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Psicodália 2018 confirma Boogarins

25 setembro, 2017 às 10:59  |  por Cristiano Castilho

Só melhora. A banda Boogarins estará no Psicodália 2018, que acontece entre 9 e 14 de fevereiro do ano que vem. O som ao mesmo tempo torto e debochado, psicodélico e experimental dos goianos, combina muito com a essência musical do festival, que também já confirmou Jorge Ben Jor, Arrigo Barnabé, Som Nosso de Cada Dia e Tulipa Ruiz.

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O último lançamento da Boogarins foi “Lá Vem a Morte” (2017), um disco curto que propõe uma sensação de incerteza ou descrença sob texturas noise – sinal dos nossos tempos, talvez? Mês passado, o grupo fez um show deliciosamente delirante na Ópera de Arame, como parte do festival que comemorava o aniversário de um ano da Arnica Cultural.  Com quatro anos de história,a banda formado por Benke Ferraz, Dinho Almeida, Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo (Macaco Bong) já tem um extenso currículo de apresentações no Brasil, Estados Unidos e Europa. O primeiro disco, “As Plantas Que Curam” (2013), é quase inteiro em lo-fi. Grandes canções em harmonias de tons maiores marcam “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos” (2015), indicado ao Grammy Latino. Lisergia frenética, improviso que se transforma em liberdade. Tem tudo para ser um dos grandes shows do Psicodália.

SERVIÇO

Psicodália 2018
De 9 a 14 de fevereiro de 2018
Fazenda Evaristo – Rio Negrinho (SC)
Ingressos e informações:  www.psicodalia.com.br

Crédito: Divulgação

Depois de Jorge Ben Jor, Psicodália anuncia Arrigo Barnabé

5 setembro, 2017 às 14:20  |  por Cristiano Castilho

Gênio indomável da Vanguarda Paulista, movimento que mexeu com as estruturas da música brasileira nos anos 80, o londrinense Arrigo Barnabé é mais uma atração confirmada para o Psicodália 2018. O show será “Claras e Crocodilos”, uma nova interpretação de seu antológico disco “Clara Crocodilo”, lançado em 1980 – ouça abaixo. Ao lado de Jorge Ben Jor, ele é o segundo nome confirmado na edição do ano que vem, que acontece de 9 a 14 de fevereiro de 2018, durante o Carnaval, na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC).

Crédito: Divulgação

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A doce estranheza de Arrigo está em levar a música atonal a um repertório popular. Seus temas são ainda contemporâneos: a frieza das metrópoles, a escuridão das vielas, a poesia urbana silenciada. E uma de suas principais referências são histórias em quadrinhos – tem tudo a ver, acredite.

Em seus 35 anos de carreira, premiada e projetada no Brasil e no exterior, Arrigo lançou oito discos e um DVD, trabalhando com diferentes mídias (cinema, teatro, rádio) e as mais diversas formas e formatos – da big band ao solo instrumental, compondo também canções, música de câmara, ópera de bolso, obras multimídia e em formato litúrgico. Nesta nova leitura de “Clara Crocodilo”,  há mais atenção ao instrumental, ainda que os vocais femininos permaneçam em seu diálogo com a voz gutural de Arrigo. “Claras e Crocodilos” foi gravado em maio em São Paulo, e lançado em CD e em versão digital pelo selo francês Defis, em julho de 2014.  O show “Claras e Crocodilos” estreou no Festival de Vanguardia (Santiago do Chile) em 2013.

SERVIÇO

O que: Psicodália 2018
Quando: 09 a 14/02/2018
Onde:  Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC)
Ingressos e informações:  www.psicodalia.com.br

Crédito: Gilson Camargo

Obra de Bolanõ é radiografada por Vladimir Safatle: “A América Latina é uma forma de violência”

15 agosto, 2017 às 13:08  |  por Cristiano Castilho

A 5.ª edição do Festival Litercultura começou na noite de ontem (14), em uma Capela Santa Maria abarrotada e com gente lá fora querendo também seu ingresso (gratuito). O escritor e filósofo Vladimir Safatle foi o convidado para a tarefa – não tão fácil – de discutir Roberto Bolaño (1953-2003) em uma hora e meia na companhia do sociólogo e professor da UFPR Rafael Ginani Bezerra. O que ouvimos foi uma aula não sobre Bolaño, mas sobre o que o escritor chileno autor de “2666” eviscerou sobre a América Latina em seu percurso literário.

“A América Latina é uma forma de violência para além do imaginário colonial”, disse Safatle, que chamou de “desterro” uma das características mais fortes da escrita de Bolaño, e de nossa existência enquanto latino-americanos. “O estado é uma forma de gestão do desaparecimento e da violência, mas a violência que interessava ao escritor tem forma, produz.”

Crédito: Gilson Camargo

Crédito: Gilson Camargo

Com leituras de trechos de “Noturno no Chile”, originalmente publicado no ano 2000, Safatle discorreu sobre o poder da literatura para denunciar, “sempre com qualidade”, os equívocos políticos e os efeitos da ditadura, não só no Chile, mas em “qualquer país sul-americano.” Embebido em propositais contradições, “Noturno no Chile” é um monólogo composto por dois parágrafos em que o padre Sebastián Delacroix repassa sua vida como literário e poeta. Vale lembrar que Bolaño foi preso durante a ditadura de Augusto Pinochet e defendeu o trotkismo nos anos 1970, época em que vagava por México, El Salvador, França e Espanha.

“Veja este trecho, por exemplo. São frases grandes com fluxo de consciência, mas também com ineditismos para o formato, como a ironia. Bolaño foi capaz de traduzir 30 anos em três páginas.” A resposta a isso pode ser entendida como uma falta de pretensão genuína, aliada a um talento nato para ler o mundo e descrevê-lo, simbolica e assertivamente. “Bolaño tinha a consciência de que seu destino era ser um escritor menor [menos lido]. Por isso ele não teve medo de perguntar sobre o mundo”, justificou Safatle.

Suas artimanhas com a literatura policial também foram destaque na fala do filósofo. “Bolaño ressignificou as estruturas tipificadas deste estilo, acrescentando drama, também algo inédito para o gênero”, disse Safatle, provavelmente se referindo ao livro “A Pista de Gelo”, obra de 1993 que inaugurou sua carreira de prosador, já que antes o chileno havia publicado somente poesias em revistas extintas que deram voz à sua fase “infrarrealista”.

Vladimir Safatle. Crédito: Gilson Camargo

Vladimir Safatle. Crédito: Gilson Camargo

De forma enfática, Safatle defendeu a obra do chileno elencando discursos antiliterários aos quais o escritor sobreviveu: o jornalismo pragmático e o texto publicitário, por exemplo. E também a ideia de que não há uma “literatura nacional”, que na verdade é uma invenção funcional de uma burguesia instituída.

Não houve menções à “2666” e a “Os Detetives Selvagens”, obras consagradas profundamente discutidas. Nem à sua poesia, ainda sem tradução no Brasil. Safatle foi por uma via paralela em que ampliou a literatura de Bolaño para vertentes históricas, sociológicas, políticas e culturais, justificando, assim, para além da qualidade de sua prosa, seu lugar entre os maiores escritores dos últimos 30 anos.

O Litercultura segue hoje, às 19h30, com o escritor Julián Fuks, vencedor do prêmio Jabuti de 2015 com o livro “A Resistência”, comentando a obra do argentino Julian José Saer, uma de suas principais influências.

 

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Lee Ranaldo fala sobre disco novo, parcerias e pede mesmo clima de show no Paiol

10 agosto, 2017 às 11:41  |  por Cristiano Castilho

Base barulhenta para a loucura calculada do Sonic Youth, Lee Ranaldo está no Brasil novamente. Ano passado, fez um show solo com músicas dos discos “Last Night on Earth” (2013) e “Between the Times an Tides” (2012) – e compartilhou um cigarrinho de artista comigo em frente ao Teatro do Paiol. Para esta nova apresentação acústica, que em Curitiba acontece às 20h de domingo (13) no Espaço Fantástico das Artes, irá mostrar as canções de “Electric Trim”, seu novo disco de estúdio, a ser lançado no dia 15 de setembro.

Foto: A.F. Cortes

Foto: A.F. Cortes

De um hotel em Brasília, Lee Ranaldo conversou por telefone sobre a nova turnê e seus outros planos artísticos. Pois ele está no país para produzir a trilha sonora do filme “We Still Have the Deep Black Night”, rodado também em Berlim. “Ainda Temos a Imensidão da Noite”, será o nome do filme em seu país, diz Lee, em português arrastadinho.

O show terá músicas antigas (algumas com a banda The Dust) e muitas do novo álbum. E Sonic Youth? “Provavelmente não”, diz o guitarrista, reticente. “Electric Trim” foi gravado entre Nova York e Barcelona, em parceria com o músico e produtor catalão Raül ‘Refree’ Fernandez, um dos mais importantes e ativos profissionais da música na Espanha.

“O novo álbum soa muito diferente dos outros. Sinceramente, é uma das melhores coisas que já fiz, diz Lee. O disco contempla música eletrônica, samples, beats. “Foi um processo diferente, e bastante experimental, inclusive em sua forma de gravação.” Há diversas parcerias. “New Thing”, uma das nove faixas, tem a participação de Sharon Van Etten; em outra, faz dueto de guitarra com Nels Cline (Wilco); e seis músicas têm letra do escritor norte-americano Jonathan Lethem.

Entre shows e os trabalhos com o filme, Lee Ranaldo ficará por três semanas no Brasil. O cientista maluco do Sonic Youth também se apresenta em Ribeirão Preto (12), Rio de Janeiro (14), Belo Horizonte (16) e São Paulo (17). Sobre a última visita, só elogios, conforme o esperado. “Aquele lugar [o Paiol] é mágico e tem uma acústica impressionante. Gostei demais, e espero que o clima seja o mesmo para este novo show.”

SERVIÇO

Lee Ranaldo. Domingo (13) às 20h.
Espaço Fantástico das Artes – Rua Princesa Izabel, 465.
R$ 60. Ingressos à venda pelo sympla

vinil

2ª Feira de Discos terá 10 mil LP’s à venda e homenagem à Blindagem

31 julho, 2017 às 10:47  |  por Cristiano Castilho

Depois do sucesso da Primeira Feira de Discos da Boca Maldita, que aconteceu em fevereiro deste ano, uma nova edição do evento está marcada para o próximo sábado, 5 de agosto. Vinte e seis expositores estão confirmados, de Curitiba, São Paulo, Santos, Londrina, Maringá, Joinville e Florianópolis.

A qualidade, a diversidade e o estado de conservação do material foram os critérios utilizados pelos organizadores Horácio de Bonis (Sonic Discos) e Marcos Ramos Duarte (Joaquim Livros & Discos). Serão cerca de 10 mil vinis à venda, dos mais variados gêneros e preços.

vinil

A Feira acontece num longo período de boas notícias para o segmento. Por aqui, a Vinil Brasil já está prensando seus bolachões, e faz companhia para a Polysom. Lá fora, foi anunciada a inauguração de uma nova fábrica de vinil na Coréia do Sul, a Machang Music & Pictures. A Sony Music está construindo uma fábrica no Japão, e a previsão é de que em 2018 esteja em pleno funcionamento. Na Austrália, a Program Records informou que sua fábrica em Melbourne começa a produzir também no ano que vem.

Homenagem à Blindagem

Como parte da Feira de Discos da Boca Maldita, haverá uma homenagem à banda Blindagem, precursora do rock paranaense. Integrantes do grupo irão contar histórias e falar sobre o DVD em homenagem aos 35 anos da banda e sobre a biografia da Blindagem, que saem ainda neste ano.

SERVIÇO
2.ª Feira de Discos da Boca Maldita
Dia: 5.8.2017
Horário: 10h às 19h
Bate papo com a banda Blindagem às 11h
Entrada gratuita
Local: Slaviero Slim Centro (antigo Braz Hotel) – Rua Luiz Xavier 67- Centro (41) 3017-1000

Cena de "Te Prometo Anarquia", de Julio Hernández Cordón

Mostra com 16 filmes faz recorte da sociedade mexicana contemporânea

10 julho, 2017 às 11:24  |  por Cristiano Castilho

O sistema de prostituição institucionalizado, a crise hídrica, a violência intrínseca a uma sociedade que convive há décadas com um poder paralelo e a libertação sexual dos adolescentes mexicanos são alguns dos temas dos 16 filmes exibidos na Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo, que acontece na Caixa Cultural, em Curitiba, entre os dias 12 e 16 de julho. Os ingressos para cada sessão custam R$4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada) – veja programação completa abaixo.

Cena de "Te Prometo Anarquia", de Julio Hernández Cordón

Cena de “Te Prometo Anarquia”, de Julio Hernández Cordón

O filme de abertura (dia 12, 18h30), é “Te Prometo Anarquia”, seguido de bate-papo com o diretor do longa, Julio Hernández Cordón. Depois de dirigir dois documentários, Júlio apostou na ficção. Em “Anarquia”, um casal homoafetivo, Miguel e Johnny, andam de skate por regiões caóticas da capital mexicana. Eles se divertem, exercitam sua sexualidade e, sem grana, aceitam doar sangue para o mercado negro. O diretor também estará na mesa “Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina”, que acontece na sexta-feira (14), às 19h30, com mediação do curador Mateus Nagime. Rafael Urban (cineasta e pesquisador) e Solange Stecz (pesquisadora) completam o time para o debate.

Entre os filmes da nova safra mexicana que ganharam repercussão internacional está “As Escolhidas”, de David Paulo, selecionado para o Festival de Cannes em 2015, e premiado com vários troféus Ariel, pela Academia de Cinema do México. O filme retrata o drama de uma adolescente arremessada de forma compulsória em sistema de prostituição e escravidão sexual. David Paulo presta tributo ao cinema documental, com tratamento estético duro e seco a um tema já complexo.

Outro filme de referência é “Navalhada”, documentário-ficção de Ricardo Silva, premiado em Locarno, que retrata pessoas que vivem na região desértica de Tijuana, cidade de fronteira no norte do México. Já “H20mx”, de José Cohen e Lorenzo Hagerman, expõe a crise hídrica na Cidade do México, preocupação permanente da população, em especial a mais pobre.

"A Vida Depois", de David Pablos, será exibido no sábado (15), às 20h.

“A Vida Depois”, de David Pablos, será exibido no sábado (15), às 20h.

O premiado diretor Julián Hernándes estará representado com o curta “Nuvens Flutuantes” e com seu último longa-metragem “Eu Sou a Felicidade deste Mundo”, ambos pautados por temas como juventude e sexualidade. A cineasta Dalia Reyes apresenta seu “Banho de Vida”, em que mostra mulheres garis compartilhando a vida em meio a um banho público.

Em “Manhã Psicotrópica”, o diretor Alejandro Aldrete entrelaça histórias para discutir a juventude mexicana e a sua relação com as drogas. A animação também ganha espaço na programação, com o sombrio “O Modelo de Pickman”, de Páblo Ángeles Zuman. Estas duas produções rompem com estereótipos e convenções de linguagem, dando fôlego ao novo cinema mexicano.

Só um veterano, o cineasta Arturo Ripstein, 73 anos, foi escalado para a mostra. Dele, o público brasileiro provavelmente conhece os filmes “Vermelho Sangue” (1996) e “Ninguém Escreve ao Coronel” (1999). Seu vigésimo-quinto longa-metragem, “As Razões do Coração” (2013), está na programação. 

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SERVIÇO

Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo
De 12 a a 16 de julho
CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280
R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada)

 

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Banda Novos Baianos volta a Curitiba em outubro

5 julho, 2017 às 14:29  |  por Cristiano Castilho

Depois de se apresentar no Festival Coolritiba em maio, a banda Novos Baianos retorna a capital paranaense para show na ExpoUnimed no dia 28 de outubro, um sábado, às 21 horas. De acordo com a produção do evento, os ingressos começarão a ser vendidos nos próximos dias.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A banda se apresenta com formação original e completa: Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão. A ExpoUnimed, anexo ao Teatro Positivo, fica na Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300. 

Cena de "Viagem ao Fim do Mundo", de 1963, "pérola" do Festival deste ano.

O que ver no Olhar de Cinema? Curador pinça pérolas e contextualiza festival “provocativo”

6 junho, 2017 às 12:09  |  por Cristiano Castilho

Um dos eventos culturais mais consistentes – e por isso mais aguardados – de Curitiba começa nesta quarta-feira (7). A sexta edição do festival Olhar de Cinema contempla 125 filmes distribuídos em nove dias, além de ciclo de seminários, masterclasses e oficinas. Com entradas a R$ 10 e R$ (meia-entrada), os longas e curtas-metragens, divididos em diversas categorias, serão exibidos no Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), no Shopping Novo Batel e no Sesc Paço da Liberdade.

Cena de "Viagem ao Fim do Mundo", de 1963, "pérola" do Festival deste ano.

Cena de “Viagem ao Fim do Mundo”, de 1963, “pérola” do Festival deste ano.

 

Neste ano, a seleção volta-se para o cenário político, o que pode ser percebido já na identidade visual do festival, assinada por Sandra Hiromoto. É a tentativa de retomar o cinema enquanto ferramenta de luta e sensibilização, para além da reflexão estética. São filmes de Murnau (1888-1931), símbolo do expressionismo alemão – seu aclamado “Nosferatu”, de 1922, será exibido em tela grande – ao da estreante Juliana Antunes, com seu premiado “Baronesa”.

A Mostra Olhares Clássicos apresenta uma raridade que já virou ícone cultural: “Viagem à Lua” (1902), de George Meliès, primeiro filme de ficção científica a tratar de alienígenas. A Mostra Mirada Paranaense, que sempre surpreende ao exibir filmes de realizadores locais, também é uma boa pedida.

O filme de abertura é “A Família”, dirigido pelo venezuelano Gustavo Rondón. O longa estreou no Festival de Cannes e será exibido amanhã, às 20h30, no Espaço Itaú de Cinema, com presença do realizador. As mostras competitivas de longas e curtas reúnem filmes de países como Síria, Tunísia, Turquia, Índia, Fiji, Itália, Chile, Argentina, Portugal, Costa Rica e Peru.

Tendo em vista o tamanho da programação, pedi a Antonio Junior, um dos curadores do festival, para explicar um pouco o contexto do evento deste ano e pinçar alguns filmes imperdíveis. Olha aí o que ele escreveu:

A presente edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba acontece num contexto sócio-político e cultural completamente distinto daquele no qual o festival surgiu, em 2012. Em apenas cinco anos o país sofreu uma guinada sobre a qual ainda se fazem necessárias análises e reflexões, para as quais, acreditamos, o cinema pode dar sua contribuição. Refletindo o momento atual, em que o acirramento dos embates se fazem cada vez mais frequentes e violentos, em que as fronteiras entre realidade e ficção estão tão embaralhados que possibilitam o surgimento do conceito de Pós-Verdade ou Política Pós-Factual, pretendemos com esta edição do festival provocar e convidar o público à reflexão acerca do papel do cinema como ferramenta de sensibilização e resistência coletiva.”

 

Os filmes que Junior destaca são: “todos os da Mostra Foco [que neste ano homenageia a diretora tailandesa Anocha Suwichakornpong], os filmes de Murnau [serão 10 na Mostra Olhar Retrospectivo] e a pérola Viagem Ao Fim do Universo’ [filme do diretor tcheco Jindrich Polák, de 1963, presente na mostra Olhares Clássicos].”

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SERVIÇO

6º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

De 7 a 15 de junho

Locais: Shopping Novo Batel, Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema) e Sesc Paço da Liberdade

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Os ingressos começam a ser vendidos no dia 1º de junho.

As demais atividades são gratuitas e estão sujeitas a lotação da sala ou inscrição prévia.

Site oficial: http://olhardecinema.com.br

 

publico orue

Confirmado em 2018, Coolritiba se provou alternativa à alienação musical

17 maio, 2017 às 15:15  |  por Cristiano Castilho

O maior saldo do Festival Coolritiba foi provar que um evento de relevância musical e artística pode acontecer sem alienação sócio-cultural. Se a sustentabilidade e outras preocupações ambientais já são prerrogativas para o novo modelo de negócios da indústria de shows, a presença de 10 mil pessoas interessadas em bandas que questionam as barbeiragens políticas com sensibilidade num evento grande assim, com patrocínio de marca de cerveja popular e camarotes à disposição por algumas centenas de reais, pode até parecer um paradoxo – mas é uma novidade otimista.

Foto: Oruê Brasileiro

Fotos: Oruê Brasileiro

Você pode até pensar no Psicodália, no Bananada, no Suave, mas são outras histórias. Estes são festivais independentes, em todos os sentidos, e pouco se esforçam – devido à sua natureza – para sair da bolha. O Coolritiba desbancou primeiramente certo preconceito com seu nome. Depois, conseguiu colocar num espaço de tempo relativamente curto – das 14h de sábado, com um bate-papo sobre mobilidade urbana, à 1h da manhã de domingo, com o show dos Novos Baianos – artistas que caminham pela mesma estrada, que escrevem, com algumas variações, a mesma narrativa.

Cheguei ao fim do show da Naked Girls & Aeroplanes – que no último dia 12 lançou o EP “High Paradise” – mas estacionei no show do Trem Fantasma. A banda está cada vez mais consistente e desenvolta, o que pode ser percebido no ótimo disco “Lapso”, lançado no ano passado. Um porém notado desde cedo foi a localização do palco Arnica, que estava estacionado na entrada da Pedreira Paulo Leminski, interrompendo o fluxo e o contra-fluxo de pessoas, que às vezes se engatavam num trenzinho para conseguir atravessar a multidão. Foi assim durante toda a noite, mas sem nenhuma treta – e isso também significa.

negra orue

O palco principal era enxuto (ou “cool”?) e nela voava Céu. Sua presença e beleza são hipnóticas, e as músicas de “Tropix” combinaram com aquele início de fim de tarde. Perdi A Banda Mais Bonita da Cidade com a participação de Paulo Miklos porque queria ver o show da Nomade Orquestra inteirinho. Pelos vídeos e comentários de quem assistiu, o negócio foi bonito, com “Comida” logo no começo e “Flores” levantando o povo. “Oração” ainda existe, e talvez tenha deixado a pecha de hit efêmero para virar um marco-símbolo de uma geração sensível por natureza, e isso não se pode mudar.

A contribuição da Nomade Orquestra para a narrativa é ter a capacidade de agregar muitas visões artísticas individuais de forma coesa e criativa. O caldeirão de groove do grupo do ABC paulista soa natural, e os arranjos surpreendem com viradas rítmicas e samples muito bem acertados, como na faixa “Sonhos de Tokyo”, que tem “intervenção” de Elis Regina. Essa troca coletiva é fruto da convivência e confiança de seus integrantes, e o resultado-fim são sorrisos em rostos serenos.

Nomade Orquestra

Nomade Orquestra

Nos intervalos das bandas do palco Arnica, uma das melhores atrações do festival e da nossa cena recente: a rádio Kombi. Velha conhecida do Psicodália, a dupla Heitor Humberto e Luana Angreves explode a pista com groove, funk brasileiro, bregas esquecidos e piras latinas. Ninguém arredou pé entre o show da Nomade Orquestra e o da Trombone de Frutas.

Rádio Kombi

Rádio Kombi

A banda curitibana, aliás, se acertou como um time de futebol recheado de craques precisa se acertar. Houve podas nas intervenções cênicas e nas piadas, e o que sobra, com ironia medida, técnica e vibração, é um show forte, que tem momentos de devaneio e também de pés no chão. E tudo faz sentido (lembra da narrativa?): a balada “Bicicletas Olaf”, do primeiro disco da banda, relembra um caso real de ataque a um ciclista que, após um incidente com um motorista, queria apenas conversar. Já a inserção de parte de “I Want You (She’s So Heavy)”, dos Beatles, executada com maestria na faixa “Umbrais”, ganhou o coro melódico “fora, Temer”.

Trombone de Frutas

Trombone de Frutas

O clímax da narrativa aconteceu durante o show da Francisco el Hombre. A banda de Campinas começou na rua. O nome homenageia o músico viajante Francisco, personagem de Gabriel García Marquez em “Cem Anos de Solidão”. Por isso os irmãos Sebastián e Mateo Piracés trazem na essência de sua música o improviso e algo de mágico. Bateria e percussão visceral, linha de baixo insinuante e intervenções noise de guitarra dão um contraponto ideal à linda harmonia vocal do grupo, que canta também em espanhol sobre temas importantes. “Viene bailando la horda de milicos/ Quiere que todos se porten bonito: ‘caminen igual y vistanse igual’/ Y aqui les enseñan como ser normal y si dicen que el hombre se debe callar”, diz a letra de “Dicen”, música inspirada num poema de Allen Gingsberg e criada para que os irmãos Piracés pudessem falar sobre ditadura com os sobrinhos. Recheado de discursos bem-vindos e gritos de “fora, Temer” o show teve também a participação da banda Mulamba. Com o feminismo e a necessidade do empoderamento como partitura, a banda detonou ouvidos sonolentos e cabeças preguiçosas com um petardo certeiro: a música P.U.T.A, lançada no fim do ano passado. No palco, cantaram “Triste, Louca ou Má”, de Francisco el Hombre, ao lado dos paulistas. A canção (e a narrativa) diz assim: “Aceita que tudo deve mudar/ que um homem não te define/ sua casa não te define/ sua carne não te define/ você é seu próprio lar.” Gritos de liberdade em dose dupla.

Francisco el Hombre

Francisco el Hombre

No palco principal, uma multidão de braços estendidos chacoalhavam ao som do pop-rap de Projota, que encontra em adolescentes inquietos o público ideal para suas rimas que querem extrapolar o gueto. Palavras fortes contra “aqueles que não deixam você fazer o que quer” e outras de apoio e incentivo finalizaram o show do paulistano.

Bom, Criolo não mostrou ao vivo “Espiral de Ilusão”, seu novo disco, dedicado ao samba. Mas o cara acontece de qualquer maneira. O moletom do Zaire deu lugar à conhecida túnica branca, e aí a aura messiânica novamente se estabeleceu. Criolo arrasta pensamentos com sua poesia urbana. Como poucos artistas de sua geração, tem total controle sobre o público, que é capaz de segui-lo fielmente e cantar o que ele pedir. “Bogotá”, metáfora possível sobre o caminho que a “droga” percorre até chegar onde precisa (e suas consequências) foi o ponto alto do show.

publico orue

A apresentação histórica dos Novos Baianos combinou de acontecer junto da tempestade. A apresentação começou morna e embolada – dificuldades técnicas, descompassos –, mas este é o tipo de show em que a percepção crítica perde espaço para a afetividade. Pois os hits de “Acabou Chorare” foram enfileirados e celebrados um após outro 45 anos depois de Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes (como ele toca!), Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão criarem uma comunidade alternativa e tratarem o dinheiro como algo secundário que poderia ser guardado numa sacola. Se a voz de Baby está tinindo trincando e a de Moraes parece ser a de quem passou por uma traqueostomia, não importa tanto. O retorno da banda, e de suas ideias, e do grito miúdo de Moraes ao fim do show, dizendo “Brasil, esquentai vossos pandeiros”, serviu para chancelar um festival cuja ideia não é parar a roda, mas fazê-la girar diferente.

nevilton 1

Nevilton e Naked Girls and Aeroplanes divulgam novas músicas

5 maio, 2017 às 13:43  |  por Cristiano Castilho

A banda Nevilton, de Umuarama, lançou hoje a música “Amarela” (ouça abaixo), primeiro single de “Adiante”, novo álbum do grupo, que sai em breve. É o primeiro passo da nova fase de uma premiada jornada do compositor paranaense.

nevilton 1

A faixa é uma das 13 produzidas durante os últimos dois anos de trabalho, e conta com a participação de Tiago Lobão no contrabaixo e de André Dea (Sugarkane, ex-Vespas Mandarinas) na bateria. Nos últimos anos, Nevilton tem se envolvido cada vez mais com a música latina, participando de coletâneas com artistas diversos. Isso tudo, somado às duas indicações ao Grammy Latino, inspirou ainda mais o artista a lançar, junto com “Amarela”, a sua versão em Espanhol: “Amanecerá”, na qual ele divide os vocais com Cesar Saez, cantor mexicano que também toca xilofone.

 

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Também nesta sextinha, o trio Naked Girls and Aeroplanes, formado por Rodrigo Lemos, Artur Roman e Wonder Bettin, lançou a música “High Paradise”, aperitivo para o novo EP do grupo, previsto para o dia 12 de maio.

naked girls

A canção tem como base um piano melancólico, mas no final cresce com um coro, remetendo às cachoeiras de Alto Paraíso de Goiás, cidade mística que inspirou a composição. Ouça “High Paradise”: