(Alguns dos que já foram lembrados na Tied)

Tied to the 90′s volta com discotecagem em vinil e em novo local

27 abril, 2017 às 15:46  |  por Cristiano Castilho

 ♪♫♩

Silent kid, no one to remind you
You’ve got no hip, no reels to remind you
Silent kid, don’t take your pawnshop home on the road, goddamn you
Silent kid, don’t lose your graceful tone

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Uma das festas mais diletas de Curitiba está de volta. Ao menos por enquanto. A Tied to the 90′s, que reuniu por quase seis anos no James Bar um público cativo (e divertido, e mascarado, e quase dançante) em torno do rock e do indie dos anos 90, acontece em versão extraordinária neste sábado (29), a partir das 21 horas no Ornitorrinco – veja serviço completo abaixo.

(Todos que já tocaram na Tied no sofá do James)

(Todos que já tocaram na Tied no sofá do James)

Haverá discotecagem em vinil com Lucas Nonose (da dupla Disco Veneno), e a ideia é realizar versões bimestrais ou trimestrais, com algumas novidades. Quem explica melhor, no texto abaixo, é Marcell Boaretto, dono de um bom gosto musical daqueles, idealizador do negócio todo e herói da resistência noventista:

A Tied nunca terminou efetivamente, entrou num hiato indefinido. Estávamos há quase seis anos no James, e no último ano e meio, por causa da mudança da Sol [Solange Lingnau, co-criadora da Tied] pra São Paulo, eu vinha produzindo sozinho. Estava cansado, realmente precisando desse tempo. Neste último ano, em que não houve edições, bastante gente comentou que sentia falta da festa, mas eu só me motivaria pra voltar se houvesse alguém me ajudando na produção. Nesse meio tempo conheci a Mayume, e a gente tentou produzir juntos uma Tied com discotecagem da banda inglesa Yuck [que se apresentou na Arnica Cultural em novembro de 2016], mas no fim acabou não rolando. Nos demos bem nesse trabalho, e a experiência de trabalhar em dupla novamente foi legal. Aí convidei ela pra me ajudar nessa retomada da festa. Temos gostos parecidos e ela também faz parte do Coletivo 56, que agora faz a parte visual da Tied – durante a festa (isso é uma novidade). Sobre as mudanças: agora é no Ornitorrinco. O James foi uma ótima casa por todo esse período, mas a ideia é fazer algo menor, quase que como a festa pela festa, a festa pela música, sem a necessidade de uma pista fervilhando o tempo todo. Claro que a Tied é para as pessoas dançarem, mas nosso plano sempre foi atraí-las pela música. Dançar é quase uma consequência. No mais, teremos as máscaras, como sempre, e não mais as coletâneas em CD. O convidado dessa edição é o Lucas Nonose, que já tocou em algumas edições e acredito ser nosso convidado mais frequente. Para completar, haverá mini sets especiais shoegaze no decorrer do período (tem show do Slowdive chegando!). As duas edições shoegaze que fizemos anteriormente, para mim, foram das mais memoráveis. Inclusive a edição mais cheia de 2015 foi uma shoegaze, num dia com chuva torrencial.”

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SERVIÇO

Tied to the 90′s

Dia 29 de abril (sábado), a partir das 21h

Ornitorrinco – Rua Benjamin Constant, 400

Lu Mayume e Marcell Boareto recebem Lucas Nonose (Disco Veneno)

R$ 12

João Triska (Foto: Divulgação)

Paço Folk estreia com três shows; Jorge Drexler está na mira

26 abril, 2017 às 14:44  |  por Cristiano Castilho

João Triska, Juliana Cortes e o Grupo Fato darão a largada, amanhã (27) à noite, no projeto Paço Folk, iniciativa que pretende difundir a música sul-americana e promover o intercâmbio entre artistas de diferentes regiões do Brasil. A essência de tudo é o diálogo destes músicos com as raízes folclóricas (num sentido cultural mais amplo) de sua região.

Para Triska, conhecido por cantar as coisas do Paraná, mas também por se enveredar pela música do sul do continente – aquilo que se chamou de “estética do frio” – discutir o folk é pensar a relação entre o universal e o regional e suas possíveis formas de expressão. Ainda sobre Triska, idealizador do negócio: Milonga Flor”, uma das faixas de seu disco mais recente, “Iguassul” (ouça abaixo), venceu o Prêmio Grão de Música 2017. E no próximo sábado (29), ele concorre ao Prêmio Profissionais da Música 2017, como Melhor Artista Regional.

João Triska (Foto: Divulgação)

João Triska (Foto: Divulgação)

Ao longo deste ano, serão realizados quatro espetáculos trimestrais com artistas convidados (fala-se até em Jorge Drexler!), além de bate-papos, palestras e exibições de filmes. Tudo para se rediscutir a utilização da expressão folk – ao som de boa música.

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SERVIÇO

1º Paço Folk

João Triska, Juliana Cortes e Grupo Fato

Dia 27 de abril (quinta-feira), às 20h

Sesc Paço da Liberdade – Praça Generoso Marques, 189

R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada e comerciários)

Informações: 3234-4200

 

Estrela  e Téo (Foto:

Estrela Leminski e Téo Ruiz: rebeldia fonográfica e um “não” ao amor clichê

24 abril, 2017 às 14:25  |  por Cristiano Castilho

É um misto entre rebeldia fonográfica (na forma) e interpretação de nossos tempos (no conteúdo). Estrela Leminski e Téo Ruiz, o casal (não são irmãos, “de uma vez por todas”) de músicos e compositores lançou ontem (23), em evento concorrido no espaço “A Caiçara”, três clipes de três canções inéditas que estarão presentes no próximo disco da dupla, “Tudo Que Não Quero Falar Sobre Amor”, previsto para setembro deste ano. A música “Nosso Livro”, com produção de Pupillo, baterista da Nação Zumbi, ganhou vídeo de Luciano Coelho – do filme “A Linha Fria do Horizonte”, sobre Vitor Ramil. “Blues do Encanto” teve produção de Rodrigo Lemos (Lemoskine, Naked Girls and Aeroplanes) e virou clipe nas mãos de Bernardo Rocha. E o vídeo da música “Biografia” (parceria da dupla com Bernardo Bravo), também produzida por Lemos, foi dirigido por João Marcelo. Os três vídeos estarão disponíveis em breve no canal dos músicos no YouTube. E a ideia é essa: lançar os clipes antes do disco – que não trata do amor ortodoxo – e colaborar com o maior número possível de artistas.

Estrela  e Téo (Foto: Janete Anderman)

Estrela e Téo (Foto: Janete Anderman)

“Cada música é uma obra em si”, me diz Téo Ruiz, numa quinta-feira à tarde, no calçadão do Largo da Ordem. Desafiar (ou resgatar) o conceito de álbum também é uma provocação da dupla, cujo último lançamento foi “Leminskanções”, em 2014, disco em que gravaram músicas de Paulo, pai de Estrela Leminski. Para “Tudo Que Não Quero Falar Sobre Amor” acontecer foi necessário ativar contatos adormecidos ou deslocar alguns objetivando a produção artística, para que o resultado fosse, mais do que tudo, colaborativo. Assim, o disco terá 12 músicas gravadas em quatro cidades diferentes (Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre), com sete produtores musicais (além dos já citados Pupillo e Rodrigo Lemos, Marcelo Fruet, John Ulhoa, Guilherme Kastrup, Dante Ozzetti e Fred Teixeira) e dez diretores e diretoras da cidade: Luciano Coelho, Gustavo Guimarães, Juliana Sanson, Bernardo Rocha, Carol Winter, Marta Souza, João Marcelo Gomes, Carlon Hardt, Lucas Fernandes e Paulo Biscaia.

Os produtores escolheram seus músicos de preferência para gravar o disco, diz Estrela, e por isso a dupla tem “uma banda em cada cidade.” Ela, aliás, voltou a tocar bateria. E na pior das hipóteses, o show sem uma banda “irá ficar meio White Stripes”. De John Ulhoa, do Pato Fu, por exemplo, quiseram o pop não imaturo. De Pupillo, algo visceral típico da Nação Zumbi. Em todas as faixas, avisa a dupla, há algum tipo de ruído, interferência, seja como ponto de partida instrumental ou desdobramento natural da canção – uma das músicas virou sampler dela mesma, me avisa Estrela. Para a aventura não soar como um samba do polaco doido, Fred Teixeira foi o único responsável pela mixagem do disco.

Não ao amor standard

O que embala este projeto multiartístico, presente nas letras, principalmente, é o amor, mas não aquele – idealizado, platônico, acomodado. “Em nenhuma música falamos do amor clichê”, diz o casal, quase em uníssono. “Não fazemos som fofinho, nunca fizemos, aliás”, defende Téo. Política, poliamor, a intenção da palavra e a agressividade não escorrida são temas das canções. “O amor idealizado não cabe mais. Nós saímos de uma infância política e a hipocrisia está mais escancarada. Nossa crise é ética. Não dá pra ser quem a gente não é”, diz Estrela.

Este compromisso com o tempo futuro, com o anticonservadorismo, é natural para o casal. O contato com adolescentes (têm filhos de 16 e 9 anos) e a lição de casa, principalmente no caso de Estrela, fazem o processo ser natural e atemporal. É como se precisássemos todos também, vez em quando, sermos filhos de Paulo Leminski e Alice Ruiz. “Nunca consegui contar uma novidade em casa. Eles já estavam por dentro de tudo.”

A versão em CD de “Tudo Que Não Quero Falar Sobre Amor” sai em setembro, pela YB Music. Abaixo, o cronograma de lançamento dos outros clipes do disco:

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Curitiba

11 de maio

Paradis Club – Rua Paula Gomes, 306

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Belo Horizonte

24 de junho

Benfeitoria

*

São Paulo

22 de julho

AP 80

*

Curitiba

Arnica Cultural

27 de agosto

redoma 1

Redoma #7: sobrinho de Villa-Lobos é DJ em festa libertária

13 abril, 2017 às 12:04  |  por Cristiano Castilho

O DJ e produtor Pedro Manara, sobrinho-neto de Heitor Villa-Lobos, é uma das atrações da sétima edição do projeto Redoma, que baixa acampamento novamente em Curitiba neste sábado (15), a partir das 17h, em uma casa-jardim (com alvará) na Rua Eduardo Sprada, 4320, no Campo Comprido. As bandas EBPM, Obake, LIFE e O Tronxo (Amazonas) também tocam na área externa do espaço. À noite, a pista acontece com os artistas Sannanda (Seminal Records), Dannyhell (Tela Bruta-SP), Meste Xin (MUB Records-RJ), Harshdüst (Fluxxx-SP), Cláudio Rotunno (Alter Disco) e Manara (4Finest Ears-RJ). Mas a música é só um pedaço.

Pedro Manara, sobrinho-neto de Heitor Villa-Lobos.

Pedro Manara, sobrinho-neto de Heitor Villa-Lobos.

Independente, a Redoma é uma festa itinerante que provoca e propõe. A equipe, hoje com 13 integrantes de diversas áreas artísticas, é conhecida por ocupar espaços públicos de Curitiba e fazer deles uma celebração democrática a céu aberto. O objetivo é a distribuição igualitária da música e da arte, com o foco final na conscientização sócio-política. As festas em espaços fechados, como a que acontece neste sábado, são para angariar fundos para que o projeto siga adiante em sua proposta.

redoma 1

“Atingimos a minoria que não tem poder aquisitivo para estar dentro de um clube ou de uma casa de shows. Nossa essência é o colaborativismo, os protestos em busca de igualdade, todas elas, e manifestações artísticas”, diz Lourene Nicola, DJ e uma das cabeças à frente da Redoma. “O nome da festa significa proteção. Quando você põe uma redoma em algo, está protegendo aquilo. É um refúgio para que as pessoas possam se expressar livremente, se sentirem bem”.

Redoma nas Ruínas de São Francisco: ocupação e mobilização.

Redoma nas Ruínas de São Francisco: ocupação e mobilização.

Quatro grafiteiros, três instalações em tecnologia, doze expositores (pintura, foto e fotojornalismo). feira de vinil e antiguidades, três marcas de roupas curitibanas, 16 performers, tatuagem interventiva e uma peça de teatro completam o “lineup” da Redoma 7, que pretende reunir 500 cabeças abertas.

Ouça “Ihnteractions”, disco de estreia de Pedro Manara:

SERVIÇO

Redoma_sete > analógica <

Sábado (15), a partir das 17h.

Rua Eduardo Sprada, 4320.

Ingresso: R$ 30 – pode ser adquiridos online aqui.

pallets

Pallets lança vinil em show com a imperdível Nevilton

6 abril, 2017 às 11:45  |  por Cristiano Castilho

Era de se esperar. Com influências diretas do rock dançante da década de 70 e embriagada na sujeira do garage rock dos 60, a banda Pallets lança nesta sexta-feira (7), com show no Jokers Pub, o seu primeiro álbum em vinil – um compacto em sete polegadas com duas músicas inéditas. O ótimo power trio Nevilton, de Umuarama, radicado em São Paulo, também se apresenta.

pallets

Nascida e criada em São José dos Pinhais há 12 anos, a Pallets tem três EPs e um disco lançados – “Independência ou Sorte”, de 2012. O compacto em vinil tem participações especiais de Birlla Malerba, da banda Trilho, e Rafael Marchiorato, tecladista do grupo O Sebbo. O disco foi prensado pela Polysom, no Rio de Janeiro.

A Nevilton é um dos grandes nomes do rock nacional recente. Power trio competentíssimo, com influências do indie rock e do power pop dos anos 90, e foi indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Rock de Álbum de Rock Brasileiro, pelo disco “Sacode!” (2013).

 

SERVIÇO

Pallets em Vinil + Nevilton

Sexta-feira, 07/04 – 22h

Jokers Pub (Rua São Francisco, 164 – Centro)

$15 antecipado

$25 na hora

Pontos de Venda:

Estúdio dos Pallets

Villa Bambu Cantina

Rei Arthur Hamburgueria Gourmet

Jokers

 

arnica embargo

Arnica fechada e Ilíada na Câmara: sensibilizai-vos, parlamentares

4 abril, 2017 às 14:06  |  por Cristiano Castilho

Na próxima quinta-feira, às 19 horas, o Palácio Rio Branco, sede da Câmara Municipal de Curitiba, irá receber a apresentação/interpretação do poema épico grego “Ilíada”, de Homero. O ator Richard Rebelo, da companhia Iliadahomero, preparou o Canto 16, que narra o momento em que Pátroclo pede armadura, armas e a permissão a Aquiles para entrar na luta contra os troianos. Simbólico.

De iniciativa do vereador Goura (PDT), este é um evento inédito no prédio construído no século 19. A importância vai além da performance. A Ilíada é uma obra de fundação da sociedade ocidental e os textos de Homero ainda hoje fornecem exemplos de virtude a serem seguidos. Sem mais filosofagens, é uma oportunidade rara de sensibilizar o poder legislativo – isso se nossos vereadores permanecerem até depois do expediente – e de resgatar o papel do parlamentar na vida cultural na cidade. Pois estamos precisando.

arnica embargo

A Arnica Cultural, um dos espaços mais interessantes de Curitiba, foi o último a ser momentaneamente silenciado. A casa no Bigorrilho, que recebeu shows de Metá Metá, Curumin, Nomade Orquestra, Apanhador Só, Di Melo, Yuck e muitos etc., foi embargada a pedido do Ministério Público. O problema é o alvará, mas não só isso: é a pragmatização agressiva da fiscalização. Bares e espaços culturais da cidade, recentemente, vivem uma cruzada inacabável para entrar nos eixos agora postos. Legalmente, o espaço não pode realizar eventos ao ar livre com música ao vivo. Uma tentativa foi pedir o alvará de “centro cultural” à prefeitura – o que tecnicamente habilitaria a Arnica – mas também nada feito. Até a polícia apareceu e, no último domingo, o MP pediu o embargo. Há relatos de que integrantes da comitiva tiraram selfies em frente a placa que lacrou a porta, como se comemorassem ali mais uma empreitada de sucesso.

Sensibilidade e bom senso são algumas das virtudes de quem se interessa por cultura – no sentido amplo mesmo, universal. Sabemos que a Arnica é um espaço altamente democrático, sustentável e formador. Esta intransigência quase violenta com o que está dando certo poderia ser revertida em ajuda e assistência para que as coisas se ajustem legalmente – é o que todos querem. Em vez de fechar portas, ajudar a abri-las ainda mais.

Se o silenciar em progressão da cidade for apenas o resultado de inconsistências técnicas e jurídicas, as virtudes morais de Homero podem dar uma mãozinha. Porque como já disseram, burocracia em excesso é reação à falta de paixão.

 

SERVIÇO

Apresentação do canto 16 da Ilíada, de Homero
Por Companhia Iliadahomero
Dia 6 de abril (quinta-feira), às 19 horas
Câmara Municipal de Curitiba
Palácio Rio Branco
Rua Barão do Rio Branco, 720, Centro.
Entrada gratuita
Informações: (41) 3350 4500 ou www.cmc.pr.gov.br.

Espetáculo aconteceu na Rua XV, no Centro de Curitiba. Foto: Franklin de Freitas.

Espectador é atingido por pedra durante peça anti-homofóbica

30 março, 2017 às 15:34  |  por Cristiano Castilho

O estudante de teatro Maicon Silverio, de 26 anos, foi atingido no ombro direito por uma pedra durante a exibição do espetáculo “Campeonato Interdrag de Gaymada”, ontem (29) à tarde, na Boca Maldita, Centro de Curitiba. Parte da programação do Festival de Curitiba, a peça do coletivo mineiro Toda Deseo discute diversidade sexual com bom humor e trabalha questões relativas à intolerância com gays, drag queens e transgêneros, sempre com apresentações em espaços públicos.

Espetáculo aconteceu na Rua XV, no Centro de Curitiba. Foto: Franklin de Freitas.

Espetáculo aconteceu na Rua XV, no Centro de Curitiba. Foto: Franklin de Freitas.

“A peça estava prestes a começar e de repente senti uma pancada forte no ombro. Não vi da onde veio”, diz Maicon, que foi socorrido por produtores do festival e pelos próprios atores. “O que me deixou mais em choque foi a agressão acontecer às 4 e meia da tarde justamente durante uma peça que prega a tolerância”, explica o estudante da FAP. Maicon não registrou queixa na Polícia e o espetáculo continuou normalmente. “Chorei porque acho que a cidade não está preparada para receber esse tipo de intervenção, que representa eu e muita gente”.

O “Campeonato Interdrag de Gaymada” estreou em Belo Horizonte, em 2015. “Nunca tivemos nenhum problema, além de alguns xingamentos e agressões verbais que transformamos em risos”, diz David Maurity, 29 anos, ator e fundador do grupo Toda Deseo. Maurity tomou conhecimento da situação quando um produtor foi atender o estudante ferido. “Por isso tudo, acho que peças como essas são cada vez mais urgentes para uma cidade como Curitiba.”

Pedra atingiu o ombro de Maicon Silverio. Foto: Reprodução/ Facebook

Pedra atingiu o ombro de Maicon Silverio. Foto: Reprodução/ Facebook

 

“Cuidado com Curitiba”

Antes de vir para o Festival de Curitiba, David foi avisado por amigos e colegas atores sobre a suposta intolerância da cidade com LGBTS. “Nos disseram para tomar cuidado, para não andarmos sozinhos à noite, mas nunca imaginei que isso pudesse acontecer”, diz o ator mineiro.

O “Campeonato Interdrag de Gaymada” acontece novamente hoje (30), às 16h, no Passeio Público. “Vamos apresentar a peça normalmente. Nosso único medo é a chuva.” No Festival de Curitiba, o grupo Toda Deseo também apresenta a peça Nossa Senhora [da Luz], nos dias 1º e 2 de abril, às 20h, na Praça Santos Dumont.

O Festival de Curitiba, via coordenadoria de comunicação, diz que lamenta o ocorrido. “O Festival é contra qualquer tipo de violência e algumas peças presentes na programação são para dar voz às minorias.”

 

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Clipe em 360º celebra o aniversário de todas as Curitibas

29 março, 2017 às 11:16  |  por Cristiano Castilho

Que Curitiba comemora aniversário? Para Fernanda Koppe (cello) e Cacau de Sá (voz), integrantes da banda Mulamba, é aquela dos museus, dos bares, mas também as dos contrastes. A Curitiba da mistura de gente e dos indigentes. De um povo que já não dá para ignorar. “Acorda, cidade”, canta Cacau em “Curitiba 360”, música lançada hoje pelo duo. 

Com produção musical de Filipe Lopes, a música ganhou um clipaço em 360 graus, realizado pela sempre criativa Asteroide. Ver o todo, o que está em volta, é a ideia da música e do vídeo. “Quisemos mostrar também os pontos e povo que não estão nos cartões postais. A cidade em sua forma mais real”, diz Tiago Gavassi, sócio da Asteroide e diretor do filme. Fernanda diz que a música foi escrita a partir de um sentimento de pertencimento e de união, de curitibanos ou não. Por isso a Vila Torres também faz parte das locações.

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A edição da experiência em 360º foi desenvolvida remotamente em São Francisco, nos Estados Unidos, sede do braço internacional da produtora. Leonardo Scholz foi responsável pela pós-produção. 

Em tempos de olhares retilíneos, atropelos ideológicos e repressões demagogas, olhar ao redor se faz necessário. Talvez seja o maior presente de Curitiba para ela mesma. A começar por quem dita as regras por aqui, na cidade inventada, que chega hoje aos 324 anos.

Abaixo, assista ao vídeo – e interaja com ele.

 

 

 

 

 

coutinho

Cine Esquina exibe último filme de Eduardo Coutinho

27 março, 2017 às 11:33  |  por Cristiano Castilho

Em novembro de 2013, Eduardo Coutinho terminava as filmagens daquele que seria seu derradeiro documentário. Não deu tempo. O cineasta foi assassinado pelo filho em 2 de fevereiro de 2014. “Últimas Conversas”, que será exibido em dois horários no Sesc da Esquina na próxima quinta-feira, 30 de março, foi finalizado por João Moreira Salles, um dos amigos íntimos do melhor “conversador” do país; e montado por Jordana Berg, parceira do documentarista desde “Santo Forte” (1999). Por isso, a despedida é um Coutinho peculiar.

O filme é um apanhado de dez entrevistas com jovens do terceiro ano de escolas públicas do Rio de Janeiro. Ao estilo Coutinho: uma cadeira, uma sala vazia, perguntas e respostas – e lágrimas e confissões. As cenas iniciais certamente não estariam no filme se o destino fosse outro. Porque vemos um Coutinho ranzinza sendo “entrevistado”. Descrente como quase sempre, deslegitima o próprio projeto, o que revela a crise pela qual passava, talvez desde “Jogo de Cena(2007), seu último grande trabalho. “Me arrependo de não ter feito um filme com crianças. Elas não sabem fingir”, diz o diretor. “Este é um filme que vai dar errado”, avisa. Não deu errado. Mas não é um grande Coutinho.

coutinho

Últimas Conversasé, de certa forma, uma análise qualitativa da juventude da classe média-baixa brasileira. No miolo das dez entrevistas, há temas contemporâneos e importantes. Vemos um Coutinho mais conversador, embora um pouco irritadiço – ele convivia com um problema de audição, algo normal aos 80 anos, mas o fim do mundo para quem fez da vida um confessionário.

Há meninas negras que falam sobre cotas; meninos negros que sonham em ser poetas; filhas de prostitutas que precisam ganhar dinheiro; sofredores de bullying; há quem veja na companheira da mãe uma “padastra”; e, por fim, uma criança, a menina Luiza, a única que desafia o silêncio revelador de Coutinho – “agora eu não sei o que dizer” –, e para quem Deus é “o homem que morreu”. Ainda impressiona o clima de partilha criado quase instantaneamente. É que aquele velhote gentil, de cabelos brancos e voz de pigarro, despertava confiança naturalmente.

 

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Serviço

Cine Esquina – “Últimas Conversas”, de Eduardo Coutinho

Local: Sesc da Esquina – Rua Visconde do Rio Branco, 969.

Quinta-feira (30), às 12 e às 18h.

Entrada gratuita

skank 2

Tributo a Skank reúne 34 bandas da nova geração – 4 são paranaenses

22 março, 2017 às 11:03  |  por Cristiano Castilho

Da batida reggae do início da carreira, até escancararem suas influências de rock inglês e do Clube da Esquina em trabalhos recentes, poucas bandas na história da música pop nacional foram tão bem sucedidas como o Skank. Se você ligasse o rádio há 20 anos, as chances de ouvir a banda mineira seriam enormes. “É Uma Partida de Futebol”, “Eu Disse a Ela”, “Tão Seu” e o megahit “Garota Nacional” estavam invariavelmente entre as músicas mais pedidas. Elas estão no disco “O Samba Poconé”, lançado pelo grupo de Samuel Rosa há duas décadas. O álbum, terceiro do grupo, foi o sucessor de “Calango”, também sucesso de vendas, que trazia “Jackie Tequila” e o cover de “É Proibido Fumar” como unanimidades. 

skank

É essa mistura de musicalidade, inovação, pegada pop e reconhecimento que motivou o site Scream&Yell a produzir a Coletânea “Dois Lados”. Mais que uma homenagem ao Skank, é uma forma de revisitar uma das bandas de maior sucesso da música brasileira, com releituras de 34 artistas da nova geração – Dani Black, Francisco el Hombre, Wado, Graveola e Garotas Suecas estão entre elas.

Quinze estados estão representados – veja lista completa abaixo. Aqui da terrinha, Ana Larousse e Leo Fressato interpretam “Tão Seu”; A Banda Mais Bonita da Cidade canta “Canção Noturna”. Tuyo, que participou do The Voice Brasil, escolheu a música “Três Lados”; e Nevilton ficou com “Te Ver”. A trajetória do Skank foi marcada por um flerte com o pop radiofônico, que os levou ao topo das paradas durante anos e abriu caminho para toda uma nova geração não só de Minas Gerais, mas do país inteiro, entusiasmada pela possibilidade de fazer música de qualidade e com forte apelo popular. 

skank 2

O lançamento de “Dois Lados” está previsto para a primeira semana de junho. Será um álbum duplo, com 30 faixas e 3 bônus track. O produto final será disponibilizado para streaming e download gratuito na página do Scream&Yell e em seus perfis nas redes sociais.

O projeto “Dois Lados” foi idealizado e produzido pelo mineiro Pedro Ferreira, responsável pela homenagem ao Los Hermanos em 2012 (a coletânea “Re-Trato”), e pela homenagem a Milton Nascimento e o Clube da Esquina em 2015 (a coletânea “Mil Tom”). O disco ainda contará com a artista Luyse Costa, ilustradora encarregada pelo projeto gráfico dessas homenagens.

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Quem participa:

A Banda Mais Bonita da Cidade (PR) 
Ana Larousse e Leo Fressato
 (PR)
Ana Muller (ES)
AnaVitória (TO)
As Bahias e a Cozinha Mineira (SP)
André Abujamra (SP)
Cobra Coral (MG)
Costa Gold (SP)
Dani Black (SP)
Esteban (RS)
Fernando Anitelli (SP)
Francisco El Hombre (SP)
Garotas Suecas (SP)
Graveola (MG)
Ian Ramil (RS)
Jéf (RS)
Lulina (PE) 
Manitu 
(MG)
Medulla (RJ)
Nevilton (PR)
Phillip Long (SP)
Phill Veras (MA)
Quarup (SP)
Rico Dalasam (SP)
Selvagens à Procura de Lei (CE)
Seu Pereira e Coletivo 401 (PB)
Sr. Gonzales (DF)
Teago Oliveira (Maglore) (BA)
The Baggios (SE)
Transmissor (MG)
Tuyo (PR) 
Wado (AL)
Zé Manoel (PE)