping quem sabe…

Cachorroterapia de amor

20 fevereiro, 2012 às 14:46  |  por Fabiana Ferreira

Muito já se falou da equoterapia, terapia com cavalos, e seus benefícios para quem tem paralisia cerebral e outras deficiências. Melhora a coordenação, equilíbrio, aumenta a consciência corporal e tantos outros fatores importantes para a saúde. Hoje eu resolvi abordar a cachorroterapia. Sem sessões marcadas. Mas sobre a convivência quase diária de uma poodle e uma menina PC.

Pela manhã, a interatividade começa com uma bela lambida. Aliás, várias. Nem adianta pedir. “Não deixa. Vira a cara para o lado!”, é em vão. Mas que nada, bom dia a gente tem que dar com muita intensidade. Algo para ser lembrado o dia todo. No café da manhã, lá estão as duas lado a lado. Caiu por acaso um pedacinho de pão aqui ou ali, já tem limpeza garantida. Hora da escola. Separação temporária. Melhor lugar para esperar a amiga chegar é na própria cama dela. De preferência desarrumada, em cima do edredon.

O resto do dia a companhia traz boas diversões. O agito dos latidos com qualquer barulho, principalmente quando o interfone toca e é dia de pizza. Os assaltos à lata de lixo com embalagens de carne, frango e outras coisas boas de lamber. Os olhos atentos veem tudo, mas nada de denunciar as artes da pequena. A única coisa que não pode mesmo nesta história é brigar com o bichinho. Mesmo quando ele apronta. Ouve-se uma sequência de sonoros nãos, que quer dizer não brigue, pois aqui ela reina.

A cachorrinha não passou por nenhum treinamento para ser companheira de alguém com paralisia. Ela convive desde filhote, obviamente, sem diferenciar se existe ou não qualquer tipo de deficiência. Faz parte da vida dela. Qualquer outro estranho com ou sem qualquer problema físico ou mental ela com certeza irá estranhar.

Eu não tenho nenhuma credencial para avaliar tecnicamente os benefícios terapêuticos da convivência entre cães e deficientes. Mas com certeza esta amizade traz uma imensa alegria, quebra a monotonia do dia e tenho plena consciência que estimula e, muito, o músculo do coração. Ele bate mais forte quando a poodle, apelidada de Cuca, chega. E lá se vão mais várias lambidas! O vermífugo está em dia e os anticorpos da Luca, a mais beijada de todas, em alta. Pode lamber a boca à vontade! Porque beijos de amor devem ser intensos e prolongados.