Arquivos da categoria: Sem categoria

Foto: Gustavo Rodrigues

Festival Estopim reúne plêiade de bandas e discute cenário independente

21 novembro, 2017 às 10:20  |  por Cristiano Castilho

A brazuca-latina Francisco, el Hombre (indicada ao Grammy Latino deste ano), a banda goiana Carne Doce, o quinteto pernambucano Tagore, e as curitibanas Mulamba, Tuyo e Trombone de Frutas são as atrações confirmadas para o Festival Estopim, que acontece entre os dias 15 e 17 de dezembro em local a ser confirmado. Com painéis sobre a música independente no Brasil, o evento pretende fomentar novas conexões e tornar-se um combustível para pensar e articular ainda mais a dita “cena curitibana”.

Foto: Gustavo Rodrigues

Foto: Gustavo Rodrigues

Os painéis – cujos convidados ainda não foram anunciados – discutirão três eixos temáticos: festivais, selos e circulação. Tendo em vista o histórico da Arnica, que começou com uma casa/estúdio/palco, enfrentou a burocracia pública para manter sua contribuição artística, tornou-se um coletivo de produção e promoção de cultura e conquistou lugar no Festival Coolritiba, na Pedreira Paulo Leminski, é de se entender que este é um caminho natural.

“Nosso objetivo sempre foi profissionalizar o cenário independente, com pró-atividade e coragem para desconstruir”, diz Rodrigo Chavez, um dos gestores da Arnica.

SERVIÇO

Festival Estopim
Data: 15, 16 e 17 de dezembro
Local: a confirmar
Valor: painéis gratuitos | shows R$ 30 por dia ou R$ 50 o passaporte (1º lote)
Ingressos: plataforma Sympla

Escritor Ricardo Piglia em cena de "327 Cadernos", de Andrés di Tella.

Fidé 2017 apresenta 29 documentários, debates e sessões raras

24 outubro, 2017 às 10:35  |  por Cristiano Castilho

Os recém-encerrados Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro, Petit Pavé – Festival de Cinema Independente de Curitiba, o Festival de Cinema da Bienal de Curitiba (programado para novembro) e o Fidé – Festival Internacional do Documentário Estudantil, cuja quarta edição em Curitiba acontece entre os dias 27 e 29 de outubro, dão a letra: o cinema independente, artístico, autoral e alternativo é realidade na capital fria.

Escritor Ricardo Piglia em cena de "327 Cadernos", de Andrés di Tella.

Escritor Ricardo Piglia em cena de “327 Cadernos”, de Andrés di Tella.

Depois do sucesso de público em sua terceira edição na cidade, há dois anos, o Fidé 2017 apresenta 29 documentários, entre curtas, médias e longas-metragens, originários de 15 países tão diversos como Inglaterra e Senegal – veja a programação completa aqui. Todas as sessões serão na Cinemateca e terão entrada gratuita. “Ao colocarmos lado a lado documentários originários de países com culturas tão diversas, como República Tcheca, Israel, Argentina, Ucrânia e Brasil, entre outros, ficam evidentes as diferenças de linguagem e abordagem, além de sua riqueza temática. Poder identificar tais distinções e refletir sobre elas junto ao público é uma forma de ampliar não só nossa compreensão sobre o documentarismo, como nossa compreensão humana”, dizem os organizadores.

Os filmes selecionados têm em comum apenas o fato de terem sido produzidos por estudantes – à exceção do filme de abertura, do documentarista argentino Andrés Di Tella. O experiente cineasta portenho nos apresenta, em sessão inédita em Curitiba na sexta (27) às 19h30, o filme “327 Cadernos”, um documentário sobre o escritor Ricardo Piglia, morto em janeiro deste ano. O autor de “Respiração Artificial” recebeu o diagnóstico de sua esclerose lateral amiotrófica durante as filmagens, e isso, de alguma forma, faz parte do filme.

Também está programada uma sessão retrospectiva de filmes dos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière, considerados inventores do cinema e pioneiros do documentário. A sessão, que conta com o apoio do Cineclube Atalante, exibirá cópias digitais restauradas de 60 filmes de curtíssima duração, realizados pela dupla entre 1895 e 1905. Após a sessão haverá um bate-papo com membros do Coletivo.

Os irmãos Lumière.

Os irmãos Lumière.

Na noite de sábado (28), o Fidé promove uma mesa redonda sobre as relações entre documentário e memória, com a presença dos realizadores Andrés Di Tella, Larissa Figueiredo — cujo primeiro longa “O Touro” estreou no 44º Festival Internacional de Cinema de Roterdã — e Heloisa Passos, fotógrafa e cineasta nascida em Curitiba, membro da Associação Brasileira de Cinematografia e da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. “Construindo Pontes”, seu primeiro longa como diretora, recebeu o prêmio IDFA de melhor pitching no DocMontevideo e foi premiado recentemente no Festival de Brasília.

Como na edição de 2015, o festival terá com uma sessão Especial DocNomads, que exibe sete filmes produzidos por alunos do programa de mestrado europeu DocNomads, focado em documentarismo. Integram ainda a programação do Fidé Brasil a exposição fotográfica “24”, de Chen Hui Li, aluna da escola de fotografia Omicron, além do pocket-show de Thiago Ramalho, da banda Trombone de Frutas. Todas as atrações têm entrada franca, sujeitas à lotação da Cinemateca.

SERVIÇO

FIDÉ Brasil – Festival Internacional do Documentário Estudantil
Quando: 27, 28 e 29 de outubro de 2017
Onde: Cinemateca de Curitiba (R. Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco)
Fone: (41) 3321-3310
Ingressos: Entrada gratuita 
Informações e programação: www.fidebrasil.com
Fanpage: www.facebook.com/fidebr

Foto: Divulgação

Psicodália 2018 confirma Boogarins

25 setembro, 2017 às 10:59  |  por Cristiano Castilho

Só melhora. A banda Boogarins estará no Psicodália 2018, que acontece entre 9 e 14 de fevereiro do ano que vem. O som ao mesmo tempo torto e debochado, psicodélico e experimental dos goianos, combina muito com a essência musical do festival, que também já confirmou Jorge Ben Jor, Arrigo Barnabé, Som Nosso de Cada Dia e Tulipa Ruiz.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O último lançamento da Boogarins foi “Lá Vem a Morte” (2017), um disco curto que propõe uma sensação de incerteza ou descrença sob texturas noise – sinal dos nossos tempos, talvez? Mês passado, o grupo fez um show deliciosamente delirante na Ópera de Arame, como parte do festival que comemorava o aniversário de um ano da Arnica Cultural.  Com quatro anos de história,a banda formado por Benke Ferraz, Dinho Almeida, Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo (Macaco Bong) já tem um extenso currículo de apresentações no Brasil, Estados Unidos e Europa. O primeiro disco, “As Plantas Que Curam” (2013), é quase inteiro em lo-fi. Grandes canções em harmonias de tons maiores marcam “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos” (2015), indicado ao Grammy Latino. Lisergia frenética, improviso que se transforma em liberdade. Tem tudo para ser um dos grandes shows do Psicodália.

SERVIÇO

Psicodália 2018
De 9 a 14 de fevereiro de 2018
Fazenda Evaristo – Rio Negrinho (SC)
Ingressos e informações:  www.psicodalia.com.br

Crédito: Divulgação

Depois de Jorge Ben Jor, Psicodália anuncia Arrigo Barnabé

5 setembro, 2017 às 14:20  |  por Cristiano Castilho

Gênio indomável da Vanguarda Paulista, movimento que mexeu com as estruturas da música brasileira nos anos 80, o londrinense Arrigo Barnabé é mais uma atração confirmada para o Psicodália 2018. O show será “Claras e Crocodilos”, uma nova interpretação de seu antológico disco “Clara Crocodilo”, lançado em 1980 – ouça abaixo. Ao lado de Jorge Ben Jor, ele é o segundo nome confirmado na edição do ano que vem, que acontece de 9 a 14 de fevereiro de 2018, durante o Carnaval, na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC).

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

 

A doce estranheza de Arrigo está em levar a música atonal a um repertório popular. Seus temas são ainda contemporâneos: a frieza das metrópoles, a escuridão das vielas, a poesia urbana silenciada. E uma de suas principais referências são histórias em quadrinhos – tem tudo a ver, acredite.

Em seus 35 anos de carreira, premiada e projetada no Brasil e no exterior, Arrigo lançou oito discos e um DVD, trabalhando com diferentes mídias (cinema, teatro, rádio) e as mais diversas formas e formatos – da big band ao solo instrumental, compondo também canções, música de câmara, ópera de bolso, obras multimídia e em formato litúrgico. Nesta nova leitura de “Clara Crocodilo”,  há mais atenção ao instrumental, ainda que os vocais femininos permaneçam em seu diálogo com a voz gutural de Arrigo. “Claras e Crocodilos” foi gravado em maio em São Paulo, e lançado em CD e em versão digital pelo selo francês Defis, em julho de 2014.  O show “Claras e Crocodilos” estreou no Festival de Vanguardia (Santiago do Chile) em 2013.

SERVIÇO

O que: Psicodália 2018
Quando: 09 a 14/02/2018
Onde:  Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC)
Ingressos e informações:  www.psicodalia.com.br

Crédito: Gilson Camargo

Obra de Bolanõ é radiografada por Vladimir Safatle: “A América Latina é uma forma de violência”

15 agosto, 2017 às 13:08  |  por Cristiano Castilho

A 5.ª edição do Festival Litercultura começou na noite de ontem (14), em uma Capela Santa Maria abarrotada e com gente lá fora querendo também seu ingresso (gratuito). O escritor e filósofo Vladimir Safatle foi o convidado para a tarefa – não tão fácil – de discutir Roberto Bolaño (1953-2003) em uma hora e meia na companhia do sociólogo e professor da UFPR Rafael Ginani Bezerra. O que ouvimos foi uma aula não sobre Bolaño, mas sobre o que o escritor chileno autor de “2666” eviscerou sobre a América Latina em seu percurso literário.

“A América Latina é uma forma de violência para além do imaginário colonial”, disse Safatle, que chamou de “desterro” uma das características mais fortes da escrita de Bolaño, e de nossa existência enquanto latino-americanos. “O estado é uma forma de gestão do desaparecimento e da violência, mas a violência que interessava ao escritor tem forma, produz.”

Crédito: Gilson Camargo

Crédito: Gilson Camargo

Com leituras de trechos de “Noturno no Chile”, originalmente publicado no ano 2000, Safatle discorreu sobre o poder da literatura para denunciar, “sempre com qualidade”, os equívocos políticos e os efeitos da ditadura, não só no Chile, mas em “qualquer país sul-americano.” Embebido em propositais contradições, “Noturno no Chile” é um monólogo composto por dois parágrafos em que o padre Sebastián Delacroix repassa sua vida como literário e poeta. Vale lembrar que Bolaño foi preso durante a ditadura de Augusto Pinochet e defendeu o trotkismo nos anos 1970, época em que vagava por México, El Salvador, França e Espanha.

“Veja este trecho, por exemplo. São frases grandes com fluxo de consciência, mas também com ineditismos para o formato, como a ironia. Bolaño foi capaz de traduzir 30 anos em três páginas.” A resposta a isso pode ser entendida como uma falta de pretensão genuína, aliada a um talento nato para ler o mundo e descrevê-lo, simbolica e assertivamente. “Bolaño tinha a consciência de que seu destino era ser um escritor menor [menos lido]. Por isso ele não teve medo de perguntar sobre o mundo”, justificou Safatle.

Suas artimanhas com a literatura policial também foram destaque na fala do filósofo. “Bolaño ressignificou as estruturas tipificadas deste estilo, acrescentando drama, também algo inédito para o gênero”, disse Safatle, provavelmente se referindo ao livro “A Pista de Gelo”, obra de 1993 que inaugurou sua carreira de prosador, já que antes o chileno havia publicado somente poesias em revistas extintas que deram voz à sua fase “infrarrealista”.

Vladimir Safatle. Crédito: Gilson Camargo

Vladimir Safatle. Crédito: Gilson Camargo

De forma enfática, Safatle defendeu a obra do chileno elencando discursos antiliterários aos quais o escritor sobreviveu: o jornalismo pragmático e o texto publicitário, por exemplo. E também a ideia de que não há uma “literatura nacional”, que na verdade é uma invenção funcional de uma burguesia instituída.

Não houve menções à “2666” e a “Os Detetives Selvagens”, obras consagradas profundamente discutidas. Nem à sua poesia, ainda sem tradução no Brasil. Safatle foi por uma via paralela em que ampliou a literatura de Bolaño para vertentes históricas, sociológicas, políticas e culturais, justificando, assim, para além da qualidade de sua prosa, seu lugar entre os maiores escritores dos últimos 30 anos.

O Litercultura segue hoje, às 19h30, com o escritor Julián Fuks, vencedor do prêmio Jabuti de 2015 com o livro “A Resistência”, comentando a obra do argentino Julian José Saer, uma de suas principais influências.

 

LEE-RANALDO-by-A.F.-CORTES-M

Lee Ranaldo fala sobre disco novo, parcerias e pede mesmo clima de show no Paiol

10 agosto, 2017 às 11:41  |  por Cristiano Castilho

Base barulhenta para a loucura calculada do Sonic Youth, Lee Ranaldo está no Brasil novamente. Ano passado, fez um show solo com músicas dos discos “Last Night on Earth” (2013) e “Between the Times an Tides” (2012) – e compartilhou um cigarrinho de artista comigo em frente ao Teatro do Paiol. Para esta nova apresentação acústica, que em Curitiba acontece às 20h de domingo (13) no Espaço Fantástico das Artes, irá mostrar as canções de “Electric Trim”, seu novo disco de estúdio, a ser lançado no dia 15 de setembro.

Foto: A.F. Cortes

Foto: A.F. Cortes

De um hotel em Brasília, Lee Ranaldo conversou por telefone sobre a nova turnê e seus outros planos artísticos. Pois ele está no país para produzir a trilha sonora do filme “We Still Have the Deep Black Night”, rodado também em Berlim. “Ainda Temos a Imensidão da Noite”, será o nome do filme em seu país, diz Lee, em português arrastadinho.

O show terá músicas antigas (algumas com a banda The Dust) e muitas do novo álbum. E Sonic Youth? “Provavelmente não”, diz o guitarrista, reticente. “Electric Trim” foi gravado entre Nova York e Barcelona, em parceria com o músico e produtor catalão Raül ‘Refree’ Fernandez, um dos mais importantes e ativos profissionais da música na Espanha.

“O novo álbum soa muito diferente dos outros. Sinceramente, é uma das melhores coisas que já fiz, diz Lee. O disco contempla música eletrônica, samples, beats. “Foi um processo diferente, e bastante experimental, inclusive em sua forma de gravação.” Há diversas parcerias. “New Thing”, uma das nove faixas, tem a participação de Sharon Van Etten; em outra, faz dueto de guitarra com Nels Cline (Wilco); e seis músicas têm letra do escritor norte-americano Jonathan Lethem.

Entre shows e os trabalhos com o filme, Lee Ranaldo ficará por três semanas no Brasil. O cientista maluco do Sonic Youth também se apresenta em Ribeirão Preto (12), Rio de Janeiro (14), Belo Horizonte (16) e São Paulo (17). Sobre a última visita, só elogios, conforme o esperado. “Aquele lugar [o Paiol] é mágico e tem uma acústica impressionante. Gostei demais, e espero que o clima seja o mesmo para este novo show.”

SERVIÇO

Lee Ranaldo. Domingo (13) às 20h.
Espaço Fantástico das Artes – Rua Princesa Izabel, 465.
R$ 60. Ingressos à venda pelo sympla

vinil

2ª Feira de Discos terá 10 mil LP’s à venda e homenagem à Blindagem

31 julho, 2017 às 10:47  |  por Cristiano Castilho

Depois do sucesso da Primeira Feira de Discos da Boca Maldita, que aconteceu em fevereiro deste ano, uma nova edição do evento está marcada para o próximo sábado, 5 de agosto. Vinte e seis expositores estão confirmados, de Curitiba, São Paulo, Santos, Londrina, Maringá, Joinville e Florianópolis.

A qualidade, a diversidade e o estado de conservação do material foram os critérios utilizados pelos organizadores Horácio de Bonis (Sonic Discos) e Marcos Ramos Duarte (Joaquim Livros & Discos). Serão cerca de 10 mil vinis à venda, dos mais variados gêneros e preços.

vinil

A Feira acontece num longo período de boas notícias para o segmento. Por aqui, a Vinil Brasil já está prensando seus bolachões, e faz companhia para a Polysom. Lá fora, foi anunciada a inauguração de uma nova fábrica de vinil na Coréia do Sul, a Machang Music & Pictures. A Sony Music está construindo uma fábrica no Japão, e a previsão é de que em 2018 esteja em pleno funcionamento. Na Austrália, a Program Records informou que sua fábrica em Melbourne começa a produzir também no ano que vem.

Homenagem à Blindagem

Como parte da Feira de Discos da Boca Maldita, haverá uma homenagem à banda Blindagem, precursora do rock paranaense. Integrantes do grupo irão contar histórias e falar sobre o DVD em homenagem aos 35 anos da banda e sobre a biografia da Blindagem, que saem ainda neste ano.

SERVIÇO
2.ª Feira de Discos da Boca Maldita
Dia: 5.8.2017
Horário: 10h às 19h
Bate papo com a banda Blindagem às 11h
Entrada gratuita
Local: Slaviero Slim Centro (antigo Braz Hotel) – Rua Luiz Xavier 67- Centro (41) 3017-1000

Cena de "Te Prometo Anarquia", de Julio Hernández Cordón

Mostra com 16 filmes faz recorte da sociedade mexicana contemporânea

10 julho, 2017 às 11:24  |  por Cristiano Castilho

O sistema de prostituição institucionalizado, a crise hídrica, a violência intrínseca a uma sociedade que convive há décadas com um poder paralelo e a libertação sexual dos adolescentes mexicanos são alguns dos temas dos 16 filmes exibidos na Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo, que acontece na Caixa Cultural, em Curitiba, entre os dias 12 e 16 de julho. Os ingressos para cada sessão custam R$4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada) – veja programação completa abaixo.

Cena de "Te Prometo Anarquia", de Julio Hernández Cordón

Cena de “Te Prometo Anarquia”, de Julio Hernández Cordón

O filme de abertura (dia 12, 18h30), é “Te Prometo Anarquia”, seguido de bate-papo com o diretor do longa, Julio Hernández Cordón. Depois de dirigir dois documentários, Júlio apostou na ficção. Em “Anarquia”, um casal homoafetivo, Miguel e Johnny, andam de skate por regiões caóticas da capital mexicana. Eles se divertem, exercitam sua sexualidade e, sem grana, aceitam doar sangue para o mercado negro. O diretor também estará na mesa “Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina”, que acontece na sexta-feira (14), às 19h30, com mediação do curador Mateus Nagime. Rafael Urban (cineasta e pesquisador) e Solange Stecz (pesquisadora) completam o time para o debate.

Entre os filmes da nova safra mexicana que ganharam repercussão internacional está “As Escolhidas”, de David Paulo, selecionado para o Festival de Cannes em 2015, e premiado com vários troféus Ariel, pela Academia de Cinema do México. O filme retrata o drama de uma adolescente arremessada de forma compulsória em sistema de prostituição e escravidão sexual. David Paulo presta tributo ao cinema documental, com tratamento estético duro e seco a um tema já complexo.

Outro filme de referência é “Navalhada”, documentário-ficção de Ricardo Silva, premiado em Locarno, que retrata pessoas que vivem na região desértica de Tijuana, cidade de fronteira no norte do México. Já “H20mx”, de José Cohen e Lorenzo Hagerman, expõe a crise hídrica na Cidade do México, preocupação permanente da população, em especial a mais pobre.

"A Vida Depois", de David Pablos, será exibido no sábado (15), às 20h.

“A Vida Depois”, de David Pablos, será exibido no sábado (15), às 20h.

O premiado diretor Julián Hernándes estará representado com o curta “Nuvens Flutuantes” e com seu último longa-metragem “Eu Sou a Felicidade deste Mundo”, ambos pautados por temas como juventude e sexualidade. A cineasta Dalia Reyes apresenta seu “Banho de Vida”, em que mostra mulheres garis compartilhando a vida em meio a um banho público.

Em “Manhã Psicotrópica”, o diretor Alejandro Aldrete entrelaça histórias para discutir a juventude mexicana e a sua relação com as drogas. A animação também ganha espaço na programação, com o sombrio “O Modelo de Pickman”, de Páblo Ángeles Zuman. Estas duas produções rompem com estereótipos e convenções de linguagem, dando fôlego ao novo cinema mexicano.

Só um veterano, o cineasta Arturo Ripstein, 73 anos, foi escalado para a mostra. Dele, o público brasileiro provavelmente conhece os filmes “Vermelho Sangue” (1996) e “Ninguém Escreve ao Coronel” (1999). Seu vigésimo-quinto longa-metragem, “As Razões do Coração” (2013), está na programação. 

========

SERVIÇO

Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo
De 12 a a 16 de julho
CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280
R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada)

 

Foto: Divulgação

Banda Novos Baianos volta a Curitiba em outubro

5 julho, 2017 às 14:29  |  por Cristiano Castilho

Depois de se apresentar no Festival Coolritiba em maio, a banda Novos Baianos retorna a capital paranaense para show na ExpoUnimed no dia 28 de outubro, um sábado, às 21 horas. De acordo com a produção do evento, os ingressos começarão a ser vendidos nos próximos dias.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A banda se apresenta com formação original e completa: Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão. A ExpoUnimed, anexo ao Teatro Positivo, fica na Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300. 

Cena de "Viagem ao Fim do Mundo", de 1963, "pérola" do Festival deste ano.

O que ver no Olhar de Cinema? Curador pinça pérolas e contextualiza festival “provocativo”

6 junho, 2017 às 12:09  |  por Cristiano Castilho

Um dos eventos culturais mais consistentes – e por isso mais aguardados – de Curitiba começa nesta quarta-feira (7). A sexta edição do festival Olhar de Cinema contempla 125 filmes distribuídos em nove dias, além de ciclo de seminários, masterclasses e oficinas. Com entradas a R$ 10 e R$ (meia-entrada), os longas e curtas-metragens, divididos em diversas categorias, serão exibidos no Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), no Shopping Novo Batel e no Sesc Paço da Liberdade.

Cena de "Viagem ao Fim do Mundo", de 1963, "pérola" do Festival deste ano.

Cena de “Viagem ao Fim do Mundo”, de 1963, “pérola” do Festival deste ano.

 

Neste ano, a seleção volta-se para o cenário político, o que pode ser percebido já na identidade visual do festival, assinada por Sandra Hiromoto. É a tentativa de retomar o cinema enquanto ferramenta de luta e sensibilização, para além da reflexão estética. São filmes de Murnau (1888-1931), símbolo do expressionismo alemão – seu aclamado “Nosferatu”, de 1922, será exibido em tela grande – ao da estreante Juliana Antunes, com seu premiado “Baronesa”.

A Mostra Olhares Clássicos apresenta uma raridade que já virou ícone cultural: “Viagem à Lua” (1902), de George Meliès, primeiro filme de ficção científica a tratar de alienígenas. A Mostra Mirada Paranaense, que sempre surpreende ao exibir filmes de realizadores locais, também é uma boa pedida.

O filme de abertura é “A Família”, dirigido pelo venezuelano Gustavo Rondón. O longa estreou no Festival de Cannes e será exibido amanhã, às 20h30, no Espaço Itaú de Cinema, com presença do realizador. As mostras competitivas de longas e curtas reúnem filmes de países como Síria, Tunísia, Turquia, Índia, Fiji, Itália, Chile, Argentina, Portugal, Costa Rica e Peru.

Tendo em vista o tamanho da programação, pedi a Antonio Junior, um dos curadores do festival, para explicar um pouco o contexto do evento deste ano e pinçar alguns filmes imperdíveis. Olha aí o que ele escreveu:

A presente edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba acontece num contexto sócio-político e cultural completamente distinto daquele no qual o festival surgiu, em 2012. Em apenas cinco anos o país sofreu uma guinada sobre a qual ainda se fazem necessárias análises e reflexões, para as quais, acreditamos, o cinema pode dar sua contribuição. Refletindo o momento atual, em que o acirramento dos embates se fazem cada vez mais frequentes e violentos, em que as fronteiras entre realidade e ficção estão tão embaralhados que possibilitam o surgimento do conceito de Pós-Verdade ou Política Pós-Factual, pretendemos com esta edição do festival provocar e convidar o público à reflexão acerca do papel do cinema como ferramenta de sensibilização e resistência coletiva.”

 

Os filmes que Junior destaca são: “todos os da Mostra Foco [que neste ano homenageia a diretora tailandesa Anocha Suwichakornpong], os filmes de Murnau [serão 10 na Mostra Olhar Retrospectivo] e a pérola Viagem Ao Fim do Universo’ [filme do diretor tcheco Jindrich Polák, de 1963, presente na mostra Olhares Clássicos].”

++++++++

SERVIÇO

6º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

De 7 a 15 de junho

Locais: Shopping Novo Batel, Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema) e Sesc Paço da Liberdade

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Os ingressos começam a ser vendidos no dia 1º de junho.

As demais atividades são gratuitas e estão sujeitas a lotação da sala ou inscrição prévia.

Site oficial: http://olhardecinema.com.br