Proibir blogs de candidatos na campanha é um placebo

29 abril, 2008 às 15:17  |  por Marcus Vinícius

Repórter quer saber o que acho da resolução do TSE que proibiu o uso por parte dos candidatos de blog e sites de relacionamento na campanha deste ano. Como se trata de “achismo”, acho uma aberração.

Salvo engano, e correndo o risco de mastigar clichês, vejo na internet justamente a possibilidade de ampliação do debate e de democratização da propaganda. Proibir que um candidato nanico apresente seu programa de governo, via blog ou através de sites de relacionamento como o Orkut e o My Space, significa privilegiar poucos em detrimento de muitos. Ou será que os candidatos de maior estrutura econômica não serão beneficiados?

No parecer publicado em 31 de março deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, apoiou-se em uma lógica torta para defender a proibição. “Certo é que, conforme senso comum, se algo não é proibido, em tese, deveria ser facultado. Contudo, se a lei não proíbe determinadas práticas de propaganda eleitoral, também não se autoriza”. Traduzindo: Proibido não é, mas autorizado não está, portanto proíba-se.
É desprezar uma ferramenta valiosa de propaganda e de acesso gratuito. Mais: é jogar às traças também um mecanismo que atinge justamente o público que a democracia vem tentando cooptar: o eleitorado jovem.
Se, no entanto, a decisão é proibir, é preciso criar mecanismos para fiscalizar. E eles sabidamente são precários. A considerar-se que um blog pode ser hospedado, por exemplo, no exterior, onde não está sujeito à legislação e fica fácil dimensionar o efeito “placebo” da decisão.
Melhor seria liberar e analisar caso a caso as irregularidades e transgressões eleitorais, como se faz, aliás, em outros casos. O TSE, contudo, achou por bem proibir. Cômodo. Em resumo:  deixou tudo como está para ver como é que fica.

1 Comentários

3 ideias sobre “Proibir blogs de candidatos na campanha é um placebo

  1. jaguaribe

    É a cara do “Brasil” (entre aspas porque isso aqui ainda não chegou a ser um país). Internet não pode; já emporcalhar a cidade pode. Internet, que é feita com recursos próprios, não pode; já propaganda no rádio e na TV, financiada com recursos públicos, pode. É a cara da “Justiça Eleitoral” do “Brasil” (tudo entre aspas, claro).

  2. Foi Mal aê

    isso vai ser revisto,e eu ja vou começar a registar alguns dominios pra vender pros caras, quem sabe uns cookies tb, alguns malwares pra catar senha de banco, cartão de crédito, cpf, rg,..é isso,vou pensar no futuro, a hora que esse pessoal descobrir a internet, o mercado vai bombar,agora vou sair, preparar um plano pra ver se aprovo um financiamento do BNDES, pro meu negócio..
    bunfunfa aê

  3. Neuza Antunes

    Concordo com o Jaguaribe, a propaganda eleitoral tradicional no nosso país emporcalha as cidades.
    As campanhas feitas indiretamente de maneira direta pelos que estao no poder também sao o que deveriam ser banidas, afinal se o candidato está fazendo um bom governo nao precisa divulgar via televisao ou rádio, o povo sente e vê o trabalho bem feito.
    A internet é uma grande ferramenta de divulgaçao, o usuário tem a opçao de entrar e ver o que lhe interessa de seu candidato sem precisar mudar de canal.
    Además seria mais democrático já que para as megas campanhas se percebe que candidatos com estrutura financeira bem grande levam a melhor.
    A rede poderia democratizar realmente a participaçao cidadana, pois do jeito que acontece hoje em dia, vejo que o poder sempre fica nas maos de que tem dinheiro, ou de quem devido ao tempo no poder consegue fazer o pé-de-meia eleitoral.
    Se alguém duvida disso tente se candidatar pra próxima e me avise do que podem pedir. Nao tem outro caminho se o cidadao quer participar da política em nosso país tem que se filiar a um partido e seguir a cartilha que nem sempre é o do agrado geral, além é claro de deixar caminho livre para as velhas raposas primeiro, por esse motivo é comum ver os mesmos de sempre nas campanhas, os novos se aguentarem depois de ralar muito e se nao tiver nenhum na frente saem candidatos (mais democrático que isso, só o comandante, sem esquecer que precisam ter uma verba boa para os santinhos, churrascos, etc. se nao tem, mau negócio.
    Desculpe a falta de acento, estou no teclado do verdugo e só sai castelhano.
    Blogo teu espaço é democrático, aqui vejo de tudo.

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