Foto:  Gal Oppido/ Divulgação

Os Mulheres Negras em Curitiba: incomunicabilidade, air guitar e um “ridículo”

15 janeiro, 2018 às 14:08  |  por Cristiano Castilho

“Common Uncommunicability” é uma música d’Os Mulheres Negras lançada em 1990, no disco “Música Serve Para Isso”. A faixa foi apresentada por André Abujamra, daquele seu jeito assertivamente bem-humorado, como um pequeno estudo sobre a falta de comunicação na era moderna, e as armadilhas sociais subsequentes a isso: “We never talk each other/ We never try/
And life goes on in such a lonely way”, canta Mauricio Pereira sob a base eletrônica discreta e a guitarra pontuada de Abujamra.

Foto:  Gal Oppido/ Divulgação

Foto: Gal Oppido/ Divulgação

O show da dupla no Teatro da Caixa na última sexta-feira (12) proporcionou alguns choques temporais, que denunciaram certo anacronismo musical de uma banda dos anos 80 (que continua irreverentemente vanguardista três décadas depois), e uma falta de timing e de sinergia de uma plateia mista, formada por fãs com vinis da dupla debaixo do braço e por gente que nunca tinha ouvido falar naqueles que usam certa teatralidade, improviso e samplers para ir de Henry Mancini a Godzilla em uns poucos compassos.

Durante “Feridas”, uma engraçada faixa-deboche sobre os boleros que marcaram a música brasileira na década de 1970, a dupla tocava e silenciava. O riff ia e vinha, causando apuros numa plateia que não sabia se aplaudia ou se dava risada. No meio dessa inconsistência provocadora, um grito de “RIDÍCULO” soou imponente e deslocado. Seria uma brincadeira baseada naquele contexto caricato ou o cara estava realmente achando aquilo ridículo? Ninguém se manifestou.

Os Mulheres Negras passearam por “Milho”, uma música regional e universal ao mesmo tempo, e “Elza”, uma engraçada bossa-nova repetitiva que faz troça do gênero carioca antes de se lembrarem do causo. Na verdade foi André Abujamra, o baita guitarrista multiétnico que “morou em Curitiba por quatro anos e fez três amigos.”: “Ridículo é seu cu”, disse André, após expor seu descontentamento com o comentário inconveniente: “Fiquei puto.”

 

Um colega de Twitter avisou que o autor do tiro no pé na verdade queria fazer uma brincadeira, esperava que eles levassem na brincadeira, e se arrependeu disso. Uma tremenda falta de comunicação e de entendimento. Talvez pela distância que há entre o universo criado pelos Mulheres Negras, datado, mas bem-resolvido, e o ímpeto das gerações pós-década de 80, que se utilizam de ironia desmedida mesmo para dizer que gostam de alguma coisa.

Mauricio Pereira e André Abujamra, que voltam a se encontrar após um hiato gigante, em que cimentaram suas carreiras solo, continuam instigantes. A maneira como desconstroem referências ou tratam do cotidiano em músicas-manifesto, a utilização dos samplers de forma orgânica, e o brilho da guitarra de Abu seguem intocados. Mas o clima andava meio brocha no show, depois do auê. Abujamra perguntou se estava tudo bem, a plateia respondeu “sim” sem fazer muito esforço, mesmo batendo “palmas francesas” – com o indicador e o polegar utilizados em forma de pinça.

Antes do bis, Mauricio Pereira, criando um fato novo para quebrar o gelo (ou era tudo planejado?) chamou dois convidados para um air guitar instantâneo. Cinco minutos depois, apenas um desinibido se ofereceu. Foi divertido, inesperado. Mas não sei até que ponto necessário.

Michel Urânia e seu "air guitar". Foto: Cristiano Castilho.

Michel Urânia (o desinibido) e seu “air guitar”. Foto: Cristiano Castilho.

É reconhecida nacionalmente a sisudez do público curitibano, que um dia foi confundida com exigência. Mas acredite: é só quietude conformista, que neste caso específico do show, se embaralhava com a ansiedade de um público fiel e com a surpresa de quem nunca tinha visto os caras na vida. Na parte final do show, os “hits”: “John”, “Só Te Tele”, “Música Serve Pra Isso” e “Sub”, cantado por muitas vozes.

Artista e público convivem sempre numa troca constante, no firmamento de contratos específicos. Trinta anos depois, a 3.ª Menor Big Band do Mundo, com seu som distópico e cismado, mas também dialógico, encontrou uma plateia dura e corajoso. No fim, tudo se fundiu, como se naquele show houvesse espaço suficiente até para gafes bem-intencionadas.

Hoje à noite (15), Os Mulheres Negras se apresentam no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. A banda também é uma das convidadas do incensado festival Dekmantel, que rola no antigo PlayCenter, em São Paulo, nos dias 3 e 4 de março.

Foto: Divulgação

Oficina de Música exibe doc. de Eduardo Coutinho e cinebiografias

9 janeiro, 2018 às 10:54  |  por Cristiano Castilho

Depois de uma polêmica e histórica pausa no ano passado, a 35ª Oficina de Música, que acontece entre 27 de janeiro e 8 de fevereiro, divulgou hoje sua programação completa. Já havíamos adiantado algumas atrações da fase popular aqui (Martinho da Vila, Letieres Leite, Toquinho, Ruby e Kléber Albuquerque), e agora os concertos da fase erudita – neste ano as duas fases acontecem simultaneamente – também foram divulgados. A programação completa está aqui.

Oito filmes, entre documentários, cinebiografias e registros de shows históricos, também fazem parte do evento, e serão exibidos na Cinemateca de Curitiba com ingressos gratuitos. Veja aí:

 “Raul, O Início, O Fim e o Meio” (2012)

Filme tardio, que veio somente após 20 anos da morte de Raul Seixas, a cinebiografia do músico tem direção de Walter Carvalho e tenta dar conta da complexidade da personalidade do coautor de “Gîtâ.”
27 de janeiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“As Canções” (2011)

Dezoito personagens escolhidos por Eduardo Coutinho, mestre maior do documentário brasileiro, expõem suas experiências por meio de lembranças ligadas a clássicos da nossa música.
30 e 31 de janeiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“Tropicália” (2012)

Foto: Acervo Iconographia

Foto: Acervo Iconographia

O documentário de Marcelo Machado faz uma análise sobre o movimento multicultural que completou 50 anos em 2017. Entrevistas com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee e outros.
1.º e 2 de fevereiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“Música Erudita Brasileira: Das Origens ao Nacionalismo Musical” (1974)

O filme investiga músicos e compositores do século 18 que estabeleceram bases para o nacionalismo musical, cujos expoentes foram Heitor Villa-Lobos e Alberto Nepomuceno.
3 de fevereiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“Violeta Foi para o Céu” (2011)

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Perfil da famosa e aguerrida cantora chilena Violeta Parra, incansável defensora dos direitos humanos e da democracia. Direção de Andrés Wood.
4 de fevereiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“Gonzaga de Pai para Filho” (2012)

Cinebiografia de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
6 de fevereiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“Brandemburgo nº 5 e Suíte nº 2 de Bach”

Registro do concerto que teve regência do cravista Fernando Cordella para duas peças de Bach: o Concerto de Brandemburgo nº. 5 para flauta, violino (Winston Ramalho) e cravo e a Suíte Orquestral nº. 2 para flauta e cordas.
7 de fevereiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

“Uma Noite em 67” (2010)

Foto: AJB/Rio

Foto: AJB/Rio

Resgate histórico do 3º. Festival de Música Popular Brasileira, em outubro de 1967. Entre os candidatos aos principais prêmios figuravam Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo, dentre outros.
8 de fevereiro, 16h, Cinemateca de Curitiba

 

 

 

 

 

 

 

Martinho da Vila é uma das atrações. Foto: Helia Scheppa/ Estadão Conteúdo

Menor, Oficina de Música terá Martinho da Vila, Toninho Horta e Queen Sinfônico

3 janeiro, 2018 às 11:17  |  por Cristiano Castilho

De volta e menor. A 35.ª Oficina de Música de Curitiba acontece entre os dias 27 de janeiro e 8 de fevereiro. Serão 13 dias de atividades musicais e apresentações, ante os 20 das últimas edições. A programação da fase popular do evento começa com a reunião do Vocal Brasileirão, da Orquestra de Câmara de Curitiba e da cantora Jane Duboc para interpretar canções de Tom Jobim. A apresentação acontece às 9 da noite do dia 27 de janeiro, no Guairão.

Martinho da Vila é uma das atrações. Foto: Helia Scheppa/ Estadão Conteúdo

Martinho da Vila é uma das atrações. Foto: Helia Scheppa/ Estadão Conteúdo

A fase popular (veja programação abaixo) traz ainda o maestro Letieres Leite na companhia da Orquestra à Base de Sopro, o cantor e compositor Toquinho, e o bamba Martinho da Vila, que canta acompanhado da Orquestra à Base de Corda e do Pandeiro Repique Duo no dia 7 de fevereiro, também no Guairão. Toninho Ferragutti, Lívia Nestrovski, Toninho Horta, e Kléber Albuquerque são outras atrações confirmadas.

O cancelamento do evento em 2017, até então ininterrupto, causou polêmica e foi alvo de protestos de segmentos artísticos da cidade. Na ocasião, o prefeito Rafael Greca disse que iria reverter a verba da Oficina (cerca de R$ 900 mil) para a área da saúde.

“A Oficina de 2018 acontece em menos tempo, mas em doses mais concentradas. A fase popular e a fase erudita acontecerão simultaneamente. Curitiba vai respirar música de forma mais intensa nesta edição”, diz João Egashira, violonista, arranjador, compositor e um dos diretores artísticos do evento, que em outros anos abriu espaço para a música eletrônica, inclusive.

 

Maestro Letieres Leite é um dos convidados.

Maestro Letieres Leite é um dos convidados.

Uma das novidades, de acordo com Egashira, é a utilização de um palco montado no antigo reservatório da Sanepar, já utilizado para apresentações natalinas no ano passado. Inaugurado em 1908, foi o primeiro reservatório de água da cidade. Com arquitetura eclética e elementos art noveau, foi tombado em 1990 pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná. O Paiol será outro dos palcos utilizados no evento.

Para alunos das oficinas, os ingressos para as apresentações serão gratuitos. O público em geral terá de comprar os convites. Os valores ainda não foram divulgados.

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Programação – Fase Popular da 35ª Oficina de Música de Curitiba

Guairão
27/01 – (sábado) – 21:00 – Vocal Brasileirão, Orq. de Câmara + Jane Duboc cantam Tom Jobim
28/01 – (domingo) – 21:00 – Queen Sinfônico
29/01 – (segunda) – 21:00 – Spok quinteto
30/01 – (terça) – 21:00 – Orquestra à Base de Sopro convida Letieres Leite
31/01 – (quarta) – 21:00 – Noite do Choro – Homenagem a Joel Nascimento
04/02 – (domingo) – 21:00 – Toquinho e MusicaR
05/02 – (segunda) – 21:00 – Noite dos professores
07/02 (quarta) – Orquestra à Base de Corda + Pandeiro Repique Duo+ Martinho da Vila

Paiol
28/01 (domingo) – 16:00 – Nilze Carvalho – Choro canção
28/01 (domingo) – 19:00 – Terra Sonora – “Migração”
29/01 (segunda) – 19:00 – Toninho Horta – “Show-aula” – lançamento do “Songbook 108
Partituras”
30/01 (terça) – 19:00 – Toninho Ferragutti e Salomão Soares
31/01 (quarta) – 19:00 – Lívia Nestrovski e Fred Ferreira
01/02 (quinta) – 19:00 – Fato e Ju Côrtes
02/02 (sexta) – 19:00 – Moda de Rock
03/02 (sábado) – 16:00 – Rosa Armorial
03/02 (sábado) – 19:00 – Cristóvão Bastos e Áurea Martins
04/02 (domingo) – 16:00 – João Egashira Trio convida Luciano Magno
04/02 (domingo) – 19:00 – Lucina e Décio Gioielli
05/02 (segunda) – 19:00 – Gabriel Schwartz solo e Alexandre Ribeiro solo
06/02 (terça) – 19:00 – Rubi e Kléber Albuquerque
07/02 (quarta) – 19:00 – Duo Cordal

Palco do Reservatório Sanepar
04/02 (domingo) – 18:30 – Roda de Choro com Dudu Maia

Local a definir
03/02 (sábado) – 22:30 – Baile com “Trio Quintina Orquestra e Laís Mann”; Daniel Migliavacca:
“Porque o Samba Merece”

 

Foto: Gustavo Rodrigues

Festival Estopim reúne plêiade de bandas e discute cenário independente

21 novembro, 2017 às 10:20  |  por Cristiano Castilho

A brazuca-latina Francisco, el Hombre (indicada ao Grammy Latino deste ano), a banda goiana Carne Doce, o quinteto pernambucano Tagore, e as curitibanas Mulamba, Tuyo e Trombone de Frutas são as atrações confirmadas para o Festival Estopim, que acontece entre os dias 15 e 17 de dezembro em local a ser confirmado. Com painéis sobre a música independente no Brasil, o evento pretende fomentar novas conexões e tornar-se um combustível para pensar e articular ainda mais a dita “cena curitibana”.

Foto: Gustavo Rodrigues

Foto: Gustavo Rodrigues

Os painéis – cujos convidados ainda não foram anunciados – discutirão três eixos temáticos: festivais, selos e circulação. Tendo em vista o histórico da Arnica, que começou com uma casa/estúdio/palco, enfrentou a burocracia pública para manter sua contribuição artística, tornou-se um coletivo de produção e promoção de cultura e conquistou lugar no Festival Coolritiba, na Pedreira Paulo Leminski, é de se entender que este é um caminho natural.

“Nosso objetivo sempre foi profissionalizar o cenário independente, com pró-atividade e coragem para desconstruir”, diz Rodrigo Chavez, um dos gestores da Arnica.

SERVIÇO

Festival Estopim
Data: 15, 16 e 17 de dezembro
Local: a confirmar
Valor: painéis gratuitos | shows R$ 30 por dia ou R$ 50 o passaporte (1º lote)
Ingressos: plataforma Sympla

Escritor Ricardo Piglia em cena de "327 Cadernos", de Andrés di Tella.

Fidé 2017 apresenta 29 documentários, debates e sessões raras

24 outubro, 2017 às 10:35  |  por Cristiano Castilho

Os recém-encerrados Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro, Petit Pavé – Festival de Cinema Independente de Curitiba, o Festival de Cinema da Bienal de Curitiba (programado para novembro) e o Fidé – Festival Internacional do Documentário Estudantil, cuja quarta edição em Curitiba acontece entre os dias 27 e 29 de outubro, dão a letra: o cinema independente, artístico, autoral e alternativo é realidade na capital fria.

Escritor Ricardo Piglia em cena de "327 Cadernos", de Andrés di Tella.

Escritor Ricardo Piglia em cena de “327 Cadernos”, de Andrés di Tella.

Depois do sucesso de público em sua terceira edição na cidade, há dois anos, o Fidé 2017 apresenta 29 documentários, entre curtas, médias e longas-metragens, originários de 15 países tão diversos como Inglaterra e Senegal – veja a programação completa aqui. Todas as sessões serão na Cinemateca e terão entrada gratuita. “Ao colocarmos lado a lado documentários originários de países com culturas tão diversas, como República Tcheca, Israel, Argentina, Ucrânia e Brasil, entre outros, ficam evidentes as diferenças de linguagem e abordagem, além de sua riqueza temática. Poder identificar tais distinções e refletir sobre elas junto ao público é uma forma de ampliar não só nossa compreensão sobre o documentarismo, como nossa compreensão humana”, dizem os organizadores.

Os filmes selecionados têm em comum apenas o fato de terem sido produzidos por estudantes – à exceção do filme de abertura, do documentarista argentino Andrés Di Tella. O experiente cineasta portenho nos apresenta, em sessão inédita em Curitiba na sexta (27) às 19h30, o filme “327 Cadernos”, um documentário sobre o escritor Ricardo Piglia, morto em janeiro deste ano. O autor de “Respiração Artificial” recebeu o diagnóstico de sua esclerose lateral amiotrófica durante as filmagens, e isso, de alguma forma, faz parte do filme.

Também está programada uma sessão retrospectiva de filmes dos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière, considerados inventores do cinema e pioneiros do documentário. A sessão, que conta com o apoio do Cineclube Atalante, exibirá cópias digitais restauradas de 60 filmes de curtíssima duração, realizados pela dupla entre 1895 e 1905. Após a sessão haverá um bate-papo com membros do Coletivo.

Os irmãos Lumière.

Os irmãos Lumière.

Na noite de sábado (28), o Fidé promove uma mesa redonda sobre as relações entre documentário e memória, com a presença dos realizadores Andrés Di Tella, Larissa Figueiredo — cujo primeiro longa “O Touro” estreou no 44º Festival Internacional de Cinema de Roterdã — e Heloisa Passos, fotógrafa e cineasta nascida em Curitiba, membro da Associação Brasileira de Cinematografia e da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. “Construindo Pontes”, seu primeiro longa como diretora, recebeu o prêmio IDFA de melhor pitching no DocMontevideo e foi premiado recentemente no Festival de Brasília.

Como na edição de 2015, o festival terá com uma sessão Especial DocNomads, que exibe sete filmes produzidos por alunos do programa de mestrado europeu DocNomads, focado em documentarismo. Integram ainda a programação do Fidé Brasil a exposição fotográfica “24”, de Chen Hui Li, aluna da escola de fotografia Omicron, além do pocket-show de Thiago Ramalho, da banda Trombone de Frutas. Todas as atrações têm entrada franca, sujeitas à lotação da Cinemateca.

SERVIÇO

FIDÉ Brasil – Festival Internacional do Documentário Estudantil
Quando: 27, 28 e 29 de outubro de 2017
Onde: Cinemateca de Curitiba (R. Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco)
Fone: (41) 3321-3310
Ingressos: Entrada gratuita 
Informações e programação: www.fidebrasil.com
Fanpage: www.facebook.com/fidebr

Foto: Divulgação

Psicodália 2018 confirma Boogarins

25 setembro, 2017 às 10:59  |  por Cristiano Castilho

Só melhora. A banda Boogarins estará no Psicodália 2018, que acontece entre 9 e 14 de fevereiro do ano que vem. O som ao mesmo tempo torto e debochado, psicodélico e experimental dos goianos, combina muito com a essência musical do festival, que também já confirmou Jorge Ben Jor, Arrigo Barnabé, Som Nosso de Cada Dia e Tulipa Ruiz.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O último lançamento da Boogarins foi “Lá Vem a Morte” (2017), um disco curto que propõe uma sensação de incerteza ou descrença sob texturas noise – sinal dos nossos tempos, talvez? Mês passado, o grupo fez um show deliciosamente delirante na Ópera de Arame, como parte do festival que comemorava o aniversário de um ano da Arnica Cultural.  Com quatro anos de história,a banda formado por Benke Ferraz, Dinho Almeida, Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo (Macaco Bong) já tem um extenso currículo de apresentações no Brasil, Estados Unidos e Europa. O primeiro disco, “As Plantas Que Curam” (2013), é quase inteiro em lo-fi. Grandes canções em harmonias de tons maiores marcam “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos” (2015), indicado ao Grammy Latino. Lisergia frenética, improviso que se transforma em liberdade. Tem tudo para ser um dos grandes shows do Psicodália.

SERVIÇO

Psicodália 2018
De 9 a 14 de fevereiro de 2018
Fazenda Evaristo – Rio Negrinho (SC)
Ingressos e informações:  www.psicodalia.com.br

Crédito: Divulgação

Depois de Jorge Ben Jor, Psicodália anuncia Arrigo Barnabé

5 setembro, 2017 às 14:20  |  por Cristiano Castilho

Gênio indomável da Vanguarda Paulista, movimento que mexeu com as estruturas da música brasileira nos anos 80, o londrinense Arrigo Barnabé é mais uma atração confirmada para o Psicodália 2018. O show será “Claras e Crocodilos”, uma nova interpretação de seu antológico disco “Clara Crocodilo”, lançado em 1980 – ouça abaixo. Ao lado de Jorge Ben Jor, ele é o segundo nome confirmado na edição do ano que vem, que acontece de 9 a 14 de fevereiro de 2018, durante o Carnaval, na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC).

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

 

A doce estranheza de Arrigo está em levar a música atonal a um repertório popular. Seus temas são ainda contemporâneos: a frieza das metrópoles, a escuridão das vielas, a poesia urbana silenciada. E uma de suas principais referências são histórias em quadrinhos – tem tudo a ver, acredite.

Em seus 35 anos de carreira, premiada e projetada no Brasil e no exterior, Arrigo lançou oito discos e um DVD, trabalhando com diferentes mídias (cinema, teatro, rádio) e as mais diversas formas e formatos – da big band ao solo instrumental, compondo também canções, música de câmara, ópera de bolso, obras multimídia e em formato litúrgico. Nesta nova leitura de “Clara Crocodilo”,  há mais atenção ao instrumental, ainda que os vocais femininos permaneçam em seu diálogo com a voz gutural de Arrigo. “Claras e Crocodilos” foi gravado em maio em São Paulo, e lançado em CD e em versão digital pelo selo francês Defis, em julho de 2014.  O show “Claras e Crocodilos” estreou no Festival de Vanguardia (Santiago do Chile) em 2013.

SERVIÇO

O que: Psicodália 2018
Quando: 09 a 14/02/2018
Onde:  Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC)
Ingressos e informações:  www.psicodalia.com.br

Crédito: Gilson Camargo

Obra de Bolanõ é radiografada por Vladimir Safatle: “A América Latina é uma forma de violência”

15 agosto, 2017 às 13:08  |  por Cristiano Castilho

A 5.ª edição do Festival Litercultura começou na noite de ontem (14), em uma Capela Santa Maria abarrotada e com gente lá fora querendo também seu ingresso (gratuito). O escritor e filósofo Vladimir Safatle foi o convidado para a tarefa – não tão fácil – de discutir Roberto Bolaño (1953-2003) em uma hora e meia na companhia do sociólogo e professor da UFPR Rafael Ginani Bezerra. O que ouvimos foi uma aula não sobre Bolaño, mas sobre o que o escritor chileno autor de “2666” eviscerou sobre a América Latina em seu percurso literário.

“A América Latina é uma forma de violência para além do imaginário colonial”, disse Safatle, que chamou de “desterro” uma das características mais fortes da escrita de Bolaño, e de nossa existência enquanto latino-americanos. “O estado é uma forma de gestão do desaparecimento e da violência, mas a violência que interessava ao escritor tem forma, produz.”

Crédito: Gilson Camargo

Crédito: Gilson Camargo

Com leituras de trechos de “Noturno no Chile”, originalmente publicado no ano 2000, Safatle discorreu sobre o poder da literatura para denunciar, “sempre com qualidade”, os equívocos políticos e os efeitos da ditadura, não só no Chile, mas em “qualquer país sul-americano.” Embebido em propositais contradições, “Noturno no Chile” é um monólogo composto por dois parágrafos em que o padre Sebastián Delacroix repassa sua vida como literário e poeta. Vale lembrar que Bolaño foi preso durante a ditadura de Augusto Pinochet e defendeu o trotkismo nos anos 1970, época em que vagava por México, El Salvador, França e Espanha.

“Veja este trecho, por exemplo. São frases grandes com fluxo de consciência, mas também com ineditismos para o formato, como a ironia. Bolaño foi capaz de traduzir 30 anos em três páginas.” A resposta a isso pode ser entendida como uma falta de pretensão genuína, aliada a um talento nato para ler o mundo e descrevê-lo, simbolica e assertivamente. “Bolaño tinha a consciência de que seu destino era ser um escritor menor [menos lido]. Por isso ele não teve medo de perguntar sobre o mundo”, justificou Safatle.

Suas artimanhas com a literatura policial também foram destaque na fala do filósofo. “Bolaño ressignificou as estruturas tipificadas deste estilo, acrescentando drama, também algo inédito para o gênero”, disse Safatle, provavelmente se referindo ao livro “A Pista de Gelo”, obra de 1993 que inaugurou sua carreira de prosador, já que antes o chileno havia publicado somente poesias em revistas extintas que deram voz à sua fase “infrarrealista”.

Vladimir Safatle. Crédito: Gilson Camargo

Vladimir Safatle. Crédito: Gilson Camargo

De forma enfática, Safatle defendeu a obra do chileno elencando discursos antiliterários aos quais o escritor sobreviveu: o jornalismo pragmático e o texto publicitário, por exemplo. E também a ideia de que não há uma “literatura nacional”, que na verdade é uma invenção funcional de uma burguesia instituída.

Não houve menções à “2666” e a “Os Detetives Selvagens”, obras consagradas profundamente discutidas. Nem à sua poesia, ainda sem tradução no Brasil. Safatle foi por uma via paralela em que ampliou a literatura de Bolaño para vertentes históricas, sociológicas, políticas e culturais, justificando, assim, para além da qualidade de sua prosa, seu lugar entre os maiores escritores dos últimos 30 anos.

O Litercultura segue hoje, às 19h30, com o escritor Julián Fuks, vencedor do prêmio Jabuti de 2015 com o livro “A Resistência”, comentando a obra do argentino Julian José Saer, uma de suas principais influências.

 

LEE-RANALDO-by-A.F.-CORTES-M

Lee Ranaldo fala sobre disco novo, parcerias e pede mesmo clima de show no Paiol

10 agosto, 2017 às 11:41  |  por Cristiano Castilho

Base barulhenta para a loucura calculada do Sonic Youth, Lee Ranaldo está no Brasil novamente. Ano passado, fez um show solo com músicas dos discos “Last Night on Earth” (2013) e “Between the Times an Tides” (2012) – e compartilhou um cigarrinho de artista comigo em frente ao Teatro do Paiol. Para esta nova apresentação acústica, que em Curitiba acontece às 20h de domingo (13) no Espaço Fantástico das Artes, irá mostrar as canções de “Electric Trim”, seu novo disco de estúdio, a ser lançado no dia 15 de setembro.

Foto: A.F. Cortes

Foto: A.F. Cortes

De um hotel em Brasília, Lee Ranaldo conversou por telefone sobre a nova turnê e seus outros planos artísticos. Pois ele está no país para produzir a trilha sonora do filme “We Still Have the Deep Black Night”, rodado também em Berlim. “Ainda Temos a Imensidão da Noite”, será o nome do filme em seu país, diz Lee, em português arrastadinho.

O show terá músicas antigas (algumas com a banda The Dust) e muitas do novo álbum. E Sonic Youth? “Provavelmente não”, diz o guitarrista, reticente. “Electric Trim” foi gravado entre Nova York e Barcelona, em parceria com o músico e produtor catalão Raül ‘Refree’ Fernandez, um dos mais importantes e ativos profissionais da música na Espanha.

“O novo álbum soa muito diferente dos outros. Sinceramente, é uma das melhores coisas que já fiz, diz Lee. O disco contempla música eletrônica, samples, beats. “Foi um processo diferente, e bastante experimental, inclusive em sua forma de gravação.” Há diversas parcerias. “New Thing”, uma das nove faixas, tem a participação de Sharon Van Etten; em outra, faz dueto de guitarra com Nels Cline (Wilco); e seis músicas têm letra do escritor norte-americano Jonathan Lethem.

Entre shows e os trabalhos com o filme, Lee Ranaldo ficará por três semanas no Brasil. O cientista maluco do Sonic Youth também se apresenta em Ribeirão Preto (12), Rio de Janeiro (14), Belo Horizonte (16) e São Paulo (17). Sobre a última visita, só elogios, conforme o esperado. “Aquele lugar [o Paiol] é mágico e tem uma acústica impressionante. Gostei demais, e espero que o clima seja o mesmo para este novo show.”

SERVIÇO

Lee Ranaldo. Domingo (13) às 20h.
Espaço Fantástico das Artes – Rua Princesa Izabel, 465.
R$ 60. Ingressos à venda pelo sympla

vinil

2ª Feira de Discos terá 10 mil LP’s à venda e homenagem à Blindagem

31 julho, 2017 às 10:47  |  por Cristiano Castilho

Depois do sucesso da Primeira Feira de Discos da Boca Maldita, que aconteceu em fevereiro deste ano, uma nova edição do evento está marcada para o próximo sábado, 5 de agosto. Vinte e seis expositores estão confirmados, de Curitiba, São Paulo, Santos, Londrina, Maringá, Joinville e Florianópolis.

A qualidade, a diversidade e o estado de conservação do material foram os critérios utilizados pelos organizadores Horácio de Bonis (Sonic Discos) e Marcos Ramos Duarte (Joaquim Livros & Discos). Serão cerca de 10 mil vinis à venda, dos mais variados gêneros e preços.

vinil

A Feira acontece num longo período de boas notícias para o segmento. Por aqui, a Vinil Brasil já está prensando seus bolachões, e faz companhia para a Polysom. Lá fora, foi anunciada a inauguração de uma nova fábrica de vinil na Coréia do Sul, a Machang Music & Pictures. A Sony Music está construindo uma fábrica no Japão, e a previsão é de que em 2018 esteja em pleno funcionamento. Na Austrália, a Program Records informou que sua fábrica em Melbourne começa a produzir também no ano que vem.

Homenagem à Blindagem

Como parte da Feira de Discos da Boca Maldita, haverá uma homenagem à banda Blindagem, precursora do rock paranaense. Integrantes do grupo irão contar histórias e falar sobre o DVD em homenagem aos 35 anos da banda e sobre a biografia da Blindagem, que saem ainda neste ano.

SERVIÇO
2.ª Feira de Discos da Boca Maldita
Dia: 5.8.2017
Horário: 10h às 19h
Bate papo com a banda Blindagem às 11h
Entrada gratuita
Local: Slaviero Slim Centro (antigo Braz Hotel) – Rua Luiz Xavier 67- Centro (41) 3017-1000