Ex-secretário de Segurança não descarta disputar eleição

8 fevereiro, 2018 às 07:00  |  por Narley Resende
Foto: Larissa Portes/SESP

Foto: Larissa Portes/SESP

O delegado federal e ex-secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita, atribui ao ano eleitoral sua demissão da pasta nesta semana. Mesquita diz ter sido alvo de articulação política de associações de policiais militares que pressionaram o governador Beto Richa (PSDB).

“Estabelecer metas e acompanhar a execução nem sempre agrada a todos, principalmente associações e cada uma puxa para sua instituição, são várias, cada uma com influências diferentes também. Eu refuto a essa necessidade, esse movimento político de ter uma coalizão, de tentar pelo menos, esses os reais motivos (da demissão), mas o governador é que sabe”, aponta.

Sobre uma eventual candidatura ao Poder Legislativo, Mesquita não descarta uma filiação partidária até abril para que possa se candidatar a uma cadeira na Assembleia Legislativa ou Câmara Federal. Ele ainda não é filiado a nenhum partido, mas tem até abril para, se for o caso, escolher uma legenda. Desde 2016, o prazo de filiação que permite candidatura foi reduzido de um ano para seis meses antes das eleições.

“Convites estão aparecendo e podem vir a aparecer. Está muito cedo ainda para fazer opções. Nunca avaliei essa possibilidade. Antes desses acontecimentos e da forma com que seu minha saída. Hoje eu não descartaria, dependendo da proposta, dependendo da parceria. Se eu puder contribuir com a sociedade e com a segurança pública que não seja no Poder Executivo, quem sabe”,  arrisca.

Secretaria municipal

Na semana passada, poucos dias antes de sair de férias, quando já era alvo de críticas de associações, Mesquita esteve reunido com o prefeito de Curitiba Rafael Greca (PMN). Segundo ele, o encontro não teve relação com um susposto convite para que assumisse a Secretaria Municipal de Defesa Social. “Esse encontro que tive foi para agradecer o apoio, além de discutir questões dos preparativos da segurança no carnaval, e agradecer o apoio porque desde aquele momento eu já estava recebendo críticas ceveras por parte desse pequeno grupo de associação específica. E é uma pessoa que tenho admiração”, elogia.

Relação com o governador e a PM

O próprio governador Beto Richa admitiu que a posição de comandantes da Polícia Militar influenciaram em sua decisão. Mesquita diz que tem apoio da PM, mas desagrada apenas associações. “Fiz grandes parcerias, desde praça mais moderno ao coronel mais antigos. Tem grandes guerreiros ali e que põe sua vida em risco. Tenho amigos e apoiadores lá. As maiores associações me dão apoio até hoje. A Amai (Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos Inativos e Pensionistas) que tem mais de sete mil associados e a Associação de Praças, que tem mais de oito mil. Esses ataques partiram de uma associação, minoritária, que atende interesses do pequeno grupo”, acusa.

Mesquita diz que foi alvo por ter cortado privilégios. “Viagens para Brasília com dinheiro público eu cortei. Muitos interesses que acabaram foram contraditórios de uma associação. Algumas associações que apareceram depois não tem nem registro nenhum, outras não tem nem sócios. Mas que têm influência em grupo político de oposição, muito clara, só ver as postagens no site da associação. É vinculada a políticos de oposição (ao governo Beto Richa)”.

Com 27 anos de serviço público, o delegado federal diz que não guarda mágoa do governador. Houve uma pressão política, inclusive interna do governo. Aproveitaram das minhas férias, porque o problema do IML (família que esperou 13 horas por uma viatura após um jovem ser morto em um assalto) já estava resolvido; eu já havia me reúnido com os coronéis e alto comando da PM, explicado a questão orçamentária que era um dos pleitos. O orçamento da PM sempre foi entre 455 e 47% e este ano estava em 46%. Aproveitaram das minhas féris de dois anos atrás, que tive que tirar, para pressionar o governador que tomou uma decisão estratévgica para o governo dele. Eu respeito a decisão”.

“Os resultados mostram o trabalho do grupo e em respeito ao meu grupo não aceito a afirmação de que a decisão tenha sido operacional. Não foi. Se há uma questão política de negociar com associações, eu tenho que respeitar”.

Sobre o novo secretário, ex-delegado geral da Polícia Civil, Julio Reis, Mesquita atribui a escolha do nome por um maior “jogo de cintura” de Reis nas questões políticas. “Mais tempo convivendo com as autoridades políticas do nosso estado ele posso ter mais jogo de cintura do que eu acabei tendo”, afirma.

Polícia Federal e investigação de políticos

Lotado no Paraná, berço da Operação Lava Jato , Mesquita se apresentou na terça-feira (6) ao superintendente Maurício Leite Valeixo, da Polícia Federal em Curitiba, para reassumir seu cargo de delegado.

“Vou me dirigir ao meu diretor-geral em Brasília para saber se ele tem alguma missão específica para mim. A missão que me for dada é a missão que vou desempenhar seja ela qual for. Se tiver alguma tratativa em relação à Lava Jato ou qualquer outra que envolva políticos eu vou tratar de maneira profissional, sem perseguições de nenhuma natureza. Vou aplicar meu conhecimento para a elucidação da verdade, que é o objetivo, sem nenhuma questão pessoal. Quando a gente pessoaliza é aí que tira o crédito de qualquer trabalho”, defende.

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