A marcha dos barnabés

10 setembro, 2008 às 07:17  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

Requião anuncia a Marcha dos Cinco Mil no próximo sábado para fazer esquentar a campanha de Carlos Moreira (PMDB) à prefeitura de Curitiba. O número não foi escolhido ao acaso. Cinco mil é o número estimado de funcionários comissionados no governo do estado e adjacências, sujeitos às chuvas e trovoadas da administração peemedebista – o que significa também atender convocatórias para engrossar campanha fantasma.
Moreira tem 1% nas duas últimas pesquisas eleitorais – Vox Populi e Datafolha –, o que representa pouco mais de 12,5 mil votos. Não elege sequer um vereador.
Só para efeito de comparação (e comparar é preciso), o verde nanico Melo Viana, que agora ocupa carguinho fácil e bem remunerado no governo, obteve na eleição de 2004 pouco mais de 13 mil votos.
Mas o que importa mesmo é mensurar os efeitos da campanha de Moreira sobre o prestígio do governador. E eles são visíveis. A começar pela pretensão de Requião de disputar o Senado em 2010. Com tal capacidade de “transferência de votos” – um mito que governantes do Oiapoque ao Chuí costumam vender – convém sua campanha subir no telhado.
Leve-se em consideração que, mesmo que estejam em disputa duas das três cadeiras do Paraná no Senado, há concorrentes de peso prontos para concorrer ao cargo. Se não disputar o governo do estado, Osmar Dias (PDT) é um deles, Flávio Arns (PT) outro, Gleisi Hoffmann (PT) certamente. Gustavo Fruet (PSDB) estuda a possibilidade, Valdir Rossoni (PSDB) também, e até o empresário Paulo Pimentel (sem partido) pode vir a arriscar-se novamente. São seis nomes colocados que, se não ameaçam, ao menos abalam o sonho de Requião de encerrar a carreira política com pompa e circunstância na alta câmara da República.
Quanto a Moreira, a promessa de Requião ao credenciá-lo a “laranja” ou “abacaxi” da campanha peemedebista era oferecer, em troca, a Secretaria da Educação. Em privado, no entanto, o governador já descarta essa possibilidade. Há quem diga que o vexame do PMDB, a ser confirmado nas urnas, pode afundar de vez a nau de Moreira feito um Titanic mambembe.
Se não bastasse isso, o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná recebeu ontem mais uma notícia amarga (vai para a coleção): a UFPR ficou em 44º lugar no primeiro ranking oficial das instituições de ensino superior. Moreira, ora em diante, virou nome de frango de macumba.

Receituário
“Se cacete não resolver, dobre a dose”. (Do filósofo Roberto Requião, alertando para o que virá na reta final das eleições em Curitiba).

E a magrela?
Estranho que Gleisi Hoffmann (PT), tão entusiasmada com as bicicletas de Paris, não tenha feito da idéia um “mote de campanha”.

Perdeu o bonde
Pois, ontem, no Rio, o quase ex-prefeito César Maia (DEM) tratou de anunciar a licitação de bicicletas de aluguel que servirão de transporte para o carioca ir ao trabalho.

Cidade maravilhosa
Ruy Castro, que gosta de festejar as peripécias do Rio de Janeiro, comemorou a idéia e lembrou que a capital carioca tem 140 quilômetros de ciclovias.

Um porém
Pois é, Curitiba possui 103 km. O problema é que as tais pistas foram planejadas para quem faz da magrela um lazer e não um meio de transporte.

Extra, extra
As eleições para reitor da UFPR ocorrem nesta quarta-feira em caráter extraordinário. O cargo ficou vago depois que Carlos Moreira (PMDB) renunciou para disputar a prefeitura de Curitiba.

Regra quebrada
Moreira se elegeu em 2002 e se reelegeu em 2006, tornando-se o FHC da UFPR. Desde 1985, quando Riad Salamuni foi eleito reitor da universidade em sufrágio direto, havia um consenso informal de que não haveria o expediente da reeleição.

Pensou bem
Moreira nega esse acordo e diz que o antigo reitor Carlos Antunes, o Tratorzinho, teria cogitado um novo mandato, mas desistiu depois de reavaliar suas chances.

Das anacrônicas
O candidato à prefeitura Ricardo Gomyde (PCdoB) que se dê por contente com o 1% obtido nas últimas pesquisas. Ontem, seu partido saudou os 60 anos da República Democrática da… Coréia do Norte. Cheirou naftalina?

ARREMATE
Em campanha pró-Richa, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves estiveram, ontem, em Curitiba e rasgaram sedas um ao outro. Me engana que eu gosto.

OBLADI-OBLADÁ
Com a Assembléia Legislativa às moscas, correu a piada ontem à tarde de que os deputados teriam decidido esticar o “restinho da semana”. É da profissão. *** Caminha para ganhar um nome de batismo o grupo de parlamentares que resiste às inovações pequeno-burguesas para tornar o legislativo mais transparente. É a “Frente Romanelli de Trabalho”. Perfeito.

marcusvrgomes@uol.com.br

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