“Política não é meu forte”, diz Mesquita após saída da Sesp

7 fevereiro, 2018 às 13:09  |  por Narley Resende
Wagner Mesquita

(Foto: Geraldo Bubniak)

O ex-secretário Wagner Mesquita, que foi substituído no comando da pasta pelo delegado Júlio Reis, depois de pressão de setores da Polícia Militar (PM), publicou em seu perfil no Facebook na madrugada desta quarta-feira (7) um texto em que lembra das crises que enfrentou nos últimos anos. Sem mencionar o fato que teria gerado a saída dele da Secretaria, Mesquita disse que “em um ano de eleições, o caráter político nas decisões de governo ganha importância”.

Ele diz reconhecer que política não é seu forte. “Em um ano de eleições, o caráter político nas decisões de governo ganha importância, e tenho que reconhecer que esse não é o meu forte. Gosto de fazer polícia e obter resultados, e não há como atingir metas agradando a todos. Buscando o melhor armamento, os melhores equipamentos, enfrentei privilégios, interesses, e combati monopólios. Se esse era o preço, pago de bom grado. E nesse viés, talvez realmente seja a hora de partir para outra missão”, escreveu o ex-secretário.

Segundo ele, buscou o melhor armamento, os melhores equipamentos, enfrentou privilégios, interesses, e combateu monopólios. “Se esse era o preço, pago de bom grado”, escreveu Mesquita.

Apesar do desabafo, o delegado federal agradeceu ao governador Beto Richa por confiança e oportunidade de trabalho. Mesquita disse que saia ciente de que fez seu melhor, “dentro das circunstâncias”.

No longo texto, o ex-secretário fala da competência de profissionais com quem trabalhou e diz que recebeu uma secretaria de segurança endividada, em crise, sem viaturas nem armas, sem atividade de inteligência operacional, criticada pela sociedade e com baixa moral.

Para Mesquita, a Secretaria entregue por ele tem instituições policiais respeitadas, profissionais, bem vistas pelo povo paranaense e reconhecidas em todo o Brasil. Ele também cita muitas crises que enfrentou, desde crimes graves, grandes manifestações, reintegrações, invasões de escolas, votações e atos públicos e políticos sensíveis, sanados com técnica e profissionalismo.

Sobre a questão mais recente, em que uma família aguardou 13 horas por uma viatura do IML para recolher o corpo de uma vítima de assalto, Mesquita afirmou que a crise também foi sanada com a locação de viaturas novas e criação da central de despachos 24 horas, com uso de GPS nas viaturas.

Problemas graves são típicos da natureza da pasta, e se assim não fosse não haveria necessidade de Secretário atuante, disse Mesquita. Ele finaliza o texto enaltecendo a competência do substituto e com a poesia Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias.

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