Arquivo mensais:setembro 2007

Tereza Cruvinel cansada de guerra

30 setembro, 2007 às 22:24  |  por Marcus Vinícius

Foi o jornalista Pedro Franco Cruz, em artigo publicado no mundo da internet, no ano passado, quem defendeu que os jornais declarassem na primeira página os candidatos que apoiavam. Em destaque, em tarja preta, em letras garrafais. Não é mesmo vergonha para ninguém. Pior é esconder, fingir-se imparcial quando está claro que tem posição.
O New York Times, sempre ele, costuma defender em editoriais os candidatos que apóia – geralmente Democratas. É justo. E essa posição, sublinhe-se, não diminui a credibilidade do jornal junto aos seus leitores, apesar dos equívocos próprios e inerentes de uma publicação diária.
Mas vá lá, admita-se o jornal desonesto. Aquele que não abre o jogo, que apresenta-se como a trombeta da informação quando é apenas a tuba do dono – caso da maioria dos diários brasileiros. Nessas condições, espera-se ao menos a honestidade do jornalista, ela sim cara ao leitor. Pois nem essa honestidade resiste a uma lupa – e não precisa ser das mais potentes.
O exemplo de Tereza Cruvinel, colunista política de “O Globo” é emblemático. Na sexta-feira ela publicou coluna intitulada “Despedida” no espaço que freqüentou por cerca de duas décadas. Sai para assumir a presidência da TV Pública, que ainda está por ser criada, no governo Lula. E quem é Tereza Cruvinel? A mesma jornalista que, em 2005, foi apontada por Diogo Mainardi, de “Veja”, como um dos membros afagáveis do governo Lula no auge do escândalo do mensalão.
Na pieguice do que foi seu réquiem do jornalismo, ela vestiu a carapuça. Destaco alguns trechos da coluna, mas vou anexá-la na íntegra para que o caro leitor faça seu próprio julgamento. Advirto, no entanto, que é de uma chatice exemplar. A começar pela análise do quadro político, certamente extraído de algum almanaque, em que se elogia de Ribamar Sarney a Itamar Franco (subtraindo a era Collor), com uma lágrima dedicada a Ulysses Guimarães (o “Timoneiro da Travessia”), e desembocando em FHC e Lula, todos eles bastiões da democracia  que Cruvinel denomina “poeticamente” (urgh, argh, eca) de “fieira luminosa de círios, uns sendo apagados pelos outros”.
Pela qualidade da “poetisa” dá para medir o que será da TV Pública. Sim, Tereza informa ao leitor que assumirá “um novo desafio profissional, a construção da rede pública de televisão”. Mas de esguelha, obliquamente. O resto é rapa-pé.
O que deve ser levado em conta, aqui, é que no momento em que Tereza Cruvinel dizia-se vilipendiada com acusações de parcialidade pelo colunista Diogo Mainardi, estava mesmo sendo parcial e era, portanto, digna de vilipêndio. Um trecho diz tudo:

‘Neste quinto ano com Lula, a economia esbanja saúde, há um vento de crescimento mas o que se destaca, e o que deve ficar como legado, é o investimento maciço no combate à pobreza, na redução da desigualdade social mais escandalosa que todos os escândalos’.

Como é que é? ‘Redução da desigualdade social mais escandalosa que todos os escândalos’. É o ‘Rouba, mas faz’ decantado por Ademar de Barros em nova encadernação. Tereza Cruvinel, a nova presidente da TV Lula defende que os meios justificam os fins. Que haja mensaleiros, sanguessugas, petelhos, corruptos, desde que reduza-se a desigualdade social do país.
Antes, no parágrafo que precede ao citado, Dona Tereza é ainda mais  reveladora:

‘A eleição de Lula, por sua origem e trajetória, será mais que uma alternância no poder. Será prova de uma permeabilidade social e de uma disposição mudancista do povo brasileiro que surpreendeu o mundo’.

Claro que ela está se referindo ao governo petista que começou, lá em 2003, e segue, de vento em popa, provocando uma revolução no mundo só comparável ao feito de Moisés ao dividir as águas do Mar Morto com o auxílio do poder divino.
Dona Tereza confessa, portanto, que praticou um jornalismo duvidoso ao manietar a opinião pública com carapaça de “jornalista imparcial” quando era, ao fim e a ao cabo, uma fiel lulo-petista, a ponto de ser agora premiada com um cargo ilustre no governo Lula.
Foi assim, aliás, que Lula cooptou Franklin Martins e, mais recentemente, Heloísa Chagas, ex-diretora da sucursal de “O Globo” em Brasília, que deve assumir o comando de jornalismo da TV Pública.
O que será a emissora dessa gente já dá para imaginar. Não vou me alongar. O tema desonestidade jornalística é tão instigante que deveria figurar como disciplina na grade escolar das Faculdades de Jornalismo, apinhadas, aliás, de petistas que nunca sentaram a buzanfa em uma redação. Normal. Dona Tereza Cruvinel, cansada de guerra, sentou a dita nos jornais e deu no que deu. Só espero que não se meta a ensinar “ética”.

Para ler o artigo de Tereza Cruvinel clique aqui.

Para ler o artigo de Diogo Mainardi clique aqui.

Para ler o artigo de Diogo Mainardi em 2005 clique aqui.

Assobiando e chupando cana

30 setembro, 2007 às 17:07  |  por Marcus Vinícius

Só para efeito de comparação: o São Paulo é o Lewis Hamilton do Brasileirão ou o Lewis Hamilton é o São Paulo da F-1?

Abade resolve

30 setembro, 2007 às 17:01  |  por Marcus Vinícius

Anote o nome do árbitro: Cleber Wellington Abade (SP). Foi ele quem mandou voltar três vezes o pênalti chutado por Anderson, do Coritiba, e defendido por Fred, do Ipatinga, no sábado. Só na quarta cobrança, o gol vingou.  A torcida agora é que Abade apite ao menos um jogo do São Paulo para acabar com aquelas “saidinhas” de um metro de Rogério Ceni. Vai que é tua, Abade.

Santa Marta, rogai por nós

30 setembro, 2007 às 16:30  |  por Marcus Vinícius

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Esqueçam o que escrevi abaixo sobre o futebol feminino. As manchetes dos sites de notícia se encarregaram de dar o tom sombrio da derrota para a Alemanha hoje na final do Mundial: ‘Marta desperdiça pênalti e seleção fica com o vice’. É o tipo de derrotismo que nutre os parasitas detratores do futebol. Daqui a pouco vão lembrar das quartas-de-final da Copa de 86, comparar Marta a Zico, e condenar o futebol feminino pelo que ele tem de mais bonito: a arte. Sim, porque é preciso ser  artista para jogar daquele jeito como Marta e companhia. O resto é futebol botocudo tal e qual o praticado pelas alemãs.

Mais um pouquinho, um tiquinho só, e chamam o Parreira para dirigir o time – afinal ele está louquinho para dar no pé da África do Sul. Mais um pouquinho e convocam uma Dunga de saias para dar botinadas, matar de canela e chutar de bico. Vade retro!

Se Marta deve ser lembrada – e ela DEVE ser lembrada – é pelo drible fantástico que deu na americana na vitória de 4 a 0 do Brasil na semifinal. O resto é Finazzi. O Brasil foi bem, enquanto o fôlego das jogadoras durou. Venceu a blitzkrieg das alemãs e a vista grossa da juíza australiana em jogadas que, pela plasticidade, não deveriam ser “assassinadas” a tacape como fizeram as loiras vitaminadas. Lembremos, Marta tem apenas 21 anos de idade. Terá 25 no próximo Mundial. Se não foi desta vez, será na próxima. Só não deixem o talento morrer de inanição. É o que a CBF vem fazendo desde que o Brasil venceu a Copa do Mundo de 94. Há 13 anos, portanto, somos assombrados pelo espectro do dunguismo.  Santa Marta, rogai por nós.

Fonte: AP

Fiel à concorrência

30 setembro, 2007 às 16:03  |  por Marcus Vinícius

NO TUTTY VASQUES

A nova emissora de TV do Bispo Macedo já tem dois programas certos para entrar na briga com a TV Globo:

O “Tela Crente” e o “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios”.

Positivo operante

30 setembro, 2007 às 13:00  |  por Marcus Vinícius

DEU NO CLÁUDIO HUMBERTO

Prosperidade
O poderoso Grupo Positivo é outro cliente da empresa de consultoria do deputado tucano e ex-ministro da Educação de FHC, Paulo Renato de Souza (SP).

Alemanha 2 x 0 Brasil

30 setembro, 2007 às 11:00  |  por Marcus Vinícius

A seleção brasileira de futebol feminino deixou escapar o título mundial, depois de uma campanha acachapante. O time não resistiu à superioridade tática do futebol alemão e acabou sendo derrotado com dois gols na etapa complementar. Marta perdeu um pênalti quando o jogo ainda estava 1 a 0. No primeiro tempo, o Brasil foi melhor, chegando a chutar uma bola na trave, mas não conseguiu furar a defesa alemã. Os gols da Alemanha contaram com a contribuição da goleira Andréa. No primeiro gol, a bola passou por baixo do corpo da jogadora. No segundo, Andréa não saiu para cortar a cobrança de escanteio, deixando a zagueira alemã cabecear livre. Assim fica difícil.

As manchetes deste domingo

30 setembro, 2007 às 10:51  |  por Marcus Vinícius

GAZETA DO POVO
Maior parte dos municípios do PR não tem teatro, cinema e livraria

O ESTADO DO PARANÁ
Setor aéreo sob apagão. Ainda!

FOLHA DE LONDRINA
Receita deve apreender mais de R$ 1 bilhão de produtos piratas

FOLHA DE S. PAULO
Valerioduto de MG pagou juiz eleitoral, afirma PF

O ESTADO DE S. PAULO
Brasil perde R$ 3 bilhões em um ano de crise aérea

O GLOBO
Pais educam crianças para lidar com a violência no Rio

JORNAL DO BRASIL
Levaram R$ 45 milhões
(A lista com as dez maiores indenizações de civis e militares)

Parece show do Wando, mas não é

29 setembro, 2007 às 10:58  |  por Marcus Vinícius

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São os torcedores do Botafogo atirando calcinhas para os jogadores depois da derrota de 4 a 2 para o River Plate, na Argentina, que eliminou a equipe da Copa Sul-Americana.

Foto: Agência O Globo

Um silêncio obsequioso

29 setembro, 2007 às 10:36  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política deste sábado no JE.

(Para ler a coluna completa clique no LEIA MAIS).

Era esperado que o governo petista, mais cedo ou mais tarde, empurraria goela abaixo, a TV Pública nos moldes totalitaristas que todos conhecemos. O ensaio vinha se dando desde que Lula ameaçou de expulsão o correspondente do New York Times, Larry Rother, e ganhou fôlego com a tentativa de criar um Conselho Federal de Jornalismo, com o objetivo específico de controlar a informação. O que espanta, a mim particularmente, é que os jornalistas ou os sindicatos e federações que os representam (me inclua fora dessa) não tenham se manifestado sobre o assunto.
Alguém lembrou ontem que a criação da TV Pública garantiria mais emprego para os coleguinhas. Ora, que vão ao diabo junto com o espírito de corpo (ou de porco) que defendem.
Se você quer saber o tipo de jornalismo e de informação que será ofertada na TV Pública basta ligar o rádio às 7 da noite. É aquela cloaca sem tirar nem pôr. Não por coincidência, o governo encontrou dificuldade para achar um “profissional” que se adequasse ao perfil de presidente da emissora. Tereza Cruvinel foi a escolhida porque já pertencia ao quadro da imprensa afagável, da qual fazia parte Franklin Martins (ministro da Comunicação Social) e Heloísa Chagas – todos com passagem pela Globo. Informam-me que Tereza é uma ex-troskista. Deve ser sina. E um tema para outra coluna – vocês não perdem por espernear.
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