Cena de "Viagem ao Fim do Mundo", de 1963, "pérola" do Festival deste ano.

O que ver no Olhar de Cinema? Curador pinça pérolas e contextualiza festival “provocativo”

6 junho, 2017 às 12:09  |  por Cristiano Castilho

Um dos eventos culturais mais consistentes – e por isso mais aguardados – de Curitiba começa nesta quarta-feira (7). A sexta edição do festival Olhar de Cinema contempla 125 filmes distribuídos em nove dias, além de ciclo de seminários, masterclasses e oficinas. Com entradas a R$ 10 e R$ (meia-entrada), os longas e curtas-metragens, divididos em diversas categorias, serão exibidos no Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), no Shopping Novo Batel e no Sesc Paço da Liberdade.

Cena de "Viagem ao Fim do Mundo", de 1963, "pérola" do Festival deste ano.

Cena de “Viagem ao Fim do Mundo”, de 1963, “pérola” do Festival deste ano.

 

Neste ano, a seleção volta-se para o cenário político, o que pode ser percebido já na identidade visual do festival, assinada por Sandra Hiromoto. É a tentativa de retomar o cinema enquanto ferramenta de luta e sensibilização, para além da reflexão estética. São filmes de Murnau (1888-1931), símbolo do expressionismo alemão – seu aclamado “Nosferatu”, de 1922, será exibido em tela grande – ao da estreante Juliana Antunes, com seu premiado “Baronesa”.

A Mostra Olhares Clássicos apresenta uma raridade que já virou ícone cultural: “Viagem à Lua” (1902), de George Meliès, primeiro filme de ficção científica a tratar de alienígenas. A Mostra Mirada Paranaense, que sempre surpreende ao exibir filmes de realizadores locais, também é uma boa pedida.

O filme de abertura é “A Família”, dirigido pelo venezuelano Gustavo Rondón. O longa estreou no Festival de Cannes e será exibido amanhã, às 20h30, no Espaço Itaú de Cinema, com presença do realizador. As mostras competitivas de longas e curtas reúnem filmes de países como Síria, Tunísia, Turquia, Índia, Fiji, Itália, Chile, Argentina, Portugal, Costa Rica e Peru.

Tendo em vista o tamanho da programação, pedi a Antonio Junior, um dos curadores do festival, para explicar um pouco o contexto do evento deste ano e pinçar alguns filmes imperdíveis. Olha aí o que ele escreveu:

A presente edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba acontece num contexto sócio-político e cultural completamente distinto daquele no qual o festival surgiu, em 2012. Em apenas cinco anos o país sofreu uma guinada sobre a qual ainda se fazem necessárias análises e reflexões, para as quais, acreditamos, o cinema pode dar sua contribuição. Refletindo o momento atual, em que o acirramento dos embates se fazem cada vez mais frequentes e violentos, em que as fronteiras entre realidade e ficção estão tão embaralhados que possibilitam o surgimento do conceito de Pós-Verdade ou Política Pós-Factual, pretendemos com esta edição do festival provocar e convidar o público à reflexão acerca do papel do cinema como ferramenta de sensibilização e resistência coletiva.”

 

Os filmes que Junior destaca são: “todos os da Mostra Foco [que neste ano homenageia a diretora tailandesa Anocha Suwichakornpong], os filmes de Murnau [serão 10 na Mostra Olhar Retrospectivo] e a pérola Viagem Ao Fim do Universo’ [filme do diretor tcheco Jindrich Polák, de 1963, presente na mostra Olhares Clássicos].”

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SERVIÇO

6º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

De 7 a 15 de junho

Locais: Shopping Novo Batel, Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema) e Sesc Paço da Liberdade

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Os ingressos começam a ser vendidos no dia 1º de junho.

As demais atividades são gratuitas e estão sujeitas a lotação da sala ou inscrição prévia.

Site oficial: http://olhardecinema.com.br

 

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