Delator da ‘Carne Fraca’ diz que Serraglio recebeu propina em espécie

3 janeiro, 2018 às 11:15  |  por Ivan Santos
Foto: Franklin de Freitas / Bem Paraná

Foto: Franklin de Freitas / Bem Paraná

O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, preso na operação Carne Fraca, que investiga um esquema de cobrança de propina e fraude na fiscalização de frigoríficos, afirmou, em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, que o deputado federal paranaense e ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), recebeu pagamentos em espécie do esquema. A informação é do jornal O Globo. Segundo Gonçalves, apontado pelo MPF como chefe do esquea, a maioria dos pagamentos seria em torno de R$ 10 mil. A delação premiada foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no fim de dezembro.

Gonçalves também confirmou que Serraglio teria sido um dos responsáveis por sua nomeação para o cargo de superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná. Gravação telefônica feita pela Polícia Federal revelou uma conversa em que o peemedebista se refere a Gonçalves como “grande chefe”.

Na delação, o ex-superintendente também implica o deputado federal parananse Sergio de Souza (PMDB) e outros políticos do PMDB do Paraná. Ele revelou ainda detalhes do esquema de compra de liberação de licenças por frigoríficos abastecia o caixa 2 do partido.

O acordo de delação estava há cerca três meses com Toffoli esperando homologação. Como envolve políticos como foro privilegiado, como Serraglio e Souza, eles continuarão no Supremo. Gonçalves está preso na sede da PF em Curitiba desde março de 2017.

Serraglio nega ter recebido propina ou ter trabalhado pela indicação de Gonçalves para o cargo no MAPA. “Assim é fácil, né? O fiscal toma dinheiro das empresa, fica com ele e coloca a culpa nos outros”, afirmou ao O Globo.

Segundo o deputado, Gonçalves foi uma indicação da bancada do PMDB do Paraná, tendo como principal articulador o ex-deputado federal Moacir Micheletto, morto em 2012. De acordo com Serraglio, Micheletto seria o responsável por indicações para a área da Agricultura.

O deputado cobrou do delator provas sobre o pagamento em dinheiro. Afirmou que o ex-superintendente tem que dizer “onde fez o pagamento” e “se alguma vez esteve em minha casa ou no meu escritório”.

Em nota, Serraglio rebateu as informações:

“A Operação Carne Fraca foi tão escandalosa que comprometeu as exportações brasileiras. Grandes frigoríficos foram envolvidos, em diversos estados. Nada mais se disse sobre isso. Eu próprio denunciei à Procuradoria da República negociação espúria que envolvia a JBS bem antes da Operação “Carne Fraca. Há oito meses está o superintendente do Paraná preso e o que se desvendou? Agora será solto porque, afinal, um ex-ministro foi implicado e isso já satisfaz. Procurei informações e me foram negadas porque é crime revelar o que está sob sigilo da delação. Contudo, está na imprensa!!! Passei para a jornalista do O Globo cópia dos documentos de 2007 que provam que a indicação do superintendente foi da bancada. Aliás, eu nem o conhecia. E, é fácil mentir: diz que pagou em espécie. Pergunto: onde e como ele passou valores? Onde os sacou, como os transportou, quando e onde os entregou ? O que vale é a palavra de quem quer ser solto. Negocia a honra alheia e é premiado. Reconheço que, desde que fui Relator da CPMI que implicou os mensaleiros, atraí muitos inimigos. Estão em muitos lugares e cargos e me perseguem. Mas não me arrependo.”

Também em nota, o deputado Sérgio Souza afirmou que “as acusações são totalmente infundadas, falsas e realizadas por alguém que quer se livrar dos seus crimes”.

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