Cinismo rima com nepotismo
A “Terça Insana” voltou ontem a ser palco das diatribes de Requião contra a Justiça, que insiste em fazer valer a lei para evitar que o Paraná continue sendo um Estado administrado como um negócio da família do governador. O peemedebista não se conforma com a decisão do Supremo Tribunal Federal de aplicar a proibição do nepotismo, desalojando o irmão Maurício do cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas.
Para sustentar seus argumentos contra o STF, Requião apelou para o velho cinismo que caracteriza sua atuação política. De acordo com esse raciocínio, o irmão foi indicado pela Assembleia Legislativa sem qualquer influência do governador, que evidentemente não interfere nesses assuntos, e só assinou a nomeação. Portanto, na lógica requianista, não poderia ser enquadrada como nepotismo.
Seria cômico, não fosse trágico. O peemedebista, mais uma vez, zomba da inteligência da opinião pública, pois até os pássaros da Praça Nossa Senhora de Salete sabem que o governo controla uma maioria “bovina” no Legislativo, sempre posta a serviço de seus interesses, em troca de cargos e verbas para as bases eleitorais dos parlamentares. E que as indicações para conselheiros do TC passam invariavelmente pelo Executivo. Tanto que nunca alguém conseguiu emplacar o cargo sem o aval do governador de plantão.
Para justificar a suposta “independência” dos deputados, o governador ainda teve a pecha de afirmar que se ele tivesse o poder de impor sua vontade sobre a Assembleia, a Casa teria aprovado a chamada “PEC do Emprego”. Ocorre que a PEC teve 32 votos favoráveis e 9 contrários, entre os 54 deputados. Só foi derrubada porque por se tratar de mudança na Constituição Federal, precisava de quórum qualificado de dois terços, ou 33 votos, o que não aconteceu pela incapacidade da liderança governista em fazer com que os parlamentares da base aliada comparecessem em número suficiente à sessão.
Prioridades
O deputado Valdir Rossoni (PSDB) apresentou ontem um requerimento para tentar convencer o governador Requião a fazer a entrega imediata dos ônibus escolares que estão há mais de 15 dias estacionados diante do Palácio Iguaçu. Mas os deputados governistas derrubaram o pedido, que foi rejeitado por 19 votos contra 13 favoráveis.
Estacionamento
A bancada de oposição diz não entender porque o governo mantém os ônibus parados, enquanto muitos estudantes sofrem com a falta ou a precariedade do transporte escolar no interior do Estado. Os parlamentares lembram que o ano letivo começou no dia 9 de fevereiro. “Isso é falta de planejamento, o governo teria que ter comprado e entregue esses ônibus em janeiro. Vão esperar as aulas terminarem para entregá-los?”, questionou o líder da oposição, deputado Élio Rusch.
Disfarce
Requião perde o amigo mas não perde a piada. Ontem, ele ironizou a presença do deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT) – aliado do senador Osmar Dias – na “escolinha”. “Chamo aqui o deputado Augustinho Zucchi que está meio inibido, escondidinho ali atrás, para participar desta solenidade”, brincou.
Ponta do lápis
Após uma avaliação preliminar das contas do governo de 2008, a oposição fez os cálculos e conclui que Requião pode sim dar aos servidores públicos estaduais os mesmos 15% de reajuste que propõe para o piso salarial regional dos trabalhadores da iniciativa privada. Pelo balanço, no ano de 2008 o gasto com a folha de pagamento dos servidores foi de R$ 6,1 bilhões, equivalente a 42,27% de uma receita corrente líquida de R$ 14,4 bilhões. A LRF permite que o Executivo comprometa até 49% da receita com gastos com pessoal.
FATOS OU BOATOS
Na última segunda-feira, para rebater as declarações do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em apoio à Osmar Dias (PDT), Requião assumiu publicamente o apoio à candidatura do vice-governador Orlando Pessuti à sucessão estadual. A guinada foi percebida pelos aliados como um sinal de que o governador finalmente se convenceu de que queira ou não, vai ter que se entender com seu vice, caso queira tranquilidade depois de deixar o governo em abril de 2010 para disputar uma vaga no Senado.
FRASE DO DIA
“O PMDB é o Requião mais todos nós. Não é simplesmente o Requião”
do presidente do PMDB do Paraná e deputado estadual, Waldyr Pugliesi
RÁPIDAS
O PV do assessor de Requião, Melo Viana, agora tenta expulsar o vereador professor Galdino, porque esse não quis sustentar os funcionários fantasmas do partido em seu gabinete na Câmara Municipal. A ideia é desalojar Galdino – que não tem se dobrado à linha acessória ao requianismo impingida pela cúpula verde no Estado – emplacando a posse do suplente, Paulo Sala