Cena de "Te Prometo Anarquia", de Julio Hernández Cordón

Mostra com 16 filmes faz recorte da sociedade mexicana contemporânea

10 julho, 2017 às 11:24  |  por Cristiano Castilho

O sistema de prostituição institucionalizado, a crise hídrica, a violência intrínseca a uma sociedade que convive há décadas com um poder paralelo e a libertação sexual dos adolescentes mexicanos são alguns dos temas dos 16 filmes exibidos na Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo, que acontece na Caixa Cultural, em Curitiba, entre os dias 12 e 16 de julho. Os ingressos para cada sessão custam R$4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada) – veja programação completa abaixo.

Cena de "Te Prometo Anarquia", de Julio Hernández Cordón

Cena de “Te Prometo Anarquia”, de Julio Hernández Cordón

O filme de abertura (dia 12, 18h30), é “Te Prometo Anarquia”, seguido de bate-papo com o diretor do longa, Julio Hernández Cordón. Depois de dirigir dois documentários, Júlio apostou na ficção. Em “Anarquia”, um casal homoafetivo, Miguel e Johnny, andam de skate por regiões caóticas da capital mexicana. Eles se divertem, exercitam sua sexualidade e, sem grana, aceitam doar sangue para o mercado negro. O diretor também estará na mesa “Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina”, que acontece na sexta-feira (14), às 19h30, com mediação do curador Mateus Nagime. Rafael Urban (cineasta e pesquisador) e Solange Stecz (pesquisadora) completam o time para o debate.

Entre os filmes da nova safra mexicana que ganharam repercussão internacional está “As Escolhidas”, de David Paulo, selecionado para o Festival de Cannes em 2015, e premiado com vários troféus Ariel, pela Academia de Cinema do México. O filme retrata o drama de uma adolescente arremessada de forma compulsória em sistema de prostituição e escravidão sexual. David Paulo presta tributo ao cinema documental, com tratamento estético duro e seco a um tema já complexo.

Outro filme de referência é “Navalhada”, documentário-ficção de Ricardo Silva, premiado em Locarno, que retrata pessoas que vivem na região desértica de Tijuana, cidade de fronteira no norte do México. Já “H20mx”, de José Cohen e Lorenzo Hagerman, expõe a crise hídrica na Cidade do México, preocupação permanente da população, em especial a mais pobre.

"A Vida Depois", de David Pablos, será exibido no sábado (15), às 20h.

“A Vida Depois”, de David Pablos, será exibido no sábado (15), às 20h.

O premiado diretor Julián Hernándes estará representado com o curta “Nuvens Flutuantes” e com seu último longa-metragem “Eu Sou a Felicidade deste Mundo”, ambos pautados por temas como juventude e sexualidade. A cineasta Dalia Reyes apresenta seu “Banho de Vida”, em que mostra mulheres garis compartilhando a vida em meio a um banho público.

Em “Manhã Psicotrópica”, o diretor Alejandro Aldrete entrelaça histórias para discutir a juventude mexicana e a sua relação com as drogas. A animação também ganha espaço na programação, com o sombrio “O Modelo de Pickman”, de Páblo Ángeles Zuman. Estas duas produções rompem com estereótipos e convenções de linguagem, dando fôlego ao novo cinema mexicano.

Só um veterano, o cineasta Arturo Ripstein, 73 anos, foi escalado para a mostra. Dele, o público brasileiro provavelmente conhece os filmes “Vermelho Sangue” (1996) e “Ninguém Escreve ao Coronel” (1999). Seu vigésimo-quinto longa-metragem, “As Razões do Coração” (2013), está na programação. 

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SERVIÇO

Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo
De 12 a a 16 de julho
CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280
R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada)

 

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