Populismo, demagogia e faz de conta
A ascensão do PT de Lula ao poder federal aprofundou um processo de aparelhamento do Estado e de decadência do movimento sindical brasileiro, que cada vez mais confunde os interesses do governo com os dos trabalhadores, colocando o segundo a serviço do primeiro. No Paraná, esse processo foi ainda mais intenso, com o governo Requião usando os sindicatos – atraídos pelas benesses e cargos oferecidos pelo Estado – como massa de manobra para fins políticos.
Ontem, por exemplo, representantes da Força Sindical ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa, para protestar contra a derrubada da chamada “PEC do Emprego”, pelo qual o governo propunha condicionar a concessão de benefícios fiscais a garantia da manutenção dos empregos pelas empresas beneficiadas. A PEC caiu pela falta de um voto, sendo que dos 12 deputados que não votaram, nove eram da base do governo. Incitados pelo próprio Requião, os sindicalistas hostilizaram os parlamentares da oposição que votaram contra a proposta, acusando-os de “traidores”.
Ocorre que a PEC era absolutamente inócua, já que só valeria para os futuros contratos. Além disso, já existe uma lei estadual, aprovada pela Assembleia Legislativa, que prevê a exigência de manutenção dos empregos por parte das empresas que recebem benefícios fiscais. O problema é que Requião se recusou a sancionar a lei, e mesmo depois de promulgada pelo Legislativo, seu governo também se recusou em aplicá-la.
Na prática, a PEC representava apenas mais uma pantomima do governo, que na falta de ação real contra os efeitos da crise, lança mão de factóides para sustentar um discurso vazio e populista, que não traz qualquer benefício real aos trabalhadores. Enquanto governos de todas as partes do mundo, incluindo a administração Lula, cortam impostos para estimular a produção e aí sim, a manutenção dos empregos, no Paraná Requião impôs uma “mini-reforma tributária” que aumento impostos para setores essenciais como energia elétrica, telefonia e combustíveis – que tem impacto em toda a cadeia produtiva, em troca de uma redução dos mesmos para bens de consumo, sem qualquer garantia de que o benefício será repassado aos preços e ao consumidor. E assim segue a administração pública do Paraná, vivendo de conflitos criados artificialmente, populismo barato e discurso vazio.
Reforço
O presidente estadual do PP, deputado federal Ricardo Barros, disse ontem não ter dúvidas de que a vitória de Barbosa Neto (PDT) no “terceiro turno” da disputa pela prefeitura de Londrina reforça as chances do senador Osmar Dias (PDT) na corrida sucessória estadual. Segundo ele, o resultado deve fazer com que o PT do presidente Lula intensifique o assédio para que Osmar seja o candidato governista à sucessão de Requião no Paraná, em troca do palanque para a ministra e presidenciável Dilma Roussef.
Limite
Na avaliação de Barros, Osmar não poderá esperar por muito tempo uma definição sobre a manutenção ou não da aliança com o PSDB de Beto Richa e Alvaro Dias. Até porque, afirma, os tucanos não tem dado qualquer demonstração concreta de que preferem manter a aliança a lançar candidato próprio ao governo.
Pressa
Apesar de comemorar a vitória de Barbosa Neto, o PP pretende cobrar esta semana uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o recurso do candidato eleito e cassado, Antonio Belinati. O partido quer que o STF julgue o recurso antes da posse do novo prefeito eleito, marcada para 5 de maio.
Fatos ou boatos?
Em fim de mandato, o governador Requião – que geralmente monopoliza a propaganda do PMDB estadual – foi obrigado a abrir espaço para o vice-governador e pré-candidato do partido à sucessão, Orlando Pessuti. As primeiras inserções foram ao ar ontem à noite, e pretendem popularizar o nome de Pessuti – mais conhecido nos meios políticos – na esperança de cacifar a candidatura do peemedebista. Requião não morre de amores pelas pretensões do vice. Mas como Pessuti assumirá o governo em abril quando ele deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado, o governador teve que deixar o ego um pouco de lado para dividir o tempo na propaganda peemedebista com o “companheiro”.
FRASE DO DIA
Em política não tem bobo. Não adianta ficar ‘cozinhando’ o Osmar (Dias)
do presidente estadual do PP, deputado federal Ricardo Barros, sobre a decisão do PSDB de lançar candidato próprio ao governo ou manter a aliança com o senador do PDT
RÁPIDAS
A bancada do governo na Assembleia rejeitou ontem requerimento da oposição que pedia
a relação dos trechos de estradas, com suas respectivas quilometragens, que teriam sido recuperados pelo Estado nos últimos anos. Segundo declarações do vice-governador, Orlando Pessuti, o estado teria recuperado 8 mil quilômetros de estradas, enquanto o governo havia anunciado 5 mil quilômetros. Para a oposição, a recusa em aprovar o requerimento coloca em dúvida as informações do governo e faz acreditar que os números referentes aos trechos recuperados estejam aquém do efetivamente realizado.