Meu caro Bronstein

17 setembro, 2008 às 09:10  |  por Marcus Vinícius

A coluna Toda Política desta quarta-feira no JE.

Querido Lev Davidovich Bronstein, más notícias. Quem diria que seus fiéis seguidores fossem dar nisso. Não bastasse o Posadas que deixou que os trotskistas se transformassem em piada da quarta internacional ao defender a tese de que só alienígenas poderiam provar o triunfo dos povos. Afinal, que sociedade poderia desenvolver uma tecnologia capaz de vencer a resistência do tempo e do espaço, não fosse ela nascida sob o sistema socialista?
Outras eras, outras glórias. Por aqui, aqueles que reclamaram a teoria da revolução permanente sequer ousam dizer seu nome, temendo cair na vala comum dos “porralocas”, como diziam em antanho. No caso mais recente, o candidato do PSOL à prefeitura de Curitiba, Bruno Meirinho, diz que o socialismo defendido pelo partido é anterior a 1910. Nega o pinto calçudo a revolução russa de 1917 e abraça a “Filosofia da Miséria” de Proudhon. Pois não quer ele levar a cabo a tese de que “toda propriedade é um roubo”? Invadam, portanto, os imóveis vazios. Invadam os sem-terra as áreas rurais e banana para a lei. É tudo em nome da causa.
O mesmo socialista que não ousa dizer o seu nome, ó Lev Davidovich Bronstein, é aquele que encara o Estado como pai e provedor das necessidades do povo – seja lá o que isso signifique – sem apresentar alternativas que fujam do modelo de socialismo que ele diz renegar.
Foi a tacanha Constituição Brasileira de 1988 que possibilitou que gente que mal saiu do tambor, do tacape e da tanga ganhasse voz nas eleições com as idéias as mais estapafúrdias. O articulista Roberto Pompeu de Toledo disse, certa vez, sobre a presidenciável Heloísa Helena que no mundo que ela imaginava ele não queria viver. De Bruno Meirinho, nem isso. O socialismo de botequim que ele prega poderia ser rebatido por um babão de gravata. Eu não sei o que andam ensinando nas faculdades, mas Meirinho, que já foi chamado de Mineirinho (quaquaquá) e Mourinho (quequequé), é de fazer Marx virar um catavento no caixão. Duvida?  Basta ler um tico do que ele andou dizendo na sabatina da “Gazeta do Povo”. Por via das dúvidas, no entanto, recomenda-se despejar goela abaixo uma dose dupla de sal de fruta. Trostky, você não merecia isso.

Filosófica
De parlamentares que preferem não se identificar ao comentar, ontem, a grande exposição da travesti Andrielly Vogue (PT) na mídia: “Hoje em dia mulher boa de voto tem que ter saco”. Quaquaquá.

Só o PCdoB une!
As declarações de Ricardo Gomyde, candidato à prefeitura de Curitiba pelo PCdoB, na sabatina promovida pela “Gazeta do Povo” na segunda-feira promoveram um efeito curioso na Câmara Municipal de Curitiba. Pela primeira vez, situacionistas e oposicionistas uniram-se em “ritual de imolação”. Gomyde afirmou durante a sabatina que o PT seria o responsável pelos índices estratosféricos de aprovação de Beto Richa. Pra quê?

Coadjuvante
A turma se arrepiou. A petista Roseli Isidoro agitou a cabeleira e acusou Gomyde e o PCdoB de fazer o papel de “linha auxiliar” de Beto Richa.

Santo, santo
O vereador Paulo Salamuni (PV) foi mais longe. Juntou lé com cré e saiu batendo duro. “A sigla PCdoB não representa os comunistas mas o Partido Católico do Brasil. É um bando de crentes. Pupilos arrependidos do senhor reitor”.

Coisa feia
O tucano Celso Torquato mirou no alvo. Lembrou que quando Gomyde ocupava uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba, durante a administração Cássio Taniguchi, era useiro e vezeiro em votar com a bancada aliada. Afe!

Venenoso
Alguém resolveu cutucar mais fundo e recordou os colegas que o hoje candidato à prefeitura Fábio Camargo (PTB) fazia o mesmo em relação aos projetos apresentados por Beto Richa. Isso quando aparecia na sessão. Coisa rara!

ARREMATE
Os números da pesquisa Vox Populi reforçam a tendência da eleição em Curitiba ser decidida no primeiro turno. Modorra, modorrinha.

OBLADI-OBLADÁ
Fotógrafos de plantão, por favor, queiram preparar suas máquinas. O candidato do PV à prefeitura, Maurício Furtado, garante que só usa bicicleta para se locomover. Ei São Tomé, só acredito vendo. *** A eleição nem acabou e Gleisi Hoffmann (PT) anda dizendo por aí que irá disputar o governo do estado em 2010. Escusas ao maridão Paulo Bernardo e a Jorge Samek.

marcusvrgomes@uol.com.br

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