Frente de ataque

11 setembro, 2008 às 07:49  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quinta-feira no JE.

Um encontro na sexta-feira passada reuniu, em torno da mesma mesa, representantes e marqueteiros dos adversários de Beto Richa na disputa pelo trono da prefeitura.
Discutiram um plano de ataque à campanha do tucano onde não restaria pedra sobre pedra. O coordenador de marketing da campanha de Carlos Moreira (PMDB) e Fábio Camargo (PTB), Hiram Pessoa de Mello, sugeriu ocupar 2/3 do tempo de cada candidato para desferir petardos contra o tucano. Os golpes seriam da cintura para baixo e envolveriam a passagem de José Richa Filho, o Pepe, pelo DER do Paraná no governo Lerner, o Instituto Pró-Cidadania de Curitiba, comandado pela primeira-dama Fernanda Richa, a sogra fantasma de Ezequias Moreira, o Instituto Curitiba de Informática (ICI), os gastos em publicidade e propaganda elevados aos zilhões e, cereja no bolo, uma certa empresa de seguros que mantém contrato com a prefeitura.
Representantes do PT de Gleisi Hoffmann, no entanto, teriam melado o acordo alegando prejuízo que atingiria os limites do suicídio eleitoral. Os petistas argumentaram, por exemplo, que o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), marido de Gleisi, sonha em disputar o governo e que a própria petista não descarta encarar novamente a disputa ao Senado em 2010.
Executar, portanto, o que seria uma blitzkrieg sobre a candidatura de Beto Richa poderia, segundo os petistas, ter efeito contrário com conseqüências devastadoras para o partido nos próximos anos.
O plano, no entanto, ainda não foi devidamente descartado. Hiram Pessoa de Mello tenta convencer Fábio Camargo e Carlos Moreira a aderirem ao projeto e trata de incluir Requião nas negociações.
O governador tem filosofado sobre o que entende por “cacete eleitoral” – com aquela fleuma que lhe é peculiar –, mas nem mesmo ele se arrisca a tanto.
Hiram, que guarda mágoas de Richa da eleição de 2004, teria apelado até para o empresário que financia as campanhas de Moreira e Camargo, em agradecimento a contratos substanciosos conseguidos junto à administração estadual.
Ainda assim, o poder de persuasão do marqueteiro “dois em um” tem se revelado de pouco alcance.
Nos corredores, a piada que corre é a de que Hiram teria incorporado a “caixa preta” do qual foi portador em debate na Band.. Afinal, foi ele quem levou o petebista Fábio Camargo e o peemedebista Carlos Moreira a um intransponível índice de 1% – confirmado ontem, aliás, na pesquisa  Ibope/RPC. Sim, é para rir.

Indesejados das gentes
O índice de rejeição dos candidatos à prefeitura de Curitiba anima a disputa. Fábio Camargo (PTB) alcançou, ontem, 23%, enquanto Gleisi Hoffmann (PT), Carlos Moreira (PMDB) e Bruno Meirinho (PSOL), seguem coladinhos, todos com 22%.

Pau a pau
Se levada em conta a margem de erro de quatro pontos e os quatros estão tecnicamente empatados. Pelas barbas do profeta, torcida brasileira!

Memorex
O vice-presidente da Câmara de Curitiba, Tito Zeglin (PDT), fez questão de lembrar os colegas que o artigo 22 do regime interno prevê que a ausência em 33% das sessões pode incorrer em cassação do mandato.

Bateu duro
Mirou direto no tucano Beto Moraes que há três semanas não dá o ar da graça na Casa.

Estado de exceção
A reputação do governador Roberto Requião vai de mal a pior. Ontem, ele inventou um “Ferreirinha judicial” e determinou a intervenção no município de Paranaguá sob a acusação de acúmulo de passivo trabalhista.

Inimigo meu
Detalhe: o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), é candidato à reeleição e, se não bastasse, inimigo visceral do governador.

Despropósito
Requião teria se rendido aos apelos do candidato à prefeitura do PMDB, Mário Roque, para determinar a intervenção, acatando, segundo ele, determinação do Tribunal de Justiça do Paraná.

De dar medo
É um caso de temeridade, se levada em conta a subserviência espantosa do Judiciário em questiúnculas de interesse do governador.

Sem efeito
Vale lembrar que o estado do Paraná também foi alvo de intervenção recomendado pelo Tribunal de Contas da União por deixar de honrar dívidas trabalhistas, o que nunca se consumou.

ARREMATE
O Paraná transformou-se no quintal da família Requião?

OBLADI-OBLADÁ
O vereador Jairo Marcelino (PDT) acionou a bola de cristal e estima que 12 caras novas devam assumir a Câmara em 2009. *** Entusiasmado com os índices de Beto Richa nas pesquisas, o PSDB decidiu usar o horário eleitoral gratuito para incentivar o voto de legenda. *** A bancada do PT na Câmara desistiu de ostentar o bottom de Gleisi Hoffmann na campanha. Concentra-se agora na própria eleição. Dureza.

marcusvrgomes@uol.com.br

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